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quinta-feira, 23 de março de 2017

Nunca podia imaginar que um biquini pudesse esconder tanto de mim

Por Kaylin Koslosky


Um  momento chave que me fez abrir os olhos para a modéstia no vestir aconteceu enquanto estava deitada em uma espreguiçadeira na beira de uma piscina, tomando banho de sol com meu novo biquini. Eu comecei simplesmente a observar a cena na qual estava imersa. Mulheres de todos os tamanhos e formas estavam caminhando por ali ao redor, ou deitadas como eu, com seus biquinis. Eu percebi que algumas meninas andavam com seus braços ao redor da barriga - uma insegurança que eu imediatamente entendi e me solidarizei, apesar de ter, eu mesma, um corpo bem trabalhado. Outras meninas jovens passavam confiantes pela piscina, como se nada demais estivesse acontecendo. Facilmente se percebia os olhares dos homens ao redor quando elas passavam.

Mas, em todas as situações, seja nas que caminhavam com confiança, seja nas inseguras, uma coisa começou a me deixou intrigada sobre todas. Nenhuma vez, em minhas observações naquele dia, eu cheguei a me perguntar "O que estaria sentindo aquela menina em seu coração hoje?". Ou: "Como seria sua personalidade?". Ou ainda: "Que sonhos ela deseja realizar na vida?". Nem uma vez sequer. Todos os meus pensamentos estavam direcionados para seu biquini ou para seu corpo. Enquanto mulher, isso significa apenas que eu estava me perguntando onde ela comprou aquele biquini, ou comparando meu corpo com o dela. Mas imagine o que deve ser para um homem! É difícil olhar para uma mulher usando quase nenhuma roupa e tentar ver a beleza de seu coração, quando é apenas a beleza do seu corpo que ela está transmitindo. Ou até mesmo quando ela está se escondendo por trás da beleza do seu corpo.

Então ali estava eu, tomando consciência de tudo isso, e ainda assim deitada, eu mesma, com meu biquini. Eu percebi que, se eu atraísse o olhar de um homem (o que eu muitas vezes pensava mesmo querer), isso jamais seria por qualquer outra razão que não meu corpo. Pare para pensar: como ele poderia se sentir atraído por outra coisa? Ele nem me conhece. Alguma coisa naquilo tudo me deixou com um sentimento de vazio no coração. E mesmo com relação a outras mulheres, eu percebi que a falta de roupas nos deixava vulneráveis a dolorosas comparações entre nós, em um mundo tão voltado para a beleza exterior.

(...)

Onde quer que você esteja nessa jornada em direção à modéstia, faça uma pergunta a si mesma: Que tipo de beleza eu estou revelando para o mundo? Revelar essa beleza está me levando para o caminho do amor que meu coração realmente deseja?

__________
Este é um trecho de um artigo do site Chastity Project. Para ler o artigo completo, clique em:
http://chastityproject.com/2015/10/i-never-knew-a-bikini-could-hide-so-much/

quinta-feira, 16 de março de 2017

Morrre Norma McCorvey

Por Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Disponível em: http://www.providaanapolis.org.br/index.php/todos-os-artigos/item/538-morre-norma-mccorvey

(com uma falsa alegação de estupro, ela obteve a liberação do aborto nos Estados Unidos)

No dia 18 de fevereiro deste ano, Pe. Frank Pavone, Diretor Nacional de “Priests for Life” (“Sacerdotes pela vida”), noticiava em um e-mail a morte de sua amiga Norma McCorvey, aos 69 anos de idade.


Conhecida como Jane Roe, Norma tinha 21 anos quando em 1969 descobriu que estava grávida de seu terceiro filho. Desejosa de fazer um aborto na cidade de Dallas, Texas, EUA, inventou a história de que havia sido estuprada por uma gangue. Então duas advogadas recém-graduadas, Linda Coffee e Sarah Weddington, que estavam à procura de uma mulher grávida desejosa de abortar, ofereceram-se para representá-la em juízo contra o Estado do Texas (cuja legislação proibia seu aborto), representado por Henry Wade, procurador do Condado de Dallas.

Em 1970 estava criado o caso “Roe versus Wade”, que subiria até a Suprema Corte e resultaria na tristemente célebre sentença de 22 de janeiro de 1973, dando vitória a Roe por sete votos contra dois. Norma não fez aborto. Antes que o processo encerrasse, ela deu à luz e encaminhou a criança para adoção. Mas foi por causa dela (e da mentira por ela inventada) que a Suprema Corte declarou inconstitucional a legislação do Texas que incriminava o aborto. E foi mais adiante:

Afirmou, de fato, que qualquer lei estadual que proibisse o aborto para proteger o feto nos primeiros dois trimestres de gravidez - antes do sétimo mês - era inconstitucional. (...) De um só golpe, em Washington, um tribunal de nove juízes que haviam sido nomeados e não eleitos para seus cargos, e que nem foram unânimes em sua decisão, mudara radicalmente as leis de quase todos os cinquenta estados norte-americanos[1].

A decisão fundou-se, por um lado, no direito da mulher à “privacidade”, por outro lado, na negação da personalidade da criança por nascer. Para declarar que o nascituro (unborn) não era pessoa, e que, portanto, não tinha direito à vida, a Suprema Corte usou o mesmo texto da emenda que outrora havia proibido a escravidão. Dizia tal emenda que “... todas as pessoas, nascidas ou naturalizadas nos Estados Unidos (...) são cidadãos dos Estados Unidos...” (destacou-se). Ora, como o nascituro não é nascido nem naturalizado, então ele não é cidadão dos Estados Unidos. Assim, ele não goza de nenhum direito! Por meio desse artifício, o Tribunal declarou que a personalidade legal não existe nos Estados Unidos antes do nascimento: “... a palavra ‘pessoa’, como foi usada na 14ª Emenda, não inclui o nascituro.”[2]

Além de declarar inconstitucional qualquer lei estadual, como a do Texas, que proibisse o aborto inclusive até o sexto mês de gravidez, a Suprema Corte declarou que o aborto poderia ser permitido até o momento do nascimento, desde que o médico o julgasse necessário para preservar a saúde da mãe. O conceito de saúde foi estendido ao extremo, compreendendo o completo bem-estar físico e psicológico da gestante. Acerca disso, transcreva-se o voto do juiz relator Blackmun:

A maternidade, ou uma prole adicional, pode forçar a mulher a uma vida e a um futuro angustiados. O dano psicológico pode ser iminente. A saúde física e mental pode ser sobrecarregada pelo cuidado do filho. Há ainda a angústia, para todos os envolvidos, associada ao filho indesejado, e há o problema de trazer uma criança a uma família já incapaz, psicologicamente e por outros motivos, de cuidar dela. Em outros casos, como neste [o de Jane Roe], as dificuldades adicionais e o contínuo estigma de mãe solteira podem estar envolvidos. Tudo isso são fatores que a mulher e seu médico responsável necessariamente levarão em conta na consulta.[3] (destacou-se).

Com esse conceito tão amplo de “saúde”, a partir de 1973 qualquer mulher estadunidense pôde abortar simplesmente por alegar que a gravidez, sendo indesejada, causava-lhe um mal-estar psicológico, e assim, prejudicava a sua “saúde” psíquica. Estava liberado na prática o aborto por simples solicitação da gestante: o aborto a pedido (abortion on demand).

Falso estupro revelado

Em 1987, Norma McCorvey reconheceu, em entrevista televisiva com Carl Rowan, que a história do estupro tinha sido completamente inverídica[4].

Sarah Weddington, uma das advogadas de Roe versus Wade, explicou em um discurso feito no Instituto de Ética da Educação, em Oklahoma, por que se utilizara da falsa alegação de estupro até que o caso chegasse à Suprema Corte: “Minha conduta pode não ter sido totalmente ética. Mas eu fiz por que pensei que havia boas razões”[5].

Norma tornou-se um ícone do movimento pró-aborto (chamado “pro-choice”, que significa “pró-escolha”) e passou a trabalhar na indústria do aborto.

Conversão à vida

Sua conversão ocorreu quando a Operação Resgate (um grupo pró-vida que atua nas portas das clínicas de aborto) mudou-se para um prédio do outro lado da rua da clínica onde ela trabalhava, em Dallas. Inicialmente ela reagiu com violência, mas pouco a pouco passou a sentir simpatia pelos militantes pró-vida.

Em 8 de agosto de 1995, Norma McCorvey foi batizada pelo Pastor Flip Benham, Diretor Nacional da Operação Resgate[6]. No entanto, ela ainda se dizia favorável ao aborto no primeiro trimestre de gestação. Ouçamo-la em seu livro “Won by love” (1998) (“Vencida pelo amor”) dizer o que aconteceu:

Poucas semanas depois da minha conversão, eu estava sentada no escritório da Operação Resgate, quando notei um cartaz de desenvolvimento fetal. A progressão era tão óbvia, os olhos eram tão doces. Meu coração se feriu, somente de olhá-los.
Corri para fora e finalmente despertei: “Norma,” disse a mim mesma, “eles estão certos”. Eu tinha trabalhado com mulheres grávidas por anos. Eu mesma tinha passado por três gravidezes e três partos. Eu deveria ter sabido. Algo ainda no cartaz fez-me perder a respiração. Continuei olhando a figura daquele minúsculo embrião de dez semanas, e disse a mim mesma: aquilo é um bebê!
Foi como se antolhos caíssem de meus olhos e de repente eu compreendi a verdade: aquilo é um bebê!
Senti-me “esmagada” pela verdade daquela percepção. Tive que enfrentar a terrível realidade. O aborto não era de ‘produtos da concepção’. Não era de ‘menstruações perdidas’. Era de crianças sendo mortas no ventre de suas mães. Durante todos aqueles anos eu estava errada. Ao assinar aquele depoimento, eu estava errada. Ao trabalhar em clínicas de aborto, eu estava errada. Não mais essa coisa de primeiro semestre, segundo trimestre, terceiro trimestre. O aborto – em qualquer ponto – era errado. Era tão claro. Dolorosamente claro[7].

Em 27 de agosto de 1998, Norma ingressaria na Igreja Católica, recebendo a Comunhão Eucarística e a Confirmação, esta última administrada pelo Pe. Frank Pavone[8].

Em um vídeo de um minuto produzido em 2013, Norma McCorvey dizia: “Depois de conhecer a Deus, eu percebi que o meu caso [Roe versus Wade], que legalizou o aborto a pedido, foi o maior engano da minha vida”[9].

Leiamos o que escreveu Pe. Frank Pavone na mensagem em que noticiava a morte de sua amiga:

Apesar do peso em seu coração pelo assassinato de 58 milhões de crianças desde a sentença Roe versus Wade, ela sempre soube como tomar a mão do Senhor e deixar sua graça levantá-la. Ela experimentou o programa do retiro das Vinhas de Raquel[10] para ajudá-la a sarar suas feridas (embora ela mesma nunca tenha feito um aborto), e dedicou-se de todas as maneiras a pôr um fim à tragédia do aborto.

Amigos, a história de Norma continuará viva. É uma história de esperança. Se ela pôde se converter e encontrar perdão por seu envolvimento com o aborto, então qualquer um pode. E se ela pudesse dizer alguma coisa agora para o mundo, estou convencido de que seria: “Aprendam minha história e tenham esperança”.

Anápolis, 13 de março de 2017.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis


[1] Ronald DWORKIN. Domínio da vida, São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 7.
[2] UNITED STATES OF AMÉRICA. Supreme Court. Roe v. Wade. Appeal from the United States District Court to the Northern District of Texas. BLACKMUN, J., Opinion of the Court, 22 Jan. 1973, Washington, DC. Disponível em: https://www.law.cornell.edu/supremecourt/text/410/113
[3] Ibidem.
[6] Cf. Steven WALDMAN; Ginny CARROL, Roe v. Roe. Newsweek, New York, 21 Aug. 1995, p. 24.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Uma conversa sobre masturbação

Há algum tempo atrás, enquanto dava uma palestra, uma pessoa simplesmente não acreditou quando eu disse que masturbação não fazia bem, e era pecado. Ele não achou que estivesse falando sério.

O problema com os pecados contra a castidade é que, infelizmente, vivemos em um mundo que não valoriza a pureza, e portanto não consegue conceber o que é ser uma pessoa pura de coração, porque simplesmente essa é uma experiência que lhe foge completamente. Para muitas pessoas está simplesmente fora de seu horizonte de existência.




Primeiramente é preciso dizer que a castidade não é sinônimo de abstinência de sexo. Pode ser que, no caso da pessoa solteira, coincida com a abstinência. Mas cônjuges também devem viver a castidade em seus relacionamentos íntimos. A castidade é a virtude da temperança e da pureza, vivida com relação ao corpo e a sexualidade. Ela significa viver os valores sexuais (sim, eles são valores positivos!) dentro de sua justa proporção, dentro do plano para o qual foram criados por Deus. Significa viver os valores sexuais dentro de uma realidade maior, onde a atração sexual está a serviço do amor verdadeiro, e a ele se orienta.

O contrário da castidade é a luxúria, é um vício que leva as pessoas a ver seu semelhante como um objeto de satisfação de prazeres, e não um ser humano integral que recebe amor e é amado(a). Quem não vive a castidade não sabe o que é amor, pura e simplesmente, porque confunde amor com atração sexual, confunde amor com satisfação sensual, confunde amor com prazeres carnais.

Não é que o verdadeiro amor exclui o prazer. Não. Cônjuges que vivem seus relacionamentos íntimos com certeza sentem prazeres sensuais. Mas, se eles se amam de verdade, não escolheram amar a outra pessoa só por causa desse prazer que ele(a) proporciona. O prazer vem em decorrência de sua união. Não foi a causa da união. A causa da união foi, e continua sendo, o amor verdadeiro. Com o passar dos anos, quando a atração sexual vai normalmente diminuindo, o que fica entre eles é o amor. Casais que não fizeram do amor a razão primeira de sua escolha de um para o outro, nesse ponto correm o risco de cair em um vazio. Muitas vezes essa é a causa do divórcio. Quem não ama de verdade não sabe superar as dificuldades da vida em comum, perdoar as deficiências da outra pessoa, viver escolhendo novamente aquela pessoa de novo e de novo, a cada dia.

Hoje em dia a masturbação é comumente praticada entre adolescentes. Em uma pesquisa acadêmica de 2011, 80% dos jovens rapazes americanos de 17 anos reportaram ter praticado masturbação pelo menos uma vez na vida (1), com mais da metade reportando uma frequência de pelo menos algumas vezes no mês. A percentagem de jovens que se masturbam é maior entre os homens, porém entre as mulheres está longe de ser um raridade. O percentual de jovens mulheres americanas de 17 anos que reportaram ter praticado masturbação chega a 58%, consituindo mais da metade (1).Com uma percentagem tão alta, não é de estranhar que as pessoas passem a ver a masturbação como uma coisa "normal".

O que é preocupante com isso tudo é que a masturbação não ensina a viver os valores sexuais dentro da dimensão do amor verdadeiro.  Organizações e profissionais de saúde tendem a considerar a masturbação como uma prática "normal", "natural", como "parte do desenvolvimento da sexualidade". Mas essa visão não levam em conta aspectos morais. A tendência desses profissionais e pessoas supostamente "entendidas" do assunto é que a religião só serve para trazer "culpa" e sentimentos de "angústia" para os adolescentes, pois a religião se permite questionar se a masturbação faz mesmo bem ou não para os jovens. Por isso, muitas vezes sugerem "abandonar" as visões religiosas, sugerindo que isso vai trazer melhor "auto-estima" para os adolescentes.

Essa é uma visão muito simplista, e que não considera o ser humano como um todo. Nós temos uma consciência moral, não somos apenas "animais evoluídos" que se limitam a reagir psicologicamente a estímulos. Não é a religião que "cria" sentimentos de culpa, mas nossa própria consciência parece nos alertar que "algo está errado aqui". Mas, infelizmente, essa visão preconceituosa contra a religião é a que prevalece, e muitas vezes as pessoas nem querem ouvir o que a religião tem a dizer sobre o assunto.

Somado a isso, temos, infelizmente, o mau exemplo de muitos líderes religiosos, que, por um motivo ou por outro, não sabem traduzir em palavras boas e afirmativas uma proposta convincente para os jovens de hoje viverem a castidade.

Paremos para pensar por um momento sobre o que é a masturbação: uma estimulação dos próprios órgãos genitais visando obter prazer. Agora passemos a comparar essa definição com o projeto de uma relação madura e feliz: um casal que se ama de verdade e se compromete no matrimônio a viver em fidelidade para fazer o outro feliz, e que como instrumento de expressão desse amor vive a união sexual aceitando plenamente tudo que ela traz, ou seja, uma união de vida, não só de corpo, mas também de sentimentos e companheirismo. Agora vem a pergunta: como uma coisa pode ajudar a outra? Como a masturbação pode ajudar a viver em plenitude a vocação matrimonial? A resposta é: não pode.

Não pode porque a masturbação não tem nenhuma característica que venha a "treinar" ou "preparar" a pessoa para viver em um matrimônio sadio, satisfatório, onde existe verdadeiro amor e complementaridade. Mesmo a nível puramente do prazer sexual, a masturbação "treina" o cérebro para se excitar com situações e práticas que não farão parte do panorama de uma relação sexual a dois, normal, entre os cônjuges.

Mas lembre-se que o matrimônio não é composto só de prazer sexual. O prazer é uma parte de um todo mais complexo, que inclui a escolha de um pelo outro, a aceitação social de viver juntos e partilhar a mesma casa e conviver com as mesmas famílias, a aceitação e criação dos filhos, o companheirismo de quem prometeu viver o resto da vida em fidelidade e amor para com aquele(a) cônjuge. Todos esses fatores não são tocados nem de perto pela masturbação.

Por isso o Catecismo da Igreja Católica relata que "a masturbação é um ato intrínseca e gravemente desordenado", pois "o uso da faculdade sexual fora das relações conjugais normais (leia-se: casamento) contradiz sua finalidade" (2).

Uma pessoa certa vez argumentou comigo que a masturbação seria "natural" por fazer parte de um processo de "descoberta do próprio corpo". Esse argumento não pode ser levado a sério. Pare para pensar no caso de um jovem que pratica masturbação frequentemente, vamos dizer mais de duas vezes por semana, repetindo isso durante os anos de sua adolescência. Ao chegar na vida adulta, esse jovem terá realizado centenas, senão milhares de atos de masturbação. Fica difícil argumentar sobre a necessidade de uma quantidade tão grande de masturbação para "descoberta do próprio corpo" quando sabemos que o corpo de um ser humano normal ocupa uma quantidade tão limitada de espaço. Em outras palavras, é patético dizer que o jovem precisa se masturbar tantas vezes para "conhecer o próprio corpo" quando seu corpo é claramente limitado espacialmente falando.

Além do mais, para "conhecer o próprio corpo" não é preciso experimentar prazer sexual. Então algumas pessoas podem argumentar que é preciso "conhecer o prazer sexual". Não existe nenhuma razão para uma suposta "necessidade" de conhecer as sensações envolvidas no prazer sexual fora do casamento, a não ser a própria busca de prazer. E, a título de argumentação, não seria verdade que um só orgasmo já seria suficiente para saber o que ele é? Portanto, após a primeira masturbação as outras não teriam mais sentido, segundo esse argumento. Fica claro que a defesa que algumas pessoas fazem da masturbação não passa de "desculpas" para tentar calar a própria consciência e tentar tornar "normal" uma prática que, no fundo, não leva a nada, e não tem nenhum sentido real para existir. O único (falso) "sentido" é a busca do prazer.

Como vivemos em uma sociedade que faz do prazer o único e absoluto bem, as pessoas continuam buscando esse prazer a qualquer custo. Para uma pessoa que se converte, vem a crise, porque ela passa a conhecer mais sobre moralidade, Deus, a religião, o bem, o amor verdadeiro, Jesus Cristo, e de repente não quer "largar" os hábitos antigos, porque isso implicaria renunciar a prazeres com os quais está acostumada. Tem dificuldade para abandonar esses "prazeres" não só por motivos psicológicos, mas até mesmo por motivos neurológicos, pois nosso cérebro se "acostuma" com aquilo, e tem verdadeiras "crises de abstinência". (3)

Dizer que não é fácil viver a castidade é chover no molhado. É óbvio. Mas Jesus nunca disse que segui-lo seria fácil. Ele pediu para entramos na porta estreita (4). Temos muito a ganhar se passarmos a procurar entender o que é o amor verdadeiro, e procurarmos vivê-lo em plenitude. Outros artigos do nosso blog podem ajudar. (5)

Uma última palavra, então, para você que está lendo esse artigo: não desista nunca da busca da pureza, da castidade. Se o caminho é longo, ele começa pelo primeiro passo. E se vierem quedas, sempre se levante. Longe de te deixar triste ou angustiado, esse caminho vai ter levar a descobrir uma nova realidade, onde existe mais paz e felicidade.



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Notas:

 (1) Prevalence, Frequency, and Associations of Masturbation With Partnered Sexual Behaviors Among US Adolescents. Cynthia L. Robbins, MD; Vanessa Schick, PhD; Michael Reece, PhD, MPH; et al Debra Herbenick, PhD, MPH; Stephanie A. Sanders, PhD; Brian Dodge, PhD; J. Dennis Fortenberry, MD, MS. Arch Pediatr Adolesc Med. 2011;165(12):1087-1093. Disponível em: <http://jamanetwork.com/journals/jamapediatrics/fullarticle/1107656>

(2) Catecismo da Igreja Católica, §2352 (http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s2cap2_2196-2557_po.html)

(3) Veja artigo no blog Vida e Castidade: "A pornografia é tão perigosa quanto cocaína ou heróina" (http://vidaecastidade.blogspot.com/2017/02/a-pornografia-e-uma-droga-tao-perigosa.html)

(4) Mt 7, 13 - "Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram."

(5) Artigos sobre masturbação (http://vidaecastidade.blogspot.com/2009/05/artigos-sobre-masturbacao.html
Artigos sobre pornografia (http://vidaecastidade.blogspot.com/2009/05/artigos-sobre-pornografia.html
Artigos sobre Teologia do Corpo (http://vidaecastidade.blogspot.com/2009/05/artigos-sobre-teologia-do-corpo.html)

domingo, 3 de novembro de 2013

BloodMoney - Aborto Legalizado

*Bloody Money – O Aborto Legalizado*. Este filme vai estrear nos cinemas dia 15 de novembro, e a grande imprensa vem boicotando sua divulgação, já que ele critica o aborto. Está fora do Estadão, da Folha, Globo… parece que só a Band vai abrir um espaço! Ajude a divulgar esse filme, assista, indique a amigos. É muito importante que todos conheçam a verdade sobre o aborto!



quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Porque estou esperando pelo casamento para ter sexo

Por Maura Byrne | Fundadora de "Made in his image"



Minha caixa de e-mails é inundada diariamente com perguntas de jovens mulheres, dizendo: Meu namorado diz que, se eu realmente o amo, deveria fazer sexo com ele. Se eu não tiver relações sexuais com ele, eu tenho medo que ele vá me deixar. Se eu não der o que ele quer, tenho medo que ele vá me trair. Meu namorado vê pornografia e isso me faz sentir como se eu não fosse o suficiente. Meus amigos me dizem que, se eu realmente o amo, então deveria dormir com ele. Eu só quero me sentir amada e desejada. Estas são apenas algumas das coisas que eu leio diariamente.

A minha esperança é que Deus Pai venha lhe inspirar através deste post para que você possa ver seu enorme valor e a dignidade que você possui como Sua filha, bem como o caráter sagrado do sexo criado para um marido e uma mulher, e que você não se contente com um homem que não lhe conquiste, honre e proteja.

Por que eu estou esperando pelo casamento para viver o sexo:

É uma história verídica. Uma vez um homem me disse que eu era uma puritana porque eu disse que não ia fazer sexo enquanto não me casasse. Adivinha o que eu disse a ele: Até logo. Afinal de contas, ninguém tem tempo para esse tipo de desrespeito. Eu valho mais do que isso. Meu valor é algo que me levou muito tempo para descobrir e eu ainda estou descobrindo. Ninguém aprende tudo na vida, há sempre mais para aprender.

Quer ouvir algo que poderia chocá-la? Deus criou o sexo. Sim, você me ouviu direito. Deus criou o sexo para um marido e uma esposa trazer novas vidas ao mundo e encontrarem prazer no corpo um do outro. Com isto dito, o sexo não deve ser visto de forma superficial. Tem sido fácil ter 27 anos e não ter tido relações sexuais? Não. Eu fui tentada a fazer sexo? Sim. Mas o próprio Cristo foi tentado, mas não pecou. E este é o exemplo que somos chamados a imitar. Claro que somos humanos e vamos cair, mas devemos buscar o perdão de Deus e começar de novo quando isso acontece.

Quando eu ouvi pela primeira vez sobre o plano de Deus para nossa sexualidade fiquei fascinada e procurei saber mais sobre Sua Verdade. Foi então que aprendi sobre o meu valor e como eu mereço um homem que seja digno e que proteja heroicamente a minha pureza (e, claro, vice-versa). Então, só porque eu estou esperando para ter relações sexuais no casamento, não significa que eu não tenha sido tentada. Mas essa é a beleza da castidade, pois a castidade é simplesmente um caminho ordenado para o amor. Deus colocou esse desejo em meu coração para que eu me entregue ao meu futuro marido e eu confio que Ele vai cumprir esse desejo, mas com um homem que faça um compromisso de sua vida toda para mim. Minha sexualidade é um dos maiores dons que eu estou guardando para ele e só ele.

Só vou me entregar ao meu futuro marido, a um homem que possa dizer o seguinte para mim: "Tomei-te em meus braços, e eu te amo, e eu prefiro você à minha própria vida. Porque a vida presente não é nada, e o meu sonho mais ardente é vivê-la com você de tal forma que possamos ter a certeza de não estar separados na vida eterna reservada para nós. Eu coloco o seu amor acima de todas as coisas, e nada seria mais amargo e doloroso para mim do que pensar diferente de você." - São João Crisóstomo, sobre o que um marido deveria dizer à sua noiva

A ferida:

A ferida mais epidêmica do nosso mundo é a orfandade. Toda menina pequena anseia por ser querida pelo seu pai. Ela quer ser desejada. Ela faz as perguntas: Eu te agrado? Tenho valor a ponto de merecer que você lute por mim? Você me quer? Você me vê? Você me valoriza? Eu sou bonita? Eu sou o suficiente? Quando essas perguntas são respondidas através de um pai adequadamente amoroso, que toca, beija e afirma a sua filha, ela não precisa fugir com o primeiro menino que a acha atraente.

Mas quando essas perguntas não são respondidas de forma adequada, ela procura encontrar as respostas por si própria. Quando um pai não dá à sua filha a atenção e o amor que ela almeja, sua necessidade de aceitação masculina é sem fim. Muitas vezes essas questões não respondidas conduzem a distúrbios alimentares, depressão e promiscuidade, para citar alguns problemas.

Meu conselho para você: não procure o amor de seu pai em todos os lugares. Encontre esse amor no Pai do céu.

Nossa Cultura Sexualizada:

Tomemos por exemplo uma modelo da Victoria Secret (n. do t.: famosa marca de lingerie): Sim, as modelos Victoria Secret são fisicamente atraentes e não há nada de errado com a beleza física. Deus criou as mulheres para serem desse jeito, mas a beleza física por si mesma carece de profundidade. Deus criou as mulheres para inspirarem um sentimento de encanto e admiração em um homem. E isso é muito bom, pois este é o desígnio de Deus.

Toda mulher anseia ser vista por mais do que sua beleza física. Porque, vamos ser sinceros, existe mais coisa em uma mulher do que sua aparência. Mas como os homens podem ver nossos corações, se desnudamos primeiro a nossa carne? O corpo da mulher não foi criado para ser ostentado em uma passarela vestindo lingerie. Lingerie é para o marido de uma mulher, não para uma passarela.

Da mesma forma, a revista People pode colocar uma mulher semi-nua na capa de suas revistas e afirmar que ela ganhou o título de mulher mais bonita do ano. Isso não é verdade. A modéstia revela a beleza interior de uma mulher para o mundo ver, preservando o corpo para seu marido no santo sacramento do matrimônio. Nossa cultura perdeu esse sentido do sagrado do corpo humano  e do vínculo conjugal. Normalmente, a noiva e o noivo não veem um ao outro no dia do casamento, então por que eles olhariam para os corpos uns dos outros antes de fazer seus votos?

A ciência por trás do sexo:

A ciência prova que a quebra de um relacionamento sexual é mais difícil do que um relacionamento não-sexual. Quando um homem e uma mulher têm relações sexuais há muitos processos químicos que ocorrem, por exemplo, o cérebro produz dopamina durante o sexo, que é um produto químico extremamente poderoso. A dopamina é responsável pelo prazer interior, e quando um homem e uma mulher têm relações sexuais produzem um vínculo que não é facilmente esquecido.

A oxitocina também é produzida em grandes quantidades, o que é um forte hormônio produzido principalmente em mulheres quando têm relações sexuais, no parto do seu bebê, e quando ela está amamentando. É por isso que o sexo é para a ligação entre marido e mulher, e é por isso que as mães têm uma ligação tão profunda com seu bebê. A oxitocina é também uma das razões pelas quais uma mulher muitas vezes decide ficar com um homem que está abusando dela: porque ela está literalmente ligada a ele.

A substância química que une um homem a uma mulher é a vasopressina, e tem o mesmo efeito que a oxitocina. É por isso que Deus criou o sexo para o casamento, porque literalmente ele une marido e mulher juntos. Pode-se colocar a questão: Bem, eu acho que eu vou me casar com ele ou ela de qualquer modo, então podemos ter sexo, certo? Errado. Quando você tem relações sexuais, está se ligando a seu parceiro(a), e portanto, está interrompendo o processo de discernimento. O sexo vai unir vocês juntos independentemente de qualquer problema, e é por isso que há tantas feridas em nossa sociedade hoje, e uma das razões por que encontros de uma só noite nunca duram. Porque existe uma ligação emocional, mas não existe nenhum compromisso ao longo da vida.

Cura:

Um dos maiores tesouros que o Beato João Paulo II deixou para o mundo são as catequeses da Teologia do Corpo (www.teologiadocorpo.com.br). Nelas, ele fala sobre a pessoa humana, e explica como Deus se manifesta através da humanidade. A Teologia do Corpo investiga o que realmente significa ser um homem e uma mulher, a nossa sexualidade e como devemos viver a nossa masculinidade e feminilidade de acordo com a forma como Deus nos criou. Se ansiamos ser a melhor versão de nós mesmos, então devemos abraçar as qualidades únicas de nosso gênero. Para isso, é preciso voltar ao princípio, quando Deus nos criou. Gênesis 1,27 nos diz que Deus criou o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou.

Deus nos criou por amor, para que possamos amar e ser amados. A maneira com que esse amor se expressa e se revela é diferente para homens e mulheres, pois foi assim que Deus, em Sua infinita sabedoria, dispôs que fosse. E são as características exclusivas de homens e mulheres que permitem que este amor venha a ser concretizado. Nós existimos para complementar um ao outro, o homem como o que ama e conquista, e a mulher como a que recebe o amor. Na Teologia do Corpo, o Beato João Paulo II nos diz que somos chamados a existir como um dom, um presente para o outro. Ele descreve esse dom como um dom sincero de si mesmo, e é só quando nós entregamos a nossa vida para outra pessoa dessa forma que vamos experimentar a plenitude genuína.

A fim de entender o plano de Deus para a humanidade em nosso mundo decaído, devemos voltar ao princípio e ver o que Deus planejou para nós. É somente quando nós fazemos isto que ficamos cheios de esperança e de paz. No início dos tempos, depois que Deus criou o mundo, viu que não era bom que o homem estivesse só, assim, Ele criou a mulher. Eva foi criada como um dom sincero para Adão, e Adão como um dom para ela. Eles foram criados para complementar um ao outro em sua união, cada um a oferecer-se para o outro como um presente.

Nossa sociedade de hoje perdeu de vista esse ideal por excelência, devido ao egoísmo. Nossa cultura está infestada de distorções e inquietações devido a uma mentalidade de "utilitarismo" representado pelos "ficas", "rolos" e encontros íntimos sem compromissos. Nossa cultura vive distorcida, pela falta de castidade, de auto-controle, pela pornografia e uma verdadeira falta de respeito pela dignidade da pessoa humana.

O que fazer:

Deus criou uma mulher para ser de grande encanto e mistério. E quando uma mulher preza sua sexualidade, ela reflete essa beleza e apelo de uma forma única. Meninas, guardem o belo mistério de seus corpos, pois o seu valor é indescritível. Quero carinhosamente incentivá-la a esperar pelo sexo até que você esteja casada, e, se você tiver feito um erro, então vá para a confissão e comece de novo. Deus Pai enviou o seu Filho ao mundo para morrer por você e Ele anseia lavá-la com o Seu amor e misericórdia. O mesmo se aplica para os homens. Não há pecado grande demais que Ele não perdoe. Ele está esperando que você se aproxime dele. Ele se deleita em você.

Nunca caia na imoralidade para atrair um homem. Você vale mais do que isso. De fato, seu valor está além da compreensão humana. Deus criou o universo, e com certeza Ele não se esqueceu do seu futuro. Toda mulher anseia por um homem que vai proteger e cuidar dela. Minha pergunta para você é: você está se conduzindo de tal maneira que atraia um homem virtuoso?

E lembre-se, você vale a pena, vale a pena que esperem por você. Você merece um homem que vai lutar por você. Um homem que vai proteger e cuidar de você. Um homem que realmente vai mantê-la segura, em todos os sentidos da palavra. Espere que um homem lhe honre pelo belo dom que você é. O homem que Deus tem para você não vai pressioná-la a fazer sexo, ele vai esperar pacientemente até sua noite de núpcias, assim vocês poderão se entregar um ao outro como um dom sincero de si.

Se você estiver namorando alguém agora que não se encaixa nessa descrição e que pressiona você - DÊ UM FORA NELE! VOCÊ MERECE ALGUÉM QUE SABE ESPERAR POR VOCÊ E TE HONRAR!

A mulher virtuosa quem a achará? Ela vale muito mais do que rubis. Enganosa é a beleza e passageira a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada. - Provérbios 31

P.S. Você é o suficiente.

(C) "Made in his image" - link original do artigo

sábado, 28 de abril de 2012

Vídeo do Pe. Paulo Ricardo sobre o Feminismo

Os vídeos do Pe. Paulo Ricardo são sempre importantes, corretos, urgentes. Por favor, assista a mais esse vídeo, e que Deus abençoe a vocação do Pe. Paulo.



Fonte: http://padrepauloricardo.org/audio/47-parresia-feminismo-o-maior-inimigo-das-mulheres/
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quinta-feira, 8 de março de 2012

A Dignidade Cristã da Mulher

Do maravilhoso post sobre a dignidade cristã da mulher:
http://donzelacrista.blogspot.com/2012/03/dignidade-crista-da-mulher.html


Não se esqueça de que Ele, a Quem o universo inteiro não pode conter, foi “escondido” no ventre da Santa Virgem por nove meses. Uma vez que você percebe isto você ficará maravilhada pelo duplo mistério que Deus confiou a você: conceber um ser humano feito à imagem e semelhança de Deus, e dar à luz a ele em meio à dor e sofrimento. Não se esqueça que foi também em meio à dor e sofrimento que Cristo reabriu para nós os portões do paraíso – o qual foi fechado pelo pecado.
Para a mulher foi concedido o impressionante privilégio de nobre sofrimento para que um novo ser humano, feito à imagem e semelhança de Deus, pudesse vir ao mundo. Medite sobre isto por um momento e você sentirá uma profunda reverência pelo seu corpo. Ele pertence a Deus, e não é um “brinquedo” que você pode dispor para própria satisfação.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"Treinando" para o casamento

Por Crystalina Evert

Quando eu era do colegio, me lembro que um dia fui para a casa de uma colega, e vi sua mãe e seu pai. Eu me lembro de perguntar para ela: "Você não acha estranho ter seu pai sempre em casa?" Ela simplesmente me olhou meio confusa e falou: "Hm... não, não acho".

Meus pais se separaram quando eu tinha dois anos. Dos meus seis tios e tias, cinco eram divorciados, e a maioria das minhas amigas viviam em lares onde só havia a mãe, algumas vezes só o pai. Aos meus olhos, não acreditava que as relações pudessem durar. Então, quando comecei a namorar, não tinha a menor idéia do que seria um relacionamento saudável.

O drama dos meus relacionamentos geralmente seguiam um roteiro: eu paquerava, me "apaixonava", e depois as coisas ficavam muito "quentes" fisicamente. Seguia-se o desrespeito, abuso, infidelidade, sarcasmo, e desonestidade. Daí então a gente terminava (geralmente várias vezes), e depois repetia o processo todo com outra pessoa. Eu sei que parece meio depressivo, mas era minha realidade, já que todas as minhas amigas estavam na mesma situação.

Depois de alguns anos vivendo assim, você pode imaginar que eu não tinha lá muita vontade de me casar. Na verdade, eu debochava das pessoas que viam o casamento como um objetivo na vida. Eu pensava: "Meu Deus, como são ingênuas essas pessoas! Elas estão apenas caminhando para a frustração!" Eu nunca desejei passar por um divórcio, e eu sabia exatamente como evitá-lo: não me casando nunca.

Mas, finalmente, me veio um pensamento. Se ninguém quer um divórcio, porque todo mundo vive como se estivesse treinando para ter um? Ao invés de treinarmos para a fidelidade, tínhamos essa mentalidade: "Se te dá vontade, vai lá e faz!" Ao invés de ensinar as outras pessoas a nos respeitar, deixávamos as pessoas nos usarem. Mas será que esses hábitos vão levar um casamento a ser duradouro? Com certeza não, pois tudo depende de mim.

Eu não mudei meu jeito de ser da noite para o dia, porque eu não sabia sequer como deveria ser tratada. Eu tinha recaídas de tempos em tempos, mas sempre pensava comigo mesma: "Se eu quero dar aos meus filhos a família que eu nunca tive, então tenho que parar de agir como vítima". É muito fácil desistir, entrar em desespero, e admitir a derrota, do mesmo jeito que é fácil se divorciar.

O que não é fácil é se fazer vulnerável, praticar o auto-controle, ficar longe de relacionamentos sem futuro, e ter a coragem de manter firme a esperança de que o verdadeiro amor existe. Mas parece que as únicas pessoas que encontram o verdadeiro amor são exatamente as pessoas que fazem isso. A idéia de se tornar um marido ou uma esposa pode parecer algo distante para você, mas as virtudes ou vícios que você pratica hoje irão moldar quem você irá se tornar, e a maneira com que você vai se permitir ser tratada no futuro.

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Trecho do livro "Theology of the body for teens", p. 129

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

“Não caiam no mesmo erro que eu”

(a história de alguém que se deixou seduzir pela falácia abortista)
[Este depoimento foi recebido por correio eletrônico em 29/09/2011
A autora deu permissão para sua publicação]

Meu nome é Gabriela, tenho 32 anos, nasci no RJ, cresci em uma família cercada de amor e cuidados e atenção. Apesar de ter crescido em uma família católica ouvindo sempre os ensinamentos de Deus, achava tudo isto uma grande besteira, meu discurso era de que o ser humano é o único responsável por sua própria existência.

Em minhas preleções cheias de propriedade eu defendia a liberdade da mulher, o aborto e a não existência de Deus.

Em uma vida atribulada e com valores invertidos, fui construindo uma personalidade vaidosa, fútil e egoísta. Com objetivos traçados, eu lutava para conseguir atingi-los na ilusão que minha beleza era eterna e que a minha inteligência era acima do comum. Como estudante e depois como jornalista, trabalhei com artistas famosos e intelectuais, para a maioria das pessoas o aborto era considerado algo normal. Então quando me vi grávida não cheguei sequer a cogitar a opção de ser mãe. Sem nenhum remorso fui a uma clínica para a consulta pela manhã e marquei o procedimento para o mesmo dia à tarde.

Minha única preocupação foi perguntar ao médico se estaria boa para trabalhar no dia seguinte, pois havia o lançamento de um livro e eu precisava estar lá para mostrar o quanto eu era competente.
Acompanhada do meu namorado, que ainda tentou me demover da idéia, alegando que financeiramente um filho seria viável e que gostava de mim, me dirigi para cometer o maior erro da minha vida. Para ele apenas afirmei que era eu quem tinha o direito de decisão, pois para mim a mulher é quem podia decidir ter ou não um filho. Fiz o aborto sem nenhuma dor de consciência e fui tocando minha vida sem Deus.

Ignorante, eu imaginava que éramos os seres humanos, os únicos responsáveis por nossos destinos e que Deus não passava de uma figura inventada para acalentar os fracos.

Um tempo após ter feito o aborto, fui convidada para ir ao MT para um trabalho, já restava com 26 anos, peguei um avião e parti ao que seria minha maior escola.

Em MT, pela vontade de Deus acabei parando em uma cidade fronteiriça com a Bolívia, marcada pela pobreza em demasia e pela promiscuidade. Nesta cidade, conheci um rapaz por quem me apaixonei (era para eu ficar por 4 meses fazendo um documentário sobre população ribeirinha), joguei tudo para o alto para viver este amor e casei-me em dezembro de 2007.

Mas minha vida não foi fácil, meu marido me traía e fui muito humilhada, com a tristeza acabei engordando 24 kg, perdendo a beleza que tanto eu exaltava, não tinha emprego como jornalista, então fui dar aulas de inglês, meu trabalho não tinha nenhum glamour de outros tempos, meus pais não estavam mais por perto para limpar as besteiras que eu fazia. Eu que adorava festas e passava madrugadas nas altas rodas, sofria pelos sumiços de meu marido, que só retornava bêbado pela manhã. E eu que sempre fui tão dona de meu nariz, andava de cabeça baixa resignada. Em meio a toda esta dor fui apresentada a Jesus, comecei a rezar e de alguma forma Ele me acalentava. Certo dia, fui a Catedral que existe aqui na cidade e ajoelhada em frente à imagem de Nsa. Senhora chorei um choro doído que me fez entender muita coisa e agradeci o sofrimento, pois percebi que Deus me deu a oportunidade de sofrer para pagar um pouco os imensos pecados. Naquele momento tive a consciência que cometi um assassinato. Havia matado meu próprio filho! O sofrimento devastou minha alma como uma grande onda, este sofrimento foi como uma bofetada que me fez despertar.

Hoje meu marido se arrependeu da traição e vivemos melhor, voltei a trabalhar como jornalista em uma universidade, nunca mais tive a beleza de antes. Desejei muito ter um filho, fiz várias tentativas, mas nunca consegui engravidar de novo. Sofro muito até hoje e a culpa me persegue.

Percebi que Deus tinha um propósito para minha vida e hoje converso com muitas jovens sobre a importância da solidez de uma família e sou militante CONTRA o aborto. Quero adotar uma criança e dar amor e valores a ela, mas sei que terei esta marca impressa para toda a eternidade.


Dou meu testemunho porque quero de alguma forma ajudar a quem tem dúvidas. Nos fazem acreditar que para ser feliz basta termos uma boa profissão, ter liberdade de fazer o que quiser e não temer a nada nem a ninguém. Hoje sei que os limites são necessários e que a família é um bem precioso.

Deus é um pai de imensa bondade e sua justiça é infalível, por isto agradeço minhas lágrimas, só através delas pude dissolver a cegueira do egoísmo e da vaidade.

Eu imploro, não cogitem fazer um aborto. A vida é um presente de Deus e filhos bênçãos maravilhosas! Não caiam no mesmo erro que eu, a culpa é um chicote que abre feridas que nunca se cicatrizam.

Gabriela
www.providaanapolis.org.br

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sede fecundos e multiplicai-vos. Agora.



Por Barbara Kay

Acabei de comemorar um aniversário significativo. Quão significativo? Dica: eu agora posso ter gratuidade no transporte público, em vez de pagar. Eu sou o que sou, e o que eu sou não é jovem.

Decidi que eu sou uma "idosa", termo que tem uma aceitação cultural mais agradável e – ao contrário da palavra "velho", que traz consigo um sentido de desgaste – deixa a pessoa com algumas “cartas” ainda na manga, e neurônios suficientes para distinguir um falcão de um serrote.

Para minha alegria, uma expectativa crucial se materializou: eu também estou mais sábia. Isso é porque eu realmente aprendi com a experiência – a minha própria e a experiência de outras pessoas intelectualmente dignas de confiança. Eu posso distinguir o que é transitório do que perdura. Eu não me deixo enganar ou me levar por projetos duvidosos. Eu sei escolher as pessoas, idéias e instituições nas quais vale a pena gastar o meu tempo cada vez mais precioso.

Você não pode imaginar que conveniência é ter sabedoria, e como ela nos faz ganhar tempo. Eu recomendo. Quando você é sábio, a cada minuto do seu dia é produtivo, de uma forma ou de outra. Suas prioridades instintivamente se ajustam no lugar.

Falando de prioridades, uma poetisa de Montreal uma vez escreveu: "Eu não venderia o meu filho por um milhão de dólares, e eu não lhe daria sequer dois centavos pelo seu." O que ela queria dizer, claro, era que apenas uma coisa na vida é realmente preciosa.

O que me leva ao meu argumento: Alguma sabedoria pode ser adquirida através da própria experiência; mas outros tipos de sabedoria, como a decisão de quando ter filhos, dependem de tempo de experiência, e devem ser tomadas a partir dos conselhos dos sábios mais velhos, como eu.

Então, deixe-me dizer – bem, na verdade acredito que a Constituição permite que as pessoas da minha idade possam dar conselhos não solicitados – que no caso improvável de que você, leitora deste artigo, seja uma mulher de vinte e poucos anos, aqui vai um pouco de sabedoria adquirida com a experiência que você nunca vai obter hoje em dia de figuras de autoridade masculina (eles não ousariam!) ou mesmo da maioria das outras mulheres: Nada do que você possa alcançar naquela sua preciosa carreira vai chegar aos pés da realização que é criar filhos decentes e construtivos.

Não espere muito tempo. A infertilidade desejada voluntariamente pode se tornar um pesadelo de arrependimento. Repita comigo: Meu pico de fertilidade ocorre por volta dos 25 anos. Aos 35, já estou arriscando. Aos 40, estou jogando na loteria.

Não existe um príncipe encantado. Quando você decidir que é a hora certa, você vai encontrar o homem certo. Se você começar a olhar para os homens como potenciais pais, ao invés de potenciais amantes, você vai acabar vivendo harmoniosamente de acordo com a natureza, e não com o plano de feministas.

Minhas amigas se tornaram altamente bem sucedidas nos negócios, na vida profissional e cultural. Mas quando nos encontrarmos socialmente, elas não querem me contar sobre a mais recente realização profissional. Já estão acostumados a quem – e o que – são (ou fizeram as pazes com quem – e o que – não são). O que as estimula agora são os desdobramentos e os dramas das vidas de seus filhos e – se tiveram a sorte de tê-los – dos seus netos.

Você vai estar onde estou mais cedo do que você pensa. Você pode mudar sua opinião em qualquer idade, mas em matéria de biologia, o tempo é um árbitro implacável. O mais pungente dos lamentos de Shakespeare é "Oh, tempo, volte para trás em seu vôo." Aqui termina a sabedoria por hoje.
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Tradução adaptada de trechos do artigo "Be fruitful and multiply. Now.", de Barbara Kay, Jornal National Post (Canada), 12 de dezembro de 2007.


http://www.catholiceducation.org/articles/feminism/fe0044.htm

domingo, 12 de junho de 2011

Como eu posso começar a me vestir modestamente de uma hora para outra? Tenho um pouco de medo do que as pessoas vão pensar de mim.

Por Jason Evert

Não tenha medo de ser pura. Acredite em mim, se você soubesse o que passa na cabeça de muitos rapazes do colégio, você teria medo de não ser modesta. Portanto, procure uma amiga que também queira se vestir com modéstia, e vá com ela para um shopping. Se você for para uma festa ou formatura, dê uma olhada nos vestidos em www.beautifullymodest.com.


Eu acho que você vai descobrir que, junto com a modéstia, vem uma paz serena que é muito melhor de sentir do que os olhares passageiros dos rapazes. Simplesmente tente. Deixe que o seu desejo pelo verdadeiro amor a motive a escolher a modéstia. Além do mais, o tipo de rapaz que você deseja encontrar não é o tipo de rapaz que fica olhando para meninas com blusinhas muito curtas ou jeans apertado de cintura baixa. É preferível que você encontre um rapaz que acha você linda com uma roupa mais modesta. Agora, vestir com modéstia não significa se vestir de modo desajeitado ou sem ser atraente. Significa apenas que você prefere chamar a atenção dele para o que interessa mais: sua dignidade. Portanto, vista algo que revela mais de você: vista-se com modéstia.
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Traduzido de: http://www.chastity.com/chastity-qa/how-far-too-far/modesty/how-do-you-suddenly-star
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quinta-feira, 24 de março de 2011

A Batalha pelo Corpo

Por Lauren Lawrence

Se o dinheiro é o sangue que alimenta a mídia, a indústria da propaganda é o coração. A pessoa normal no mundo ocidental está exposta a mais de 2 mil propagandas por dia. As pessoas que produzem esses comerciais querem sua atenção, e sabem como conseguir. Sabem que nós vamos prestar mais atenção a um comercial que tenha um corpo “bonito” do que no comercial que tenha... apenas merchandising. A pessoa no comercial pode ser qualquer uma; ela normalmente é uma modelo com altura padrão, e pelo menos 25% abaixo de seu peso normal.

A mídia não está apenas usando “ELA” para vender produtos, está usando “ELA” (a falsa personificação da feminilidade, profissionalmente “photoshopada”, maquiada e perigosamente abaixo do peso) para nos vender mentiras das horríveis profundezas do inferno. Ela não passa de um corpo, um objeto cuja identidade depende da letra na etiqueta do sutiã, ou dos números de seu manequim. Se ela quiser valer alguma coisa, tem que ser simplesmente como “ELA”, ela tem que entregar a eles quilos de peso, até ficar do jeito daquela modelo super-magra daquela capa de revista, ela tem que entrar no que eu chamo de “batalha pelo corpo”. É como uma guerra civil, mas a nível pessoal. A “batalha pelo corpo” não é um conflito entre países; é uma verdadeira luta contra si mesma, contra o próprio corpo.

As mulheres não são as únicas que estão lutando pelo perfil esbelto. Em um estudo feito pelo “National Institute for Media and the Family”, crianças de 10 anos de idade relataram aos pesquisadores que estavam insatisfeitas com seus corpos depois de ouvir um vídeo musical da Britney Spears, ou um clip do programa de TV “Friends”. Isso foi há 15 anos atrás, quando as modelos eram apenas 8% mais magras do que o peso normal. As crianças hoje em dia “digerem” mais mídia do que as crianças de 1996. Talvez seja por isso, em parte, que desordens alimentares, como a bulimia e a anorexia, afetam crianças de até 8 anos de idade. Ou talvez seja por isso que 78% das garotas de 17 anos estão preocupadas com o seu peso, e mais de metade das garotas em idade colegial estão em dieta ou já tentaram dietas para perder peso.

Embora a dieta seja importante para um bom número de assuntos relacionados à saúde, eu tenho uma constante sensação de que o faturamento de mais de 500 bilhões de dólares que a indústria de perda de peso vai ganhar no mundo todo em 2014 NÃO é o resultado de ordens médicas, mas sim a consequência de nosso desejo imutável em ser mais do que um “corpinho qualquer”.

Garotas, nós podemos perder peso até Jesus voltar na Glória, mas nunca iremos ficar iguais a “ELA”, por um grande número de razões naturais. Além do mais, ficar igual a “ELA” apenas resolveria os sintomas acarretados pelas condições erradas. Não nos falta beleza, nem dignidade, nem valor. Apenas vivemos em sociedades dominadas pela mídia, cheias de “olhos que não vêem” a dignidade, a beleza e o valor da pessoa (Ex.: pornografia, tráfico humano, eutanásia, aborto etc.).

Será que perdemos de vista nosso próprio valor? Será que projetamos nosso valor com base “NELA”, a hoje (computadorizada) imagem idolatrada? “Ela” não passa do velho rosto da mídia, um instrumento usado para nos convencer a comprar isso ou a fazer aquilo a fim de obter ou ser aquilo que você já é e já tem... não deixe que “ELA” ou as pessoas gravemente influenciadas por “ELA” enganem você.
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Lauren Lawrence nasceu em uma família protestante, e teve que se explicar muito quando seu desejo pelos sacramentos a levaram a se converter ao Catolicismo. Agora Lauren continua aprendendo e literalmente compartilhando isso com o mundo: "O que o amor de Deus tem a ver com isso?!"
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Traduzido de: http://www.whodoesithurt.com/lauren-lawrence/332-lauren-lawrence
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Nota do blogueiro: Eu coloquei o vídeo abaixo, por ter a ver com o post. Apesar de ter sido feito por uma empresa de cosméticos, não temos nenhuma intenção mercadológica aqui, obviamente. 



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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

A Importância de se vestir com dignidade

26 de fevereiro de 2010
por Robert Colquhoun

Há uma diferença entre vestir de forma atraente e se vestir para atrair. Em seu livro fascinante, Colleen Hammond descreve como é viver a vida "se vestindo com dignidade." Ela descreve por que isso é tão importante para manter o padrão moral da sociedade e como pode ser danosa culturalmente a investida moderna de roupas indecentes.

Os anunciantes entendem algumas verdades simples da psicologia masculina. A lei de fechamento diz que os seres humanos tendem a completar um espaço através do preenchimento do contorno, ignorando as lacunas na figura. A lei da continuação demonstra como os seres humanos tendem a continuar contornos sempre que os elementos de um padrão estabelecem uma direção implícita. A Psicologia da Gestalt descreve a capacidade da mente humana de “formar formas”. Todas essas idéias ressaltam o fato de que quando as mulheres usam roupas sugestivas, os homens vão terminar a imagem com sua imaginação. Homens são estimulados visualmente, enquanto as mulheres, de forma geral, confiam mais na comunicação verbal e nos seus sentimentos. Muitas mulheres não conseguem perceber a influência que sua atitude de vestir roupas sexualmente sugestivas tem sobre os outros.

A modéstia está intimamente relacionada ao mistério. Alice von Hildebrand disse que "Vestir-se modestamente é a resposta adequada que as mulheres devem dar ao seu 'mistério'." Quando pouco é deixado para a imaginação, o mistério desaparece porque tudo é mostrado. As coisas são cobertas ou veladas quando possuem uma grande importância. A modéstia ajuda a proteger a pureza e a virtude resplandecente da castidade, preservando o mistério. Muitos acreditam que a modéstia no vestir é muito mais atraente, digna e elegante. São Bernardo de Claraval, disse, "Como é bela, então, a modéstia, e que jóia entre as virtudes ela é." Em uma recente audição, Cheryl Cole repudiou um grupo pop por usar roupas muito sugestivas, considerando-as de mau gosto.

A vestimenta modesta ajuda a manter a sociedade saudável. Confúcio sabia que as mulheres eram a raiz moral da sociedade, e que a cultura só iria crescer na proporção da força moral de suas mulheres. As culturas entram em colapso se as mulheres – a fibra moral da sociedade – não colocam em prática a modéstia. As tendências imodestas que chegaram no século XX não tinham precedentes históricos. Designers de moda foram desenvolvendo vestidos que mostravam gradualmente mais e mais. Quando o biquíni foi introduzido pela primeira vez, nenhum dos modelos em Paris o usaria nas passarelas. O designer teve que contratar uma dançarina do Casino de Paris. Ela não teve nenhum problema em descer a passarela neste traje de banho!

O Papa João Paulo lidou com a modéstia através de uma análise da vergonha humana, em seu livro "Amor e Responsabilidade. A vergonha tenta esconder as coisas boas e más, porque algumas coisas são melhores quando não estão aos olhos do público. Um dos sentimentos mais poderosos da vergonha é a vergonha sexual.

Segundo João Paulo, nós temos "vergonha sexual em relação àquilo que poderia ser ‘um objeto potencial de uso’ para pessoas de outro sexo" (p. 176). Temos a tendência de cobrir os valores sexuais relacionados com certas partes do corpo, não porque são más, mas porque eles podem ofuscar o bem maior da pessoa. Esta é "uma forma natural de auto-defesa para a pessoa."

Eu não estou defendendo o uso da burca, mas a modéstia no vestir ajuda a proteger o relacionamento entre os sexos e, assim, cria a possibilidade para o desenvolvimento do autêntico amor entre as pessoas. A modéstia ajuda a manter a mulher longe de ser tratada como um objeto de prazer sexual. É por isso que nós queremos nos vestir modestamente, quando estamos com os membros do sexo oposto com quem nós não somos casados. Fora do contexto do amor conjugal, temos de ter cuidado com o “mostrar” valores sexuais, ou então nós podemos nos colocar na posição de “ser usado(a)” pelo sexo oposto.

João Paulo diz que a "modéstia sexual não é uma fuga do amor, mas, ao contrário, a abertura de um caminho para isso. A necessidade espontânea para ocultar valores sexuais ligados à pessoa é o caminho natural para a descoberta do valor da pessoa como tal. "(p. 179).

A modéstia procura inspirar amor – o amor verdadeiro para a pessoa, não apenas uma reação sexual para com o corpo de uma mulher. Uma cultura de mulheres imodestas cria um grupo de homens descomprometidos. Algumas mulheres estão dispostas a entregar-se a homens que elas nem conhecem.

Vestir-se com modéstia é fazer uma declaração sobre a dignidade das mulheres, abrindo a possibilidade para os relacionamentos amorosos. Vestir-se de modo provocativo incentiva os outros a usá-la para gratificação carnal. Nossos corpos não foram feitos simplesmente para serem objetos, em vez disso, devemos usá-los como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm 12,1).

Há uma grande autora chamada Wendy Shalit, que escreveu: "Um retorno à modéstia." Ela acredita que a modéstia é uma grande arma no rejuvenescimento da nossa cultura a fim de restaurar a mística feminina. A revolução sexual falhou porque ignorou a modéstia feminina e a diferença dos sexos, trazendo-nos o assédio, o estupro, distúrbios alimentares, relações casuais sem sentido, e o grande aumento do divórcio. A modéstia, para Shalit, é a prova de que a moralidade é “sexy” e que provavelmente acende o “Eros”.

A modéstia pode até ser uma prova de Deus, porque significa que “fomos feitos de tal forma que, quando nós seres humanos agimos como animais, sem qualquer restrição e sem quaisquer regras, simplesmente não temos tanto ‘divertimento’." Nós fomos criados com uma auto-consciência, uma vontade, razão e desejo de procurar e ansear por algo mais profundo e maior: viver para a grandeza. Kierkegaard, um intelectual dinamarquês, disse que "o que distingue o amor da luxúria é o fato de que ele carrega uma marca da eternidade."

Uma idéia falsa é que a modéstia é para aquelas que são frígidas, puritanas, ou hipócritas. Nada poderia estar mais longe da verdade. A modéstia é muito mais emocionante do que a promiscuidade, porque restaura a dignidade própria da feminilidade.
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Robert Colquhoun é o editor do livro recente: “Pure Heart Create for Me: theology of the body today. “Ele estudou História no King's College de Londres e tem um diploma em filosofia. Ele já trabalhou para os ministérios NET do Canadá, a Aliança Mundial da Juventude e para a Igreja Católica. Robert organizou palestras, seminários, aulas de catecismo e documentos por todo o Reino Unido sobre a verdade e o significado da sexualidade humana

Traduzido de: http://tob.catholicexchange.com/2010/02/26/1442/

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Hoje ainda se pode falar em pudor?

Por Dom Aloísio Roque Oppermann

Seg, 22 de Fevereiro de 2010 - CNBB

À primeira vista isso é assunto para se envergonhar. Parece ser tema que sobrou dos tempos de antanho. Nos dias atuais estaríamos acima de tal preconceito. Sentir pudor (vergonha) seria um ensinamento equivocado de nossas mães. Na intenção delas, cultivar esse sentimento seria para salvaguardar valores, imprimir autoestima pelo nosso corpo, e transmitir respeito diante de outras pessoas. Mas eu acho que isso não vem só de nossas mães.

O fato é que sentir vergonha é uma defesa que se encontra no meio de todos os povos. Tive ocasião, de no mês de outubro de 2009, estar na aldeia Surucucu, na Amazônia, onde vivem indígenas Yanomami, dos mais primitivos do planeta. Eles não usam roupas, mas tanto eles como elas, usam o assim chamado tapa-sexo. Nenhum cara pálida ensinou isso a eles. Está na tradição mais antiga daquele povo. Nem admitem tirar fotos (desejo de privacidade). Disso concluo que nossas queridas mães apenas reforçam essa educação. O recato e a decência, estão no nosso sangue. Não sentir pudor parece indicar que não apresentamos diante de outrem, a riqueza da nossa personalidade. Mas selecionamos uma oferta carnal, reducionista de nós mesmos, sem a grandeza do amor.

Considero esse sentimento um valor a ser preservado. É como honrar pai e mãe, princípio que não pode ser eliminado jamais. O Ministério da Educação querer oferecer, gratuitamente, camisinhas nas escolas, é o cúmulo da deseducação, pois ensina a vilipendiar o corpo e a menosprezar o amor. Já na segunda página da Bíblia lemos:”Tive medo, porque estou nu, e me escondi” (Gen 3, 10). Todos nós, por sentimento de pudor, não admitimos conversas íntimas com qualquer pessoa. Os segredos de nossa vida particular, não revelamos em público. Perguntas indiscretas não merecem resposta. Na nossa casa não deixamos entrar estranhos. Até a polícia precisa ter autorização para adentrar nossa residência. Queiram-me bem. O Carnaval no Brasil é um acontecimento fantástico, expressão da mais forte alegria. Mas não aprecio as insinuações de nudismo, e as exibições desinibidas. Garantidamente, onde não existe pudor, não há castidade. E esta é um alto valor da vida humana. O povo não diz diante de pessoas despudoradas: “não tem vergonha na cara”? A nova geração deve ser ajudada, para aprender que o recato é uma riqueza da vida.
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Extraído de: http://www.cnbb.org.br/site/artigos-dos-bispos/dom-aloisio-roque-oppermann/2115-hoje-ainda-se-pode-falar-em-pudor

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Falsos mitos sobre a modéstia

Por Wendy Shalit

Um primeiro passo para revitalizar o respeito à modéstia em nossa cultura é atacar os mitos que tentam miná-la. Deixe-me falar de quatro deles.

O primeiro mito é que a modéstia seria “vitoriana” (1). Mas onde fica nisso a história de Rebeca e Isaac? Quando Rebecca vê Isaac e se cobre, não é porque ela está tentando ser vitoriana. Sua modéstia foi a chave para o que iria depois uni-los e desenvolver entre eles uma profunda intimidade. O que essa história tem em comum com nossa experiência atual? Quando cobrimos o que é externo enviamos uma mensagem de que o mais importante são os nossos corações e mentes. Isso nos diferencia dos animais, e sempre diferenciou, muito antes da era vitoriana.

O segundo mito sobre a modéstia é que ela seria sinônimo de puritanismo. Esse foi o argumento usado no terrível filme “Pleasantville” (2), ou seja, a premissa de que ninguém na década de 1950 se divertia ou o sabia o que era o amor. Ele começa em preto e branco e se torna colorido apenas quando os jovens “iluminam” seus pais instruindo-os sobre sexo. Logo de início pode-se dizer que isso, obviamente, não faz sentido: se os pais não sabiam como fazer as coisas, então como é que aqueles garotos estavam ali? Mas o filme reflete um conceito (infelizmente) comum de que a paixão, o amor e a felicidade eram inexistentes antes da modéstia ser “superada” na década de 1960. Na verdade, a modéstia é quase o oposto do puritanismo. Paradoxalmente, as pessoas puritanas têm mais em comum com a promiscuidade. Os puritanos e os promíscuos compartilham uma disposição contra o permitir-se ser “tocado” pelos outros, ou se apaixonar pelos outros. A modéstia, por outro lado, convida e protege o surgimento do verdadeiro amor. Ela é erótica, e não neurótica.

Para ilustrar este ponto, eu gosto de comparar as fotografias tiradas em Coney Island (3) quase um século atrás, com fotografias de praias de nudismo na década de 1970. Em Coney Island, os banhistas estão completamente encobertos, mas os homens e as mulheres estão “roubando olhares” uns para os outros, e parecem estar se divertindo muito. Nas praias de nudismo, em contraste, homens e mulheres mal olham para os outros. Em vez disso, eles olham para o céu. Eles parecem estar completamente entediados. Isso é o que as pessoas que vieram depois dos anos 60 descobriram sobre essa triste seqüência de relações sexuais: sem restar nada para a imaginação, o sexo se torna chato, entediante.


Foto de 1905 mostrando banhistas em Coney Island


O terceiro mito é que a modéstia não seria natural. Este mito tem uma longa história intelectual, que remonta pelo menos a David Hume, que argumentou que a sociedade inventou a modéstia para que os homens pudessem ter certeza de que as crianças eram deles mesmos. Como apontou Rousseau, esse argumento que a modéstia é uma construção social sugere que é possível se livrar da modéstia completamente. Hoje tentamos fazer exatamente isso, e é amplamente assumido que somos bem sucedidos. Mas somos mesmo?

Ao argumentar que Hume estava errado e que a modéstia está enraizada na natureza, um hormônio recém descoberto chamado ocitocina vem à mente. Este hormônio cria um resposta de vinculação quando a mãe está amamentando seu filho, mas também é liberado durante a atos íntimos. Aqui está a evidência física que as mulheres se tornam emocionalmente ligados a seus parceiros sexuais, mesmo que apenas pretendam um encontro mais casual. A modéstia protegia essa vulnerabilidade emocional natural, ela fazia as mulheres fortes. Mas nós realmente não precisamos recorrer à fisiologia para ver a naturalidade da modéstia. Podemos observar que em qualquer dia de vento, quando as mulheres vestindo saias seguram a saia ao redor das pernas a fim de evitar mostrar suas pernas, as mesmas pernas cujas saias “da moda” foram desenhadas para revelar. Apesar de tentarem seguir “as modas”, essas mulheres têm um instinto natural para a modéstia.

O quarto e último mito que quero abordar é que a modéstia seria uma preocupação apenas para as mulheres. Não estamos onde estamos hoje só porque o ideal feminino mudou. Apenas em parte isso é verdade. O ideal masculino seguiu o mesmo caminho. Já houve tempo em que era visto como viril e masculino ser fiel a uma mulher para a vida toda, e ser protetor para com todas as mulheres. Infelizmente, isso não é mais o caso, mesmo entre homens a quem muitas mulheres modestas poderiam olhar como almas gêmeas. As feministas modernas estão erradas em esperar que os homens sejam “cavalheiros” quando elas próprias não agem como “donzelas”, mas o que dizer dos homens que só querem ser “Don Juan” (4) e depois se lamentam que não há mais mulheres modestas por aí? Bem, eles são tão ruins quanto as feministas. E, claro, uma mulher pode estar vestida de forma modesta e ainda assim ser assediada na rua. Então, a verdade é que muito depende do respeito masculino para com a modéstia. É característico da sociedade moderna todo mundo querer que o(a) outro(a) seja bom(boa) para si, sem ter que mudar seu próprio comportamento, seja as feministas culpando os homens, os homens culpando as feministas, ou jovens culpando os seus “modelos” (5). Mas essa é uma postura infantil.

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(1) A Era Vitoriana no Reino Unido foi o período do reinado da Rainha Vitória, em meados do Século XIX, a partir de Junho de 1837 a Janeiro de 1901. O termo “vitoriano” é usada para designar – muitas vezes de maneira pejorativa aos olhos da mentalidade “moderna” – uma maneira de vestir que procurava cobrir ao máximo o corpo, e uma cultura que reprimia como má qualquer mínima insinuação de ordem sexual. Em outras palavras, usa-se “vitoriano” quase como sinônimo de puritanismo, uma concepção de pensamento de fundo maniqueísta que considera tudo que se relaciona ao corpo e ao material como “pecado”. O puritanismo não se coaduna com a doutrina católica, que considera o corpo como dom de Deus. "E Deus viu tudo que tinha feito, e viu que era bom" (Gên 1, 31). A verdadeira modéstia cobre o corpo não por achar que ele seja ruim ou mau, mas por considerá-lo precioso e bom.
(2) No Brasil traduzido como “A vida em preto e branco”.
(3) Coney Island é uma península, anteriormente uma ilha, localizada no Distrito de Brooklyn, Nova Iorque, Estados Unidos. O lugar ficou conhecido como um importante ponto turístico no início do século 20.
(4) Don Juan é um lendário libertino fictício. O nome às vezes é figurativamente usado como um sinônimo para conquistador, sedutor, alguém que não se preocupa com fidelidade, quer apenas conquistar uma mulher após a outra.
(5) Aqui no sentido de uma pessoa que serve como um modelo para uma outra pessoa para imitar, em um papel comportamental ou social particular.

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Trecho traduzido do artigo “Modesty Revisited”, de Wendy Shalit, reproduzido com permissão no site “Catholic Education Resource Center, a partir do jornal mensal do “Hillsdale College”.
Veja o artigo original (em inglês): http://catholiceducation.org/articles/sexuality/se0053.html

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Testemunho - Modéstia no vestir

Já dei o meu testemunho varias vezes e continuarei testemunhando as maravilhas que Deus operou em minha vida quantas vezes necessário for. Apesar de ter sido sempre falado, nunca escrito, tentarei resumir o Maximo que puder. Espero que possam usar. Perdoe-me pelos erros.

Sou divorciada (infelizmente) desde 1983. Eu estava afastada da Igreja já há muitos anos. Portanto, depois do meu divórcio, como qualquer moça solteira, continuei namorando, tendo relacionamento sexual, pois esse é o jeito "moderno" de namorar. Com um deles, moramos juntos por seis anos. Em 1992, tive uma "milagrosa conversão", dessas que deixa tudo para seguir Jesus. Depois de participar em um Retiro, voltei para a Igreja Católica com força total. Um jovem Padre brasileiro que acabara de chegar naquela Comunidade, me ajudou bastante, me “recatequisando”, ensinava-me a trabalhar nas diversas Pastorais na Igreja. Deu-me vários livros pra eu ler. Eu os lia todos. Totalmente abrasada pelo fogo do Espírito Santo, aprendia bastante, participando com o Padre nas lideranças da Igreja, sendo seu braço-direito. Quando eu disse que "deixei tudo" para seguir Jesus, eu quis dizer, "quase tudo". Jesus ainda não era o Senhor absoluto da minha vida. Mesmo conhecendo os Seus ensinamentos, continuava a viver segundo os "desejos da carne". Achava muito difícil segui-Lo, pois ninguém o fazia (falo dos que estavam dentro da Igreja). Parecia que o Ensinamento de Jesus eram Discursos só para "aquele povo de 2000 mil anos atrás", não para nós. Afinal de contas, agora os tempos eram outros, "tempos modernos", sabíamos o que estávamos fazendo. Portanto, continuei vestindo segundo a última moda, namorando conforme os costumes, e não achava que estava "pecando". Embora eu continuasse com o coração endurecido, resistindo a toda idéia de mudança de vida, bem no fundo de minha alma eu sabia que estava agindo errado, mas não tinha força, nem coragem, nem incentivo para mudar, uma vez que todos agiam assim. Graças a Deus que "a natureza humana não foi totalmente corrompida pelo pecado original: ela foi lesada em suas próprias forças naturais......inclinada ao pecado..... privada da santidade e da justiça originais" (CIC 405). Por isso, por muito tempo vivia dentro de mim uma luta interior, uma batalha espiritual, da qual fala S. Paulo na Carta aos Romanos Cap. 7. Lembro-me que quando tentei fazer alguma mudança, por exemplo: "Decidia que só iria ter namoro santo", não tive êxito, porque eu não tinha firmeza, outros logo me faziam mudar de opinião, comentando: Você não vê que isto esta fora da realidade? Não existe rapaz que aceita namoro sem "sexo", "Sem sexo, sem namoro".

Em 2002, comemorava meus 49 anos no Brasil com uma "plástica escultural" (acho que é assim que se chama a lipoaspiração no corpo todo), pois queria chegar aos 50 em perfeita condição de continuar buscando, de namoro em namoro, o marido desejado. Participava da Legião de Maria uma mulher que já havia se consagrado a Deus, e que precisava de um lugar para morar. Ela veio morar comigo e ficou mais ou menos um ano. Ela levantava bem cedo para rezar. Rezava muito. Seu estilo de vida me causou grande impacto. Alguma coisa nela me atraia.

Sempre achei a moda americana, super "cafona", as saias muito compridas, calças e blusas muito largas, mangas, golas, horrível. Mas eu admirava o seu modo de vestir. Gostava do seu vestuário, simples, discreto, impecável, e decente. Eu achava lindo!

Mas ela não achou lindo o meu modo de vestir, ao contrário, achou que eu me vestia indecente e impróprio para uma Católica.

Ela não tinha carro, eu a levava para os lugares, inclusive para a Igreja, para a Missa diária. Ela começou por "pegar no meu pé", dizendo: "Não acredito que você vai pra Igreja vestida assim!" Eu respondi: "Mas, o que ha de errado com minha roupa? Este é o jeito que eu me visto. Este é o jeito que a mulher brasileira se veste". Ela surpresa perguntou:"Você não tem uma roupa decente para ir a Igreja?" (Eu me vestia bem a moda brasileira: calças e blusas bem justas, decotadas, transparentes, mini-saias, etc.). Eu estava preocupada era em exibir o meu "novo visual", atrair atenções, elogios. Não pensava que pecava terrivelmente e que levava outros a pecarem também. Ela me abriu os meus olhos. E com firmeza falou: "Você precisa parar de ofender a Deus". Você não sabe que o nosso corpo é "Templo do Espírito Santo"? E você esta profanando este "Templo". Comecei então a ficar imensamente envergonhada e incomodada com o meu jeito de vestir principalmente quando ia a Igreja. Mesmo na nossa Igreja (Comunidade Brasileira), onde todos se vestiam no mesmo estilo, não me sentia mais a vontade com aquelas roupas. E a minha nova amiga continuou com sua catequese, me ensinando como a mulher Católica deve se vestir pra agradar a Deus. Me mostrou vários textos bíblicos confirmando o que falava. Disse-me que olhasse pra Virgem Maria, que Ela é o modelo e a moda a seguir. E que no meu guarda-roupa, só deveria ter a roupa que a Virgem Maria aprovasse ou vestisse. Que "no principio", existia a moda feminina (saias e vestidos) e moda masculina (calça-comprida). Em certo ponto da historia, a mulher quer em tudo se igualar ao homem. Que ela não era o "sexo fraco". Ela podia tanto quanto o homem. Gerando muita confusão, ela passa a ser chamada de "mulher moderna".

E a calça-comprida entra para o guarda-roupa feminino, embora com modelos específicos para mulher. Finalmente entra o "Jeans" para unificar a moda. Agora o homem e a mulher vestem tudo igual. Ninguém sabe mais quem é quem. A mulher emancipou-se. (ela fez uma profunda reflexão sobre este tema usando os Cap.2-3 do Livro de Genesis, é possível que ela conhecia o Teologia do Corpo)

Mais ela falava, mais eu me convencia que ela estava certa e que eu precisava mudar. Eu vivia numa Comunidade Brasileira, com mentalidade e atitudes completamente diferentes do pensamento da minha amiga, portanto, por mais que eu quisesse, não tinha coragem. Pensava: "E a operação plástica que cabei de fazer? Estou tão feliz com meu "novo corpo". E meu guarda-roupa, feito sob-medida, que farei? Por outro lado, esta roupa que eu tanto amava, começava a me causar mal-estar. E aquela batalha espiritual dentro de mim durou mais ou menos seis meses, até eu decidir, finalmente, que eu iria mudar o meu modo de vestir. Não sabia onde começar. Precisava de ajuda para comprar o meu novo "guarda-roupa". Pedi ajuda uma amiga (americana) que vestia com modéstia e decência. Ela me ajudou a comprar toda a roupa que eu precisava. Demorei mais ou menos três meses para ter coragem de vesti-las. Finalmente, para a Glória de Deus e para a minha salvação, no Domingo de Páscoa de 2005, substitui TODA a minha roupa antiga (inclusive roupa íntima) pelo meu NOVO guarda-roupa, totalmente FEMININO (Sem calça-comprida, sem Jeans, vestidos e saias do meio da canela pra baixo e sempre com anágua e combinação, sem transparência, sem decotes, sempre com mangas). Somente pela Graça de Deus consegui "remar contra a maré". No inicio tive muita vergonha, pois sabia que minha mudança teria provocado muitos comentários, julgamentos, uma vez que eu não tinha comentado com ninguém o que estava se passando comigo. Entretanto eu sabia que tinha que enfrentar tudo. E Deus me dizia, "Não tenha medo, eu estou com você."

Eu sentia o Amor de Deus me cobrindo. Me sentia especial de poder oferecer a Deus um sacrifício de Amor. Me sentia livre, porque agora me vestia para agradar a Deus e não aos homens. Meu corpo estava coberto. O "Templo de Deus" honrado e respeitado.

Nunca me arrependi, pelo contrario, passei a amar o meu "novo visual", não me incomodar mais com os comentários. O melhor de tudo é que esta mudança levou a outras transformações necessárias. Partilharei em outra ocasião se houver oportunidade.

"Dou graças a Deus que me arrancou do poder das trevas e me transportou para o Reino do seu Filho amado, no qual temos a Redenção--a remissão dos pecados." (Col.1,13-14) Aos irmãos, graça, paz e amor da parte de Deus, nosso Pai.

Um abraço,
E.
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Publicado com permissão. Atualmente E. mora nos Estados Unidos.