segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"O amor vive de gratuidade, de sacrifício de si, de perdão e de respeito pelo outro."

"O amor vive de gratuidade, de sacrifício de si, de perdão e de respeito pelo outro."

"... cada amor humano é sinal do Amor eterno que nos criou, e cuja graça santifica a escolha de um homem e de uma mulher em dar-se reciprocamente a vida no matrimônio. Vivais esse tempo do namoro na expectativa confiante de tal dom, que é acolhido percorrendo uma estrada de consciência, de respeito, de atenções que não deveis nunca ferir: somente nessa condição a linguagem do amor permanecerá significativa também ao passar dos anos. Educai-vos, pois, desde agora à liberdade da fidelidade, que leva a se proteger reciprocamente, até viver um pelo outro. Preparai-vos para escolher com convicção o "para sempre" que conota o amor: a indissolubilidade, antes que condição, é dom a ser desejado, pedido e vivido, para além de todas as mutáveis situações humanas. E não pensais, segundo uma mentalidade difusa, que a convivência seja garantia para o futuro. Queimar as etapas leva a "queimar" o amor, que, ao contrário, tem necessidade de respeitar os tempos e a gradualidade nas expressões; tem necessidade de dar espaço a Cristo, que é capaz de tornar um amor humano fiel, feliz e indissolúvel. A fidelidade e a continuidade do vosso querer-vos bem vos tornarão capazes também de ser abertos à vida, de serem pais: a estabilidade da vossa união no Sacramento do Matrimônio permitirá aos filhos que Deus desejar vos dar crescer confiantes na bondade da vida. Fidelidade, indissolubilidade e transmissão da vida são os pilares de cada família, verdadeiro bem comum, patrimônio precioso para toda a sociedade. Desde agora, fundai sobre tudo isso o vosso caminho rumo ao matrimônio e testemunhai-o também aos vossos coetâneos: é um serviço precioso! Sejais gratos a quantos, com compromisso, competência e disponibilidade vos acompanham na formação: são sinal da atenção e do cuidado que a comunidade cristã vos reserva. Não sejais sós: busqueis e acolheis por primeiro a companhia da Igreja."

(Papa Bento XVI)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"Treinando" para o casamento

Por Crystalina Evert

Quando eu era do colegio, me lembro que um dia fui para a casa de uma colega, e vi sua mãe e seu pai. Eu me lembro de perguntar para ela: "Você não acha estranho ter seu pai sempre em casa?" Ela simplesmente me olhou meio confusa e falou: "Hm... não, não acho".

Meus pais se separaram quando eu tinha dois anos. Dos meus seis tios e tias, cinco eram divorciados, e a maioria das minhas amigas viviam em lares onde só havia a mãe, algumas vezes só o pai. Aos meus olhos, não acreditava que as relações pudessem durar. Então, quando comecei a namorar, não tinha a menor idéia do que seria um relacionamento saudável.

O drama dos meus relacionamentos geralmente seguiam um roteiro: eu paquerava, me "apaixonava", e depois as coisas ficavam muito "quentes" fisicamente. Seguia-se o desrespeito, abuso, infidelidade, sarcasmo, e desonestidade. Daí então a gente terminava (geralmente várias vezes), e depois repetia o processo todo com outra pessoa. Eu sei que parece meio depressivo, mas era minha realidade, já que todas as minhas amigas estavam na mesma situação.

Depois de alguns anos vivendo assim, você pode imaginar que eu não tinha lá muita vontade de me casar. Na verdade, eu debochava das pessoas que viam o casamento como um objetivo na vida. Eu pensava: "Meu Deus, como são ingênuas essas pessoas! Elas estão apenas caminhando para a frustração!" Eu nunca desejei passar por um divórcio, e eu sabia exatamente como evitá-lo: não me casando nunca.

Mas, finalmente, me veio um pensamento. Se ninguém quer um divórcio, porque todo mundo vive como se estivesse treinando para ter um? Ao invés de treinarmos para a fidelidade, tínhamos essa mentalidade: "Se te dá vontade, vai lá e faz!" Ao invés de ensinar as outras pessoas a nos respeitar, deixávamos as pessoas nos usarem. Mas será que esses hábitos vão levar um casamento a ser duradouro? Com certeza não, pois tudo depende de mim.

Eu não mudei meu jeito de ser da noite para o dia, porque eu não sabia sequer como deveria ser tratada. Eu tinha recaídas de tempos em tempos, mas sempre pensava comigo mesma: "Se eu quero dar aos meus filhos a família que eu nunca tive, então tenho que parar de agir como vítima". É muito fácil desistir, entrar em desespero, e admitir a derrota, do mesmo jeito que é fácil se divorciar.

O que não é fácil é se fazer vulnerável, praticar o auto-controle, ficar longe de relacionamentos sem futuro, e ter a coragem de manter firme a esperança de que o verdadeiro amor existe. Mas parece que as únicas pessoas que encontram o verdadeiro amor são exatamente as pessoas que fazem isso. A idéia de se tornar um marido ou uma esposa pode parecer algo distante para você, mas as virtudes ou vícios que você pratica hoje irão moldar quem você irá se tornar, e a maneira com que você vai se permitir ser tratada no futuro.

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Trecho do livro "Theology of the body for teens", p. 129

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Mais uma oportunidade de conhecer a Teologia do Corpo

Já temos no site http://www.teologiadocorpo.com.br/ um curso virtual gratuito.

Agora, a TV Século 21 proporciona, através de seu projeto EAD (Ensino à Distância) um curso de ensino à distância. Mais uma oportunidade de conhecer a Teologia do Corpo.

http://www.eadseculo21.org.br/ead/?opcao=visualizarCurso&ID=288

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

“Não caiam no mesmo erro que eu”

(a história de alguém que se deixou seduzir pela falácia abortista)
[Este depoimento foi recebido por correio eletrônico em 29/09/2011
A autora deu permissão para sua publicação]

Meu nome é Gabriela, tenho 32 anos, nasci no RJ, cresci em uma família cercada de amor e cuidados e atenção. Apesar de ter crescido em uma família católica ouvindo sempre os ensinamentos de Deus, achava tudo isto uma grande besteira, meu discurso era de que o ser humano é o único responsável por sua própria existência.

Em minhas preleções cheias de propriedade eu defendia a liberdade da mulher, o aborto e a não existência de Deus.

Em uma vida atribulada e com valores invertidos, fui construindo uma personalidade vaidosa, fútil e egoísta. Com objetivos traçados, eu lutava para conseguir atingi-los na ilusão que minha beleza era eterna e que a minha inteligência era acima do comum. Como estudante e depois como jornalista, trabalhei com artistas famosos e intelectuais, para a maioria das pessoas o aborto era considerado algo normal. Então quando me vi grávida não cheguei sequer a cogitar a opção de ser mãe. Sem nenhum remorso fui a uma clínica para a consulta pela manhã e marquei o procedimento para o mesmo dia à tarde.

Minha única preocupação foi perguntar ao médico se estaria boa para trabalhar no dia seguinte, pois havia o lançamento de um livro e eu precisava estar lá para mostrar o quanto eu era competente.
Acompanhada do meu namorado, que ainda tentou me demover da idéia, alegando que financeiramente um filho seria viável e que gostava de mim, me dirigi para cometer o maior erro da minha vida. Para ele apenas afirmei que era eu quem tinha o direito de decisão, pois para mim a mulher é quem podia decidir ter ou não um filho. Fiz o aborto sem nenhuma dor de consciência e fui tocando minha vida sem Deus.

Ignorante, eu imaginava que éramos os seres humanos, os únicos responsáveis por nossos destinos e que Deus não passava de uma figura inventada para acalentar os fracos.

Um tempo após ter feito o aborto, fui convidada para ir ao MT para um trabalho, já restava com 26 anos, peguei um avião e parti ao que seria minha maior escola.

Em MT, pela vontade de Deus acabei parando em uma cidade fronteiriça com a Bolívia, marcada pela pobreza em demasia e pela promiscuidade. Nesta cidade, conheci um rapaz por quem me apaixonei (era para eu ficar por 4 meses fazendo um documentário sobre população ribeirinha), joguei tudo para o alto para viver este amor e casei-me em dezembro de 2007.

Mas minha vida não foi fácil, meu marido me traía e fui muito humilhada, com a tristeza acabei engordando 24 kg, perdendo a beleza que tanto eu exaltava, não tinha emprego como jornalista, então fui dar aulas de inglês, meu trabalho não tinha nenhum glamour de outros tempos, meus pais não estavam mais por perto para limpar as besteiras que eu fazia. Eu que adorava festas e passava madrugadas nas altas rodas, sofria pelos sumiços de meu marido, que só retornava bêbado pela manhã. E eu que sempre fui tão dona de meu nariz, andava de cabeça baixa resignada. Em meio a toda esta dor fui apresentada a Jesus, comecei a rezar e de alguma forma Ele me acalentava. Certo dia, fui a Catedral que existe aqui na cidade e ajoelhada em frente à imagem de Nsa. Senhora chorei um choro doído que me fez entender muita coisa e agradeci o sofrimento, pois percebi que Deus me deu a oportunidade de sofrer para pagar um pouco os imensos pecados. Naquele momento tive a consciência que cometi um assassinato. Havia matado meu próprio filho! O sofrimento devastou minha alma como uma grande onda, este sofrimento foi como uma bofetada que me fez despertar.

Hoje meu marido se arrependeu da traição e vivemos melhor, voltei a trabalhar como jornalista em uma universidade, nunca mais tive a beleza de antes. Desejei muito ter um filho, fiz várias tentativas, mas nunca consegui engravidar de novo. Sofro muito até hoje e a culpa me persegue.

Percebi que Deus tinha um propósito para minha vida e hoje converso com muitas jovens sobre a importância da solidez de uma família e sou militante CONTRA o aborto. Quero adotar uma criança e dar amor e valores a ela, mas sei que terei esta marca impressa para toda a eternidade.


Dou meu testemunho porque quero de alguma forma ajudar a quem tem dúvidas. Nos fazem acreditar que para ser feliz basta termos uma boa profissão, ter liberdade de fazer o que quiser e não temer a nada nem a ninguém. Hoje sei que os limites são necessários e que a família é um bem precioso.

Deus é um pai de imensa bondade e sua justiça é infalível, por isto agradeço minhas lágrimas, só através delas pude dissolver a cegueira do egoísmo e da vaidade.

Eu imploro, não cogitem fazer um aborto. A vida é um presente de Deus e filhos bênçãos maravilhosas! Não caiam no mesmo erro que eu, a culpa é um chicote que abre feridas que nunca se cicatrizam.

Gabriela
www.providaanapolis.org.br

domingo, 28 de agosto de 2011

Teologia do Corpo no programa "Escola da Fé", com Prof. Felipe Aquino

Abaixo assistam aos vídeos da entrevista no programa "Escola da Fé", junto com Viviane, esposa do Marcelo, casal que faz parte de nosso apostolado no www.teologiadocorpo.com.br
Prof. Felipe Aquino conversa conosco sobre Teologia do Corpo.










domingo, 21 de agosto de 2011

JMJ 2013 no Rio


Hoje, 21 de agosto de 2011, em Madrid, o Papa Bento XVI anunciou que a próxima Jornada Mundial da Juventude será no Rio de Janeiro. Estaremos todos lá, se Deus quiser!!!
Deus abençoe o Papa!

Abortos ocultos

Veja também no site do Pe. Paulo Ricardo:

http://padrepauloricardo.org/audio/34-parresia-abortos-ocultos/




segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Uma nova síntese de verdades eternas

Por Ir. Helena Burns, FSP


“A Nova Evangelização" é um termo cunhado pelo Papa João Paulo II para descrever a necessidade atual de evangelização e re-evangelização dos países e regiões do mundo que são historicamente cristãos, mas por diversas razões já não o são mais, ou são cristãos apenas no nome. O Papa Bento XVI retomou esta convocação com relação à Europa, em particular, ao testemunhar as tentativas do continente de negar até mesmo a concretude de suas raízes cristãs. Papa Bento inclusive instituiu o Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, em 2010.

A "re-evangelização" de países não é coisa nova. Há precedentes em que um país / povo recebeu o “kerygma” (o primeiro anúncio do Evangelho) de primeiros missionários, mas a Igreja local ficou sem pastores, careceu de um desenvolvimento sistemático estrutural, voltou às religiões nativas, caiu em heresia, ou foi convertida a outras religiões devido a invasões etc. A parábola do semeador e das sementes é perfeitamente aplicável aqui. A Índia afirma ter recebido seu kerygma do próprio Apóstolo Tomé. A Inglaterra recebeu a Fé no início, mas estava necessitando de re-evangelização logo depois. Os índios Potawatomi em Michigan foram batizados por um padre missionário e aprenderam o Pai Nosso em latim, mas não viram outro sacerdote por muitos anos. Sua recitação do Pai Nosso serviu como prova de seu batismo aos missionários subseqüentes.

O que a Teologia do Corpo, de João Paulo II, tem a ver com a Nova Evangelização? Tudo. Embora não tenha “ligado os pontos” ele próprio – provavelmente por modéstia – a correlação é vital, pelo menos para a civilização ocidental. Como assim? Não há evangelização sem a evangelização da cultura. Indivíduos pertencem a culturas, e o Evangelho não só deve transformar o indivíduo, mas a cultura também, através da "inculturação". Por que a necessidade de evangelizar as culturas? "Cultura" é tudo o que nos torna humanos: trabalho, arte, recreação, lazer, esportes, vida familiar, ritos de passagem, as redes sociais, política, comida, dança, literatura, teatro, rituais e, sobretudo, louvor e lirturgia. Para que o Evangelho permaneça e seja eficaz, deve permear todas essas áreas.

Hoje em dia, a "cultura pop" é a cultura dominante. Alguns poderiam chamá-la de "cultura americana" ou “cultura midiática”. Alguns desdenham a cultura pop, definindo-a como “cultura inferior” em oposição à "alta cultura" da música clássica e dos "grandes livros" etc. Mas o fato é que a “cultura pop” tem todos os sinais de uma cultura genuína. E é a única cultura a que muitas pessoas jovens e outras pessoas não tão jovens assim afirmam estar ligadas. Como João Paulo também disse: "O homem é o caminho da Igreja." Nós não podemos nos dar ao luxo de ficar para trás, distanciados das estradas pelas quais as massas viajam. Devemos "colocar-nos ao largo" (“duc in altum”), ir mais a fundo, entrar nos meandros confusos da cultura pop, se quisermos trazer e ser Cristo, Caminho, Verdade e Vida, para as almas.

Como o Concílio Vaticano II nos ensinou, há "sementes do Evangelho" presentes em cada cultura. Há uma necessidade de "batizar" o que já é bom em uma cultura e "purificar" o que não é. Quais são as "sementes do Evangelho" presente no Ocidente de hoje, a assim chamada cultura "pós-cristã", e na cultura pop? Uma fascinação, obsessão, e compromisso inabalável com o corpo, a sensualidade, o material, o belo, o que pode ser visto, sentido e experimentado. E João Paulo II disse: “Tudo bem. Podemos começar por aí”. Esta foi a genialidade da Teologia do Corpo. Em vez de começar com o espiritual, a alma, a mente, a consciência, isto é, o que não pode ser visto, ele disse: “Vamos começar com o que podemos ver.” O físico. O corpo. Como notou o biógrafo de João Paulo II, George Weigel, a Teologia do Corpo tem transformado e continuará a transformar todo o mundo teológico e filosófico (secular e religioso) de cabeça para baixo (ou do lado certo para cima!), dando-lhe um novo ponto de partida. Um ponto de partida universalmente verificável. E este ponto de partida não pode ser dissociado de Deus, porque é criação, e criação é uma doutrina, e agora estamos diretamente no colo de Deus.

Mas não foi sempre com a criação de Deus que começamos as nossas catequeses? "Deus fez o mundo"? Sim. No entanto, nós, católicos ocidentais, somos membros de carteirinha da nossa cultura ocidental em particular, que é cartesiana, isto é, que defende e vive, em seu âmago, uma divisão mente-corpo (veja a introdução de M. Waldstein para a nova edição da Teologia do Corpo, “Man anda Woman He Created Them”). Esta subjacente falha filosófica mina e substitui tudo o que é ensinado pela Bíblia e pela Igreja, e orienta nossas decisões diárias.

O fato que importa é o seguinte: Nós não temos corpos, nós somos corpos. Somos espíritos corporificados corpos espiritualizados. A definição da pessoa humana é: corpo e alma, juntos para sempre.

É a Teologia do Corpo algo novo ou algo velho, então? As duas coisas. É uma nova síntese das verdades eternas. João Paulo II, um catequista, apresentou o depósito da fé de tal forma que se torna imediatamente acessível a todos, porque ele começa onde todos nós vivemos: o nosso corpo, amor, relacionamentos. Jeff Cavins diz que o que aprendemos sobre a nossa fé ao longo dos anos muitas vezes equivale a uma "pilha de catolicismo", que pode até parecer um monte de fatos verdadeiros, mas não relacionados. João Paulo II tomou a caixa de quebra-cabeça da fé católica e reuniu os pedaços juntos para que possamos ver o quadro completo e belo do plano de Deus para o corpo humano, a pessoa humana, centrada em torno da criação / Encarnação / nova criação. Agora podemos ver como tudo está interligado: como a Eucaristia se conecta ao casamento, como o Magistério se conecta à doutrina social da Igreja, como o ano litúrgico se conecta aos nossos ciclos de fertilidade etc. Como o Padre Thomas Loya diz: "A Teologia da Corpo é o sistema de entrega para a soma total da sabedoria da Igreja".

Talvez possamos mesmo dizer que a teologia do corpo é a Nova Evangelização.

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Irmã Helena Burns, da congregação Filhas de São Paulo, ministra oficinas para adolescentes e adultos sobre a Teologia do Corpo, a literatura mediática e filosofia.


Traduzido de: http://www.ncregister.com/daily-news/a-synthesis-of-eternal-truths/#ixzz1V7O7cJoU
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domingo, 31 de julho de 2011

A pornografia não é inofensiva

Por Danielle Tiano e Karen Child

Quando Missy descobriu pornografia no laptop de seu marido, não sabia bem o que fazer. Ao invés de confrontá-lo, revelou sua descoberta a algumas de suas melhores amigas. Disse-lhes que a busca de um documento em seu HD levou a um arquivo chamado "trabalho" que continha centenas de fotos de mulheres e homens em atos sexuais. Ela sentiu-se traída, magoada e com raiva. Suas amigas estavam chocadas e consternadas, porque acreditavam que Missy e seu marido eram o casal perfeito. Elas também começaram ase perguntar se isso não poderia acontecer a elas.

Há algum tempo atrás era necessário descobrir onde estavam as revistas do tio ou do irmão para ser exposta à pornografia. Mas agora, a pornografia e sua cultura têm se tornado uma coisa comum, aceita, e sua acessibilidade aumenta em um nível global. De acordo com um estudo realizado pela “Internet Filter Review”, em 2006, 70 por cento dos adultos admitem que veem pornografia regularmente, geralmente sem seus cônjuges ou sem conhecimento de ninguém. Em todo o mundo, a pornografia é uma indústria de 97 bilhões de dólares, com os Estados Unidos consumindo 13 bilhões desse total. Esse nível de exposição tem permeado a sociedade, independentemente da condição social, da raça ou do gênero.

Um estudo recente realizado pelo Brigham Young University descobriu que os estudantes universitários do sexo feminino nos Estados Unidos aceitam mais a pornografia hoje em dia. Passaram a tratar a pornografia como um lugar-comum, um rito de passagem, uma “apimentada” no casamento, uma forma inofensiva de entretenimento e expressão sexual. Mas, na verdade, os efeitos de longo alcance, similares aos das drogas, são prejudiciais a saúde econômica, social e espiritual da nossa sociedade.

Exames de um cérebro de viciado em crack e um cérebro viciado em pornografia parecem assustadoramente semelhantes. Mas enquanto um viciado em cocaína necessidades de cocaína para conseguir o efeito desejado, um viciado em pornografia só precisa imaginar a sua última experiência erótica para liberar os mesmos neuro-químicos que ele ou ela experimenta quando vê pornografia. Um fato verdadeiro, e ainda mais surpreendente, é que viciados em pornografia podem conseguir os efeitos da “droga”, mesmo sem sua droga. O fenômeno, chamado de “recall eufórico”, pod efazer da pornografia o vício mais poderoso dos tempos modernos.

E, assim como acontece em qualquer vício, o usuário necessita de “doses” mais intensas e práticas sexuais mais incomuns para atingir o mesmo efeito de excitação. Muitas vezes, passam a se aventurar em tipos de pornografia e em práticas que não teriam nunca considerado antes. Este é o caminho que leva a práticas imorais e ilegais, como prostituição e pornografia infantil, e pode até causar uma devastação financeira. Vinte por cento dos homens e 13 por cento das mulheres admitem que visualizam pornografia no trabalho, e os empregadores estão começando a reprimir esta onda, demitindo mais e mais adultos, devido à produtividade perdida.

Casais podem querer introduzir pornografia depois de anos de casamento, com a idéia de “apimentar” uma vida sexual monótona. A novidade pode excitar no início, mas ao longo do tempo, pode diminuir a conexão emocional, a excitação e a intimidade sexual compartilhada. Muitos casais cometem o erro de pensar que a pornografia vai ajudar um relacionamento conturbado, quando na realidade ela apenas mascara temporariamente o problema mais profundo de desconexão e falta de intimidade real.

Uma pesquisa de 2002, feita por membros da Academia Americana de Advogados Matrimoniais, descobriu que a internet desempenhou um papel em 62 por cento dos casos de divórcio no ano anterior, e 56 por cento disseram que um interesse obsessivo por pornografia na Internet foi um dos problemas.

O aspecto mais perturbador da aceitação da pornografia na nossa cultura é o seu efeito sobre as crianças. A organização “Family Safe Media” informa que a idade média da primeira exposição de uma criança à pornografia é de oito anos, e a “Internet Filter Review” comenta que 90 por cento das crianças com idades entre entre oito e quinze anos já viram pornografia em seus computadores domésticos, a maioria ao fazer lição de casa.

A pornografia é particularmente prejudicial para um cérebro jovem, que não completou o seu desenvolvimento. Ela pode realmente modificar as conexões neurais no cérebro, afetando as áreas da toxicodependência e excitação.

Pesquisasa tem mostrado que crianças expostas à pornografia apresentam respostas emocionais traumáticas, relações sexuais em idade precoce, um aumento do risco de doenças sexualmente transmissíveis, e um desenvolvimento de compulsões sexuais. Elas também podem vir a objetificar os seres humanos, acreditando que a satisfação sexual é alcançada sem afeição pelo parceio(a).

Muitos pais não falam com os filhos, porque eles mesmo não têm atitudes saudáveis na área sexual, ou podem estar envolvidos em pornografia ou outros comportamentos sexuais de risco.

Então, qualquer que seja sua opinião sobre a pornografia, estaja ciente de que o que poderia ser usado para acender uma faísca no quarto pode de fato provocar uma explosão de vício em seu relacionamento, e entre seus filhos. Se a pornografia tem sido descrita como o novo "crack", em termos de seu poder viciante, não podemos deixar de ter essa conversa de importância crítica, com nosso cônjuge e com nossos filhos.
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Juntas Danielle Tiano e Karen Child escreveram um livro infantil para ajudar os pais a conversar com seus filhos sobre pornografia e seus perigos. Danielle Tiano tem escrito vários livros sobre assuntos difíceis para as crianças, Karen é uma terapeuta familiar e de casal, atuando no tratamento de adultos e jovens que lutam contra o vício sexual.
Traduzido de: http://www.elizamagazine.com/article.php?ID=20
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sábado, 23 de julho de 2011

Deixar-se amar


"Em um sentido mais profundo, o homem chega a si mesmo não através do que faz, mas através do que recebe. Ele deve esperar pelo dom do amor, e o amor somente pode ser recebido como um dom, como dádiva. Ninguém está em condições de “produzir” o amor por si, sem o outro; deve-se esperar por ele, deixá-lo ser entregue a alguém. Não é possível se tornar plenamente humano de nenhum outro modo, a não ser deixando-se amar. Se o homem não se permite ser presenteado com o dom do amor, ele se destrói."

Bento XVI 


Introdução ao Cristianismo, Ed. Herder, São Paulo, 1970. p.219-220.


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segunda-feira, 11 de julho de 2011

“Eu vejo você”: de Santo Agostinho até Avatar

Por Christopher West

Quando Avatar se tornou o filme de maior bilheteria da história do cinema, pensei que poderia ir lá e conferir o que o filme tinha de especial.

De fato, há várias coisas a se admirar nesse filme. Além do visual de tirar o fôlego e dos efeitos especiais surpreendentes, eu fiquei especialmente fascinado pelas três palavras simples com que o povo Na'vi se cumprimentava: “eu vejo você”. Como explicado no filme, significa mais do que ver o outro fisicamente, com os olhos. Significa ver dentro do outro, compreender o outro, acolher o outro. Significa ver o coração da outra pessoa, a pessoa da outra pessoa.


E aqui, James Cameron, o escritor e diretor do filme, pode muito bem ter se servido diretamente de Santo Agostinho. Foi o "Doutor da Graça" quem disse que o desejo mais profundo do coração humano é ver o outro e ser visto pelo olhar amoroso do outro (ver Sermão 69, c. 2, 3).

Esse anseio de ver e ser visto, assim como a própria beleza do distante planeta Pandora, remonta ao Éden, à forma original de "ver", sobre a qual João Paulo II reflete em sua Teologia do Corpo. Como o último Papa expressou, o primeiro homem e a primeira mulher “viam o outro mais plena e claramente do que através do próprio sentido da visão.” Eles viam um ao outro com um "olhar interior" (ver catequese de 02/01/1980) - um olhar que vê “dentro” do outro, criando um vínculo profundo de paz e intimidade.

Um "olhar interior" é precisamente o que o povo Na’vi expressa quando diz “eu vejo você”. E isso, creio eu, é um dos atrativos de Avatar: o filme nos convida para uma maneira diferente de ver um ao outro, e o mundo ao nosso redor.
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Tradução de trechos do artigo “’I See You’: From Augustine to Avatar”, de Christopher West. Veja o artigo original em: http://www.christopherwest.com/page.asp?contentID=137

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sede fecundos e multiplicai-vos. Agora.



Por Barbara Kay

Acabei de comemorar um aniversário significativo. Quão significativo? Dica: eu agora posso ter gratuidade no transporte público, em vez de pagar. Eu sou o que sou, e o que eu sou não é jovem.

Decidi que eu sou uma "idosa", termo que tem uma aceitação cultural mais agradável e – ao contrário da palavra "velho", que traz consigo um sentido de desgaste – deixa a pessoa com algumas “cartas” ainda na manga, e neurônios suficientes para distinguir um falcão de um serrote.

Para minha alegria, uma expectativa crucial se materializou: eu também estou mais sábia. Isso é porque eu realmente aprendi com a experiência – a minha própria e a experiência de outras pessoas intelectualmente dignas de confiança. Eu posso distinguir o que é transitório do que perdura. Eu não me deixo enganar ou me levar por projetos duvidosos. Eu sei escolher as pessoas, idéias e instituições nas quais vale a pena gastar o meu tempo cada vez mais precioso.

Você não pode imaginar que conveniência é ter sabedoria, e como ela nos faz ganhar tempo. Eu recomendo. Quando você é sábio, a cada minuto do seu dia é produtivo, de uma forma ou de outra. Suas prioridades instintivamente se ajustam no lugar.

Falando de prioridades, uma poetisa de Montreal uma vez escreveu: "Eu não venderia o meu filho por um milhão de dólares, e eu não lhe daria sequer dois centavos pelo seu." O que ela queria dizer, claro, era que apenas uma coisa na vida é realmente preciosa.

O que me leva ao meu argumento: Alguma sabedoria pode ser adquirida através da própria experiência; mas outros tipos de sabedoria, como a decisão de quando ter filhos, dependem de tempo de experiência, e devem ser tomadas a partir dos conselhos dos sábios mais velhos, como eu.

Então, deixe-me dizer – bem, na verdade acredito que a Constituição permite que as pessoas da minha idade possam dar conselhos não solicitados – que no caso improvável de que você, leitora deste artigo, seja uma mulher de vinte e poucos anos, aqui vai um pouco de sabedoria adquirida com a experiência que você nunca vai obter hoje em dia de figuras de autoridade masculina (eles não ousariam!) ou mesmo da maioria das outras mulheres: Nada do que você possa alcançar naquela sua preciosa carreira vai chegar aos pés da realização que é criar filhos decentes e construtivos.

Não espere muito tempo. A infertilidade desejada voluntariamente pode se tornar um pesadelo de arrependimento. Repita comigo: Meu pico de fertilidade ocorre por volta dos 25 anos. Aos 35, já estou arriscando. Aos 40, estou jogando na loteria.

Não existe um príncipe encantado. Quando você decidir que é a hora certa, você vai encontrar o homem certo. Se você começar a olhar para os homens como potenciais pais, ao invés de potenciais amantes, você vai acabar vivendo harmoniosamente de acordo com a natureza, e não com o plano de feministas.

Minhas amigas se tornaram altamente bem sucedidas nos negócios, na vida profissional e cultural. Mas quando nos encontrarmos socialmente, elas não querem me contar sobre a mais recente realização profissional. Já estão acostumados a quem – e o que – são (ou fizeram as pazes com quem – e o que – não são). O que as estimula agora são os desdobramentos e os dramas das vidas de seus filhos e – se tiveram a sorte de tê-los – dos seus netos.

Você vai estar onde estou mais cedo do que você pensa. Você pode mudar sua opinião em qualquer idade, mas em matéria de biologia, o tempo é um árbitro implacável. O mais pungente dos lamentos de Shakespeare é "Oh, tempo, volte para trás em seu vôo." Aqui termina a sabedoria por hoje.
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Tradução adaptada de trechos do artigo "Be fruitful and multiply. Now.", de Barbara Kay, Jornal National Post (Canada), 12 de dezembro de 2007.


http://www.catholiceducation.org/articles/feminism/fe0044.htm

domingo, 19 de junho de 2011

A Beleza do Amor: Chave para a Educação em Pureza Sexual

Como os ensinamentos da Teologia do Corpo sobre a castidade afetam a prática pastoral, e como podemos ensinar e viver a castidade a partir disso?


                                             Por Michael Waldstein, Ph.D.

A beleza é um dos dois fundamentos sobre os quais o método pastoral de João Paulo II se sustenta na área do casamento e vida familiar. Eu devo mencionar imediatamente o segundo para que o método pastoral não parecem estar pulando numa perna só: é a experiência. João Paulo II é um observador sagaz e disciplinado da experiência humana, particularmente da experiência do amor entre homem e mulher. Seu encontro precoce com a poesia esponsal-experiencial e com a teologia de São João da Cruz deu um forte impulso para o que parece ter sido um aguçado talento natural do jovem Karol Wojtyla.

A combinação desses dois fundamentos, beleza e experiência, é poderoso. Uma beleza dissociada, vista de longe como um objeto de admiração, fora do alcance da experiência real de homens e mulheres comuns, pode despertar nostalgia, mas não pode causar uma mudança real ou fornecer orientação efetiva. A beleza entendida como realizável e em conexão com a experiência diária do amor - essa tem um grande poder para mover e sustentar a vida real. Não é preciso receber o ensinamento de João Paulo II só por causa da mera autoridade. Pode-se verificar sua veracidade ou não na própria experiência.

Não é segredo que muitos católicos, particularmente na academia, discordam sobre a ética do casamento, sexo e família. O método pastoral de João Paulo II é um avanço positivo nesta situação de, por vezes, linhas de batalha entrincheiradas. Ele parece dizer-nos: "Seu desejo pela beleza do amor vai levar você ao lugar certo. Tente esta beleza; teste-a em sua própria experiência ".

Em um estudo teológico sobre o corpo, a questão da finalidade do corpo é central. Por que Deus criou a matéria? Por que criou o corpo humano? Ele o criou como um sinal sacramental, a fim de expressar sua própria vida enquanto Trindade – e a fim de transferir para o mundo visível uma participação nessa vida. O propósito da matéria e do corpo humano em particular é permitir que o esplendor da vida divina penetre no mundo visível e se expresse em uma forma corpórea harmoniosa no amor entre homem e mulher.



Como podemos crescer na visão e no conhecimento dessa beleza? Como essa beleza pode realmente entrar em nossa experiência diária de modo a desabrochar o seu poder de transformar nossas vidas? A vida sobrenatural, que podemos ver apenas com os olhos da fé, atinge nossa experiência através dos dons do Espírito Santo. Qual dos dons do Espírito Santo é particularmente importante para que a beleza do atinja nossa experiência? O ensinamento de João Paulo II é muito claro sobre este ponto. O dom do Espírito Santo que está no centro da espiritualidade conjugal é o dom da piedade ou reverência, isto é, uma sensibilidade viva para o que é sagrado e divino nas relações entre homem e mulher.

Na "Carta às Famílias", João Paulo ilustra isso ao olhar para a feiúra do seu oposto: "Um amor que não é mais belo, mas reduzido apenas à satisfação da concupiscência (1 João 2:16) ou a um “uso” mútuo entre um homem e uma mulher, faz das pessoas escravas das suas fraquezas. Não é verdade que certas "agendas culturais" modernas levam a essa escravidão?"

Pode-se compreender a beleza do amor contrastando-o com esse mútuo "usar." O mero “uso” de pessoas, mesmo por consentimento mútuo, por mero prazer ou episódio erótico, é feio, porque é uma ofensa à dignidade humana. A beleza primeira e mais fundamental do amor está ligada com o respeito ou mesmo reverência pela dignidade racional das outras pessoas. É somente no espaço livre aberto por este respeito e reverência que o homem e a mulher podem se mover livremente e com alegria juntos no amor, sem o medo de “asfixia” no “uso”, ou o “jogar a pessoa fora” depois que termina a excitação erótica.

Na Teologia do Corpo, João Paulo II nos mostra a beleza do corpo, acima de tudo, como dom de si no amor. Nesse dom (dádiva, presente), surge uma grande profundidade no corpo: não apenas a vontade e o sentimento e do homem e da mulher em ser uma só carne, oferecendo-se um ao outro, mas ainda mais profundamente, uma participação na comunhão divina de pessoas. É no poder do corpo enquanto um sinal sacramental no casamento que sua maior beleza pode ser vista.
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Michael Waldstein, Ph.D., é professor de teologia na Universidade Ave Maria. Ele traduziu as catequeses do Papa para o inglês, no livro: “Man and Woman He Created Them: A Theology of the Body”.
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Trechos traduzidos de: http://www.ncregister.com/daily-news/the-beauty-of-love-key-for-education-in-sexual-purity/
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domingo, 12 de junho de 2011

Como eu posso começar a me vestir modestamente de uma hora para outra? Tenho um pouco de medo do que as pessoas vão pensar de mim.

Por Jason Evert

Não tenha medo de ser pura. Acredite em mim, se você soubesse o que passa na cabeça de muitos rapazes do colégio, você teria medo de não ser modesta. Portanto, procure uma amiga que também queira se vestir com modéstia, e vá com ela para um shopping. Se você for para uma festa ou formatura, dê uma olhada nos vestidos em www.beautifullymodest.com.


Eu acho que você vai descobrir que, junto com a modéstia, vem uma paz serena que é muito melhor de sentir do que os olhares passageiros dos rapazes. Simplesmente tente. Deixe que o seu desejo pelo verdadeiro amor a motive a escolher a modéstia. Além do mais, o tipo de rapaz que você deseja encontrar não é o tipo de rapaz que fica olhando para meninas com blusinhas muito curtas ou jeans apertado de cintura baixa. É preferível que você encontre um rapaz que acha você linda com uma roupa mais modesta. Agora, vestir com modéstia não significa se vestir de modo desajeitado ou sem ser atraente. Significa apenas que você prefere chamar a atenção dele para o que interessa mais: sua dignidade. Portanto, vista algo que revela mais de você: vista-se com modéstia.
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Traduzido de: http://www.chastity.com/chastity-qa/how-far-too-far/modesty/how-do-you-suddenly-star
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Como a Teologia do Corpo se encaixa na Tradição da Igreja

Por Colin Donovan

Um autêntico desenvolvimento da teologia é uma das características da fé católica. Tendo como ponto de partida a revelação divina (Escritura e Tradição), e sob a orientação do magistério, encontram-se novos insights acerca do significado e das implicações da fé.

A Teologia é a “fé em busca de entendimento” (Santo Anselmo), por isso, apesar da fé ser imutável, o entendimento que a Igreja tem sobre ela se aprofunda.

À primeira vista, a Teologia do Corpo parece ser algo completamente novo. Em vez de estudar a natureza objetiva das coisas, como os filósofos católicos têm feito tradicionalmente, ela reflete sobre a experiência humana, a fim de descobrir os elementos essenciais da experiência como eles aparecem na consciência da pessoa humana.

Uma vez que se trata de “experiência” humana, e não da natureza humana, os críticos da Teologia do Corpo muitas vezes a vêem como um método puramente subjetivo, incapaz de produzir resultados universalmente válidos.

Como se vê, o filósofo Karol Wojtyla (mais tarde Papa João Paulo II) concorda com algumas dessas críticas. Estudando o uso do “método fenomenológico” no começo dos anos 50, o então padre Wojtyla imediatamente viu a sua utilidade como um meio de compreensão (insight) da apreciação do valor moral por parte da pessoa humana e sobre a formação da consciência. Isso, na verdade, já havia sido demonstrado nos anos 20 pelo grande filósofo alemão Dietrich von Hildebrand e por sua colega no estudo do método, Santa Edith Stein.

Decidindo ele mesmo adotá-lo, o futuro Papa reconhecia que, a fim de ser útil, os resultados do método tinham de ser julgados por uma filosofia e teologia objetivas, tais como a de São Tomás de Aquino. Caso contrário, havia o perigo da própria experiência se tornar o referencial último, e de o usuário cair no subjetivismo ou no emocionalismo.

Foi esse estudo inicial do valor do método, assim como o seu reconhecimento de suas deficiências, que levaram o Papa a desenvolver uma abordagem freqüentemente chamada de “personalismo tomista”.

Para o Papa João Paulo II, o estudo da experiência da pessoa do mundo é extremamente importante para a formação moral e espiritual, mas só é teológica e pastoralmente válido quando compreendida dentro âmbito da teologia católica e da filosofia objetiva.

Fora deste âmbito, o mesmo método não é confiável. De fato, os resultados muitas vezes falhos de tais métodos em círculos seculares, onde a filosofia, as ciências humanas e a cultura são guiadas pela experiência subjetiva, tem demonstrado amplamente que isso é verdade.

O uso deste método por parte do Papa, portanto, acrescenta uma visão complementar – e não contraditória – à síntese tomista da teologia e da filosofia. Para a objetividade da revelação e da filosofia objetiva, o Santo Padre acrescentou uma terceira dimensão: a compreensão de como a pessoa humana percebe o mundo.

Nas últimas décadas, o seu valor pastoral, quando usado da forma cautelosa proposta pelo Papa, já foi amplamente demonstrado. No entanto, como George Weigel, o biógrafo do Papa afirmou, vai demorar séculos para a Igreja compreender plenamente a nova luz que o ensino e o método do Papa lançaram sobre verdades imutáveis​​.

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Colin Donovan é vice-presidente de teologia na EWTN. Ele obteve a sua licenciatura na Pontifícia Angelicum, escrevendo sobre o desenvolvimento da teologia da auto-doação no matrimônio, do Papa João Paulo II.
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Traduzido de: http://www.ncregister.com/daily-news/how-does-theology-of-the-body-fit-into-church-tradition/
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domingo, 8 de maio de 2011

“Jesus, o que foi que eu fiz?” a experiência traumática da estrela do rock Steve Tyler com o aborto

Por Kevin Burke

4 de maio de 2011 (Notícias Pró-Família) — Muito antes de receber elogios como juiz do programa de televisão American Idol [um caçador de estrelas], Steven Tyler era uma genuína estrela do rock, com tudo o que isso implicava. Em 1975, quando ele estava com quase 30 anos de idade e era o vocalista da banda Aerosmith, Tyler persuadiu os pais de sua namorada de 14 anos, Julia Holcomb, a fazer dele o guardião legal dela a fim de que eles pudessem viver juntos em Boston.

Steve Tyler

Quando a senhorita Holcomb e Tyler conceberam um bebê, o amigo dele de longa data Ray Tabano convenceu Tyler de que o aborto era a única solução. Na “autobiografia” da banda Aerosmith Walk This Way (em que recordações de todos os membros da banda e seus amigos e amantes, foram coletadas pelo autor Stephen Davis), Tabano diz: “Então eles fizeram o aborto, e realmente atrapalhou a vida de Steven porque o bebê era menino. Ele… assistiu ao procedimento de aborto, que atrapalhou muito a vida dele”.

Tyler também reflete em sua experiência de aborto na autobiografia. “Foi uma grande crise. É uma grande coisa quando estamos criando algo com uma mulher, mas nos convenceram de que nunca daria certo e arruinaria nossas vidas… Fomos ao médico, onde enfiaram uma agulha na barriga dela, e injetam o conteúdo na barriga dela, enquanto eu estava lá assistindo. E o bebê saiu morto. Senti-me devastado. Na minha mente, eu estava dizendo: ‘Jesus, o que foi que eu fiz?’”

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais define um acontecimento traumático como: “1. A pessoa experimentou, testemunhou ou se defrontou com um acontecimento ou acontecimentos que envolveram real ou ameaçada morte ou sérios danos físicos, ou uma ameaça à própria integridade física ou de outros. 2. A resposta da pessoa envolveu intenso medo, impotência ou terror”.

Aqueles que apoiam o direito de fazer aborto nos garantem que complicações depois do aborto são um mito. Mas Steven Tyler penetra essa espessa névoa de negação e fala sem rodeios: Jesus, o que foi que eu fiz?
Esse é o grito de um pai depois da experiência do aborto, um pai cuja íntima exposição à realidade do aborto se encaixa na definição clássica de trauma — conforme definida pela mesma Associação Americana de Psiquiatria que nos garante que o aborto é um procedimento seguro sem nenhum efeito negativo na saúde mental de um homem ou de uma mulher.

Anestesie seus sentimentos e fuja

O que ocorre com alguém que se expõe a um acontecimento traumático e não consegue processar as imagens e memórias dessa experiência e curar as feridas psíquicas? Provavelmente, essa pessoa anestesiará seus sentimentos, fugirá e manifestará questões não resolvidas do trauma.

Não há ocupação mais fácil em que reagir desse jeito ao trauma pós-aborto do que a de uma estrela do rock nas décadas de 1970 e 1980.

Depois do aborto, Tyler iniciou um caso ardente com Bebe Buell, modelo da revista Playboy, enquanto ainda visitava Julia, a mãe de seu filho abortado. Se você estava tentando imaginar o que aconteceu com Julia (que é mencionada como Diana Hall no livro) depois desse procedimento que pela aparência é psicologicamente seguro, Bebe nos diz: “No período em que eles estavam se separando, a pobre Diana fazia muitas ligações telefônicas ameaçando se suicidar. Foi realmente um tempo muito triste”.

E como Steven estava lidando com isso? Ele viajou numa turnê de concertos na Europa, acompanhado por Bebe, que nos diz: “Ele estava louco… totalmente bêbado, realmente fora de si… Steven destruiu seu camarim em Hammersmith… quando voltamos da Europa… Certa noite eu o encontrei no chão de seu banheiro tendo um ataque de drogas. Ele estava se contorcendo de dor”.

Em seguida, veio um período em que ele passou muitos dias doidão em enormes doses de uma droga sedativa e hipnótica a base de barbitúricos. Ele diz: “Eu costumava comer quatro ou cinco vezes por dia… e foi bom por dois meses… essa é a razão por que tenho total perda de consciência desse período”.

Essa é a receita anormal para se lidar com estresse pós-traumático: Tome doses pesadas de drogas para anestesiar as memórias e sentimentos — e jogue uma parte da raiva tóxica nos parceiros de banda ou de quartos de hotel. Raiva, principalmente nos homens, é muitas vezes um sinal não diagnosticado de depressão e tristeza reprimida que precisa de uma expressão saudável e cura. Muitos pais depois de passar pela experiência do aborto nos dizem que o controle da raiva era um grande problema para eles depois de um aborto.

Então Bebe Buell engravidou de Tyler. Ela percebeu que seria impossível criar uma criança com ele, considerando o uso de drogas fora de controle e estilo de vida de rock-and-roll dele. Ela voltou para seu ex-amante, o compositor, produtor e músico Todd Rundgren, que concordou em fazer o papel do pai da criança e manter em segredo a paternidade de Tyler. A filha deles, que veio a se tornar a atriz Liv Tyler, nasceu em 1 de julho de 1977.

Trauma e cura

Para muitos homens e mulheres que passaram pela experiência do aborto, a ansiedade ligada ao aborto pode vir à tona em ocasiões inesperadas, provocadas por acontecimentos tais como uma gravidez subsequente, a morte de um bicho de estimação, ou alguma outra pessoa, lugar, ou coisa que de alguma maneira nos liga à memória traumática.

Anos mais tarde, quando Tyler se casou, e ele e sua esposa estavam esperando seu primeiro filho, ele ainda sofria a perseguição de memórias do passado ligadas ao aborto: “Afetou-me mais tarde… Eu tinha medo. Eu achava que minha esposa daria a luz uma vaca com seis cabeças por causa do que eu havia feito com outras mulheres. A culpa real era muito traumática para mim. Ainda sofro”.

Nos Ministérios Vinha de Raquel, nós muitas vezes vemos homens e mulheres muitos anos depois de um aborto, quando eles estão prontos para dar uma olhada nesse segredo e canto escuro de suas almas. A maioria das pessoas não consegue decifrar as partes fragmentadas e desconjuntadas de suas vidas após um aborto até entrarem num curso de cura. Tragicamente, os que fazem propaganda do aborto em nossa cultura trabalham dia e noite para garantir que nunca se façam essas conexões.

Apesar da oposição, os pais, avós e irmãos que passaram pela experiência de um aborto estão encontrando seu caminho para cursos de cura no mundo inteiro. Ao viajarem juntos no processo de cura, eles aprendem uns com os outros e apoiam-se mutuamente. Eles descobrem que as partes fragmentadas de suas vidas começam a se encaixar e fazer sentido. Isso pode ser um dos motivos por que é tão difícil reagir à propaganda do movimento pró-aborto. Muitas vezes, é só depois da jornada de cura que homens e mulheres conseguem ver a íntima conexão entre seus abortos e seus problemas emocionais, vícios e outros sintomas pós-aborto.

Ainda um fã


Cresci com a música de Aerosmith como adolescente na década de 1970 e continuo a ter um grande respeito pelo talento de composição e desempenho musical de Steven Tyler. Suas ações no aborto de seu filho foram muito erradas, e ele sofreu as consequências, pois sua vida foi caindo num lamaçal de vício e destruição de si mesmo. Felizmente, Tyler foi tratado com sucesso por seu vício de drogas em 1986.
No centro da cura pós-aborto está a purificação de um coração ferido. O pai ou mãe, depois de uma experiência de aborto, precisa se libertar da vergonha, culpa e sofrimento antes que ele ou ela consiga abraçar o bebê em gestação com amor. Vamos esperar e rezar para que esta estrela do rock e juiz do programa American Idol consiga fazer as pazes com sua perda do aborto e encontrar perdão e reconciliação com Deus e seu filho abortado — e que ele usará então seu talento e influência considerável para convidar para a cura outros pais depois de uma experiência de aborto.
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Kevin Burke, LSW, é o fundador dos Ministérios Vinha da Raquel e um sócio pastoral da organização Padres pela Vida. Esse artigo foi publicado pela primeira vez na National Review Online.
Traduzido por Julio Severo
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/news/jesus-what-have-i-done-rock-star-steve-tylers-traumatic-encounter-with-abor
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quinta-feira, 21 de abril de 2011

O dom esponsal de Cristo na cruz



Por Christopher West

Vou refletir aqui sobre o mistério do Corpo de Cristo “entregue por nós” na cruz. Gostaria de falar a partir de um ponto de vista familiar aos místicos de nossa tradição, mas infelizmente não familiar à maioria dos católicos nos bancos das igrejas. É uma idéia que, se a meditarmos em oração, pode nos ajudar a resgatar a santidade do corpo e da união marital. É a idéia da cruz como o “leito nupcial” de Cristo – o lugar onde ele consuma seu amor pela Sua Esposa, a Igreja.

Essa imagem pode fazer levantar algumas sobrancelhas, mas ela não precisa ser causa de escândalo, basta compreendermos corretamente o simbolismo esponsal da Bíblia. Como observa o Catecismo, “Toda a vida cristã traz a marca do amor esponsal de Cristo e da Igreja. Já o Batismo... é um mistério nupcial; é, por assim dizer, o banho das núpcias que precede o banquete de núpcias, a Eucaristia” (Catec. Ig. Cat. 1617). Podemos também relembrar as últimas palavras de amor de Cristo, proferidas da cruz para a Sua Esposa: “Está consumado” (ver João 19, 30).

Santo Agostinho escreveu: “Como um noivo, Cristo saiu de seus aposentos... Ele veio para o leito nupcial da cruz, e sendo levantado nela, consumou seu matrimônio. E quando Ele percebeu os suspiros de sua criatura, amorosamente Ele se entregou aos tormentos no lugar de sua Esposa e uniu-se a ela para sempre” (Sobre o Casamento). Santa Matilde, uma mística alemã do século XIII, espelhou a mesma idéia quando escreveu que “o nobre leito nupcial [de Cristo] foi a mesma dura madeira da Cruz, a qual Ele aceitou com maior júbilo e ardor do que um noivo cheio de satisfação".

A primeira vez que ouvi essa idéia da cruz como “leito nupcial” foi através do Bispo Fulton Sheen, em uma palestra gravada que ouvi alguns anos atrás. A voz forte de Sheen ainda ecoa em minha mente: “Vocês sabem o que está acontecendo aos pés da cruz?”, ele perguntou. “Núpcias, é o que está havendo! Núpcias!”. Assim como Agostinho, ele então descreveu a cruz como o “leito nupcial” que Ele aceitou não no prazer, mas na dor, a fim de unir-se para sempre com sua Esposa. O bom bispo continuou explicando que sempre que Jesus chama Maria de “mulher” (tal como ocorreu nas Bodas de Caná e na cruz), Ele está falando como o novo Adão para a nova Eva, o Esposo para a Esposa. Aqui, é claro, as relações estão fora da esfera do sangue. O fato de que a mãe de Cristo é a “mulher”, simbolizando sua Esposa, não precisa nos preocupar. O matrimônio do novo Adão e da nova Eva, consumado na cruz, é místico e virginal. O próprio Catecismo refere-se à essa “mulher” (Maria) como a “Esposa do Cordeiro” (Catec. Ig. Cat. 1138). Contemplar esse simbolismo esponsal nos abre verdadeiros tesouros. Assim como o primeiro Adão foi colocado em um sono profundo e Eva veio de seu lado, assim o novo Adão aceitou o sono da morte e a nova Eva nasceu de seu lado (ver Catec. Ig. Cat. 766). Normalmente isso é figurado artisticamente como uma imagem da “mulher” (Maria) segurando um cálice – ou algumas vezes um largo jarro, reminiscência de Caná – aos pés da cruz, recebendo o fluxo de sangue e água que saíam do lado de Cristo. O sangue e a água, é claro, simbolizam o “banho de núpcias” do Batismo e a “festa nupcial” da Eucaristia.

E ainda há mais coisas aqui! A união mística do novo Adão e da nova Eva já rende frutos sobrenaturais. “Mulher, eis aí teu filho!”. Então, Ele disse para seu discípulo, “Eis aí tua mãe!” (João 19, 26-27). Pode-se escrever essas palavras de Cristo de outro modo: “Mulher, eis que dás à luz um novo filho”. O sofrimento de Maria aos pés da cruz são suas dores de parto ao dar à luz todos os filhos da Igreja. Aqui o discípulo amado (João) representa toda a descendência “nascida de novo, não de uma semente corruptível, mas incorruptível” (1 Pedro 1, 23), “não do sangue,... mas de Deus” (João 1, 13).

São Paulo não estava brincando quando descreveu a união dos esposos como um “grande mistério”, que se refere a Cristo e a Igreja (ver Efésios 5, 31-32). Jesus, abri nossos corações novamente para esse “grande mistério”, revelado através do vosso corpo entregue por nós no “leito nupcial” da cruz. Amem.

Traduzido do site de Christopher West

http://christopherwest.com/page.asp?ContentID=52

domingo, 10 de abril de 2011

Testemunho: não é bom “morar junto”

Cara Dra. ___,

Sinta-se à vontade para compartilhar minha história com outros casais que estejam vivendo juntos, de modo que possam também ver como pode ajudar seu amor a crescer, se passarem a morar separados. Por favor, nunca pare com o trabalho na “Sex Respect”!

Meus próprios pais se divorciaram há 15 anos, por isso eu estava determinada a não me entregar de cara em um casamento. Foi por isso que eu me mudei para uma casa para morar com o Jim, para que pudéssemos desenvolver nosso relacionamento, e conhecer melhor um ao outro primeiro... assim eu pensava.

A coisa foi de maravilhosa a terrível em apenas quatro meses. Eu estava me anulando para fazê-lo feliz. Eu me sentia insegura sempre que havia o menor problema no relacionamento. E eu estava usando o sexo de uma maneira que era falsa para mim. A relação sexual era minha maneira de afirmar, para mim mesma, que “o relacionamento ainda está firme”. Era o meu modo de dizer: “fique comigo, eu sou boa para você!” (mesmo quando o sexo não era assim tão bom), e de tentar me convencer de que “ele ainda me ama”.

As perguntas importantes nunca foram respondidas, coisas como: “E se aparecesse um bom emprego em outro estado?”, ou: “E se ele decidir voltar a estudar?”, ou: “A pílula está me deixando depressiva – eu devo parar de tomar?”. Nós dois sempre acabávamos voltando para a cama de novo, sem resolver as coisas. Eu cheguei ao ponto de ter vontade de gritar: “Pare com o sexo, eu só quero que você converse comigo!”.

Depois de ouvir suas palestras sobre castidade, eu pensei que a castidade poderia ser melhor do que a insegurança, baixa-estima e vazio que eu estava sentindo por conta desse relacionamento. Então eu falei para o Jim que gostaria de sair, me mudar, e repensar as coisas. Eu queria que ele realmente me enxergasse, e me ouvisse como pessoa, algo que o nosso envolvimento sexual tinha dificultado muito a ele. Eu queria amizade e perspectivas.

Devo dizer que depois do “choque inicial”, Jim aceitou o desafio. Nós passamos um ano inteiro nos conhecendo melhor, de todos os modos possíveis (menos na cama). Devemos ter gasto mais de mil horas só conversando! E eu sabia que não estava entrando em alguma coisa só por querer ser como todo mundo, por necessidade ou carência afetiva: eu estava exercitando a verdadeira inteligência sexual. Isso me deu um novo respeito para comigo mesma, e para com Jim.


Nós vamos nos casar. Levou um tempo, mas agora sabemos que nosso amor é real, e estamos comprometidos um com o outro para a vida toda.
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Traduzido de: http://www.sexrespect.com/doneletters.html

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

A castidade e o amor

Por Juliana Gonçalves dos Santos

As pessoas sofrem sérias conseqüências espirituais, físicas e emocionais, com a vivência, compreensão e propagação deturpada do amor e com a falta da castidade.

A falta de conhecimento do que é de fato o amor segundo a vontade de Deus e a castidade e de que ambos estão interligados faz com que amar se torne algo raro, e faz com que essa área, que é tão importante na vida, fique defasada, vazia, confusa ou sem significado.

Todas as pessoas sentem naturalmente um desejo profundo de encontrar o amor verdadeiro, mas nenhum cristão em sã consciência deveria se permitir viver um amor que não é conforme a vontade de Deus.

Para conhecer e viver o amor verdadeiro, no plano de Deus é preciso a vivência da castidade!

O Papa João Paulo II, em seu livro “Amor e Responsabilidade”, afirmou: “A castidade não pode ser compreendida sem a virtude do amor. Apenas o homem casto e a mulher casta são capazes de amar verdadeiramente.”

A vivência da castidade é sempre necessária; independe do estado de vida da pessoa: o solteiro é chamado a viver em continência, o casado em castidade conjugal e o leigo consagrado ou religioso em celibato.

Castidade não significa virgindade; existiram muitas pessoas que infelizmente perderam a virgindade antes do casamento, mas que conseguiram depois alcançar a santidade com o arrependimento e a mudança de vida.


A castidade é uma virtude que faz ver e tratar a si mesmo e as outras pessoas como Deus deseja, com transparência nos atos, em amor verdadeiro. Santo Agostinho em seu livro “Confissões”, afirmou: “A castidade nos recompõe, reconduzindo-nos a esta unidade que tínhamos perdido quando nos dispersamos na multiplicidade.”


A castidade não é repressão e puritanismo; pelo contrário, viver em castidade é ser livre da atitude utilitarista, que é a de ver a outra pessoa como algo a ser usado, algo que só é útil enquanto traz prazer.

No entanto, sem a prática da castidade pelos atos, pensamentos e palavras, perde-se a responsabilidade pelo próprio corpo e pelo corpo do próximo.

Sem o respeito e a dignidade pelo corpo, que é templo do Espírito Santo, torna-se praticamente inviável alcançar a capacidade de ser e fazer alguém feliz no amor.

É necessária a plena consciência de que o corpo não é objeto, mas instrumento de amor.

Um grande esforço deve ser feito continuamente, utilizando-se principalmente o sacramento da confissão e da comunhão, assim como o jejum e a oração, para viver a virtude da castidade e conseqüentemente viver o amor.

Para amar e viver em castidade, é preciso fazer bem à pessoa amada, mas, com a deturpação de seu significado, principalmente através dos meios de comunicação, que induzem o tempo todo que a pessoa é objeto de uso e não de amor, amar atualmente é algo raro.

Deus não criou o homem e a mulher para viver o prazer dissociado do amor, mas deseja que vivam a união sexual, com amor e prazer unidos, no momento certo, que é no matrimônio, porque só ali ambos são capazes de se entregarem mutuamente como um dom de Deus para o outro, preservando todas as características do amor verdadeiro, que deve ser livre, total, fiel e fecundo.

O sofrimento do ser humano por não conseguir viver o amor verdadeiro ocorre devido à depreciação de si mesmo e dos outros como um mero estimulante para uma sexualidade desregrada, a vida em luxúria e o utilitarismo, que é o contrário do amor.

A vivência da castidade é a cura para todos esses males, e ela funciona e faz felizes e libertos todos que a praticam.

domingo, 3 de abril de 2011

Testemunhos: a castidade vale a pena!

Cara Dra. Coleen Mast,

Quero encorajá-la a continuar dizendo para os jovens se absterem de sexo fora do casamento. Eu aprendi do modo difícil, mas realmente funciona, então talvez você possa compartilhar minha história com outras pessoas.



Estive envolvido em um relacionamento que era muito bom, em todos os aspectos.

Mas daí ele se tornou muito físico, e no começo até que era divertido. Depois de seis meses, o crescimento desse relacionamento parou. Eu realmente não sabia o que fazer, mas sabia que gostava desse relacionamento, e que ele poderia se tornar um relacionamento duradouro.

Minha namorada e eu decidimos não mais dormir juntos. Realmente foi preciso ter muita disciplina, mas percebemos que valeria a pena no longo prazo, independente do que acontecesse com o relacionamento. O tempo passou e o desejo de estar “juntos” foi forte, mas tivemos sucesso no acordo especial que tínhamos prometido. Depois que começamos a nos abster, parecia que estávamos fazendo algo juntos como um só, e isso fortaleceu nosso relacionamento. A abstinência na verdade nos fez sentir mais perto um do outro do que o sexo. Descobrimos que nosso relacionamento tinha crescido mais em um mês do que em todos os seis meses de intimidade física juntos. Descobrimos uma nova vida em nosso relacionamento.

Tinha passado um mês quando eu percebi que realmente amava minha namorada. O amor era forte, e tinha ficado mais forte. Desenvolvemos um grande respeito, e descobrimos muitas coisas novas e maravilhosas um sobre o outro. O relacionamento voltou à vida. O sexo já não parecia tão tentador, porque estávamos nos divertindo muito aprendendo novas coisas um sobre o outro, sobre nós mesmos.

A outra grande coisa que aconteceu foi nosso relacionamento, juntos, com Deus. Isso realmente colocou nosso relacionamento em bases ainda mais fortes. Mal podíamos acreditar que tínhamos um relacionamento tão bom assim. Tínhamos muito orgulho de nós mesmos, e um do outro. Quando nosso relacionamento chegou a um ponto de baixa emocional, o que eu acho que sempre acontece, em algum momento, nos relacionamentos, nós continuamos experimentando a beleza e a plenitude de um relacionamento com Deus. Esse momento de baixa logo passou, e o relacionamento na verdade se tornou mais forte. Com um fé sólida em nosso relacionamento e em Deus, percebemos que nossa vida juntos podia e pode superar qualquer coisa.

De um pequeno compromisso entre dois adultos veio um relacionamento incrivelmente maravilhoso, baseado no respeito mútuo e na fé de que Deus estará conosco a todo momento. Minha namorada não será mais minha namorada, será minha esposa daqui a alguns meses.
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Traduzido de: http://www.sexrespect.com/doneletters.html

sexta-feira, 25 de março de 2011

Eros e Ágape

Compartilho com vocês um maravilhoso texto e pregação do Pe. Raniero Cantalamessa, sobre o tema do aparente conflito entre EROS e ÁGAPE.

Transcrevo um trecho aqui embaixo, mas recomendo enfaticamente que a pregação seja lida na íntegra, no link:

http://www.zenit.org/article-27577?l=portuguese


"O amor verdadeiro e integral é uma pérola encerrada entre duas conchas que são o eros e o ágape. Não podem ser separadas, essas duas dimensões do amor, sem destruí-lo, como o hidrogênio e o oxigênio não podem ser separados sem se privarem da água."

quinta-feira, 24 de março de 2011

A Batalha pelo Corpo

Por Lauren Lawrence

Se o dinheiro é o sangue que alimenta a mídia, a indústria da propaganda é o coração. A pessoa normal no mundo ocidental está exposta a mais de 2 mil propagandas por dia. As pessoas que produzem esses comerciais querem sua atenção, e sabem como conseguir. Sabem que nós vamos prestar mais atenção a um comercial que tenha um corpo “bonito” do que no comercial que tenha... apenas merchandising. A pessoa no comercial pode ser qualquer uma; ela normalmente é uma modelo com altura padrão, e pelo menos 25% abaixo de seu peso normal.

A mídia não está apenas usando “ELA” para vender produtos, está usando “ELA” (a falsa personificação da feminilidade, profissionalmente “photoshopada”, maquiada e perigosamente abaixo do peso) para nos vender mentiras das horríveis profundezas do inferno. Ela não passa de um corpo, um objeto cuja identidade depende da letra na etiqueta do sutiã, ou dos números de seu manequim. Se ela quiser valer alguma coisa, tem que ser simplesmente como “ELA”, ela tem que entregar a eles quilos de peso, até ficar do jeito daquela modelo super-magra daquela capa de revista, ela tem que entrar no que eu chamo de “batalha pelo corpo”. É como uma guerra civil, mas a nível pessoal. A “batalha pelo corpo” não é um conflito entre países; é uma verdadeira luta contra si mesma, contra o próprio corpo.

As mulheres não são as únicas que estão lutando pelo perfil esbelto. Em um estudo feito pelo “National Institute for Media and the Family”, crianças de 10 anos de idade relataram aos pesquisadores que estavam insatisfeitas com seus corpos depois de ouvir um vídeo musical da Britney Spears, ou um clip do programa de TV “Friends”. Isso foi há 15 anos atrás, quando as modelos eram apenas 8% mais magras do que o peso normal. As crianças hoje em dia “digerem” mais mídia do que as crianças de 1996. Talvez seja por isso, em parte, que desordens alimentares, como a bulimia e a anorexia, afetam crianças de até 8 anos de idade. Ou talvez seja por isso que 78% das garotas de 17 anos estão preocupadas com o seu peso, e mais de metade das garotas em idade colegial estão em dieta ou já tentaram dietas para perder peso.

Embora a dieta seja importante para um bom número de assuntos relacionados à saúde, eu tenho uma constante sensação de que o faturamento de mais de 500 bilhões de dólares que a indústria de perda de peso vai ganhar no mundo todo em 2014 NÃO é o resultado de ordens médicas, mas sim a consequência de nosso desejo imutável em ser mais do que um “corpinho qualquer”.

Garotas, nós podemos perder peso até Jesus voltar na Glória, mas nunca iremos ficar iguais a “ELA”, por um grande número de razões naturais. Além do mais, ficar igual a “ELA” apenas resolveria os sintomas acarretados pelas condições erradas. Não nos falta beleza, nem dignidade, nem valor. Apenas vivemos em sociedades dominadas pela mídia, cheias de “olhos que não vêem” a dignidade, a beleza e o valor da pessoa (Ex.: pornografia, tráfico humano, eutanásia, aborto etc.).

Será que perdemos de vista nosso próprio valor? Será que projetamos nosso valor com base “NELA”, a hoje (computadorizada) imagem idolatrada? “Ela” não passa do velho rosto da mídia, um instrumento usado para nos convencer a comprar isso ou a fazer aquilo a fim de obter ou ser aquilo que você já é e já tem... não deixe que “ELA” ou as pessoas gravemente influenciadas por “ELA” enganem você.
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Lauren Lawrence nasceu em uma família protestante, e teve que se explicar muito quando seu desejo pelos sacramentos a levaram a se converter ao Catolicismo. Agora Lauren continua aprendendo e literalmente compartilhando isso com o mundo: "O que o amor de Deus tem a ver com isso?!"
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Traduzido de: http://www.whodoesithurt.com/lauren-lawrence/332-lauren-lawrence
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Nota do blogueiro: Eu coloquei o vídeo abaixo, por ter a ver com o post. Apesar de ter sido feito por uma empresa de cosméticos, não temos nenhuma intenção mercadológica aqui, obviamente. 



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terça-feira, 22 de março de 2011

Como a Teologia do Corpo afeta a maneira com que vivemos e ensinamos a castidade




Por Janet Smith, Ph.D.

É importante lembrar que a Teologia do Corpo não foi escrita pensando em ser um programa para ensinar a castidade. João Paulo II a escreveu para estabelecer uma antropologia baseada na Bíblia e adequada para defender a doutrina contida na Encíclica Humanae vitae. Ou seja, ele tentou mostrar como a Escritura podia nos fornecer uma compreensão da pessoa humana capaz de nos ajudar a compreender porque a Igreja condena a contracepção. Isso o levou a meditar profundamente no significado do corpo humano como meio de revelar a verdade sobre Deus e sobre o ser humano. João Paulo II afirmou que nossos corpos revelam que somos feitos para ser dom (entrega) para os outros, e para receber outros como dons. João Paulo II explica que Adão e Eva eram capazes de estar nus e não terem o sentimento da vergonha porque eles não tinham pecado; eles compreendiam e viviam o “sentido esponsal” do corpo. Eles se respeitavam um ao outro como pessoas, e não eram capazes de usar um ao outro. O pecado trouxe paixões desordenadas, folhas de figueira, e a sempre presente possibilidade de vivenciar o sexo de forma errada.

João Paulo II, assim como Jesus, não estava interessado em nosso comportamento exterior, mas sim muito mais em nossa “subjetividade”, ou na qualidade de nossa vida interior. Ele escreveu capítulos sobre as palavras de Cristo: “Aquele que olhar para uma mulher com desejando-a com luxúria já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mateus 5, 27-28). João Paulo II via a fonte do pecado como estando presente no “coração”, ao invés de no corpo: em nossos pensamentos, emoções, e compromissos. O pecado vem do interior do homem, e se projeta para fora.

João Paulo II ensinou que Cristo não estava tanto acusando o coração dos seres humanos de agir erradamente, mas fazendo um apelo a nós a fim de vivermos no espírito do corpo redimido. Cristo veio para nos trazer as graças que nos permitem viver vidas moralmente corretas, não apenas com respeito ao nosso comportamento exterior, mas também com respeito aos movimentos interiores do nosso coração.


João Paulo II acreditava que ainda possuímos, nas camadas mais profundas de nosso ser, uma capacidade potencial de viver de acordo com o sentido esponsal do corpo (TdC 49). Ele nos pedia com insistência para não colocar nossos corações em constante suspeita, mas ter confiança de que as graças redentoras de Cristo podem restaurar a pureza em nossos corações: “Na pureza madura, o homem usufrui dos frutos da vitória sobre a concupiscência” (TdC 58). Sem a pureza nós “usamos” aqueles que queremos amar: “A pureza é um requisito para o amor. É a dimensão da verdade interior do amor no ‘coração’ do homem” (TdC 49).

Para alcançar a castidade ou pureza, são necessárias duas coisas: 1) uma correta compreensão do significado e propósito da sexualidade, e 2) o ordenamento das paixões de acordo com essa compreensão. Na Teologia do Corpo, João Paulo II está primeiramente estabelecendo a correta compreensão da sexualidade; ele diz muito pouco sobre o que é necessário fazer para alcançar a “pureza madura”. Sua descrição dela como “uma combinação da virtude da temperança e da piedade, um dom do Espírito Santo” nos fornece um caminho. Adquirir a virtude é, em grande parte, uma questão de hábito; aqueles que desejam alcançar a “pureza madura” devem evitar ocasiões de pecado; por exemplo, eles devem evitar olhar ou ouvir programas de entretenimento que levam a ações e pensamentos impuros. Adquirir a virtude da reverência (e aqui João Paulo II quer dizer “reverência” pelo dom da própria sexualidade e pelo dom da outra pessoa) é, em grande parte, uma questão de crescer no amor ao Senhor, o que se faz através da oração com as Escrituras, da recepção dos sacramentos, e da participação em atividades que promovem o crescimento espiritual.

João Paulo II, entretanto, focaliza como uma correta compreensão da sexualidade pode ser de enorme ajuda para se alcançar a pureza amadurecida. Muitos que estavam bastante presos ao pecado sexual relatam que, depois de compreender a visão da sexualidade que João Paulo II mostra na Teologia do Corpo, rapidamente se livraram de comportamentos e pensamentos sexuais imorais. Muitas pessoas, é claro, não experimentarão uma transformação tão fácil, mas no final encontrarão um novo modo de pensar e de se comportar com relação à sexualidade.

João Paulo II explica que os cônjuges que praticam a abstinência requerida pelo método da regulação natural de fertilidade têm maiores chances de alcançar a “pureza madura”, pois eles ordenam sua vida sexual aos bens corretos da sexualidade. De fato, eu conheço muitos casais que praticam sua fé católica devotamente, eu compreendem e vivem o sentido esponsal do corpo, e que, realmente, atingiram um alto grau de “pureza madura”. Seu amor pelo cônjuge os levaram a disciplinar os movimentos de seus “corações” e “pensamentos” de modo que eles já não mais experimentam fortes atrações por outras pessoas que não o próprio cônjuge. Eles, na verdade, estão experimentando a “redenção do corpo” que Cristo prometeu àqueles que o seguem.

Qualquer programa de castidade baseado na Teologia do Corpo deve fornecer uma extensa instrução sobre o estado do homem antes do pecado original, os desafios enfrentados pelo homem decaído, e a esperança que temos pela pureza madura à luz da redenção. Ele deve também fornecer um programa para crescer na virtude da temperança e no dom da reverência. A promessa de que aqueles que vierem a alcançar a “pureza madura” se tornarão semelhantes a Deus e capazes de amar seu cônjuge e as outras pessoas deve servir como uma maravilhosa motivação para vivenciar o sentido esponsal do corpo.
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Janet Smith, Ph.D. é professora de bioética no Seminário Maior de Detroit, EUA, e autora de vários livros.

Traduzido de: http://www.ncregister.com/daily-news/theology-of-the-body-and-mature-purity/

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sábado, 19 de março de 2011

Atalhos não resolvem, a Teologia do Corpo mostra o caminho

Convido a ler este artigo (clique aqui) em que o Cardeal Rigali explica como a Teologia do Corpo nos mostra o caminho para a felicidade e a dignidade do ser humano.

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segunda-feira, 14 de março de 2011

Vídeo - Jason Evert: Confiança em Deus

Novo vídeo de Jason Evert, falando sobre o amor verdadeiro e a confiança em Deus na hora de encontrar a pessoa certa.

http://www.youtube.com/watch?v=ZXmd6w44jDg



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sábado, 12 de março de 2011

Link - As conseqüências negativas do aborto

Para quem deseja se aprofundar no estudo das conseqüências negativas do aborto, seu custo no campo financeiro, problemas de saúde relacionados, estatísticas, problemas mentais associados, etc, pode consultar o site (em inglês):
http://www.thecostofabortion.com/

E também ver o vídeo (em inglês):

http://www.youtube.com/watch?v=KyvgIM7E9Do

sábado, 5 de março de 2011

Vídeo - Christopher West fala sobre castidade

Novo vídeo que legendei, aqui Christopher West, conhecido por falar da Teologia do Corpo, explica como a castidade valoriza a dignidade da pessoa.

Acompanhe abaixo, ou no link para o
You Tube: http://www.youtube.com/watch?v=E8B_SJmCxCY



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quarta-feira, 2 de março de 2011

Facebook e Orkut têm culpa no meu pecado?

Por Anthony Buono

Eu tenho que admitir que me incomoda ver pessoas do meu passado me achando no Facebook ou Orkut. Afinal de contas, elas estão no meu passado por alguma razão. Por que elas desejam ser minhas “amigas” no Facebook ou no Orkut? Parece mais curiosidade do que qualquer coisa. E todos conhecemos aquele ditado que diz que curiosidade mata.


Com certeza, se você vai percorrer o "caminho da memória" com uma velha chama acesa, e não tem clareza suficiente para compreender que uma pessoa casada, provavelmente, não devia fazer isso, então certamente teremos problemas.

Mas será que sua estupidez (ou talvez eu diria falta de prudência) é culpa do Facebook ou do Orkut? Eu acho que não.

Adultos com uma fraca força de vontade são um perigo para eles mesmos, não importa o que façam. Quer estejam no Facebook ou no Orkut, ou trabalhando em um escritório com membros do sexo oposto. E se você juntar a isso qualquer problema ou descontentamento conjugal, você se torna uma pessoa pronta para cair, não importa como.

Talvez seja necessário fechar sua conta do Facebook ou do Orkut. Mas isso cabe a cada um decidir, baseado no que conhecem de si mesmos, e de seus hábitos. Paquerar com o desastre se tornando “amigo” de um velho amor do passado, e ficar com amizade íntima com ele ou ela deve ser o suficiente para um adulto com bom senso saber que as coisas devem parar por ali. Mas, e quando se encontram pessoalmente? Esse também é outro problema. Nesse caso o Facebook e o Orkut se tornam a menor das preocupações.

O problema se resolve combatendo as tentações. É um problema da força de vontade, e não da origem da tentação. Nós já temos muitos adultos com força de vontade fraca, com hábitos questionáveis e com falhas de caráter no mundo, causando problemas para eles mesmos e para seus casamentos.

Pessoas solteiras: procurem fortalecer sua força de vontade, e desenvolver bons hábitos de vida, compatíveis com a vocação ao matrimônio. Namorem com pessoas que fazem o mesmo. Seu amor e seu casamento vai ser maravilhoso, e não haverá tentação capaz de machucar alguém além do que deve.

Não acho que nós precisamos nos sentir culpados por usar o Facebook ou o Orkut. Mas poderíamos começar a desenvolver bons hábitos evitando aceitar esses convites de “amigo” vindos de antigos amores.
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Traduzido e adaptado de “Catholic Exchange”: http://catholicexchange.com/2010/12/09/143500/


Anthony Buono, casado e pai de sete filhos, mora na Virginia, EUA. Ele é o fundador e presidente de http://www.avemariasingles.com (em português: http://www.solteirosdoavemaria.com/) e de http://www.roadtocana.com. Ele também tem um blog, http://www.6stonejars.com que dá conselhos aos católicos sobre namoro, noivado e casamento.
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Entrevista com Jennifer Case, ex-atriz de filmes pornográficos

Por April Garris

A seguir apresento uma entrevista que fiz com uma grande amiga minha, Jennifer Case. Ela deixou a indústria pornográfico faz apenas poucos anos, e embora ainda esteja em recuperação, e trabalhando para reconstruir sua vida, ela gentilmente permitiu que eu a entrevistasse.

Jenni, muito obrigado por permitir essa entrevista.


Você é muito bem vinda, tudo que puder fazer para ajudar, é uma alegria.



Jennifer Case


Faz quanto tempo que você deixou a indústria pornográfica?


Eu oficialmente deixei há três anos, depois de me converter a Cristo. Antes, eu usava minha experiência com pornografia para promover minha carreira de dançarina e minhas atividades como prostituta etc.


Quantos anos você tinha quando começou pela primeira vez na indústria pornográfica, e por quanto tempo ficou nela?


Eu era muito jovem, tinha pouco mais de 18 anos quando comecei a fazer pornografia, e eu diria que estive nisso por cerca de dez anos. Eu realmente não sabia como cuidar de mim mesma, e parecia ser uma maneira fácil de sobreviver. Eu fiz cerca de 20 filmes.


Você se importaria em descrever como chegou a entrar na pornografia?


Eu comecei fazendo outras coisas primeiro, como dançar em um bar de strip. Eu era contratada para festas, e como acompanhante. Eu precisava do dinheiro, não tinha terminado os estudos, e já vivia por minha própria conta naquele ponto. Eu não tinha idéia no que estava me metendo naquela época.


De que você se lembra mais de sua primeira experiência? Foi muito traumática para você?


Essa primeira vez não foi como esperava. Estava chateada pelo fato do meu agente usar documentos falsos mostrando que tinha sido testada para AIDS e outras DST’s. Eu nunca fui testada. Eu pensava que seria eu e uma mulher – menos amedrontador, certo? Mas apareceram dois homens. Já muitas coisas me alertavam que tudo seria ruim.


E sobre a sua infância? Eu conheço muitas mulheres na indústria pornográfica com passado de abuso sexual, estupro, negligência e outros tipos de traumas. Você acha que algum evento de sua infância fez com que você ficasse mais suscetível à idéia de entrar no mundo da pornografia?


Definitivamente eu acho que a minha infância teve grande influência na minha entrada na pornografia. Meu pai era totalmente ausente, e meus pais se divorciaram quando eu tinha oito anos. Aos catorze anos fugi de casa, e passei por abrigos, orfanatos, instituições, e outros lugares, até que cheguei aos 17 anos. Eu penso que muitas coisas da minha infância me induziram a uma carreira na indústria do sexo.




Você mencionou que seu pai era ausente. Eu sei que esse é o caso para a maioria das atrizes pornográficas. Comigo também foi assim. Como você definiria seu estado emocional durante sua carreira na pornografia?

Na verdade é muito difícil de lembrar muitas coisas, porque eu bloqueei a maior parte. Eu penso que emocionalmente eu basicamente “não estava ali”, e eu me drogava com maconha e álcool e outras coisas, para que não tivesse que lidar com meus sentimentos, que eram tão fortes. Eu me vi depressiva e solitária, e meu comportamento era errático e de muita autodestruição. Eu olho para o passado agora e vejo que havia muita mágoa e amargura também. Minha vida era um verdadeiro caos.


Jenni, muitas pessoas que vêem pornografia acreditam que as mulheres adoram o que estão fazendo, e que estão simplesmente encenando suas fantasias. Essa é REALMENTE a verdade?

Essa NÃO é a verdade sobre a pornografia, é uma mentira. As mulheres que vivem essa mentira não gostam de fazer pornografia, e se dizem que gostam, é uma maneira de mentir para si mesmas para fazer parecer melhor. Quando eu fazia pornografia, eu queria que terminasse o mais rápido possível, e minha única motivação era o dinheiro. Eu pensava que estava fazendo o que era necessário para sobreviver naquele momento. Minhas fantasias consistiam normalmente em viver uma vida normal, eu fantasiava sobre como seria a vida se eu não estivesse naquele pesadelo. Quando você assiste pornografia, você está vendo uma mentira, feita para destruir você.


Quando você estava na pornografia, qual era sua opinião sobre os homens que viam pornografia – ou sobre os homens em geral?

Eu cresci aprendendo a odiar os homens de um modo geral, e não tinha nenhum respeito pelos homens que viam pornografia. Eu achava que os homens eram somente pervertidos, e só queriam a mesma coisa das mulheres. Ponto. E que eles tratavam as mulheres de uma forma horrível. Eu tenho uma idéia diferente dos homens agora. Eu os vejo como vítimas da pornografia, também. Eu sei que os homens querem o mesmo que as mulheres, muito mais do que só sexo, querem amor. Nós todos queremos amor. Nós todos temos um vazio a preencher, e algumas pessoas tentam preencher com pornografia. Alguns homens pagam por causa do vício em pornografia em preço muito alto, de perder as suas famílias e os empregos. Para mim, é muito trágico, e triste, que a pornografia destrói as pessoas que a fazem, e destrói as pessoas que a vêem. Isso é claro para mim agora.


Nós duas sabemos que muitas mulheres na indústria pornográfica sofrem doenças mentais. Eu sei que eu mesma sofri depressão grave, mesmo depois de deixar a indústria. Como você definiria sua condição mental quando deixou a indústria pornográfica?

Agora eu sei que, depois de anos vivendo aquela vida, eu fui traumatizada por ela. Era como suportar anos e anos de opressão e abusos de todos os tipos. Quando eu deixei a pornografia, e me livrei das drogas, etc., minhas emoções vieram à tona. Ao longo dos anos, sofri depressão, ansiedade, e muitos outros problemas, e tive que fazer terapia e tomar medicação. Qualquer pessoa que entra naquele meio já com uma doença mental só faz piorar.


E com relação a problemas físicos?

O principal problema que enfrentei ao longo dos anos foram as DST’s. Estava o tempo todo com infecções, muitas infecções diferentes. Eu deixei Hollywood por estar muito doente com clamídia. Meu abdômen às vezes doía tanto que eu tinha que voltar para casa. Meus órgãos genitais foram tão abusados que, em determinado ponto, um doutor que me examinou chamou um grupo de estudantes de medicina para olhar os meus órgãos danificados. Eu sabia o quanto aquele “negócio” deixa você mais velha antes do tempo e prejudica seu corpo.


Como você se recuperou pessoalmente do tempo que passou na pornografia? Foi muito difícil?

Eu sinto que o que me permitiu a recuperação foi Deus na minha vida. Deus me dá uma esperança que eu não tinha antes. Os últimos anos foram muito difíceis, mas tem valido a pena. O que tem me ajudado é o constante apoio de outras pessoas, a oração, a palavra de Deus, e muito amor. O que tem sido mais difícil é abandonar velhos hábitos, e tentar conseguir um “emprego de verdade”. Tudo é como tentar viver uma vida nova, de um modo melhor. Eu acho que minha recuperação é um processo que continua, e vai levar tempo. Eu estive no meio por muito tempo, e sofri muitos danos. Eu sei muito mais sobre pornografia agora do que jamais soube no tempo que estava atuando.


Se você pudesse dizer uma coisa para os homens que estão lendo isso agora, o que diria?

Homens, DEUS AMA VOCÊS! Eu também amo, e sempre vou rezar por todos vocês, para que as cadeias que aprisionam sejam quebradas. Vocês são escravos da pornografia, tanto quanto uma atriz. Se vocês estão vendo pornografia, ou são viciados, vocês estão tentando preencher um vazio dentro de vocês, que somente Deus pode preencher. Toda vez que vocês olham para pornografia, estão fazendo o vazio ficar maior, e isso vai destruir sua vida. Sua maldade é um veneno, uma mentira, e uma droga. Se vocês pensam que podem manter as coisas escondidas, saibam que Deus vai trazer tudo para a luz, para dar um basta em tudo, e curar vocês. Essas mulheres são preciosas, e merecem ser amadas, tanto quanto vocês. Há uma pessoa real do outro lado das imagens que vocês estão assistindo, e vocês estão destruindo sua vida e a vida de seus filhos. Em todo material pornográfico está uma mulher que é uma filha, filha de uma outra mulher. E se fosse a sua própria filhinha? Você pode, na verdade, estar contribuindo para a morte de alguém! Atrizes e atores pornográficos morrem frequentemente de AIDS, overdose de drogas, suicídios, etc. Por favor, parem de ver pornografia.


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April Garris esteve envolvida na indústria pornográfica em 2001, por aproximadamente 6 meses, e fez algo em torno de 15 a 20 filmes. Ela deixou a indústria no final de 2001, mas continuou a lutar contra o vício de drogas, doenças mentais e depressão grave. Ela começou a experimentar a cura verdadeira quando se converteu em 2005, e desde então tem vivido uma vida de autêntica liberdade.


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Trechos da entrevista traduzidos e adaptados.
Para ver a entrevista completa, acesse o site “Who Does it Hurt”:
http://www.whodoesithurt.com/april-garris/314-april-garris-a-jennifer-case

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Para mais artigos sobre Pornografia, visite:
http://vidaecastidade.blogspot.com/2009/05/artigos-sobre-pornografia.html
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Casamento requer preparação

Por Mieczyslaw Guzewicz

A maior parte do grande número de crises no casamento e de divórcios que ocorre nos dias de hoje é o resultado da falta de uma adequada preparação para a vida adulta a dois. Para remediar essa situação, devemos primeiramente tirar de nossa mente qualquer outro arranjo entre pessoas que não seja o matrimônio.

Comecemos a refletir sobre esse assunto à luz do que nos diz o livro de Gênesis. Encontramos ali um plano prontamente acessível para construir um casamento feliz: “Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne” (Gen 2, 24).




Esse versículo contém algumas condições que devem ser cumpridas para um casamento; e essas condições devem ser cumpridas antes mesmo do casal por o pé na Igreja. Temos aqui requisitos específicos para construir uma união duradoura, e que devem ser realizados antes de dar início à vida matrimonial. A despreocupação em realizar essas condições preliminares é uma das principais causas do número crescente de casamentos fracassados que nos assola hoje em dia.

A sequência correta

O primeiro princípio contido no verso bíblico é uma clara sequência de passos:
1. Deixar
2. Unir-se
3. Tornar-se uma só carne

A própria ordem desses estágios testifica o gênio do autor inspirado. Já há milhares de anos atrás, um homem deixou escrito em uma curta sentença uma verdade lógica que permanece até hoje. Uma união bem sucedida entre um homem e uma mulher deve ser construída nessa ordem: primeiro o casal deve deixar seus pais, então eles devem entrar no matrimônio (formalmente, e não apenas vivendo juntos, mas seguindo um procedimento estabelecido), e só então é que podem formar uma completa união espiritual e corporal. A união corporal é o complemento e realização total da união espiritual. Por si mesma, a união corporal não é completa, mas a espiritual ou afetiva também não é completa por si só (nem mesmo quando devidamente abençoada) enquanto não for “consumada” na carne. Vamos agora refletir um pouco na sequência relatada, pois o sucesso do matrimônio depende da observação da sequência correta.

Hoje em dia vemos a prática comum de inverter a ordem e ignorar os requisitos de cada estágio sucessivo. É muito comum os jovens primeiro “consumarem” o casamento (terem relação sexual mesmo antes de ser um casamento), usufruindo dos prazeres do corpo e criando “uma só carne” – mas apenas em um sentido corporal, que trivializa e degrada o valor da verdadeira união. Só depois começam a pensar onde vão morar, muitas vezes sem condições de cuidar de si mesmos – se não financeiramente, pelo menos profissionalmente. O casal não vai resolver o problema indo morar com os seus pais. Desse modo, eles não só invertem a ordem dos estágios, como também deixam de cumprir os requisitos de cada estágio. O que temos, então, é um dramático paradoxo, que traz a destruição do casamento antes mesmo dele começar.

O texto bíblico nos fala claramente que observar a sequência correta é uma condição básica para ter um casamento duradouro. Igualmente importante é o cumprimento dos requisitos de cada estágio separado.

1. Deixar

Deixar os próprios pais é uma condição para um casamento feliz. Assim como uma criança não pode se desenvolver plenamente sem deixar o útero da mãe e cortar ter o seu cordão umbilical cortado, do mesmo modo um casamento não pode se desenvolver plenamente sem que o casal deixe seus pais. Embora deixar o pai e a mãe normalmente seja um acontecimento acompanhado de um certo grau de sofrimento e dor, é uma dor necessária, que deve ser superada, pelo bem do casamento.

O versículo do livro do Gênesis faz uma referência específica ao homem, mas é óbvio que isso se aplica tanto ao homem quanto à mulher. A circunstância tem mais a ver com o fato de que, em todas as culturas e tradições, sempre tem sido o homem aquele que leva a responsabilidade de construir um novo lar e levar sua noiva para esse novo lar.

A fim de realizar esse primeiro estágio, o casal deve adquirir independência profissional. Eles devem adquirir uma condição que procure garantir um emprego capaz de sustentar a eles e à nova família. Depois eles devem ganhar um certo grau de independência financeira, que permitirá a mudança, da casa dos pais para a nova casa. Essa mudança é absolutamente necessária. É a maneira visível, exterior, através da qual o casal deixa seus pais, se separa deles, e adquirem um senso de independência e liberdade para agir por si mesmos. Igualmente importante nesse primeiro estágio é ganhar a independência emocional e psicológica necessária para viver sem ter que ser “levado pela mão”. Isso envolve a aquisição de habilidades básicas de vida, como cuidar da própria saúde e se responsabilizar sozinho por formalidades legais. Também tem a ver com esse estágio: ser capaz de assumir responsabilidade por si e pelas próprias ações; prontidão em assumir responsabilidade pelos outros – pela esposa ou marido e pelos futuros filhos; prontidão em se sacrificar pelos outros e aceitar o sofrimento; e, finalmente, conhecimento dos princípios morais básicos, os dez Mandamentos e o Catecismo, incluindo o significado sacramental do matrimônio.

É muito comum os pais dificultarem esses passos na vida dos filhos. Agindo assim, eles fragilizam psicologicamente seus filhos, fazendo-os dependentes financeiramente e psicologicamente dos pais. Em alguns casos, chegam a construir grandes casas, com planos de ter os filhos casados morando com eles. Esse é um sério engano, que ocasiona grande prejuízo para os filhos. Deixar a casa para estudar em outra cidade contribui muito para um jovem se tornar independente em muitos níveis. O serviço militar também pode ser de ajuda para amadurecer uma pessoa. No passado, era mais fácil cumprir esse estágio na vida antes do casamento. As pessoas amadureciam psicologicamente mais rápido do que hoje. Situações extremas, como guerras, aceleravam a entrada dos jovens no mundo dos adultos. Havia também uma outra compreensão do papel dos pais, do homem e da mulher na sociedade. Sob as condições atuais, em que a maturidade emocional e psicológica e um senso de responsabilidade por si e pelos outros chega muito depois da maturidade física, sair um pouco de casa, mesmo pagando o preço de atrasar um casamento, pode ser uma condição necessária para se construir uma união duradoura.

Mudar-se para outro lar não significa cortar relações com os pais, nem significa a negação da obrigação que os filhos têm para com relação aos pais, particularmente quando eles alcançam uma idade mais avançada. O que uma mudança para um novo lar faz é criar um nível inicial de conforto para ambos os lados, e facilitar o desenvolvimento de respeito mútuo. É mais fácil respeitar o outro à distância, quando um lado não está dependente de outro. Viver junto com os pais pode ter suas vantagens, mas elas são superadas em muito pelas desvantagens. Nessa situação de morar com os pais, pode acontecer um estado de grande tensão e estresse. Em situações nas quais isso não pode ser evitado, é necessária uma grande dose de tolerância e de compreensão de ambas as partes. Mas um arranjo assim deve sempre ser considerado temporário e transitório, tendo sempre em mente a necessidade de ter sua vida independente.

Portanto, a casa, o lar do casal, é essencial para a formação de um casamento duradouro, e para a obtenção do grau mais alto de humanização. “Somente realizando uma ruptura com essa realidade inicial, e sendo capaz de confiar a própria vida a outra pessoa, é que revelamos aquela qualidade específica através da qual podemos ser vistos como imagem e semelhança de Deus” (Z. Kiernikowski, Two in One Body in Christ).

O cumprimento interior e exterior do primeiro estágio (deixar os pais) também significa o reconhecimento de que, de agora em diante, a esposa ou o marido é a pessoa mais importante de nossa vida. Deixar nossos pais significa que amadurecemos ao ponto de compreender que, embora os pais continuem sendo importantes para nós, eles já não são mais tão importantes como eram antes de sairmos de casa. Nós passamos a reconhecer que a pessoa de maior importância para nós agora é o marido ou esposa. Depois dele ou dela, vem o fruto de nossa união – nossos filhos – e só depois nossos pais, parentes, amigos etc. Os pais também devem aceitar essa realidade, e não esperar que seus filhos casados os tratem como mais importantes que o marido ou esposa.

Deixar os pais também significa ter e ser capaz de se confiar nas mãos de outra pessoa. Isso envolve um grande risco. Quando deixamos nossos pais e rompemos nossa dependência para com eles, damos um corajoso passo. Nós nos lançamos nos braços de alguém com quem não guardamos laços de sangue. Esse ato de confiança ao marido ou esposa é algo de diferente comparado com o relacionamento anterior com os pais. Com eles, fomos, acima de tudo, recebedores de bens e de cuidados solícitos. Nossos pais nos serviam devotamente. Agora, assumimos o papel de provedores de bens e de cuidado para os outros. Isso significa uma transição, de uma posição na qual somos servidos, para uma posição na qual servimos. Deixar a casa dos pais é, portanto, uma transição para um nível de valores muito mais alto. Esse passo é um passo extraordinariamente difícil, arriscado, e, de fato, impossível de se atingir completamente. Porém, na dimensão nova, na qual Cristo é a realização plena, esse ideal se torna possível, principalmente através da Eucaristia, que é o meio pelo qual o humanamente impossível se torna possível.

Talvez esse estágio, mais do que qualquer outro, necessite que ambos os lados, os filhos que estão deixando a casa, e os pais que precisam aceitar essa partida, possam basear suas decisões humanas no poder da Graça Divina.

(a ser continuado)
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Traduzido e adaptado de: http://www.loveoneanothermagazine.org/nr/true_love_waits_pure/marriage_requires_preparation.html
Revista católica “Love One Another”, da Sociedade de Cristo, Padres poloneses