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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Discurso de João Paulo II aos Sacerdotes Participantes de um Seminário de Estudo sobre a “Procriação Responsável”.

Discurso proferido por S.S. João Paulo II, em 17 de setembro de 1983 Caríssimos

1. Com um espírito alegre vos recebo no final desse importante seminário. Ao direcionar-me a vós com as minhas cordiais saudações, desejo exprimir aos organizadores do "Seminário de Estudo" meu profundo contentamento pela oportuna iniciativa, que buscou refletir sobre um dos pontos essenciais da doutrina cristã sobre o casamento. Durante estes dias, na verdade, estais tentando redescobrir as razões de tudo que Paulo VI ensinou na Encíclica Humanae Vitae, e que eu mesmo reafirmei na exortação apostólica Familiaris Consortio.

O aprofundamento das razões para este ensino é uma das tarefas mais urgentes para qualquer pessoa envolvida no ensino da ética, ou no ministério da família. Não é, de fato, suficiente que esse seja fiel e plenamente proposto, mas cumpre a nós também o compromisso em mostrar quais são as suas razões mais profundas.

Elas são, em primeiro lugar, de natureza ideológica. Na origem de toda a pessoa humana está um ato criativo de Deus: ninguém vem à existência por acaso; todo ser humano é sempre fruto do amor criador de Deus. Dessa verdade fundamental da fé e da razão, segue-se que a capacidade procriativa, inscrita na sexualidade humana, é - na sua verdade mais profunda - a cooperação com o poder criativo de Deus. Daí deriva também que o homem e a mulher não são os árbitros desta mesma capacidade, não são seus donos, chamados como são, nela e através dela, a participar da decisão criadora de Deus. Quando, portanto, através da contracepção, os esposos retiram do exercício de sua sexualidade conjugal sua potencial capacidade procriativa, eles atribuem a si um poder que pertence somente a Deus: o poder de decidir, em última instância, sobre a vinda à existência de uma pessoa humana. Atribuem a si o status de serem não os cooperadores do poder criador de Deus, mas os depositários últimos da origem da vida humana. Nessa perspectiva, deve-se julgar a contracepção, objetivamente, tão profundamente ilícita, que ela não pode nunca, sob nenhuma circunstância, ser justificada. Pensar ou dizer o contrário é acreditar que na vida humana podem ocorrer situações em que seja lícito não reconhecer a Deus como Deus.

2. Há, então, razões de ordem antropológica. O ensinamento da Humanae Vitae e Familiaris Consortio se justifica no contexto da verdade da pessoa humana: é esta verdade que lhe está subjacente.

A conexão inseparável, de que fala a Encíclica, entre o significado unitivo e o significado procriativo, inscrita no ato conjugal, faz-nos compreender que o corpo é uma parte constitutiva do homem, que pertence ao ser da pessoa e não ao que ela tem. No ato que exprime seu amor conjugal, os esposos são chamados a fazer de si mesmos um dom um ao outro (uma doação de si para o outro): nada do que constitui seu ser pessoa pode ser excluído desta doação.

Ouvimos um texto de rara profundidade do Concílio Vaticano II: "Ille autem amor, utpote eminenter humanus, cum a persona in personam voluntatis affectu dirigatur, totius personae bonum complectitur. . . Talis amor, humana simul et divina consorcians, coniuges ad liberum et mutuum sui ipsius donum. . . conducit "(Gaudium et Spes, 49). "A persona in personam": estas palavras tão simples expressam toda a verdade do amor conjugal, o amor inter-pessoal. Um amor todo concentrado sobre a pessoa, centrado no bem da pessoa ("totius personae bonum complectitur"): sobre o bem que é o “ser pessoa”. É esse bem que os cônjuges se doam reciprocamente ("liberum et mutuum sui ipsius donum"). O ato contraceptivo introduz uma limitação substancial dentro deste dom recíproco e exprime uma recusa objetiva de doar ao outro, respectivamente, todo o bem da feminilidade ou da masculinidade. Em uma palavra: a contracepção contradiz a verdade do amor conjugal.

3. Não podemos ignorar as dificuldades que o casal encontra para ser fiel à lei de Deus, e essas dificuldades foram o assunto de vossa reflexão. É necessário que façamos o que é possível, para que os cônjuges sejam ajudados de forma adequada.

É necessário, antes de tudo, evitar a "gradualidade" da lei de Deus, “adequando-a” à medida das várias várias situações em que os cônjuges se encontram. A lei moral nos revela o plano de Deus para o casamento, o bem inteiro do amor conjugal: querer reduzir esse projeto é uma falta de respeito pela dignidade humana. A lei de Deus expressa as exigências da verdade da pessoa humana; aquela ordem da divina sabedoria "quem si tenuerimus in hac vita", como diz Santo Agostinho, "perducet ad Deum, et quem nisi tenuerimus in vita, non perveniemus ad Deum" (Santo Agostinho, De Ordine 1, 9, 27: CSEL 63, 139).

Pode-se, com efeito, perguntar-se se a confusão entre "gradualidade da lei" e a "lei da gradualidade" não tem sua explicação em uma baixa estima pela lei de Deus. Acredita-se que essa lei não seria adequada para todas as pessoas, para todas as situações, e, portanto, deseja-se substituí-la por uma ordem diferente da divina.

4. Há uma verdade central na ética cristã, que neste momento deve ser resgatada. Nós lemos há poucos dias na Liturgia das Horas da festa da Natividade de Maria: "A lei foi vivificada pela graça e foi posta a seu serviço em uma composição harmônica e fecunda. Cada um dos dois elementos, a lei e a graça, preservou suas características, sem alteração ou confusão. No entanto, a lei, que antes constituía um pesado fardo e uma tirania, tornou-se, pelo poder de Deus, peso leve e uma fonte de liberdade." (Santo André de Creta, Sermo I: PG 97, 806).

O Espírito Santo, dado aos fiéis, escreve em nossos corações a lei de Deus, de modo que ela não é apenas expressa para o exterior, mas também e acima de tudo é doada para o interior. Persistir em crer que haveria situações em que seria de fato impossível para os cônjuges ser fiéis a todas as exigências da verdade do amor conjugal equivale a esquecer aquele acontecimento de graça que caracteriza a nova aliança: a graça do Espírito Santo torna possível tudo aquilo que não é possível aos seres humanos quando estes restam abandonados às suas próprias forças. É necessário, portanto, sustentar o casal em sua vida espiritual, convidá-los a um recurso frequente aos sacramentos da Confissão e da Eucaristia, para um retorno contínuo, uma conversão permanente para a verdade do seu amor conjugal.

Todos os batizados, por isso mesmo também os esposos, são chamados à santidade, como ensinado pelo Concílio Vaticano II (cf. Lumen Gentium, 39): "In variis vitae generibus et officiis una sanctitas excolitur ab omnibus, qui a Spiritu Sancto aguntur, atque voci Patris oboedientes Deumque Patrem in spiritu et veritate adorantes, Christum pauperem, humilem, et crucem baiulantem sequuntur, ut gloriae eius mereantur esse consortes" (ibid., 41). Todos, incluindo os cônjuges, são chamados à santidade, e é uma vocação, isto, que também pode exigir heroísmo. Isso não deve ser esquecido.

Caríssimos, a reflexão que concluís neste dia deve ser continuada e continuamente aprofundada, para se ter uma visão sempre mais adequada da verdade do amor conjugal, que constitui o patrimônio mais valioso do matrimônio. Empenhai-vos generosamente nesse esforço. Acompanhe-vos em vosso trabalho a bênção apostólica, que vos concedo de coração.

© Copyright 1983 - Libreria Editrice Vaticana

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1983/september/documents/hf_jp-ii_spe_19830917_procreazione-responsabile_it.html

sábado, 7 de abril de 2012

As profecias da Humanae Vitae, de Paulo VI

do blog Ecclesia Una (http://beinbetter.wordpress.com/2012/02/18/as-profecias-da-humanae-vitae-de-paulo-vi/)

Gostaria de aproveitar este tempo de Carnaval para escrever alguma coisa sobre as profecias feitas pelo Papa Paulo VI na encíclica Humanae Vitae, de 1968.


Primeiro, o que uma coisa tem a ver com a outra? Simplesmente tudo, caro leitor. No tempo do Carnaval parece que os hormônios da galera vêm à tona com muito mais força. Sim, há muita gente juntando as ferramentas de pesca e indo ao rancho para aproveitar o sossego da natureza; tem muita gente indo a um bom retiro espiritual para rezar e desagravar o Coração de Jesus; mas, ao mesmo tempo, há muitos – muitos mesmo! – aproveitando a festa para cair na gandaia, “encher a cara” e virar a noite sem pensar em nada, mais ou menos no estilo de “Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos!” (Is 22, 13; 1 Cor 15, 32).

Danças imorais, roupas extravagantes, sexo sem compromisso, bebedeira liberalizada… Todos estes retratos integram um álbum sujo que contam a história da modernidade. Mas um senhor velho, sentado numa cátedra bimilenar, já anunciava a vinda de todos os males que hoje contemplamos com tristeza no olhar. Queremos falar, aqui, de um modo mais específico, dos alertas de Paulo VI sobre os problemas que uma mentalidade contraceptiva traria à sociedade – problemas que já estamos experimentando. Todas as previsões acertadas deste Pontífice estão compendiadas no número 17 da encíclica Humanae Vitae. Destacamos:

“Os homens retos poderão convencer-se ainda mais da fundamentação da doutrina da Igreja neste campo, se quiserem refletir nas consequências dos métodos da regulação artificial da natalidade. Considerem, antes de mais, o caminho amplo e fácil que tais métodos abririam à infidelidade conjugal e à degradação da moralidade. Não é preciso ter muita experiência para conhecer a fraqueza humana e para compreender que os homens – os jovens especialmente, tão vulneráveis neste ponto – precisam de estímulo para serem féis à lei moral e não se lhes deve proporcionar qualquer meio fácil para eles eludirem a sua observância. É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada.”

“Pense-se ainda seriamente na arma perigosa que se viria a pôr nas mãos de autoridades públicas, pouco preocupadas com exigências morais. Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? Quem impediria os governantes de favorecerem e até mesmo de imporem às suas populações, se o julgassem necessário, o método de contracepção que eles reputassem mais eficaz? Deste modo, os homens, querendo evitar dificuldades individuais, familiares, ou sociais, que se verificam na observância da lei divina, acabariam por deixar à mercê da intervenção das autoridades públicas o setor mais pessoal e mais reservado da intimidade conjugal.”

O Papa Montini expõe quatro consequências principais advindas da adoção generalizada dos métodos contraceptivos: (1) queda generalizada dos padrões morais; (2) um aumento na infidelidade e ilegitimidade; (3) a redução das mulheres a objetos utilizados para satisfação dos homens; e (4) coerção governamental em matérias envolvendo reprodução. Aparentemente, nenhum destes pontos é-nos estranho. Examinemo-los:

- Queda generalizada dos padrões morais. Mais do que padrões morais sendo derrubados, a própria existência de verdades morais objetivas vem sendo seriamente questionada nestes tempos de “ditadura do relativismo” em que vivemos. Os princípios de bem e mal são lentamente abolidos; ao invés, adota-se cada vez mais um princípio pragmático de pensamento: as ações do homem deveriam ser pautadas não pelo que é certo ou errado, mas pelo que é útil e vantajoso para o momento. As consequências passam até mesmo dos limites toleráveis, a ponto de lermos na Internet verdadeiras “apologias” de práticas vergonhosas, como a pedofilia. Contra estes, levanta-se o profeta Isaías: “Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce!” (Is 5, 20).

Amargam o que é doce, também, aqueles que desnaturam o ato conjugal, doação íntima dos esposos, vivendo a sexualidade como uma mera busca de prazer. Ainda na Humanae Vitae Paulo VI explica que esta condenação da contracepção artificial “está fundada sobre a conexão inseparável que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e o significado procriador” (n. 12). Em nosso tempo, porém, estes dois significados parecem ter se divorciado. Mais: para muitos, nem mesmo o aspecto unitivo do ato conjugal é levado em conta, sendo substituído por uma “pseudounião”, uma doação momentânea, limitada à esfera da libido. Estes relacionamentos mais efêmeros – que podem durar uma só noite até – são cultuados, também por nosso governo. Basta assistir as propagandas confeccionadas para o tempo do Carnaval.

- Um aumento na infidelidade e ilegitimidade. Bom, falar de infidelidade no mundo contemporâneo é praticamente proibido, já que a noção de compromisso vem praticamente caindo em ostracismo. Mas, nos casos em que este ainda existe, está fragilizado por um generalizado desprezo pela virtude da castidade. Assim, se ainda não ocorreu por parte de um dos cônjuges uma traição de fato, certamente algum “já adulterou com ela [outra] em seu coração” (Mt 5, 28). Há casais que ainda vivem o amor entre si e lutam para viver a fidelidade, mas infelizmente o quadro geral é bem outro. A cultura pornográfica e hedonista de nosso século estimula a poligamia e incentiva os homens a evitarem o casamento, fazendo com que a própria instituição familiar entre em crise.

- A redução das mulheres a objetos utilizados para satisfação dos homens. Basta ouvir um pouquinho as músicas que fazem sucesso nas danceterias e nos bailes ultimamente… O funk é, por excelência, a música de coisificação da mulher – como também várias letras do axé. Em uma, ela é cachorra e “fica de quatro na mesa”; noutra, canta que está a disposição do homem com um “quero te dar”; nalgumas, não é tratada nem mesmo como mulher (só se ouve a referência ao seu órgão sexual, nada mais).

Essas músicas não são ouvidas por todos, é verdade. Mas são retratos de uma dura realidade: as mulheres não estão sendo devidamente respeitadas. Muitas mesmo não se dão ao devido respeito, se vestindo vulgarmente, se comportando indecentemente… No Carnaval esta sentença encontra seu ápice. Os desfiles das escolas de samba estão repletos de mulheres seminuas, dançando tanto para quem está na Sapucaí quanto para quem está em casa.

- Coerção governamental em matérias envolvendo reprodução. A China é o melhor exemplo do que um Estado totalitário, aliado a um neomalthusianismo sem escrúpulos, pode fazer. No país, prevalece, desde os anos 70, a Política do Filho Único. Os casais que ousam ter mais de um filho são punidos com multas altíssimas (isto quando o governo não obriga que a criança seja cruelmente privada de seu direito de viver).

Em nosso país, já começou a iniciativa de distribuir camisinhas nas escolas, iniciando as nossas crianças e adolescentes precocemente no mundo do sexo – isto sem falar das cartilhas vergonhosas que são distribuídas com o financiamento das autoridades públicas. Ora, então você sugere que evitemos a educação sexual em sala de aula? Sugiro que o tema seja abordado, mas de forma a se manter o pudor, pois sabemos muito bem que nem todos os pais concordam com esta política contraceptiva agressiva de nosso governo. O alerta do Papa Pio XII soa bastante conveniente neste momento de nossa história:

“O pudor sugere ainda aos pais e educadores os termos apropriados para formar, na castidade, a consciência dos jovens. Evidentemente, como lembrávamos há pouco numa alocução, ‘este pudor não se deve confundir com o silêncio perpétuo que vá até excluir, na formação moral, que se fale com sobriedade e prudência dessas matérias’. Contudo, com freqüência demasiada nos nossos dias, certos professores e educadores julgam-se obrigados a iniciar as crianças inocentes nos segredos da geração duma maneira que lhes ofende o pudor. Ora, nesse assunto tem de se observar a justa moderação que exige o pudor.”

- Sacra Virginitas, n. 57


Justa moderação! É por nos furtamos de observar esta justa moderação da qual fala o Venerável Pio XII que experimentamos hoje os frutos amargos de uma educação permissiva e irresponsável. É por desprezarmos os conselhos de Paulo VI que hoje observamos uma generalizada “degradação da moralidade” e dos bons costumes… É, é forçoso para muitos reconhecer, mas “é hora de admitir que a Igreja sempre esteve certa sobre a contracepção”.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Explicando o que o Papa quis dizer sobre camisinha

Traduzo abaixo artigo do Pe. Joseph Fessio, S.J., disponível em: http://blogs.reuters.com/faithworld/2010/11/23/guestview-did-the-pope-%E2%80%9Cjustify%E2%80%9D-condom-use-in-some-circumstances/


O referido Padre é fundador e editor da Ignatius Press, editora americana do livro "Luz do Mundo", que está causando essa polêmica. A leitura do artigo abaixo é bastante esclarecedora, por isso peço sua atenção.


Obs.: Nos trechos da entrevista do Papa, preferi seguir a minha tradução a partir do inglês, ao invés de copiar a tradução que vem sendo divulgada (feita a partir do italiano, provavelmente), a fim de evidenciar exatamente os problemas dessa mesma tradução.

* * *

O Papa "justifica" o uso de preservativos em algumas circustâncias? A resposta é "não". E também não há, absolutamente, nenhuma mudança na doutrina da Igreja. Não apenas porque uma entrevista do Papa não constitui doutrina da Igreja, mas porque nada do que ele disse difere da perene doutrina da Igreja.

Então porque todas as manchetes dizendo que ele "aprova", ou "permite", ou "justifica" o uso de camisinhas em certos casos?

Essa é uma boa questão. Tão boa que o próprio entrevistador perguntou praticamente a mesma coisa durante a entrevista.

O Papa fez uma afirmação na entrevista, e tal afirmação agora vem sendo largamente citada na imprensa mundial. Imediatamente, o entrevistador, Peter Seewald, colocou essa questão: "Você está dizendo, então, que a Igreja Católica em princípio não está, de fato, se opondo ao uso de camisinhas?

O Papa esclareceu e expandiu seu raciocínio da afirmação anterior.

Então vejamos as duas declarações.

Depois de dizer que: "não podemos resolver o problema [da Aids] com a distribuição de preservativos..." e que: "a fixação exclusiva no preservativo implica uma banalização da sexualidade..." o Papa diz: "Pode haver um fundamento (*) no caso de alguns indivíduos, como talvez quando um "prostituto" [homem] usa um preservativo, onde isso pode ser um primeiro passo na direção de uma moralização, uma primeira assunção [assumir] de responsabilidade, no caminho da recuperação de uma consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer o que se quer. Mas não é realmente [de fato] o caminho para lidar com o mal da infecção por HIV. O caminho só pode realmente [de fato] residir tão somente na humanização da sexualidade"
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(* Nota: Na tradução que vem sendo divulgada, lê-se nesse trecho: "Pode haver casos pontuais, justificados, como por exemplo a utilização do preservativo por um prostituto,...")
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Essa é uma declaração altamente qualificada, e muito condicional. Não obstante, ela causou a pergunta de Seewald, acima mencionada. Mas vamos primeiramente olhar com mais atenção para essa declaração. O termo original em alemão para: "Pode haver um fundamento no caso de alguns indivíduos..." é: "Es mag begründete Einzelfälle geben…" A tradução para o inglês, aqui, é fiel e acurada. "Begründete" vem de "Grund" = "ground" (terra, solo, base, terreno), e significa tanto o solo onde nos pomos de pé, quanto um fundamento lógico. Há alguma ambiguidade porque esse termo poderia ter um sentido fraco de "alguma base para", ou um sentido forte de "um fundamento lógico e ético para". É por isso, talvez, que Seewald fez a pergunta seguite, então nos voltaremos para ela daqui a um momento.

É importante notar que há dois erros sérios de tradução na versão italiana das opiniões do Papa, versão a partir da qual muitas reportagens prévias foram baseadas, já que o embargo foi quebrado pelo jornal vaticano L'Osservatores Romano (Essa é outra questão). Em primeiro lugar, o termo alemão "ein Prostituierter", que só pode ser um "prostituto" homem. A palavra normal do alemão para prostituta é "[eine] Prostituierte", que é feminina, e se refere somente a uma mulher. A tradução italiana "uma prostituta" simplesmente inverteu o que o Papa disse.

Igualmente problemático, "giustificati" = justificado, foi usado na tradução italiana de "begründete", arbitrariamente resolvendo a ambiguidade unilateralmente.

O Papa responde: "Ela [a Igreja] não a considera [a camisinha] como uma solução real ou moral, mas, nesse ou naquele caso, pode haver, não obstante, na intenção de reduzir o risco de infecção, um primeiro passo em um movimento direcionado a um caminho diferente, um caminho mais humano de viver a sexualidade".

Em primeiro lugar, uma solução que não é "moral" não pode ser "justificada". Isso é uma contradição, e significaria que algo em si mesmo [intrinsecamente] mau poderia ser "justificado" para se atingir uma finalidade boa. Note: o conceito de "mau menor" é inaplicável aqui. Pode-se tolerar um mau menor; não se pode fazer algo que seja um mal menor.

Mas a distinção crucial aqui é entre a "intenção" do "prostituto" [homem] (qual seja: evitar infectar seu cliente), e o ato em si (qual seja: usar uma camisinha). Já que na quase totalidade das reportagens que eu li essa distinção não foi apresentada, ela pede uma alguma elaboração.

Essa distinção, na filosofia moral, ocorre entre o objeto de um ato e a intenção de um ato. Se um homem rouba a fim de fornicar, a intenção é fornicar, mas o objeto é o ato de roubar. Não há uma conexão obrigatória entre roubar e fornicar.

No caso das opiniões do Papa, a intenção é prevenir a infecção, e o objeto é o uso da camisinha.

Aqui está um exemplo dessa distinção, análogo ao que o Papa disse. Ladrões estão usando canos de ferro para atacar pessoas, e os ferimentos são graves. Alguns ladrões usam canos acolchoados para reduzir os ferimentos, enquanto ao mesmo tempo ainda conseguem debilitar as vítimas o suficiente para o assalto. O Papa diz que a intenção de reduzir os ferimentos (no ato de roubar) pode ser um primeiro passo na direção de uma maior responsabilidade moral. Isso não justifica as seguintes manchetes: "Papa aprova canos acolchoados para o assalto"; "Papa diz que o uso de canos acolchoados é justificado em algumas circunstâncias"; "Papa permite o uso de canos acolchoados em alguns casos".

É claro, poder-se-ia usar moralmente canos acolchoados em algumas circunstâncias, por exemplo como canos revestidos para que a água quente que corre neles não esfrie tão rápido. E poder-se-ia usar camisinhas moralmente em alguns casos, por exemplo, como balões de água. Mas isso também não justifica a manchete "Papa aprova o uso de camisinha", embora no caso dos balões d'água isso pudesse ser verdade. Mas seria uma tentativa intencional de enganar.

Em resumo, o Papa não "justificou" o uso de camisinhas em nenhuma circunstância. E a doutrina da Igreja permanece a mesma que sempre foi - tanto antes quanto depois das declarações do Papa.

terça-feira, 11 de maio de 2010

40 anos depois, as palavras do Papa sobre controle de natalidade resistem ao teste do tempo

Por Douglas Farrow

Quarenta anos atrás, em 25 de Julho de 1968, o Papa Paulo VI emitiu a sua sétima e última carta encíclica, que não era dirigida apenas aos bispos, clero e fiéis da Igreja Católica, mas a todas as pessoas de boa vontade. A carta era sobre a "regulação dos nascimentos", e sua promulgação foi aguardada com grande expectativa.

Um método novo e imediatamente popular de contracepção tinha aparecido dez anos antes - a pílula foi introduzida em 1958 - e muitos esperavam ardentemente que o Papa que supervisionou o Concílio Vaticano II, no qual a Igreja tinha “aberto suas janelas” para o mundo moderno, fosse sinalizar agora a aprovação de seu uso.


Essas esperanças foram frustradas. A Humanae vitae reafirmou a doutrina tradicional da Igreja: os atos de contracepção artificial são "intrinsecamente desordenados e, portanto, indignos da pessoa humana, mesmo quando a intenção é salvaguardar ou promover bens individuais, familiares ou o bem-estar social".

A “choradeira” foi enorme, e diz-se que isso partiu o coração do Papa. Entre os líderes cristãos de prestígio internacional, somente o Patriarca Ecumênico se levantou em sua defesa. A maioria das denominações protestantes - a começar com os anglicanos na sua Conferência de Lambeth de 1930 - tinha começado a fazer as pazes com a contracepção artificial alguns anos antes.

Então é claro que havia muitos católicos do Canadá que já estavam apreciando sua “Revolução Silenciosa” (entre 1959 e 1971, a taxa de natalidade em Quebec caiu do maior para o menor patamar entre as regiões do Canadá). A consternação foi sentida em todo o país. Em 27 de setembro, quase dois meses após a promulgação da encíclica, os bispos canadenses lançaram a Declaração de Winnipeg, como um ato de “controle de danos”.

A Declaração de Winnipeg fez uma grande concessão, que contrariou a solidariedade que os bispos professam ter para com o Papa. As pessoas, eles disseram, "que têm tentado, sem sucesso, mas sinceramente, perseguir uma linha de conduta em conformidade com as diretivas dadas... pode estar seguramente certas de que quem escolhe honestamente esse caminho que parece certo para ele o faz em boa consciência." É seguro dizer que a grande maioria dos católicos levou em conta essas palavras dos bispos e continuou suas viagens à farmácia.

Quarenta anos depois, no entanto, é a Humanae vitae – e não a Declaração de Winnipeg – que tem resistido ao teste do tempo. Estudo após estudo tem documentado a precisão fantástica das previsões, na época ridicularizadas, do Papa, previsões que se destacam fortemente contra as falhas dos “queridos” profetas contemporâneos, como Paul Erhlich, que no mesmo ano, publicou seu livro famoso e equivocado, “The Population Bomb”.

Entre essas previsões estavam o aumento acentuado nos casos de adultério e de fornicação (o que nós aprendemos a chamar de "sexo casual"), o aumento correspondente na alienação entre homens e mulheres (que nós chamamos agora de “guerra de gênero”), o enfraquecimento da família (pois agora não temos sequer uma definição dela), e especialmente a intrusão do Estado "no setor mais pessoal e mais reservado da intimidade conjugal" - isto é, nos próprios processos de reprodução humana.

Sobre este último ponto, Paulo VI advertiu que os governantes poderiam até começar a impor ao seu povo "o método de contracepção que eles julgassem ser mais eficaz". Esta previsão, bastante ridicularizada na época, encontrou sua realização na China, que não só permite a contracepção, a esterilização e o aborto como meio legítimo de regulação de nascimentos, mas impõe-lhes sistematicamente.

A adoção da mentalidade contraceptiva por parte do Canadá (não pensamos muito no "grave dever de transmitir a vida humana"), produziu o problema da exacerbada redução populacional. Ainda assim, através do Fundo das Nações Unidas para População o Canadá participa de uma grande variedade de políticas de “planejamento familiar” manipulativas, para não dizer assassinas, incluindo as da China. E as suas políticas em casa, especialmente na área da educação sexual, sobre o que a Declaração de Winnipeg foi tão absurdamente esperançosa, são apenas marginalmente menos manipuladoras. Os bispos canadenses nunca imaginaram programas obrigatórios ensinando as crianças católicas como experimentar todo tipo de sexo “estéril”, incluindo a sodomia, ou como apreciar o fato de que "famílias" vem em todos os tamanhos e formas. Nem os políticos católicos previram as taxas astronômicas de divórcio e de aborto, ou seu multi-bilionário custo anual, quando em 1968 eles decidiram adaptar nosso sistema jurídico à era dos anticoncepcionais.

A Humanae vitae, no entanto, não se contentou apenas com a previsão da dissolução da vida familiar nas águas rasas da mentalidade contraceptiva. Ela efetivamente condenou a contracepção como uma violação da lei natural que, separando as dimensões unitiva e procriativa da sexualidade humana, também separou os próprios laços sociais que ela deveria proteger. Mas ela também reconheceu que a aceitação da contracepção artificial dissolveria laços eclesiais, rasgando um grande buraco na visão sacramental da Igreja sobre o casamento. Para provar isso não precisamos ir mais longe do que a Comunhão Anglicana, reunida este mês para a sua Conferência de Lambeth 2008, na vã esperança de salvar seu navio afundando.

Paulo VI não ignorava que os católicos, para não mencionar os outros "homens de boa vontade", a quem ele dirigiu a sua carta, teriam grande dificuldade em aceitar o ensinamento da Humanae vitae. Ele sabia, no entanto, que a forma adequada da Igreja chegar ao mundo moderno não era diferente do que a maneira com que tinha abordado o mundo antigo. Tinha que falar a verdade no amor, custe o que custar. "A Igreja", disse ele, "não se surpreende em se tornar, como seu divino Fundador, um ‘sinal de contradição'”. Isso é como a própria Igreja sobrevive ao teste do tempo.

A Humanae vitae foi sinal de contradição não tanto por causa da sua condenação da contracepção, mas por causa da sua visão construtiva para o casamento. Aquele que se importar hoje em ler esse “infame” documento, nesse seu quadragésimo aniversário, vai descobrir, para sua surpresa, que ele traz uma visão atraente do amor esponsal e da paternidade responsável. Integrando os princípios da caridade, da castidade e "a intervenção da inteligência" na vida conjugal, ele estabelece a base sobre a qual João Paulo II viria a construir com habilidade pastoral suprema. Como consequência de sua intervenção corajosa existe hoje uma nova geração de fiéis católicos que estão aprendendo a lidar com seu próprio chamado a ser sinal de contradição na cultura canadense. Que seu número aumente, e sem dúvida aumentará.
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Douglas Farrow é professor adjunto de pensamento cristão na McGill University e autor do livro “Nation of Bastards”.

Traduzido de: http://network.nationalpost.com/np/blogs/fullcomment/archive/2008/07/31/douglas-farrow-40-years-later-the-pope-s-words-on-birth-control-have-stood-the-test-of-time.aspx

sábado, 10 de abril de 2010

Socorro! Queremos um filho!


Por Maria Emmir Nogueira

Por favor, socorra-me! Há algo estranho acontecendo comigo e com meu marido: queremos um filho! Sei que não é nada comum alguém querer um filho hoje em dia, por isso estou pedindo socorro. Ocorre que queremos um filho. Queremos dar a vida, dar à luz, pôr no mundo, como você quiser chamar, mas queremos um filho.
O mais espantoso é que queremos um filho não para nós mesmos, nem para nossa realização nem para nos sentirmos bem ou curtirmos a experiência de sermos pais. Queremos um filho por ele mesmo! Não é incrível?!? Não o queremos para ter uma experiência gratificante. Queremos um filho como uma pessoa única, por quem ele é, seja ele como for.

Veja o artigo todo no site da Comunidade Shalom: http://www.comshalom.org/formacao/exibir.php?form_id=660

domingo, 4 de abril de 2010

A "cultura" da sexualidade invertida

Por Patrick Fagan

A enorme desordem social e psicológica que vemos ao nosso redor não é invenção da “comunidade gay”. Nossos problemas atuais – incluindo mesmo o próprio movimento de “direitos gays” – surgiram como resultado de desordens que se tornaram predominantes primeiramente entre os heterossexuais.
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É impossível olhar para as mudanças em nossa cultura ao longo das últimas décadas, sem perceber o alcance das mudanças introduzidas pelos novos costumes sexuais. A tese deste ensaio é que a força do atual movimento homossexual e de outros movimentos radicais está enraizada nessas mudanças.

As grandes mudanças no pensamento sobre a natureza do ato sexual tiveram início na última parte do século 19, e ganharam força no início do século 20, conseguindo um avanço significativo em 1930, com a quebra da unidade na tradição religiosa-moral cristã sobre a natureza do ato sexual.

No final dos anos 1940 um número crescente de casais americanos já usava contracepção. Na década de 1960 os filhos desses casais se tornaram os líderes da revolução sexual, rejeitando a necessidade do contexto do casamento para o ato sexual – uma rejeição logicamente baseada em suas próprias experiências. Na década de 1970 a geração seguinte consagrou “o direito de escolha reprodutiva para a mulher”, ou seja, o aborto, passando a ser juridicamente possível se livrar do fruto natural do ato sexual. Uma geração mais tarde, na década de 1990, vimos o surgimento dos movimentos pró-homossexuais.

Todos estes graduais “passos para Gomorra” são um subproduto natural da ruptura entre o ato sexual e a finalidade primeira e função natural fundamental desse ato: a procriação dos filhos. Essa ruptura mudou o foco do ato sexual, e ao fazê-lo mudou os adultos que assim agem, tanto em suas próprias disposições psicológicas quanto em suas relações interpessoais. Os costumes sexuais deixaram de ser “centrados no outro”, para se tornarem “centrados em mim”; ao invés de extroversão, as relações sexuais moveram-se em direção à introversão; passaram de “hetero-centradas” para “auto-centradas”.

Se se corta da natureza do ato sexual a possibilidade da reprodução, então fica difícil negar o “direito” de praticar atividades sexuais legalmente permitidas caracterizadas por sempre excluir a possibilidade de gerar um filho (como as atividades homossexuais e outras). Se os homossexuais alegam ainda que estão privados de um direito igual para a busca do prazer – o que eles dizem não poder obter em atos heterossexuais – seu argumento ganha ainda mais força. Conseqüentemente, muitas igrejas e órgãos do governo começaram a concluir que homossexuais têm “direito” a ter suas uniões sancionadas: o dito “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Sob o prisma dos costumes sexuais distorcidos que agora dominam a nossa cultura, é difícil negar o poder de persuasão de seu argumento.

A nova inversão sexual

A contracepção mudou radicalmente a função social do ato sexual; não se pode negar. E essa mudança na função social tem mudado a maneira como pensamos a nossa sexualidade, o que por sua vez, muda toda a sociedade. Os dados sociais sobre a cultura heterossexual são agora maciçamente perturbadores.

A afirmação fundamental deste ensaio é que os heterossexuais americanos estão agora mostrando os sintomas de uma doença que está relacionada com (e que é ainda mais perigosa do que) a estrutura psicológica interior da orientação homossexual.

Uma descrição psicanalítica amplamente utilizada da homossexualidade como um fenômeno psicológico diz:

“A homossexualidade é considerada um dos sistemas desenvolvidos pelos indivíduos para organizar experiências e expressões de sentimentos conflitantes e dolorosos, e o sistema atua como uma contenção das ansiedades mais profundas, e oferece ao indivíduo um ‘modus vivendi’. O sistema não é apenas a escolha de um objeto, mas uma maneira ampla de se relacionar, é parte do desenvolvimento do caráter da pessoa, e muito mais complexa do que a noção de ser parte da escolha de objeto. É importante distinguir a identidade homossexual e o comportamento homossexual. A presença da homossexualidade, se conflitante ou reprimida, poderia dar origem a sintomas como ansiedade, inibição social, ou disfunções sexuais como impotência ou a frigidez.”

Esta definição poderia ser reformulada para descrever a maioria dos casais nos Estados Unidos hoje, bem como uma grande proporção de indivíduos solteiros heterossexuais. Assim:

“A contracepção pode ser considerada como um dos sistemas desenvolvidos pelos indivíduos para organizar experiências e expressões de sentimentos e desejos conflitantes. O sistema [anticoncepcional] serve como contenção das ansiedades mais profundas, e oferece ao indivíduo um ‘modus vivendi’. O sistema não é uma escolha de objeto, [a escolha de um ser amado], mas é uma maneira ampla de se relacionar, e é parte do desenvolvimento do caráter de uma pessoa. É importante distinguir entre a identidade heterossexual e essa forma de comportamento heterossexual. A presença da heterossexualidade, se conflitante ou reprimida, como ocorre no caso da contracepção habitual, pode dar origem a sintomas como ansiedade, inibições conjugais, disfunção sexual, divórcio, rejeição das crianças, e aborto.”

No conflito psicológico vividos por homossexuais, a ameaça à integridade do ego decorre das demandas de intimidade com um membro do sexo oposto. No conflito causado pela contracepção a ameaça ao ego deriva da atenção íntima exigida por uma criança.

Ismond Rosen, um conhecido terapeuta britânico especializado em disfunções e desvios sexuais, e editor do “Livro Oxford de Desvios Sexuais”, afirma:

“Segundo a minha observação, o estilo de vida homossexual é aprendido, e se isto for incorporado como parte do sentido individual de identidade ou ‘self’, as chances da pessoa mudar para uma orientação heterossexual tornam-se muito mais distantes, devido à resistência inconsciente despertada pela ameaça de uma perda real de identidade ou senso de si mesmo.”

Estas percepções sobre o desenvolvimento da orientação homossexual também podem ser transpostas para a orientação contraceptiva, sendo reconstruídas da seguinte forma:

“O estilo de vida contraceptivo é aprendido (agora há uma gigantesca infra-estrutura educacional e médica dedicada a esse fim), e quando se incorpora como parte do senso da identidade sexual do indivíduo e de sua prática habitual, as chances de que a pessoa mude para uma “doação de si mesmo” tornam-se muito mais distantes, devido à ansiedade provocada pelo medo ou ameaça de perda de si mesmo no sacrifício envolvido em trazer uma criança à existência.”

Mudanças ao longo da história

A prática da contracepção se difundiu dramaticamente durante a última parte do século 20. Passou de rara a generalizada – na verdade, habitual. E a esterilização tornou-se uma forma cada vez mais popular de controle da natalidade, especialmente para os pais que já tiveram um ou mais filhos.

O “lobby” da educação sexual – que engloba a maioria das grandes fundações sem fins lucrativos do nosso país, seus correspondentes na educação e na ciência social nas universidades, e seus aliados nas profissões médicas e de enfermagem – colocou enormes recursos no esforço para mudar a forma como os jovens pensam a natureza do ato sexual. Fizeram incursões maciças na cultura comum.


Dada a prevalência da contracepção e a fácil disponibilidade de aborto, seria de se esperar que a proporção de nascimentos fora do casamento para as jovens americanas tivesse declinado durante a geração passada. Na realidade o que aconteceu foi completamente o oposto. Entre as mulheres americanas com idade inferior a 20 anos que deram à luz a cada ano, a proporção das que eram casadas quando a criança nasceu diminuiu de forma constante, de cerca de 90 por cento em 1950 para menos de 30 por cento em 1990. Não há nenhuma razão para esperar qualquer mudança nesta tendência.

O índice de rejeição

A mudança mais fundamental na sociedade resultante desta mudança radical na nossa maneira de encarar o ato sexual tem sido o surgimento de uma cultura de rejeição: um lugar cada vez mais hostil para as crianças viverem. A tendência para nascimentos fora do casamento, agravada pela divórcios, que deixam as crianças sem mãe casada e sem pai morando em casa, resultou em um aumento constante no número de crianças que vivem em lares desfeitos.

Os efeitos destas alterações são indubitavelmente negativos. Viver em um lar desfeito, para a criança, aumenta seu risco de:

* Problemas de saúde física;
* Retardo cognitivo, especialmente no desenvolvimento verbal;
* Menor grau de escolaridade;
* Aumento dos problemas comportamentais;
* Envolver-se em abuso de cônjuge ou filho;
* Envolver-se em crime e
* Ser fisicamente ou sexualmente abusada.

Com os lares desfeitos se tornando cada dia mais numerosos os resultados são ainda mais devastadores. O sociólogo Charles Murray determinou que, quando a proporção de lares desfeitos na população local atinge o nível de cerca de 30 por cento, a comunidade se torna uma fonte de riscos adicionais, ao invés de apoio para a criança e a família. Muitos bairros urbanos passaram desse nível estatístico há muito tempo; agora o país (EUA) inteiro tem beirado esse mesmo ponto estatístico perigoso.

Entre as famílias da classe trabalhadora dos Estados Unidos, as tendências são nefastas. Mas entre aqueles que vivem na parte inferior da escada sócio-econômica, o conjunto familiar estável praticamente desapareceu. Junto com esse desaparecimento há uma tendência crescente em relação ao abuso infantil.

Estatísticas do governo Federal confirmam que a incidência de abuso infantil está intimamente relacionada com a situação econômica da família. Mas seria um erro classificar o abuso de crianças simplesmente como um problema que aflige as famílias empobrecidas. Há uma correlação igualmente forte entre a incidência de abuso e a situação conjugal dos pais.

Um estudo britânico lança ainda mais luz sobre a relação entre estrutura familiar e abuso infantil, mostrando que o abuso das crianças é relativamente raro em famílias onde os pais naturais da criança continuam a viver juntos, mas cada vez mais provável em famílias onde a mãe voltou a casar, ou vive sozinha, ou onde os pais nunca se casaram, ou onde a criança vive com um pai solteiro, e – o mais perigoso de todos – onde a mãe vive com outro homem que não é nem o marido nem pai natural da criança.

A ligação entre aborto e contracepção

A rejeição definitiva de crianças, evidentemente, é o aborto. “É evidente que nada além dos contraceptivos pode pôr fim aos horrores do aborto e do infanticídio”, disse Margaret Sanger, expressando uma linha que tem sido repetida – ainda hoje – por muitos outros. Mas a crescente popularidade e disponibilidade de contraceptivos não reduziu o número de abortos, e hoje a maioria dos abortos ocorre fora do casamento, isto é, entre aqueles que mais radicalmente reivindicam o direito ao ato sexual “invertido”.

Um livreto distribuído pela “National Abortion Rights Action League” (antes de seu nome ser mudado para “National Abortion and Reproductive Rights Action League”) mostra como os defensores do planejamento familiar mudaram a sua perspectiva sobre a relação entre a contracepção e o aborto, desde os tempos de Margaret Sanger:

“É claro que os contraceptivos devem ser disponibilizados e promovidos mais amplamente, no entanto, no estado atual da tecnologia contraceptiva, e dada a possibilidade de erro humano mesmo na utilização dos melhores métodos, o aborto é necessário como uma proteção; a sua utilização não é preferível à contracepção, mas uma vez que a gravidez ocorre, é o único meio de prevenção da natalidade”.

O aborto agora ocupa apenas mais um lugar em um “continuum” de práticas, todas elas destinadas a impedir o nascimento. O objetivo final do planejamento familiar, o esforço a ser alcançado por todos os meios necessários, é separar o ato sexual da perspectiva de produzir filhos.


Relacionamentos alterados

Uma vez que nós, como sociedade, eliminamos do entendimento popular sobre o ato sexual a possibilidade de gerar uma criança, alteramos com isso a nossa noção do papel que o sexo tem dentro do casamento. Essa alteração levou naturalmente a outra, e o “trabalho” concluiu-se na década de 1960 pelos filhos dos primeiros casamentos “alterados”: a quebra do pressuposto de que a atividade sexual deve se limitar ao casamento. E então, depois de ter eliminado primeiro a perspectiva de que a atividade sexual poderia envolver a reprodução, e depois tendo eliminado o pressuposto de que a atividade sexual era uma prerrogativa do casamento, a nossa sociedade em seguida percebeu uma necessidade de eliminar mais um obstáculo, arranjando um dispositivo para, legalmente, “livrar-se” de uma criança inconvenientemente concebida, dentro ou fora do casamento. Este foi o trabalho da década de 1970. Finalmente, depois de ter eliminado da compreensão popular da sexualidade tanto a perspectiva da reprodução quanto a necessidade de um compromisso conjugal, a nossa sociedade começou a perceber as relações homossexuais como apenas mais um conjunto de variações da nova maneira de ver a atividade sexual, agora “voltada somente para o próprio prazer”.

Observe, a propósito, que todos os transtornos sociais e psicológicos descritos acima – os lares desfeitos, o abuso de crianças, e assim por diante – estão presentes na “cultura heterossexual”. Embora seja verdade que a “subcultura gay” mostra níveis ainda mais altos de disfunção em questões semelhantes, a cultura da inversão sexual não se limita à homossexualidade. Entre os heterossexuais, também, a transformação da atividade sexual em um processo “somente para o próprio prazer”, sustentada por uma atmosfera de ausência de qualquer compromisso para com crianças ou para com o cônjuge, produziu resultados sociais e psicológicos desastrosos.

Em uma sociedade tradicional os adultos assumem encargos sociais e aceitam os golpes da vida, protegendo assim os seus filhos, para que eles possam crescer num ambiente seguro e tranqüilo. Hoje são os filhos da nossa nação que carregam o fardo – muitas vezes, por viver na insegurança de um lar desfeito – enquanto os pais buscam seus próprios fins. De fato, a carga psicológica sobre as novas gerações muitas vezes pode ser atribuída precisamente à falta de vontade de seus pais e / ou sua incapacidade em fazer cumprir o compromisso conjugal para a vida toda, o que antes era uma condição prévia para a atividade sexual sancionada.

As crianças – a nova geração – são a principal razão para a família. Mas se nem passa pela cabeça do jovem casal a consideração para com as crianças, a situação está irremediavelmente mudada: “As pessoas não vivem juntas apenas para estar juntas. Elas vivem juntas para fazer algo juntas”, escreveu Ortega y Gasset. Ele continuou: “Nenhum grupo social sobreviverá por muito tempo sem sua principal razão de ser.” A América do Norte e a Europa Ocidental, com suas taxas de crescimento populacional negativas, em breve serão forçadas a entrar de acordo com as observações de Ortega y Gasset e de Roosevelt. Pode ainda sobreviver uma cultura que não se reproduz, e não protege as crianças?

Baixando os padrões de moralidade

Uma das funções públicas da religião é fortalecer a adesão da sociedade à lei moral natural. Quando a instituição da religião relativiza uma questão moral, não se pode esperar que as outras instituições (família, educação, governo e mercado) mantenham as “defesas” da sociedade. Quando as instituições da religião “definem em padrões mais baixos" o que é desvio e o que não é, outras instituições provavelmente seguirão o mesmo padrão. E é isso o que tem acontecido na questão da contracepção.

O movimento de planejamento familiar, o veículo para o avanço da contracepção, tinha sua posição clara não só fora do cristianismo, mas entre grupos que eram ativamente hostis ao Cristianismo. O ataque sobre os princípios morais tradicionais defendidos pela tradição judaico-cristã já estava bem avançado no início do século 20. Ao mesmo tempo, o movimento de controle da natalidade havia reconhecido a necessidade de conseguir algum tipo de sanção religiosa – e tinha até escolhido um alvo primário para os seus esforços de lobby. Em 1919, a Anglicana C.K. Millard escreveu no “The Modern Churchman”:

“Embora muitos malthusianos sejam racionalistas, eles estão bem conscientes de que sem alguma espécie de aprovação religiosa sua política jamais poderá emergir do submundo obscuro das coisas não mencionadas e desrespeitadas, e nunca poderia ser defendida abertamente, à luz do dia. Para este fim o controle da natalidade é camuflado em uma fraseologia pseudo-poética e pseudo-religiosa, e pede-se à Igreja Anglicana que altere os seus ensinamentos. Adeptos do controle de natalidade percebem que é inútil pedir isso à Igreja Católica, mas no que respeita à Igreja da Inglaterra, que não tem qualquer pretensão de infalibilidade, o caso é diferente, e o debate é possível.”

Se uma única data pode ser identificada como o marco da ruptura histórica do consenso cristão acerca dos princípios tradicionais da moralidade sexual, baseados na lei natural – se alguém quiser destacar o primeiro passo oficial do Ocidente em direção ao abismo escorregadio – então a data 15 de agosto de 1930 deve ser escolhida como essa data infeliz. Esse foi o dia em que a Conferência de Lambeth da Igreja da Inglaterra, por uma votação de 193 a 67, aprovou uma resolução que dizia, em uma de suas partes:

“Onde houver uma obrigação moral claramente percebida para se limitar ou evitar a paternidade, o método deverá ser decidido com base nos princípios cristãos. O método primário e óbvio é a abstinência completa de relações sexuais (tanto quanto for necessário), em uma vida de discipulado e de auto-controle, no poder do Espírito Santo. No entanto, nos casos em que há essa obrigação moral claramente percebida para limitar ou evitar a paternidade, e onde existe uma razão moralmente forte para evitar a abstinência completa, a Conferência concorda que outros métodos podem ser utilizados, desde que isso seja feito à luz dos mesmos princípios cristãos. A Conferência relembra a sua firme condenação do uso de qualquer método de controle de concepção por motivos de egoísmo, de luxúria, ou de mera conveniência”.

Com essa votação, a unidade moral tradicional da cristandade sobre este assunto foi quebrada.

Nos anos anteriores – nas Conferências de Lambeth de 1908,1914 e 1920 – os líderes da Igreja Anglicana sentiram a pressão para uma mudança no ensino da moral tradicional. Mas eles tinham respondido a essa pressão reiterando sua posição tradicional.

“Lançamos um enfático alerta contra o uso de meios não naturais para evitar a concepção, juntamente com os graves perigos – físicos, morais e religiosos – assim decorrentes, e contra os males com os quais a expansão de tal uso ameaça a raça humana. Em oposição ao ensino que, em nome da ciência e da religião, incentiva as pessoas casadas no cultivo deliberado da união sexual como um fim em si mesmo, nós defendemos firmemente aquilo que deve ser sempre considerado como a razão principal do matrimônio cristão. Uma é o objetivo principal pelo qual o casamento existe – qual seja, a continuação da raça através do dom e da procriação dos filhos –, a outra é a importância fundamental na vida de um auto-controle deliberado e consciente."

Debates semelhantes estavam em curso em muitas outras denominações religiosas. Os judeus ortodoxos continuaram com a norma moral tradicional, mas judeus reformados já tinham se afastado do antigo consenso. A Conferência Central dos Rabinos Americanos tinha tomado uma posição em favor de contracepção em 1929.

O Conselho Federal de Igrejas dos Estados Unidos (que hoje é conhecido como o Conselho Nacional de Igrejas), aparentemente estava à espera de algum outro grupo para assumir a liderança na “modernização” dos padrões cristãos sobre controle de natalidade. Em março de 1931, esse conselho seguiu a Conferência de Lambeth e aprovou “o uso cuidadoso e restrito de contraceptivos por pessoas casadas”, enquanto ao mesmo tempo ainda admitia que “graves males, como as relações sexuais extraconjugais, podem ser aumentados pelo uso geral de contraceptivos.”

No entanto, as afirmações lançadas após a declaração de Lambeth por grupos de líderes de outras igrejas cristãs, e até mesmo pela mídia secular, ilustram vividamente quão diferente as igrejas viam o ato sexual naqueles dias. Rapidamente, ainda com as declarações recentemente feitas por parte da Igreja Anglicana e do Conselho de Igrejas, seguiram-se declarações radicalmente diferentes:

Dr. Walter Maier, do Seminário Teológico Luterano Concórdia:

“O controle de natalidade, como popularmente é entendido hoje, envolvendo o uso de contraceptivos, é uma das aberrações modernas mais repugnantes, representando uma renovação da decadência pagã em pleno século 20”

Bispo Chandler Warren, da Igreja Metodista Episcopal do Sul:

“Todo o nojento movimento [de controle de natalidade] se baseia na suposição de igualdade do homem com os animais .... A declaração [do Conselho Federal de Igrejas] sobre a questão do controle de natalidade não tem autorização de nenhuma das igrejas que o representam, e o que foi dito eu considero extremamente lamentável, para não usar palavras mais fortes. Esta declaração certamente não representa a Igreja Metodista, e duvido que represente qualquer outra igreja protestante naquilo que foi dito sobre este assunto.”

Igreja Presbiteriana (2 de abril de 1931):

“O pronunciamento recente [do Conselho Federal de Igrejas] sobre controle de natalidade deve ser razão suficiente, se não houver outra, para retirar nosso apoio àquele organismo, que alega falar em nome da igrejas Presbiteriana e de outras igrejas protestantes em pronunciamentos “ex cathedra.”

A Convenção Batista do Sul:

“ Nossa Convenção exprime a sua desaprovação acerca ... do projeto de lei, atualmente pendente perante o Congresso dos Estados Unidos, cujo objetivo é viabilizar e assegurar a divulgação de informações sobre métodos anticoncepcionais e controle da natalidade; seja qual for a intenção e motivo de tal proposta, não podemos senão acreditar que tal legislação será degradante em seu caráter e irá provar ser muito prejudicial para a moral de nossa nação.”

Mesmo jornalistas seculares ficaram chocados com os novos ensinamentos provenientes de alguns órgãos de algumas igrejas protestantes. O Washington Post reagiu à declaração do Conselho Federal de Igrejas, com um editorial veemente, argumentando:

“Se for levado às suas conseqüências lógicas, o relatório da comissão, se levado a efeito, será a sentença de morte do casamento enquanto instituição sagrada, devido ao estabelecimento de práticas degradantes que visam promover a imoralidade indiscriminada. A sugestão de que o uso de contraceptivos legalizados poderia ser ‘cuidadosa e contida’ é absurda”.

Dois dias depois, relutante em deixar de lado o assunto, o Post acrescentou uma outra porção de desprezo editorial:

“É a desgraça das igrejas que elas sejam muitas vezes mal utilizadas por visionários para a promoção de ‘reformas’ em campos estranhos à religião. O afastamento dos ensinamentos cristãos da normalidade é surpreendente em muitos casos, deixando o espectador horrorizado com a má vontade de algumas igrejas em ensinar 'Cristo, e Cristo crucificado'. Se as igrejas estão se tornando organizações de propaganda política e científica, elas deveriam ser honestas e rejeitar a Bíblia, zombar de Cristo considerando-o como um professor obsoleto e anti-científico, e se apresentar corajosamente como líderes da política e da ciência, e como substitutos da religião dos velhos tempos.”

Não foi surpresa que a Igreja Católica tivesse continuado firme em sua condenação da contracepção. Várias semanas depois da declaração revolucionária da Conferência de Lambeth, o Papa Pio XI explicou na Encíclica Casti Connubi:

“Para que ela [a Igreja Católica] possa preservar a castidade da união conjugal da contaminação dessa mancha suja, ela levanta sua voz como embaixadora divina e através de nossa boca proclama de novo: qualquer uso do matrimônio exercido de uma maneira tal que o ato seja deliberadamente frustrado em seu poder natural de gerar a vida é uma ofensa contra a lei de Deus e da natureza, e aqueles que se entregam a tais atos são marcados com a culpa de um pecado grave.”

Embora a posição doutrinária da Igreja Católica continue a ser clara, e tenha sido freqüentemente reiterada por Roma, a resposta da maioria dos católicos nos Estados Unidos foi, na melhor das hipóteses, o silêncio; a prática de casais católicos é semelhante ao da maioria dos americanos. O estudo mais abrangente sobre os hábitos de controle de natalidade dos norte-americanos foi a Pesquisa Nacional de Crescimento Familiar de 1988, que também coletou dados sobre a filiação religiosa dos entrevistados. Em 1988, 72 por cento de todas as mulheres católicas casadas em idade fértil utilizavam contracepção artificial. Dessas, 55 por cento disseram que contavam com a pílula anticoncepcional, 22 por cento com laqueadura tubária, 12 por cento com vasectomia e 11 por cento com outros métodos.

Consequências da contracepção

A mudança nas atitudes em relação à contracepção envolveu uma mudança no entendimento do homem sobre seu relacionamento com Deus, com o sexo oposto, e consigo mesmo.

Tanto quanto a razão pode saber, o maior ato criativo de Deus é a criação do homem. No ato sexual, o Criador faz do ser humano seu “co-criador”, pois homem e Deus se juntam quando um outro ser humano é trazido à existência, para viver por toda a eternidade. Na tradição ortodoxa judaica, o ato sexual é convincentemente comparado com a entrada no Santo dos Santos no Templo de Deus – encontrar Deus onde ele está especialmente presente.

Para a pessoa casada que usa resolutamente de contracepção, e que vai louvar a Deus no Sábado, sua posição diante de Deus é invadida por uma contradição intrínseca. Na verdade, ela diz: “Eu adoro você como meu Criador, mas eu me recuso a participar convosco como co-criador nos atos mais importantes... trazer para a existência aquele próximo ser humano que Vós pretendeis dotar de existência por toda a eternidade”. A contradição é profunda, assim como são as conseqüências.

A prática da contracepção afasta o homem de seus fundamentos ontológicos e psicológicos. O ato sexual, enquanto estiver aberto à vida, tem o efeito de manter o ser humano, no mínimo, orientado para “o outro”. Sem esse mínimo, o homem tende a transformar o ato em algo “somente para o próprio prazer”. O mais prazeroso dos atos é transformado de “centrado no outro”, para “centrado em si mesmo”. O rearranjo das atitudes e disposições psicológicas produz rapidamente uma mudança nas relações com o cônjuge, com os membros do sexo oposto, e com os filhos. Os resultados – tão claros nas estatísticas – incluem o divórcio, nascimentos fora do casamento, abortos e crianças abandonadas ou maltratadas.


O debate político

O futuro da sociedade depende do surgimento de jovens adultos competentes. Esse surgimento depende, por sua vez, dos esforços de pais amorosos. Pais amorosos são aqueles que têm corações generosos: a disposição para doar-se em prol de outrem. A contracepção inverte as tendências naturais dos pais, e endurece seus corações. Essa inversão psicológica tem efeitos inevitáveis sobre os filhos, que ficam propensos a desenvolver a mesma visão distorcida da sexualidade, e transmitir as mesmas atitudes para a próxima geração.

O debate público atual sobre a homossexualidade é apenas o último estágio de um velho conflito, que opõe uma visão gnóstica do homem contra o ponto de vista da lei natural, na qual o significado da vida humana e da ação humana está centrado no Criador. A luta para controlar a compreensão da sociedade sobre o significado e o propósito do ato sexual está no cerne deste velho conflito, um dos mais antigos e com maiores conseqüências da história da humanidade.

Ao mesmo tempo, essa disputa profunda pode ser expressa em termos bastante simples. Se as pessoas heterossexuais não podem assumir as responsabilidades implicadas na heterossexualidade, como então podem elas pedir à pessoa com inclinações homossexuais para assumir o "fardo" da sua luta pela castidade? Se os heterossexuais distorcem o relacionamento entre homem e mulher em seu nível mais íntimo, através da sua decisão de evitar a geração de uma nova vida, como então podem eles razoavelmente pedir àqueles que são orientados de maneira diferente para que resistam à sua própria tentação particular de distorcer as próprias vidas?

Na verdade, a maior parte da hoje "américa heterossexual" está agora perigosamente perto, em suas atitudes e suas orientações, dos mesmos sintomas que estão no coração da desordem afetiva homossexual: a centralização em si mesmo. Os Estados Unidos criaram uma cultura da rejeição, que é incapaz de prover o antídoto para a cultura homossexual. Os heterossexuais não podem afirmar a humanidade do marido e da mulher e ao mesmo tempo negar seus frutos, os filhos. A comunidade heterossexual que hoje teme ter filhos e os rejeita não pode ensinar muito para o homossexual em seu grito mais complexo de aceitação e de amor. Heterossexuais que insistem em certo desenvolvimento sexual para si, não podem fazer nada além de concordar com o mesmo comportamento quando ele é exibido entre homossexuais.

Os enormes transtornos sociais e psicológicos que vemos ao nosso redor não são fruto da “comunidade gay”. Nossos problemas atuais – incluindo mesmo o próprio movimento de “direitos gays” – surgiram como resultado de desordens que se tornaram predominantes primeiramente entre os heterossexuais. Se queremos tirar o cisco do olho dos nossos irmãos “gays”, talvez devêssemos primeiro remover a trave de nossos olhos. Se quisermos desenvolver a atitude de amor e carinho que é fundamental para ajudar os membros da “cultura gay” a superar a sua inversão, então nós precisamos primeiro recuperar a nossa compreensão da relação entre amor, sexualidade e compromisso permanente para com cônjuge e filhos. Devemos reconhecer primeiro as crianças que cada um de nós tem sido chamado a "co-criar" e a amar, e devemos mostrar o nosso amor tanto para com as crianças que já estão neste mundo quanto para com as que ainda virão ao mundo. Do contrário, se as duas inversões – heterossexual e homossexual – continuarem a se reforçar uma à outra, o futuro de fato é sombrio; especialmente sombrio para as crianças, e para a sociedade que essas crianças serão capazes de construir.
______________________
Fagan, Patrick F. "A ‘Culture’ of Inverted Sexuality". Catholic World Report (Novembro, 1998).

O AUTOR
Patrick F. Fagan é o “Senior Fellow” William H.G. FitzGerald em questões familiares e culturais da Fundação Heritage, em Washington, DC. Uma versão deste ensaio foi originalmente apresentada em um seminário patrocinado pela Instituto Público Americano de Filosofia; os trabalhos daquele seminário serão publicados em um conjunto de dois volumes, com o primeiro volume para janeiro de 1999, em edição de Spence Publishing, de Dallas, Texas.
Copyright © 2000 Catholic World Report

Traduzido de:
http://catholiceducation.org/articles/sexuality/se0049.html

sábado, 13 de março de 2010

Longe de saber o que é o amor

12 de março de 2010 por Steve Pokorny

Aparentemente, a luxúria não está fora de moda. Claro, ela tem se mostrado presente desde a época da ação duvidosa de Adão e Eva. Mas eu sempre me fascino pela forma com que ela é reapresentada.

Vejamos os últimos Jogos Olímpicos de Inverno. Para grande parte do público desavisado, os acontecimentos pareciam ser muito familiares, um divertimento bom e limpo. O que a maioria das pessoas não sabe é que há um lado muito mais sombrio no interior da verdadeira fortaleza chamada de “Vila Olímpica”, dentro das quais os atletas são basicamente prisioneiros em seu próprio castelo.

Os atletas treinam e se sacrificam por anos em busca de sua chance de tentar a glória, e depois de competir em sua modalidade, eles podem enfim relaxar. Mas, aparentemente, eles aproveitam esse relaxamento para algo mais.

Um número de 100.000 preservativos foi distribuído gratuitamente por entre os cerca de 7.000 atletas e oficiais. Isso significa cerca de 14 preservativos por pessoa. No entanto, o que é mais notável é que a Fundação Canadense para a AIDS (CanfAR) teve que trazer “emergencialmente” um fornecimento extra de 8.500 preservativos, isso "para o alívio da libido dos atletas".

Aparentemente, eles vêm entregando preservativos como se fosse doce, desde os Jogos de Barcelona em 1992. Mas esta é a primeira vez que eles quase esgotaram.

Voltemos a 2008, onde os chineses também forneceram 100.000 preservativos nos Jogos Olímpicos de Pequim. Seu raciocínio? "Há muitas pessoas jovens, fortes, solteiras na vila dos atletas e, como em toda parte, alguns vão se apaixonar ou outras coisas, por isso nós precisamos disponibilizar preservativos."


Certamente, talvez algumas pessoas vão ter a experiência do que eles acham que é o amor. Mas na verdade eu acho que os preservativos são necessários por conta dessas "outras coisas". Nas palavras de Matt Syed, comentando sobre sua experiência da “festa de sexo” chamada de Olimpíadas:

“Lá estavam as lindas voluntárias – para ajudar os atletas – em suas brilhantes camisas amarelas e saias pretas; havia as adoráveis indígenas que vieram para assistir as competições. E depois havia as atletas – literalmente milhares delas – se exibindo, dançando, passeando e correndo ao redor da vila, vestidas em Lycra e expondo centímetro após centímetro de carne brilhante, forte, ondulada e inimaginavelmente exótica. Mulheres de todos os países do mundo: musculosas, viris, atléticas e transbordando estrogênio. Passei tanto tempo em um estado de luxúria que poderia ter desmaiado.”

Ah, então aqui está a verdade. Para começo de história a distribuição de milhares de preservativos nunca teve nada a ver com amor. Ela sempre esteve ligada com a satisfação da luxúria desenfreada.

Grande parte do mundo moderno nem sequer se preocupou com essa situação. Eles acham que isso é normal. Eles pensam que é "normal" distribuir preservativos "extra-pequenos" para que os garotos de 12 a 14 anos possam saciar seus desejos. Eles acham "normal" que na Copa do Mundo este ano na África do Sul vai haver uma distribuição de um bilhão de preservativos, com 42 milhões deles sendo enviados da Grã-Bretanha, de modo que os 45.000 visitantes de países estrangeiros possam entreter-se com as 42.000 prostitutas que estarão sendo esperadas.

Não deve causar surpresa em ninguém que quando João Paulo II, o Grande, declarou que os maridos não tem permissão para ter luxúria (concupiscência ou desejo desordenado) com relação a suas esposas, a mídia ficou furiosa com ele. A seus olhos, ele é o único anormal (como um comentarista disse, "Eu não tenho certeza o que vocês italianos fazem com suas esposas, mas nós, americanos, temos luxúria com relação às nossas mulheres".)

Para a grande maioria do mundo moderno, eles não vêem diferença entre amor e luxúria. Basta ver as últimas revistas Cosmo (tipo “Capricho”, “TodaTeen” etc.) e você nunca verá a palavra "amor" na capa. Porque eles realmente acreditam, com toda a sua libido, que esta é a maneira como o mundo é, que esta é a maneira como deve ser, que se você ama alguém, você trocar fluidos corporais com essa pessoa, ter uma relação íntima de 30 minutos e então seguir adiante.

O problema é o seguinte: isso não é normal. As coisas do jeito que estão não é a maneira como deveria ser.

Porque o problema com todo esse uso de látex não é que os preservativos quebram, escorregam, ficam velhos e se deterioram mesmo nas melhores condições, podem ser quebrados ou rasgados em seus pacotes, têm taxas admissíveis de defeitos de fabricação, ou que o processo de 10 a 16 etapas para o uso seguro muitas vezes não é seguido, ou que secreções corporais podem extravasar ou escapar de um preservativo, mesmo que ele esteja funcionando perfeitamente.

O principal problema é que não há camisinha para o coração. Pois a pessoa humana foi criada para fazer de si um dom sincero para outra pessoa (cf. Gaudium et Spes 24), algo também conhecido como amar. Para ser pleno, completo, o ser humano tem de entregar a totalidade de si mesmo, não guardando nada para si. A pessoa humana é feita para o amor, e nós temos o dever de sempre ver cada pessoa como alguém para amar, e não como um objeto para usar. A luxúria sempre reduz a uma pessoa a um nível quase de um objeto (dizemos quase porque uma pessoa nunca pode perder a sua dignidade enquanto filho ou filha de Deus). Um ato de luxúria jamais pode ser um ato de amor, porque os dois são opostos, pois quando uma pessoa se torna um objeto de uso, é certo que o amor atrofia.

O ato sexual fala a linguagem em que eu me entrego, me dôo totalmente à outra pessoa. No fundo do nosso coração, queremos dar-nos totalmente e plenamente receber outra pessoa. Nós não queremos construir uma parede entre nós e o outro, especialmente neste ato mais íntimo. E quando alguém guardando algo para si, mesmo que um acordo verbal seja feito, de alguma forma, de alguma maneira, isso vai afetar o relacionamento de uma forma muito negativa. As gerações daqueles que usaram de contracepção deixaram para trás um legado de divórcio que testemunha os efeitos nocivos que isso teve sobre a relação fundamental do casamento.

Se o desejo sexual torna-se apenas a expressão da vontade de contato físico, então o dom total de si se transforma em um ato de usar outra pessoa para a própria gratificação egoísta. Em outras palavras, o amor é substituído pela luxúria. E se o que estamos fazendo não é amor, então nunca vamos ficar satisfeitos. E é exatamente por isso que o mundo moderno, nas palavras de Mick Jagger, “não consegue satisfação” (“can’t get no satisfaction”).

Quando Jesus falou sobre a luxúria, ele não estava sendo um estraga-prazeres. Ele não estava tentando tirar a nossa alegria, nosso prazer. Ele estava tentando chamar atenção para o fato de que essas fantasias eróticas nunca vão saciar os nossos desejos de amor eterno. O mais importante, Ele estava tentando nos mostrar que existe uma maneira diferente de sentir, pensar e agir que está em conformidade com a nossa dignidade e com o que realmente vai nos satisfazer, por muito mais tempo do que simplesmente por um momento em uma noite só.

Talvez depois de todos esses preservativos terem sido distribuídos, e todos os corações terem sido quebrados, as pessoas comecem a acordar para o fato de que o estilo “sexo casual” não está funcionando. Talvez eles venham tentar de outra maneira. Talvez, apenas talvez, venham a ter uma pista sobre o que é o amor.
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Steve Pokorny, Diretor do TOB Ministries (tobministries.com), especializado em falar para jovens e adultos sobre o dom da sexualidade. Steve tem um mestrado em Teologia e Catequese na Universidade Franciscana de Steubenville, um Mestrado no Instituto João Paulo II de Estudos para o Matrimônio e a Família, e recebeu treinamento no Instituto de Teologia do Corpo americano. Ele atualmente é Diretor da Pastoral para o Casamento e a Família na Arquidiocese de San Antonio. Ele é editor associado do canal Teologia do Corpo da Catholic Exchange (tob.catholicexchange.com), e seu blog é truesexualrevolution.blogspot.com. Ele é casado e vive em San Antonio.

Artigo traduzido de: http://tob.catholicexchange.com/2010/03/12/1772/

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Como evitar que seu casamento termine no divórcio

Por Steve Pokorny (em 16 de outubro de 2009)

Primeiro, as más notícias: 50%. Essa é a taxa de divórcio hoje, aproximadamente. Isso significa que, para cada novo casal, há uma chance de aproximadamente 50% que eles venham a se divorciar (Google: “What Really is the Divorce Rate?” by Scott M. Stanley, Ph.D. para mais informações). Isso pode fazer com que as pessoas pensem duas vezes antes de se casar (o que é uma das principais razões para o crescimento da coabitação, o “morar junto” simplesmente).

Mas por que o divórcio está apresentando níveis tão alarmantes? Embora haja muitas razões para isso, tais como problemas de comunicação e de confiança, gostaria de sugerir que a principal causa da cultura do divórcio é a aceitação ampla dos contraceptivos.

Olhando para a história, desde 1930, quando a igreja anglicana permitiu o uso de contraceptivos no casamento, “temos visto um crescimento meteórico no abuso, no divórcio, depressão, e transtornos. Incontáveis milhares de casamentos acabaram” (Google: “US Catholic News Service Editor Cites Acceptance of Contraception as Leading to Current Gay Unions Situation,” Greenspun.com). Além disso, com o amplo crescimento e aceitação da pílula anticoncepcional, desde os anos 60, a taxa de divórcio cresceu na mesma proporção (Google: “The Divorce Rate Graph and History Table”).

Mas por que uma aumento no uso de contraceptivos levou a um aumento no divórcio? Em um nível básico, as pessoas ao longo da história foram sempre tentadas a cometer adultério, mas a única coisa que os detia era o medo de uma gravidez. A contracepção deu meramente a aparência de ser capaz de evitar a gravidez (porque nenhum contraceptivo é 100%% eficiente). Portanto, uma vez removido esse obstáculo, o adultério fica facilitado. É por isso que o adultério é uma das principais causas do divórcio.

Em nível mais fundamental, mesmo que um adultério físico não ocorra em um casamento, os esposos que usam contraceptivos geralmente experimentam um tipo de “adultério emocional”. Por que? Quando o casal realiza o ato marital, seus corpos devem falar a linguagem da doação total de si mesmos. Naquele momento, devem comunicar ao cônjuge a mais profunda verdade sobre si mesmos, entregando todo seu ser ao outro com a expectativa de que seja totalmente recebido. Intrínseco a esse ato é o dom de sua fertilidade.

Se o uso dos contraceptivos entra nesse ato, isso viola a linguagem do corpo. Da mesma maneira que o cônjuge é enganado no adultério, em um ato conjugal em que se usa contraceptivo, devido à ausência da entrega total de si, especificamente, quando sua fertilidade não é doada e recebida pelo outro, geralmente os esposos ficam impedidos de experimentar a ligação emocional total que deveria ocorrer sempre que há um ato conjugal.

A chave para qualquer relacionamento é a comunicação com base na confiança. Entretanto, quem usa contraceptivos está falando uma mentira no momento mais fundamento do seu casamento. Essencialmente, eles estão mentindo um para o outro. Mesmo que não percebam isso conscientemente, eles estão dizendo: “Eu não entrego tudo a você; eu não amo tudo que é seu; eu não quero sua fertilidade”. Portanto, assim como qualquer casamento construído sobre mentiras, um casamento envolvendo contraceptivos vai construir mais e mais muros entre os esposos, visto que sua confiança mútua está sendo continuamente violada naquilo que deveria ser um ato sagrado de união física, emocional, mental e espiritual.

O uso do contraceptivo é, em essência, um ato egoísta, e portanto a barreira física (ou química) usada no ato conjugal cria muros emocionais dentro do relacionamento, e as consequências podem ser vistas muito além da cama do casal. Essa mentalidade egoísta transborda para todas as outras áreas do casamento; em suas finanças, na educação das crianças, e em tudo que o casal se envolve. Assim como o egoísmo está na raiz de todos os pecados, o que leva a rupturas na nossa relação com Deus e com os outros, a perpetuação da mentalidade contraceptiva no ato mais fundamental do casamento vai prejudicar sua habilidade em se comunicar, em estar aberto para o outro, e em afirmar o outro. Portanto, esse ato inerentemente desonesto afeta todas as esferas do casamento, e os esposos afinal acharão muito mais difícil permanecer casados.

A boa nova é que há uma maneira de praticamente fazer seu casamento ficar “à prova de divórcio”: o método natural de regulação da procriação, conhecido na língua inglesa como NFP – Natural Family Planning. Centenas de milhares de casais atestam que os efeitos da utilização do NFP no casamento são dramaticamente diferentes quando comparados com os efeitos do uso dos contraceptivos, incluindo um casamento mais feliz, mais relações conjugais satisfatórias, e uma comunicação e intimidade mais profundas com o cônjuge. A melhor parte (além do fato de estar seguindo o plano de Deus para o casamento): aqueles que usam NFP por razões justas apresentam uma taxa de divórcio extremamente baixa (entre 0,02% e 4%) (Google: “Divorce Rate Comparisons Between Couples Using Natural Family Planning & Artificial Birth Control.”). Isso, sim, é uma boa notícia!

Embora as taxas de divórcio sejam muito altas, a resposta para esse problema é ajudar os casais a aprender e a falar com verdade a linguagem de seus corpos, primeiramente aprendendo o plano de Deus para o casamento e o grande dom da NFP. Fazendo isso, há uma grande chance que mesmo aqueles que vêm de longos e sofridos relacionamento venham a experimentar a ressurreição e a redenção de sua aliança matrimonial.

Quer ter um grande casamento que vai durar a vida toda: Aprenda o método natural. Viva o método natural. E espalhe essa mensagem com a família e com amigos. Eles irão lhe agradecer.
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Steve Pokorny, diretor de “TOB Ministries” (tobministries.com), é especialista em palestras para jovens e jovens adultos sobre o dom da sexualidade. Steve tem Mestrado em Teologia e Catequese pela Franciscan University of Steubenville, mestre também em Teologia pelo John Paul II Institute for Marriage and Family Studies, e tem recebido treinamento do Theology of the Body Institute. Atualmente trabalha como Diretor do Centro de Família e Matrimônio da Arquidiocese de San Antonio. É também Editor Associado do Canal Teologia do Corpo de Catholic Exchange (tob.catholicexchange.com), e seu blog é o truesexualrevolution.blogspot.com. Ele é casado e vive em San Antonio.


Texto traduzido e adaptado de: http://tob.catholicexchange.com/2009/10/16/1321/

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Os anticoncepcionais são um desastre

A sociedade liberal tenta nos dizer que os anticoncepcionais (como a pílula e o adesivo de hormônios) são a melhor coisa que já aconteceram para as mulheres, para os homens e para a sociedade em geral. Mas a professora Janet Smith não concorda.

Quando a pílula foi desenvolvida e colocada no mercado no final dos anos 50, “Falaram que ela iria controlar a ‘crise de super-população’, reduzir o número de gravidezes não planejadas e de abortos, e melhorar os casamentos”, disse Smith na sua palestra no Centro Cultural João Paulo II em Washington, Estados Unidos, em 30 de outubro de 2008. Porém, ao invés de fazer um grande bem, os anticoncepcionais foram muito prejudiciais para nossa cultura, ela afirma.

“A visão cristã de moralidade sexual é a de um homem e uma mulher que se casam e fazem um compromisso para a vida toda, e seu círculo de amor mantêm-se em expansão”, à medida que as crianças nascem, explicou Smith. “Houve um tempo em que a opinião das pessoas era de que não se devia ter sexo a não ser que houvesse amor; não se devia ter sexo a não ser que você estivesse preparado para ter bebês; e você não está preparado para os bebês enquanto não estiver casado”. Mas os anticoncepcionais criaram uma rupture na conexão natural entre amor, sexo, casamento e bebês, ela observa.

A pílula supostamente deu às mulheres a luz verde para sair e ter relações sexuais livremente, sem ter que se preocupar com gravidez. Agora as mulheres rotineiramente têm relações sexuais com homens quem não as amam para a vida toda, e com quem elas não têm nenhuma intenção de casar ou de ter filhos.

A promiscuidade, encorajada pela pílula, cresceu muito, ao contrário do que diziam os defensores da pílula no começo, e com a promiscuidade também cresceu a taxa de gravidez não-planejada, observa Smith. Em 1960, 6% de todos os bebês dos Estados Unidos vinham de uma gravidez não planejada. Em 2005, essa taxa pulou para 37%. O uso continuado e incentivado de anticoncepcionais só fez aumentar – e não diminuir – o número de abortos.

As falhas dos anticoncepcionais só fazem aumentar. Das mulheres utilizando a pílula, 8% vai ficar grávida em um ano de uso. Das mulheres que usam a camisinha como método anticoncepcional, 14 a 15% vai ficar grávida em um ano. Adolescentes de baixo nível econômico que co-habitam na mesma casa e usam a pílula apresentam uma taxa de falha de anticoncepção de 48%. Quando o anticoncepcional falha, o aborto é a saída “lógica” para muitas pessoas, disse Smith.

Como declarou a Suprema Corte americana em 1992, no caso “Panned Parenthood vs. Casey”: “Por duas décadas de desenvolvimentos sociais e econômicos, as pessoas têm organizado e suas relações íntimas e feito escolhas que definem suas visões de si mesmos e seus lugares na sociedade com base na disponibilidade do aborto no caso de falha na contracepção”. “A Suprema Corte estava dizendo que temos que ter abortos enquanto estivermos na cultura da contracepção”, disse Smith.

Ao invés de estabilizar o casamento, como diziam os defensores da pílula quando ela foi lançada, o que aconteceu na realidade foi que a taxa de divórcio dobrou. Em 1960, um em cada quatro casamentos terminava em divórcio. Em 1980 já eram um em cada dois terminando em divórcio. “Essa tendência de crescimento do divórcio acompanhou o crescimento no uso de anticoncepcionais”, observou Smith. O adultério, igualmente, aumentou assustadoramente desde que os anticoncepcionais se difundiram no mercado: o Centro de Controle de Doenças reporta que uma de cada 10 mulheres que está grávida ficou grávida de outra pessoa que não seu marido.

Os anticoncepcionais químicos também causam uma série de efeitos colaterais negativos. Os mais comuns incluem aumento na irritabilidade, depressão, ganho de peso e redução da vontade sexual. Os anticoncepcionais orais estão ligados ao aumento de chance de ter câncer de mama antes da menopausa. “Se você utilizou anticoncepcional durante 4 a 5 anos antes de ter um bebê, você tem 50% a mais de chance de ter câncer de mama”, disse Smith. A empresa Johnson & Johnson já pagou mais de 68 milhões de dólares em acordos judiciais por causa dos efeitos colaterais do adesivo hormonal Ortho Evra, que em algumas usuárias causou coágulos sanguíneos, ataques cardíacos, infartos, e também causou 23 mortes. “Mas 68 milhões não é nada para eles, que lucram bilhões de dólares com o controle de natalidade”, disse Smith.

A atividade sexual promíscua facilitada pelos anticoncepcionais levou a um aumento exponencial nos tipos diferentes de doenças sexualmente transmissíveis (DST’s). Em 1950 só haviam duas; agora, os números variam, dependendo da maneira com que categorizamos as doenças, mas há pelo menos 20. As DST’s causam cicatrizações nas trompas de falópio (tubas uterinas), o que pode levar a gravidezes ectópicas que podem ter risco de morte para a mãe. Desde 1970 o número de gravidezes ectópicas cresceu 600%.

Por levar a um grande número de crianças sendo criadas e crescendo sem a presença do pai, o uso de anticoncepcionais levou ao crescimento da pobreza, disse Smith: a maioria dos que vivem na pobreza nos Estados Unidos são mulheres solteiras com crianças. “Cerca de 68% das crianças em famílias com um único dos genitores (ou o pai ou a mãe) vivem na pobreza. Smith observou que “podemos ligar o comportamento sexual fora de controle a várias disfunções sociais e à pobreza.

O Papa Paulo VI tinha previsto na década de 60 que, se os anticoncepcionais se tornassem largamente utilizados, o que aconteceria seria o seguinte:
- um recuo geral na moralidade das pessoas
- menos respeito pelas mulheres
- controle governamental coercivo sobre a sexualidade das pessoas
- o corpo seria tratado como uma máquina.

Apesar desses alertas, disse Smith, “houve uma enorme pressão sobre o Papa para que ele mudasse a doutrina da Igreja sobre contracepção – eles temiam a super-população”. Porém a maior causa do crescimento populacional não é o número grande de filhos, mas é que as pessoas estão vivendo por mais tempo. “Todos os países do mundo têm uma taxa de natalidade decrescente”. Estudos indicam que por volta do ano 2050 a taxa de fertilidade mundial ficará abaixo da chamada “linha de reposição” (nível abaixo do qual a população começa a encolher).

A Igreja Católica condena a contracepção (o uso de anticoncepcionais) porque:
1. é uma violação da saúde física e psicológica da mulher
2. impede a doação total no amor entre os esposos
3. é uma rejeição de Deus como Criador da vida.

Mas a Igreja não ensina que temos que ter tantos filhos quanto possível, disse Smith; é por isso que a Igreja aprova o método natural, que consiste em detectar o período fértil da mulher, e abster-se da relação sexual nesse período para evitar a gravidez. Nos Estados Unidos esse método é conhecido como Planejamento Familiar Natural (PFN). “Muitas pessoas têm dificuldade em ver a diferença entre os anticoncepcionais químicos e o Planejamento Familiar Natural (ou método natural). Entretanto, pessoas que experimentaram os dois tipos de método dizem que há um mundo de diferença”. Os benefícios do Planejamento Familiar Natural são muitos:
- não traz nenhum efeito colateral físico
- requer um sacrifício e comprometimento mútuo: ambos os esposos têm que se abster periodicamente de relações sexuais
- fortaleza o relacionamento do casal com Deus
- nenhum dano é causado à sociedade: os casais continuam casados, possuem lares mais estáveis para criar os filhos.

Casais que utilizam o método natural quase nunca se divorciam (as taxas variam entre 2 a 3%). Para Smith, uma razão é que as pessoas que têm filhos normalmente se tornam pessoas melhores. “Ser um pai ou mãe praticamente força a pessoa a adquirir certas virtudes”, ela observa. “Ambos os cônjuges amadurecem e encaram a vida com mais seriedade. As crianças fazem coisas maravilhosas por um casamento!”.

A professora Janet Smith é titular da cátedra de Bioética no Seminário Maior do Sagrado Coração, em Detroit. Sua palestra foi apoiada pelo Centro Cultural João Paulo II de Programas Internacionais em Castidade.
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Traduzido do jornal pró-vida “Defend Life”, de Nov/Dez 2008.

sábado, 27 de junho de 2009

Por que não usar anticoncepcionais

1. O uso de anticoncepcionais está ligado ao câncer de mama

Em um estudo do Instituto Nacional do Câncer dos EUA (em inglês: National Cancer Institute - NCI), publicado em 2003, os pesquisadores examinaram os fatores de risco para câncer de mama entre mulheres de 20 a 34 anos comparado com mulheres de 35 a 54 anos. Os pesquisadores analisaram dados de 2.202 mulheres que foram diagnosticadas com câncer de mama entre 1990 e 1992, e 2.209 mulheres que não tinham câncer de mama. Os resultados indicaram que o risco de contrair câncer de mama era significativamente elevado entre mulheres de 20 a 34 anos que tinham usado pílulas anticoncepcionais por pelo menos 6 meses. O risco associado com o uso da pílula anticoncepcional foi mais forte para as mulheres que tinham usado as pílulas nos últimos 5 anos antes do diagnóstico de câncer de mama. Embora também elevado, o risco foi menor para mulheres acima de 35 anos e aquelas que usaram a pílula por longos períodos de tempo (Fonte: NCI). Para ler mais sobre a ligação entre câncer de mama e uso de anticoncepcionais, clique aqui.


2. As pílulas anticoncepcionais (hormônios) têm várias outras consequências para a saúde

Anticoncepcionais hormonais, além de serem abortifacientes (causam aborto), apresentam efeitos colaterais horríveis para as mulheres que os usam. Desde pressão sanguínea elevada e coágulos nas veias (trombose) [Demulen, 1993 Physicians Desk Reference, 2254], até ataques cardíacos [Thorogood M, Mann J, Murphy M, Vessey M (1991)]. O uso de pílulas anticoncepcionais está associado com um aumento no risco de infarto do miocárdio. Segundo o relato de um caso [Br J Ob Gyn 98, 1245-1253] envolvendo enxaquecas e problemas menstruais no período após deixar de tomar a pílula, os anticoncepcionais hormonais (pílula, Norplant, Depo-Provera etc.) podem causar estragos no corpo de uma mulher. Não é coincidência que tenha havido um aumento substancial no risco de câncer de mama de dez a quinze anos após o início da disponibilização de anticoncepcionais no mercado. [RCGP Breast Cancer and oral contraceptives: Findings in Royal College of General Practitioners' study.' BMJ 1981; 282:2089-93] Também não é coincidência que muitas mulheres que usaram a pílula durante anos e agora querem ter uma criança tenham descoberto que ficaram inférteis. [Rowland, R. Living Laboratories. Lime Tree, London 1992] A infertilidade se tornou uma epidemia nacional, com casais gastando centenas de milhares de dólares tentando desesperadamente conceber um filho. Médicos com postura não ética continuam prescrevendo normalmente anticoncepcionais, e depois tratando eles também os efeitos colaterais. [Fonte: http://www.omsoul.com/contraception-problems.php]

Para maiores leituras sobre os problemas de saúde, clique nos links abaixo:

-- Vasectomia e as suas consequências
-- Efeitos colaterais da vasectomia, e da ligação de trompas. Ver também o debate acerca da possível ligação entre vasectomia e câncer de próstata.
-- Alguns homem estão quebrando o silêncio sobre o que a vasectomia fez com eles.
-- Problema cerebral (afasia) pode estar ligada à vasectomia, sugere um estudo (ver também aqui).
-- Pílulas anticoncepcionais diminuem a densidade óssea.
-- Estudo liga o uso de pílula anticoncepcional com obstrução arterial.
-- Morte, ações judiciais e a pílula: O caso contra o controle de natalidade hormonal.
-- Novo estudo mostra que o risco de câncer cervical é o dobro entre usuárias de pílulas anticoncepcionais.
-- A pílula anticoncepcional já é uma pílula abortiva (para cada mulher que realiza um aborto normal nos EUA, outras duas causam aborto através dos anticoncepcionais, devido ao afinamento da parede uterina que impede a implantação do zigoto )


3. O anticoncepcional leva à aceitação da pornografia

De acordo com a reportagem de capa do New York Times de 18 de Maio, chamada “Capitalistas nus: não há negócio como a indústria pornográfica”, a pornografia está “nadando em dinheiro” – com vendas anuais entre 10 e 14 bilhões de dólares. O autor do artigo, Frank Rich, sugere que a pornografia é maior que os campeonatos de qualquer esporte popular, talvez maior até que Hollywood. A pornografia “não é mais uma atração secundária... é a atração principal”, ele disse. É por isso que, deixando de levar em conta por hora os bilhões de dólares que as indústrias farmacêuticas faturam em cima dos anticoncepcionais, a indústria pornográfica teria muito a perder se os anticoncepcionais passassem a ter uma imagem negativa na opinião pública. Os efeitos da pornografia, claro, são bastante conhecidos, sendo uma causa primária de destruição de casamentos e famílias, e de crianças, entre muitas outras consequências sociais trágicas e adversas. Sem os anticoncepcionais, não haveria pornografia nem indústria pornográfica multi-bilionária. As leis reconheceram a ligação entre as duas coisas. Os “atores” da indústria pornográfica não poderiam atuar sem os dispositivos anticoncepcionais para garantir – ou pelo menos reduzir consideravelmente – as chances de uma gravidez. Esse fato revela muito sobre as relações entre contracepção e pornografia. O fato de que tal indústria depende tanto desses dispositivos anticoncepcionais para sua própria sobrevivência diz mais sobre como nós ocidentais vemos o sexo do que sobre a própria indústria pornográfica em si. Em outras palavras, a contracepção é o sacramento da pornografia. Em outras palavras, a pornografia nunca poderia existir sem o recurso à contracepção.


4. Degradação do ato sexual e do respeito mútuo

Com a introdução de elementos estranhos ao ato conjugal, os esposos frustram o plano de Deus alterando o significado pleno unitivo e procriativo do ato sexual. Ao continuar se engajando em tais atos desordenados, o homem começa a tratar sua esposa como um meio de auto-gratificação que, com o tempo, faz com que ele a perceba como um objeto. Ela se torna um objeto ao invés de um sujeito de sua devoção. Sem conseguir enxergar nela uma pessoa humana, ele portanto se torna cada vez menos paciente com suas falhas e se recusa a perdoá-las. Ele faz isso porque todo seu relacionamento sexual com ela se tornou uma relação de utilitarismo e de função. Ele se recusa a respeitar sua imagem natural, que também é criada na imagem e semelhança de Deus. Ele vê um dos aspectos fundamentais da pessoa de sua mulher, a fertilidade, como algo a ser dominado e rendido sem causar danos a ele, a fim de abandonar seu dever de sacrificar-se por ela e pela prole. Ele se torna um agente de masturbação, e sua mulher seu instrumento para concretizar essa masturbação. Seu relacionamento com sua esposa, assim como seu relacionamento com Deus, se torna estéril e finalmente morre. Com o componente de sacrifício do ato sexual, onde ambos, homem e mulher, se doam um para o outro, verdadeiramente se abandonando completamente na pessoa do outro da maneira como o outro foi criado, o ato sexual se torna vazio do significado que era para ter. E o fruto desse sexo vazio é o divórcio, vidas destruídas, e famílias arruinadas.

Portanto, se a mulher fica grávida, o próprio ato que dizia “não” está agora frente a frente com a realidade biológica do “sim”. E, portanto, há desunião e conflito entre o ato e a vontade do casal durante o sexo por um lado, e o resultado do ato por outro. Não há unidade entre o ato (contra a vida) e o fruto do ato (a vida). A criação é suplantada, e os resultados são normalmente desastrosos. Embora nem sempre seja verdade, o aborto é a resposta lógica que se segue à falha na contracepção. O “não” no sexo na maioria das vezes não dá lugar ao “sim” do nascimento, nove meses depois.

Dentro da realidade do ato contraceptivo (ato sexual deliberadamente e artificialmente esterilizado) o casal está mentindo um ao outro sobre quem eles são. Ao invés de se comunicarem um ao outro do modo como foram criados, eles estão se comunicando de um modo como NÃO foram criados. Em outras palavras, o homem não está se entregando à sua esposa da maneira que Deus queria. Ele está se dando da maneira que ele quer, isto é, sem fertilidade. E do mesmo jeito que poucos casamentos podem sobreviver com um cônjuge continuamente falando mentiras para o outro, tampouco pode um homem mentir continuamente sobre quem ele é no ato sexual sem com isso haver consequências adversas na relação com sua esposa. Será que tem alguma surpresa no fato de que as taxas de divórcio no Canadá explodiram logo após a legalização dos anticoncepcionais? Não há mera coincidência, mas sim, o reconhecimento de que poucos relacionamentos podem sobreviver sem respeitar a verdade do corpo humano como Deus o criou.

Contrária a isso, a Igreja ensina que devemos respeitar a ordem sexual natural da fertilidade, porque Ela acredita que Deus nos criou à sua imagem, e isso inclui o poder para pro-criar; ou seja, participar na criação de Deus. Ao se respeitar o corpo humano e sua fertilidade como foi criada por Deus, pode-se escolher ter relação sexual quando e como se quiser, desde que, é claro, uma abertura à vida humana esteja presente. Pelo fato de que a contracepção atinge o coração do ato conjugal como Deus o criou e porque atinge a concepção Trinitária de quem é Deus, o recurso à contracepção, de fato, é um ataque à própria imagem de Deus, e portanto tem sido corretamente condenada como grave pecado desde o princípio da própria Criação.


5. Aumento do sexo antes do casamento e destruição do matrimônio

Nos anos 50, menos de 25% dos americanos pensava ser aceitável o ato sexual antes do casamento; já nos anos 70 mais de 75% achava aceitável. Entre 1960 e 1980 a taxa de matrimônios caiu cerca de 25%; a média de idade com que se casa aumentou muito, tanto para homens quanto para mulheres; e o número de homens e mulheres divorciados pulou cerca de 200% para cima. Com tudo isso, de acordo com um estudo da revista Adweek, a percentagem de pessoas solteiras frente ao total da população adulta americana subiu de 28% em 1970 para 41% em 1993. (Fonte: http://www.fathersforlife.org/culture/sexual_counter_revolution.htm )

Alex McKay, pesquisador coordenador no Conselho de Educação e Informação em Sexo do Canadá, diz que: “A tendência a longo prazo, desde a década de 70, é um gradual aumento no número de adolescentes se engajando em atividades sexuais”. E ainda mais, uma pesquisa internacional feita em 1999 pelo fabricante de preservativos Durex revelou que a idade com que os jovens canadenses se tornam sexualmente ativos está entre as mais baixas do mundo: uma média de 15 anos, em 1998. Por volta do final do [correspondente ao] ensino fundamental, cerca de metade de todos os adolescentes já tiveram relação sexual pelo menos uma vez, diz Ruth Miller, uma educadora sexual do departamento de saúde pública de Toronto. (Fonte: http://www.readersdigest.ca/debate.html?a=v&di=111 )

Passados apenas 4 anos dos primeiros testes com anticoncepcionais, os pesquisadores descobriram que os casamentos nos quais os anticoncepcionais eram usados tinham duas vezes mais chance de terminar em divórcio do que os casamentos em que não havia uso de anticoncepcionais. [Grant, Ellen MD, "Sexual Chemistry: Understanding Our Hormones, The Pill, and HRT" Mandarin Paperbacks, London, 1994]

Em sua carta às famílias, chamada “Familiaris Consortio”, o Papa João Paulo II explica a razão para essa ruptura matrimonial:
“Quando os casais, através do recurso à contracepção, separam [o sentido unitivo e o sentido procriativo] o que Deus Criador inscreveu no ser de homem e mulher e no dinamismo de sua comunhão sexual, eles agem como “árbitros” dos planos divinos e “manipulam” e degradam a sexualidade humana – e com isso eles próprios e seus cônjuges – alterando seu valor de “total” doação de si. Portanto, a linguagem inata que expressa o doar-se recíproco total de marido e mulher é sobreposta, através da contracepção, por uma linguagem objetivamente contraditória, que é aquela de não se doar inteiramente ao outro” (32)


6. Anticoncepcionais favorecem o aborto

Apesar do que dizem os defensores do aborto no Fundo das Nações Unidas para População e na Planned Parenthood, a farta disponibilidade de anticoncepcionais leva a mais abortos e não menos. As estatísticas não mentem, embora elas venham sendo ignoradas e ocultadas pelos meios liberais de comunicação de massa. A razão para essa conexão entre anticoncepcionais e aborto é muito simples.

- Mesma mentalidade: Quando um casal inicia um ato sexual e usa meios artificiais para evitar a gravidez, os dois conscientemente decidem agir fora da natureza, e portanto fora da ordem criadora de Deus e de sua vontade para eles. De fato, eles se arrogam a si próprios a transmissão última da vida. Ao fazerem isso, eles alimentam uma mentalidade de “não” à vida humana. Essa mentalidade, uma vez estando enraizada em seu agir e em sua psique através do ato sexual, permanece com eles mesmo quando descobrem que, apesar do uso de anticoncepcionais, aconteceu a gravidez. Quando um casal conscientemente decide rejeitar a vida no ato sexual, torna-se mais fácil para que a mentalidade do “não” continue depois. Em casos mais extremos, essa mentalidade destrutiva segue sua conclusão lógica, culminando na destruição da criança através do aborto. Em outras palavras, a mentalidade do “não” é consumada através do aborto.

- Similaridade sociológica: O Instituto Alan Guttmacher, uma divisão de pesquisa da Planned Parenthood, indica o seguinte como as principais razões que as mulheres dão para seus abortos. “Na média, a mulher dá pelo menos 3 razões para escolher o aborto: 3/4 dizem que ter um bebê acabaria interferindo com o trabalho, a escola ou outras responsabilidades; cerca de 2/3 dizem que não podem sustentar uma criança; e 1/2 dizem que não querem ser mãe solteira ou ter problemas com o marido ou parceiro”. (Fonte: http://www.agi-usa.org ). Essas são as mesmas razões dadas para o uso dos anticoncepcionais.

- Mesmo fundamento legal: Tanto nos Estados Unidos quanto no Canadá a contracepção foi legalizada antes ou ao mesmo tempo que o aborto. Em outras palavras, eles são ideologicamente inseparáveis e essa ligação aparece na lei e na jurisprudência. Nos Estados Unidos, o assim chamado “direito à teoria privada”, que ajudou a formar a base do caso “Roe vs. Wade”, que, na Suprema Corte, decidiu legalizar o aborto, foi em si mesmo estabelecido pela revogação da lei Comstock, que, entre outras coisas, proibia a contracepção. Embora as opiniões das cortes tenham começado a minar esse aspecto do Ato Comstock nos anos 30, o Congresso não apagaria as referências à contracepção até 1971, dois anos antes da decisão do caso Roe vs. Wade legalizar o aborto. Em 1992, a Suprema Corte reafirmou Roe na decisão do caso “Planned Parenthood vs. Casey”, e explicou que eles não podiam remover o “direito” ao aborto do “povo que, por duas décadas de desenvolvimento social e econômico havia organizado relações íntimas e feito escolhas que definem suas visões de si próprios e seus lugares na sociedade, baseadas na disponibilidade do aborto no caso de uma falha no anticoncepcional” (505 U.S. 833, 835). No Canadá, a associação entre contracepção e aborto não poderia ter sido mais visível. Em 14 de maio de 1969, a legislação Omnibus Bill C-150, que descriminalizava a contracepção, o aborto e a homossexualidade, passou no Parlamento Canadense e virou lei (Votos: 149 – 55).

- Resultados idênticos (em alguns casos): Em alguns casos, a pílula anticoncepcional age como abortifaciente. Inúmeros outros anticoncepcionais, na verdade, são abortifacientes (causam aborto).

Veja links sobre a pílula anticoncepcional como abortifaciente:

http://www.pfli.org/faq_oc.html
http://www.spuc.org.uk/documents/papers/contraceptive-abortifacient.pdf
http://www.quiverfull.com/birth_control/pill_abortifacient.html
http://www.prolifephysicians.org/abortifacient.htm
http://www.pregnantpause.org/abort/untold.htm
http://www.freepregnancyhelp.com/ecp.html

Todos os anticoncepcionais orais (pílulas), Norplant, Depo-provera, e os DIU’s (Dispositivos Intra-Uterinos) podem causar abortos antes que a mulher sequer saiba que está grávida.

Estima-se que os anticoncepcionais orais (pílulas) podem estar causando mais morte por aborto (impede implantação do zigoto no útero porque torna fina a camada uterina) do que o DIU, DepoProvera, Norplant, o próprio aborto cirúrgico, ou outros tipos de aborto. Enquanto o aborto cirúrgico, por exemplo, mata 1 milhão e 500 mil crianças por ano, os anticoncepcionais orais (pílulas), com mais de 13 milhões de usuárias nos Estados Unidos, podem estar matando mais de 4 milhões de seres humanos. (Fonte: Dr. Bogomir Kuhar, Presidente de “Farmacêuticos para a Vida, "Homicídos Infantis através de contraceptivos," publicada por Eternal Life of Bardstown, KY., 1995)


7. Os anticoncepcionais levam à legitimação de atos homossexuais e do “casamento” de pessoas do mesmo sexo

O anticoncepcional é o fundamento de todos os problemas sociais que nossa cultura está experimentando, pois ele acaba por prover as condições para a guerra contra a família. Juntamente com o aborto e a pornografia, o “casamento” de pessoas do mesmo sexo não apareceu misteriosamente. Ele encontra suas raízes nos anticoncepcionais, já que atos homossexuais são também contraceptivos por si. Uma vez que a cultura aceitou o princípio de que a contracepção heterossexual era permitida, foi apenas uma questão de tempo antes que os atos homossexuais – que são a extensão lógica da contracepção heterossexual – fossem igualmente aceitos. O homem não pode viver em contradição por muito tempo. Ou ele aceita outros males para permanecer consistente com o primeiro mal ou ele retorna para sua visão original. Mas não podem existir duas leis opostas por muito tempo.

Se um heterossexual pode ter sexo esterilizado por anticoncepcionais, bem, então, os homossexuais também podem. Ambos os atos não são naturais, e ambos estão fechados para a vida. Levou quase 40 anos para que o “casamento” de pessoas do mesmo sexo entrasse na sociedade canadense depois que os anticoncepcionais foram liberados, mas aconteceu. De fato, se há uma explicação direta e coerente para explicar como o “casamento” de pessoas do mesmo sexo surgiu da noite para o dia, aqueles que acreditam que a contracepção é benigna
ainda não explicaram muito bem – ou ainda não de forma convincente – para o público canadense.

Como podemos dizer que os anticoncepcionais levaram ao reconhecimento do sexo homo-erótico? A contracepção remove aquilo que faz de uma mulher uma mulher – sua fertilidade. E quando se remove a fertilidade de uma mulher durante o sexo, se faz dela – em certo sentido – um outro homem. É assim – psicologicamente e moralmente falando – que nossa cultura foi capaz de cair na aceitação do “casamento” de pessoas do mesmo sexo, pois sua atitude e consciência coletiva com relação à homossexualidade foi enfraquecida por sua aceitação da contracepção.

Um parceiro sexual masculino é basicamente uma mulher esterilizada. A contracepção e a sodomia são essencialmente a mesma coisa, já que ambas envolvem ejaculação em um ambiente que é FECHADO PARA A VIDA.

E essa é a razão porque Deus condena ambos os atos. A grande maioria dos casais que usam anticoncepcionais, é claro, não considera que seu ato é uma sodomia. Mas isso não muda o fato de que é sodomia. Um homem tendo sexo anal com uma mulher não é tão diferente de um homem tendo sexo anal com outro homem. O receptáculo é o mesmo. Ambos são atos de sodomia. E se a vagina se torna de fato um lugar que não é tão diferente de um ânus? O que acontece? Não é sodomia o que acontece, só que com um outro nome? Um homem tendo sexo com uma mulher esterilizada artificialmente, na verdade, não é ter sexo com uma mulher como Deus a criou. Ele está tendo sexo com uma mulher que teve sua fertilidade manipulada, ou, para ser mais exato, teve sua fertilidade manipulada por um homem – e daí surge outra coisa. Portanto, assim como o demônio falsifica os milagres de Deus, igualmente o sexo com anticoncepcional é uma falsificação do sexo real. Parece sexo real, mas não é real. É uma mentira falada com nossos corpos, assim como a pornografia também parece real mas também é uma mentira.


8. Prejudica o meio ambiente através da sobrecarga de estrogênio

Milhões de mulheres nos Estados Unidos ingerem estrogênio em excesso todo dia na forma de pílulas de controle de natalidade. Dentro de 24 horas, efluentes dessas 12 milhões de doses terminam nos nossos sistemas de esgoto. E então? A revista “Scientific American” de 17 de abril mostrou resultados de um estudo alertando que “muitos riachos, rios e lagos já mostram sinais alarmantes de que os peixes neles capturados podem estar também carregando uma quantidade tal de químicos que mimetizam o hormônio feminino estrogênio que seria suficiente para causar o crescimento de células de câncer de mama”. “Os peixes são sentinelas, assim como os canários nas minas de carvão há 100 anos atrás”. Diz Conrad Volz, co-diretor de análise de exposição no Centro para Ecologia Ambiental do Instituto do Câncer da Universidade de Pittsburgh. “Precisamos prestar atenção para os químicos que são naturalmente “tipo estrogênio”, pois eles estão na água que todos usamos”. De acordo com a seção de Pesca e Oceano do Instituto Freshwater, “os estrogênios sintéticos potenciais que a mulher excreta ao estar em terapia de reposição hormonal ou em uso de pílulas anticoncepcionais não são inteiramente decompostos no processo de tratamento de esgoto, e são descartados nos cursos de água”.

O artigo da Scientific American, embora cauteloso em dizer que o processo exato dessa confusão hormonal ainda não está claro, continua dizendo que “os efeitos do estrogênio nos próprios peixes era claro: o gênero de nove dos peixes testados não pôde ser determinado”. “Substâncias ativas do tipo estrogênio presentes na água estão modificando os machos, tornando-os indiferenciados das fêmeas”, descobriu Volz. “Há óvulos nas gônadas dos machos, e há também machos secretando uma proteína de placenta. Os machos não deveriam estar produzindo substâncias relacionadas a óvulos”. (Fonte)

Quando os cientistas da Universidade do Colorado, patrocinados pela Agência Americana de Proteção Ambiental (em inglês: EPA), estudaram peixes em uma montanha intocada conhecida como “Boulder Creek”, há dois anos, eles ficaram chocados. Pescando aleatoriamente 123 trutas e outros peixes na correnteza localizada após a planta de esgoto da cidade, encontraram que 101 eram fêmeas, 12 eram machos, e 10 eram estranhos peixes “intersexuados”, com características tanto masculinas quanto femininas. “Foi a primeira coisa que vi como cientista que realmente me assustou”, disse John Woodling, de 59 anos, biólogo da Universidade do Colorado, falando para o jornal “Denver Post” em 2005. Eles estudaram os peixes e decidiram que os principais culpados eram os estrogênios e outros hormônios esteróides advindos de pílulas e adesivos anticoncepcionais, excretados pela urina no sistema de esgoto da cidade e derramados então nos rios... Desde essas descobertas, surgiram histórias em toda parte. Cientistas no oeste de Washington descobriram que o estrogênio sintético – um ingrediente comum em pílulas anticoncepcionais – reduzia drasticamente a fertilidade dos machos de uma espécie de trutas... “Vai começar a ficar engraçado”, disse Harden. “Os ambientalistas radicais seriam incapazes de comer um grão de milho caso esse grão tenha entrado em contato com pesticidas. Mas acham ser um direito sagrado e uma obrigação consumir químicos sintéticos que alteram as funções biológicas naturais da mulher, mesmo se essa prática ameaça a inocente vida aquática correnteza abaixo”. (Fonte)


9. Os anticoncepcionais estão sendo responsáveis pelo colapso populacional do ocidente

Como é largamente noticiado na mídia internacional, e mesmo admitido por certos órgãos daquela organização liberal conhecida como Nações Unidas, a maior parte do mundo está passando por um choque demográfico. Com exceção dos Estados Unidos, a maior parte das nações ocidentais – exceto Malta – e boa parte do resto do mundo está optando pela senilidade ao invés da fertilidade.

“E o dado importante sobre os bebês no mundo ocidental é que eles estão se esgotando mais rápido que o petróleo. A taxa de fertilidade de reposição – isto é, o número de filhos que você precisa ter para manter uma população simplesmente estável, sem crescimento nem diminuição – é de 2,1 bebês por mulher. Alguns países estão bem acima disso: a líder mundial em fertilidade, a Somália, tem taxa de 6,91 filhos por mulher; a Nigéria de 6,83; Afeganistão 6,78; Yemen 6,75. Notou o que essas nações têm em comum? Desça para o final da lista dos cem países com maior fertilidade e finalmente você encontrará os Estados Unidos, ficando perto da taxa de reposição com 2,07 nascimentos por mulher. A Irlanda tem 1,87; Nova Zelândia 1,79; Austrália 1,76. Mas a taxa de fertilidade no Canadá desce para 1,5; bem abaixo da taxa de reposição; Alemanha e Áustria têm 1,3, na beira da espiral da morte; Rússia e Itália têm 1,2; a Espanha tem 1,1, cerca de metade da taxa de reposição. Isso quer dizer que a população da Espanha está diminuindo pela metade a cada geração. Em 2050, a população italiana terá diminuído 22%, a da Bulgária 36%, a da Estônia 52%.


Na medida em a fertilidade encolhe, as sociedades vão ficando velhas – o Japão e a maior parte da Europa estão prontos para se tornar mais velhos do que qualquer sociedade que já existiu. E nós sabemos o que vem depois da velhice. Esses países estão sumindo do mapa – a não ser que encontrem a vontade para mudar seus caminhos. Isso é provável? Eu acho que não. (Fonte: “É a demografia, estúpido, a verdadeira razão pela qual o Ocidente está em perigo de extinção” do Wall Street Journal de 4 de janeiro de 2006). Outras reportagens sobre o colapso demográfico estão listadas abaixo. Note as fontes das reportagens do LifeSite. Elas não podem ser consideradas “suspeitas” nem por imaginação.

http://www.lifesite.net/ldn/2005/apr/05041209.html
http://www.lifesite.net/ldn/2006/jan/06013103.html
http://www.lifesite.net/ldn/2006/sep/06092706.html
http://www.lifesite.net/ldn/2006/nov/06110903.html
http://www.lifesite.net/ldn/2005/oct/05102501.html
http://www.lifesite.net/ldn/2006/jul/06070503.html

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Traduzido de: "The Rosarium" (movimento católico canadense)
http://therosarium.ca/reasons.html