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quinta-feira, 30 de março de 2017

Teologia do Corpo 004 - A Solidão Original

"É verdade que Deus nos criou com um propósito?". Os olhos dela pareciam não acreditar muito no que estava ouvindo.

"Sim, minha filha. Deus nos chamou para viver o amor." Respondeu Padre Felício (nome fictício).

"Eu não sei, Padre... Eu sou muito jovem, mas minha vida até aqui tem sido só um monte de confusão e... e..." - Gaguejou, e as palavras não conseguim sair de sua boca. Os olhos de Miriam (nome fictício) começaram a ficar cheios de lágrimas. "Às vezes eu tenho vontade de sumir, de viver na solidão, sabe?", concluiu dizendo as únicas palavras que lhe vinham na mente.

Seu namoro tinha acabado no último final de semana, e por isso tinha pedido ao Padre para conversar, pois estava muito triste. Tinham sido dias difíceis, pois tinha investido muito na relação com o Mateus (nome fictício), apesar dos constantes alertas de seus pais sobre o comportamento do rapaz. 

"Você está se sentindo sozinha, não é verdade?", perguntou o Padre. "Sim, claro, foi terrível principalmente no sábado, quando ele terminou comigo", respondeu ela. "Sentia muita vontade de estar com ele, simplesmente não sei..." As palavras fugiram de novo.



"Minha filha", disse o Padre, "todos nós fomos criados para o amor. O que você deseja é ser amada. Em última instância somente Deus pode preencher esse vazio que está no seu coração. Nessa vida passageira nunca seremos totalmente felizes, pois a felicidade está em Deus. Um dia, quando estivermos no céu, se Deus quiser, iremos nos sentir totalmente saciados, totalmente plenos, totalmente felizes e repletos de amor, pois veremos Deus face a face, e viveremos em comunhão com Ele, que é o próprio Amor. Enquanto isso, na terra, a solidão vai ser um aspecto de nossa existência que sempre vai estar ali. Você acha que pessoas casadas há 10, 20, 30 anos, nunca sentem momentos de solidão? Pois eu digo que sentem sim. Pode ser o casamento mais perfeito do mundo, ainda assim, por mais amor que a pessoa vivencie no relacionamento perfeito, ainda existirá uma dimensão de solidão em seu coração."

Miriam escutava atenta às palavras do Padre, que continuou: "No princípio, quando fez Adão, o primeiro ser humano, Deus lhe apresentou todos os animais para que Adão desse um nome a cada um. No final, Adão reclamou que não tinha conseguido encontrar nenhuma 'auxiliar', nenhuma pessoa que lhe correspondesse. Adão, nesse relato, representa a humanidade, ou seja, todos nós, seres humanos, homens e mulheres. Essa experiência por que passou Adão foi uma experiência de solidão. Veja que interessante, minha filha. Adão estava na presença de Deus, e na presença de todos os seres vivos, e ainda assim se sentiu sozinho. Deus fez Adão passar por essa experiência de solidão antes de criar Eva, e antes colocá-la Eva na presença de Adão. É como se Deus quisesse que Adão experimentasse o desejo de conhecer Eva. Todos nós vivenciamos esse desejo de entrar em contato com outra pessoa igual a nós na natureza. Está tudo no capítulo 2 de Gênesis. Leia quando chegar em casa. Guardamos um 'eco' dessa experiência original. Experimentamos esse desejo de comunhão. Por isso você está tão triste. Por que essa possibilidade de comunhão com esse rapaz se frustrou. Mas não fique triste. Viva na oração, na espera, no discernimento da pessoa que Deus tem preparado para você. Se não deu certo, talvez é porque não era para acontecer mesmo. Mas Deus vai lhe mostrar o caminho"

Miriam escutou com atenção. Trocaram mais algumas idéias, e no final ela saiu mais confortada. Pensou consigo mesmo que iria refletir melhor sobre a solidão, e aproveitar para entrar mais em contato com Deus.

Alguns anos se passaram. A última vez que falei com Padre Felício perguntei sobre aquela jovem. Ele me confidenciou que Miriam, agora adulta, estava noiva, e prestes a casar com um rapaz muito voltado para as coisas de Deus, com toda aprovação dos pais, e sem nenhum problema no namoro. Ela estava muito feliz, e mais madura. Agradeci ao Padre e fiquei feliz pela Miriam. Afinal de contas, se Deus nos fez passar pela solidão, assim como Adão ao nomear os animais, foi para depois nos mostrar a graça da comunhão, assim como fez com Adão ao criar Eva e mandar que os dois se unissem "em uma só carne!

terça-feira, 21 de março de 2017

Teologia do Corpo 002 - Desejo bom e desejo ruim

Amanda (nome fictício) não saberia dizer há quanto tempo vem pensando naquele rapaz. Parece que todas as coisas da sua vida estavam rodando em torno dele. Se desse certo, tudo o mais daria certo. Se não desse em nada, toda sua vida seria em vão.

André (nome fictício) falou comigo ontem pela manhã, estava tenso e preocupado. Não conseguia parar de pensar naquela garota. Achava realmente que era a garota mais bonita que já tinha visto em toda sua vida. Não se achava nem digno dela, mas ao mesmo tempo parece que sua cabeça não conseguia tirar a imagem daquele rosto de seus pensamentos.

Será que alguma vez você já teve algum pensamento parecido com os de Amanda ou de André? Muitas vezes na nossa vida somos tomados pelo desejo de conhecer uma pessoa, de estar com alguém. Mas será que esse desejo não é pecado?

Na Teologia do Corpo um dos pontos fundamentais (e mais difíceis de entender), na minha opinião, é saber diferenciar o desejo santo do desejo malicioso. Às vezes é uma descoberta para alguns saber que existe um desejo santo. Para muitas pessoas, todo desejo é pecaminoso, e a castidade se alcançaria mutilando os pensamentos e desejos. Mas não é assim. 

É compreensível que, em uma sociedade tão sensualizada, tão pervertida, tão cheia de pornografia e luxúria, as pessoas passem a olhar com maus olhos para o desejo. Mas é preciso diferenciar: de que desejo estamos falando?

São João Paulo II comenta que o utilitarismo é o que está por trás do desejo libidinoso. Utilitarismo significa, em termos simples, "utilizar" alguém para seu prazer. Nesse caso, a outra pessoa se torna um mero objeto, que está ali para me dar prazer. Eu só recebo, só usufruo. Não partilho nada.

O contrário disso é o amor-doação. O amor que é entrega de si para a felicidade do outro. Se você tem desejo de estar com aquele rapaz ou aquela garota porque você realmente quer fazer a pessoa feliz, você está no caminho certo. Está no caminho do desejo santo. 

Claro que, se você ama de verdade aquela pessoa, vai querer estar junto dele ou dela por toda a vida, tendo a oportunidade de viver para fazer a outra pessoa feliz. O nome disso é casamento. Claro que casamento envolve sexualidade, filhos, procriação. E sexualidade envolve prazer. Você sabe disso. Mas não está procurando aquele relacionamento com o fim exclusivo de encontrar prazer. Esse prazer vem como um adicional. Um adicional agradável aos sentidos, e bem vindo, é certo. Mas, ainda assim, não é o principal.

Se por acaso meu esposo ou minha esposa sofre uma doença ou um acidente inesperado que desfigura sua beleza física ou deixa a pessoa incapaz de proporcionar prazer, por causa disso vou deixar de amar a pessoa? Se o marido ou a mulher avança na idade e a passagem do tempo não deixa de trazer suas consequências em termos de rugas e de decaimento da beleza corporal, por isso vou amar menos a pessoa?

Por outro lado, quem ama só o corpo da outra pessoa, não ama a pessoa inteira. Enquanto a pessoa está jovem, as coisas se mantêm, com base na pura atração física. Muitos chamam isso de "amor". Vem a idade, e a beleza começa a desaparecer. "Vamos fazer cirurgia plástica", dirão algumas pessoas. Sim, a cirurgia pode até atrasar mais alguns anos as marcas do tempo, mas não existe pessoa imortal. Será que as pessoas realmente precisavam daquela cirurgia? Será que não era medo de não ser realmente amada se deixasse de ser bela?

O amor verdadeiro traz consigo o desejo verdadeiro. Então, da próxima vez que estiver pensando sem parar naquele rapaz, ou naõ estiver conseguindo tirar a imagem daquela garota de sua mente, pare para refletir um pouco. Será que meu desejo é verdadeiro, ou é apenas busca de prazer? Será que eu quero realmente o bem daquela pessoa e estou disposto a sacrificar minha vida pela seua felicidade, ou será que estou apenas tendo uma tentação de usufruir luxuriosamente daquela beleza, daquela companhia?

São perguntas assim que podem ir aos poucos amadurecendo nossa consciência para o que é o verdadeiro amor. Não deixo de pensar que muitos jovens precisam urgentemente parar e refletir sobre muitas coisas relacionadas com o desejo. Não consigo deixar de pensar que o ambiente em que crescemos (escola, amigos, programas de TV, filmes etc) nos educa para o desejo libidinoso. Não educa para o desejo santo, o desejo de amar de verdade, de se doar, de se sacrificar, de estar junto... E também de ter gratificação (prazer etc) por estar com a pessoa? Sim, mas não só por causa disso, e sim principalmente por realmente querer o melhor para ele(a).

Resumindo, o desejo tem que estar ordenado para o bem, para o plano de Deus. Por exemplo, se você tem desejo por uma pessoa casada, com certeza isso não é plano de Deus! Tire esses pensamentos da cabeça! Se você tem desejos que identifica como luxuriosos, pensando somente em prazer e aspectos corporais, cuidado, pois pode ser pecado sim, por não estar ordenado para o bem daquela pessoa, mas somente para sua satisfação sensual. Por outro lado, se o seu desejo te leva a querer conhecer a pessoa, amando-o(a) de verdade cada vez mais, fazendo surgir em você, além da admiração da beleza da pessoa, o desejo de entregar sua vida pela felicidade dele(a), é mais provável que você esteja num caminho melhor.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Psiquiatra: O projeto de educação sexual do Vaticano é a ameça mais perigosa que já vi em 40 anos


Extraído de: https://www.lifesitenews.com/opinion/exclusive-the-new-threat-to-catholic-youth-the-meeting-point



Por: Dr. Rick Fitzgibbons


2 de Setembro de 2016 (LifeSiteNews) – Nos últimos anos, a Igreja tem passado por uma de suas mais graves crises, como resultado do abuso de crianças e jovens por parte de sacerdortes. As principais vítimas são adolescentes do sexo masculino. (1) Esse escândalo de proporções mundiais aconteceu devido ao comportamento permissivo e irresponsável de membros da hierarquia, que cometeram o erro de “flertar” com a homossexualidade, de acordo com a fala de um Bispo, em um programa da EWTN que participei, o qual falava sobre a crise.


Esse escândalo também foi causado por um número não pequeno de diretores espirituais que ignoraram a ciência psicológica, e falaram para os padres os quais dirigiam espiritualmente, e que eram acometidos de atração por pessoa do mesmo sexo, que eles “nasceram daquele jeito”, ao invés de encaminhá-los a profissionais de saúde mental competentes, que teriam evitado o abuso contra muitos jovens.


A fim de restaurar no laicato a confiança e a fé, profundamente abaladas, cabe aos membros da hierarquia e aos padres nunca mais agir como líderes ou pastores permissivos, quando surgirem sérias ameaças ao bem estar moral, intelectual, psicológico e sexual de crianças e adolescentes.


Como psiquiatra, trabalhei extensivamente com crianças e jovens católicos severamente prejudicados psicologicamente pelo divórcio de seus pais (2), muitas vezes possível devido a declarações de nulidade “fáceis” do sacramento matrimonial, em contraponto à justiça, à misericórdia e à ciência psicológica (3), e por epidemias de narcisismo (4), maconha (5), pornografia (6), e comportamento sexual desordenado (7) (usar outras pessoas como objetos pessoais), além da enorme pressão social para ser sexualmente ativo, sofrendo os conflitos psicológicos em seus pais, irmãos, e amigos. (8)


Entretanto, em minha opinião pessoal, a mais grave ameaça à juventude católica que já vi nos últimos 40 anos é o novo programa de educação sexual do Vaticano, “O Ponto de Encontro – Projeto de Educação Afetivo Sexual”.





“O Ponto de Encontro” foi lançado na Jornada Mundial da Juventude, na Polônia, pelo Pontifício Conselho da Família, então sob a direção do Arcebispo Paglia, e que agora está disponível online, gratuitamente, em cinco diferentes linguagens.


A primeira reação ao “Ponto de Encontro” foi forte e altamente crítica. Três líderes internacionais pró-vida e pró-família, que há décadas defendem o ensinamento católico sobre matrimônio, sexualidade e vida, revisaram o programa e o descreveram como “absolutamente imoral”, “inteiramente inapropriado”, e “bastante trágico”. (9)


“O Ponto de Encontro” também tem sido criticado por se desviar de 2 mil anos de ensinamento da Igreja Católica no assunto de moralidade sexual e de formação moral da juventude nessa área tão claramente elucidada e descrita por São João Paulo II na “Carta Magna” da família católica, a encíclica “Familiaris Consortio – A Função da Família Cristã no Mundo de Hoje”.


Consequentemente, criou-se uma petição online para requerer ao Papa Francisco e ao novo diretor do Pontifício Conselho da Família, Bispo Kevin Farrell, no sentido de retirar o mais rápido possível esse programa de “educação sexual”, o qual foi definido como “um pesadelo”. (10)


Em uma cultura onde a juventude é bombardeada por pornografia, fiquei particularmente chocado pelas imagens contidas neste novo programa de educação sexual, algumas das quais são claramente pornográficas. Minha reação profissional imediata é a de que essa abordagem obscena e pornográfica abusa psicologicamente e espiritualmente da juventude.


Foto do Programa "Ponto de Encontro": Um jovem casal posa para foto em frente a um estátua mostrando duas pessoas em atividade sexual, onde a estátua funciona como chave de interpretação para o que está na mente dos jovens

Foto do Programa "Ponto de Encontro": imagem de frutas retratadas como se fossem seios femininos em uma campanha de publicidade. Será que os jovens precisam mesmo desses exemplos explícitos para mostrar que os propagandistas usam material sexual para vender produtos?

Foto do programa "Ponto de Encontro": outro exemplo de propaganda usando imagens sexuais explícitas. Mas por que os adolescentes precisam ser expostos a isso?

Foto do programa "Ponto de Encontro": uma garota (à direita) vestida imodestamente, dançando de maneira provocativa com um homem.

Foto do programa "Ponto de Encontro": o Presidente Obama olhando para as nádegas de uma mulher. Por que os adolescentes precisam ser expostos a isso?


Foto do programa "Ponto de Encontro": uma prostituta

Mais fotos sensuais presentes no programa "Ponto de Encontro"

Foto do programa "Ponto de Encontro": mais um exemplo de propaganda usando imagens sensuais para vender produtos. Esse tipo de material explícito não deveria estar em um programa que alega querer ensinar aos jovens a valorizar as virtudes.
  


Mais uma foto do programa "Ponto de Encontro" com conteúdo sexualmente explícito. Os jovens são indagados nessa atividade: "Qual dos dois casais está tendo uma relação sexual?"


Os jovens também são prejudicados pela ausência de avisos sobre os duradouros perigos de comportamentos promíscuos e do uso de contraceptivos. (11) Enquanto profissional que já tratou tanto de padres abusadores quanto de vítimas da crise de abusos sexuais de padres na Igreja, o que eu achei particularmente perturbador foi o fato de que as imagens pornográficas nesse programa são similares àquelas usadas por predadores sexuais de adolescentes.


A principal pessoa responsável pelo desenvolvimento e lançamento desse programa, Arcebispo Paglia, o antigo chefe do Pontifício Conselho para a Família, deveria ser judicialmente obrigado a passar por uma avaliação de uma junta de profissionais, como descrito no manual de normas “Dallas Charter” (11) referente a situações que colocam jovens em risco. Tal avaliação é particularmente importante, tendo em vista que agora ele foi colocado no cargo de chanceler do Instituto João Paulo II de Estudos sobre a Família, continuando no papel de ensinar sobre sexualidade e matrimônio.


Arcebispo Vincenzo Paglia



O programa “Ponto de Encontro” constitui-se em um abuso sexual de adolescentes católicos a nível mundial, e revela uma ignorância acerca da enorme pressão sexual que recai sobre os jovens hoje em dia, e irá resultar em uma subsequente confusão acerca da aceitação do ensinamento da Igreja por parte dos jovens. O programa representa uma grave crise futura na Igreja, e particularmente para a juventude católica e para as famílias, em proporções muito maiores do que a escandalosa crise de abuso sexual de menores, recentemente reportada pela imprensa de forma tão ampla.

O programa de “educação sexual” do Vaticano deveria ser retirado do ar pelo novo diretor do Pontifício Conselho para a Família, Bispo Kevin Farrell, tão rápido quanto possível, a fim de proteger a saúde dos jovens católicos, e ser substituída por um novo programa seguindo o excepcional ensinamento de São João Paulo II sobre matrimônio, juventude, família, e sexualidade, presente na “Familiaris Consortio – A Função da Família Cristã no Mundo de Hoje”. A Igreja ainda não assimilou completamente a riqueza de insights contida no ensinamento de São João Paulo II. Esse deveria ser o direcionamento do novo Pontifício Conselho para a Família, os Leigos, e a Vida.


As palavras de São João Paulo II pronunciadas no seu encontro com bispos e cardeais norte-americanos sobre a crise na Igreja, em 23 de abril de 2002, são tão atuais hoje quanto foram para os membros da hierarquia, e particularmente verdadeiras para o Vaticano. Ele afirmou: “[As pessoas] devem saber que os Bispos e os Sacerdotes estão completamente comprometidos na plenitude da verdade católica acerca das problemáticas da moral sexual, uma verdade que é tão essencial para a renovação do sacerdócio e do episcopado, como para a renovação do matrimônio e da vida familiar em geral”.


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Dr. Rick Fitzgibbons, MD é o diretor do Institute for Marital Healing (Instituto para a Cura no Matrimônio), perto de Philadelphia, e já atendeu milhares de casais nos últimos 40 anos, incluindo centenas de casais católicos e de jovens. Ele é também Professor Adjunto do Instituto João Paulo II para Estudos sobre o Matrimônio e a Família na Universidade Católica, além de ser membro do International Institute for Forgiveness (Instituto Internacional para o Perdão).


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Notas de Rodapé


(1) Fitzgibbons, R. & O’Leary, D. (2011) Sexual Abuse of Minors by Catholic Clergy, The Linacre Quarterly 78(3) (August 2011): 252–273. [Abuso sexual de menores pelo clero católico].


(2) Fitzgibbons, R. (2016) Forthcoming: “Children of Divorce: Conflicts and Healing” in Margaret McCarthy (ed.), Torn Asunder: Children, the Myth of the Good Divorce and the Recovery of Origins, Grand Rapids: Eerdmans, pp. 51-65. [Crianças do divórcio: conflitos e cura. Em: Crianças, o Mito do Bom Divórcio e a Recuperação das Origens].


(3) Fitzgibbons R.  (2015).  Quick and Easy Annulments Pose Grave Risks to the Family.  Retrieved from https://www.lifesitenews.com/opinion/dr.-rick-fitzgibbons-quick-and-easy-annulme...; Adkins, J. et al. (2015).  Remember our Children.  America, November 12, 2015. [Nulidades matrimoniais fáceis e rápidas colocam em grave risco as famílias]


(4) Twenge, J., & Campbell, W. K. (2009). The narcissism epidemic: Living in the age of entitlement. New York, NY: Aria Books. [A Epidemia Narcisita: vivendo na era dos direitos.]


(5) Fitzgibbons, R. (2016). Retrieved from www.childhealing.com/The Addicted Spouse and Child Healing [O cônjuge com vício e a cura da criança].


(6) Kleponis, P. (2014) Integrity Restored: A Catholic Guide to Pornography.  Steubenville: Emmaus Road, p. 19. [Integridade restaurada: um guia católico com relação à pornografia]


(7) Grossman, M. (2007). Unprotected: A Campus Psychiatrist Reveals How Political Correctness in Her Profession Endangers Every Student. St. Cloud, MN: Sentinel. [Desprotegidos: um psiquiatra da universidade revela como o politicamente correto em sua profissão coloca em perigo todos os estudantes]


(8) Enright, R., & Fitzgibbons, R. (2014). Forgiveness therapy: An empirical guide for resolving anger and restoring hope. Washington, DC: American Psychological Association Books, pp. 171-202. [A terapia do perdão: um guia empírico para aplacar a ira e restaurar a esperança]


(9) Extraído de https://www.lifesitenews.com/news/vatican-surrenders-to-sexual-revolution-with-release-of-sex-ed-program-life.


(10) Petition urges Pope Francis to withdraw ‘nightmare’ Vatican sex-ed program


(11) Fitzgibbons, R. (2015).  Extraído de www.thecatholicthing.org/2015/01/29/contraceptions-cascading-rampage.


(12) O “Dallas Charter” é um conjunto de procedimentos estabelecidos pela Conferência dos Bispos dos Estados Unidos (USCCB) em junho de 2002 a fim de lidar com alegações e casos de abusos sexuais perpetrados por clérigos católicos. Mais informações em: http://www.usccb.org/issues-and-action/child-and-youth-protection/charter.cfm

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Porque estou esperando pelo casamento para ter sexo

Por Maura Byrne | Fundadora de "Made in his image"



Minha caixa de e-mails é inundada diariamente com perguntas de jovens mulheres, dizendo: Meu namorado diz que, se eu realmente o amo, deveria fazer sexo com ele. Se eu não tiver relações sexuais com ele, eu tenho medo que ele vá me deixar. Se eu não der o que ele quer, tenho medo que ele vá me trair. Meu namorado vê pornografia e isso me faz sentir como se eu não fosse o suficiente. Meus amigos me dizem que, se eu realmente o amo, então deveria dormir com ele. Eu só quero me sentir amada e desejada. Estas são apenas algumas das coisas que eu leio diariamente.

A minha esperança é que Deus Pai venha lhe inspirar através deste post para que você possa ver seu enorme valor e a dignidade que você possui como Sua filha, bem como o caráter sagrado do sexo criado para um marido e uma mulher, e que você não se contente com um homem que não lhe conquiste, honre e proteja.

Por que eu estou esperando pelo casamento para viver o sexo:

É uma história verídica. Uma vez um homem me disse que eu era uma puritana porque eu disse que não ia fazer sexo enquanto não me casasse. Adivinha o que eu disse a ele: Até logo. Afinal de contas, ninguém tem tempo para esse tipo de desrespeito. Eu valho mais do que isso. Meu valor é algo que me levou muito tempo para descobrir e eu ainda estou descobrindo. Ninguém aprende tudo na vida, há sempre mais para aprender.

Quer ouvir algo que poderia chocá-la? Deus criou o sexo. Sim, você me ouviu direito. Deus criou o sexo para um marido e uma esposa trazer novas vidas ao mundo e encontrarem prazer no corpo um do outro. Com isto dito, o sexo não deve ser visto de forma superficial. Tem sido fácil ter 27 anos e não ter tido relações sexuais? Não. Eu fui tentada a fazer sexo? Sim. Mas o próprio Cristo foi tentado, mas não pecou. E este é o exemplo que somos chamados a imitar. Claro que somos humanos e vamos cair, mas devemos buscar o perdão de Deus e começar de novo quando isso acontece.

Quando eu ouvi pela primeira vez sobre o plano de Deus para nossa sexualidade fiquei fascinada e procurei saber mais sobre Sua Verdade. Foi então que aprendi sobre o meu valor e como eu mereço um homem que seja digno e que proteja heroicamente a minha pureza (e, claro, vice-versa). Então, só porque eu estou esperando para ter relações sexuais no casamento, não significa que eu não tenha sido tentada. Mas essa é a beleza da castidade, pois a castidade é simplesmente um caminho ordenado para o amor. Deus colocou esse desejo em meu coração para que eu me entregue ao meu futuro marido e eu confio que Ele vai cumprir esse desejo, mas com um homem que faça um compromisso de sua vida toda para mim. Minha sexualidade é um dos maiores dons que eu estou guardando para ele e só ele.

Só vou me entregar ao meu futuro marido, a um homem que possa dizer o seguinte para mim: "Tomei-te em meus braços, e eu te amo, e eu prefiro você à minha própria vida. Porque a vida presente não é nada, e o meu sonho mais ardente é vivê-la com você de tal forma que possamos ter a certeza de não estar separados na vida eterna reservada para nós. Eu coloco o seu amor acima de todas as coisas, e nada seria mais amargo e doloroso para mim do que pensar diferente de você." - São João Crisóstomo, sobre o que um marido deveria dizer à sua noiva

A ferida:

A ferida mais epidêmica do nosso mundo é a orfandade. Toda menina pequena anseia por ser querida pelo seu pai. Ela quer ser desejada. Ela faz as perguntas: Eu te agrado? Tenho valor a ponto de merecer que você lute por mim? Você me quer? Você me vê? Você me valoriza? Eu sou bonita? Eu sou o suficiente? Quando essas perguntas são respondidas através de um pai adequadamente amoroso, que toca, beija e afirma a sua filha, ela não precisa fugir com o primeiro menino que a acha atraente.

Mas quando essas perguntas não são respondidas de forma adequada, ela procura encontrar as respostas por si própria. Quando um pai não dá à sua filha a atenção e o amor que ela almeja, sua necessidade de aceitação masculina é sem fim. Muitas vezes essas questões não respondidas conduzem a distúrbios alimentares, depressão e promiscuidade, para citar alguns problemas.

Meu conselho para você: não procure o amor de seu pai em todos os lugares. Encontre esse amor no Pai do céu.

Nossa Cultura Sexualizada:

Tomemos por exemplo uma modelo da Victoria Secret (n. do t.: famosa marca de lingerie): Sim, as modelos Victoria Secret são fisicamente atraentes e não há nada de errado com a beleza física. Deus criou as mulheres para serem desse jeito, mas a beleza física por si mesma carece de profundidade. Deus criou as mulheres para inspirarem um sentimento de encanto e admiração em um homem. E isso é muito bom, pois este é o desígnio de Deus.

Toda mulher anseia ser vista por mais do que sua beleza física. Porque, vamos ser sinceros, existe mais coisa em uma mulher do que sua aparência. Mas como os homens podem ver nossos corações, se desnudamos primeiro a nossa carne? O corpo da mulher não foi criado para ser ostentado em uma passarela vestindo lingerie. Lingerie é para o marido de uma mulher, não para uma passarela.

Da mesma forma, a revista People pode colocar uma mulher semi-nua na capa de suas revistas e afirmar que ela ganhou o título de mulher mais bonita do ano. Isso não é verdade. A modéstia revela a beleza interior de uma mulher para o mundo ver, preservando o corpo para seu marido no santo sacramento do matrimônio. Nossa cultura perdeu esse sentido do sagrado do corpo humano  e do vínculo conjugal. Normalmente, a noiva e o noivo não veem um ao outro no dia do casamento, então por que eles olhariam para os corpos uns dos outros antes de fazer seus votos?

A ciência por trás do sexo:

A ciência prova que a quebra de um relacionamento sexual é mais difícil do que um relacionamento não-sexual. Quando um homem e uma mulher têm relações sexuais há muitos processos químicos que ocorrem, por exemplo, o cérebro produz dopamina durante o sexo, que é um produto químico extremamente poderoso. A dopamina é responsável pelo prazer interior, e quando um homem e uma mulher têm relações sexuais produzem um vínculo que não é facilmente esquecido.

A oxitocina também é produzida em grandes quantidades, o que é um forte hormônio produzido principalmente em mulheres quando têm relações sexuais, no parto do seu bebê, e quando ela está amamentando. É por isso que o sexo é para a ligação entre marido e mulher, e é por isso que as mães têm uma ligação tão profunda com seu bebê. A oxitocina é também uma das razões pelas quais uma mulher muitas vezes decide ficar com um homem que está abusando dela: porque ela está literalmente ligada a ele.

A substância química que une um homem a uma mulher é a vasopressina, e tem o mesmo efeito que a oxitocina. É por isso que Deus criou o sexo para o casamento, porque literalmente ele une marido e mulher juntos. Pode-se colocar a questão: Bem, eu acho que eu vou me casar com ele ou ela de qualquer modo, então podemos ter sexo, certo? Errado. Quando você tem relações sexuais, está se ligando a seu parceiro(a), e portanto, está interrompendo o processo de discernimento. O sexo vai unir vocês juntos independentemente de qualquer problema, e é por isso que há tantas feridas em nossa sociedade hoje, e uma das razões por que encontros de uma só noite nunca duram. Porque existe uma ligação emocional, mas não existe nenhum compromisso ao longo da vida.

Cura:

Um dos maiores tesouros que o Beato João Paulo II deixou para o mundo são as catequeses da Teologia do Corpo (www.teologiadocorpo.com.br). Nelas, ele fala sobre a pessoa humana, e explica como Deus se manifesta através da humanidade. A Teologia do Corpo investiga o que realmente significa ser um homem e uma mulher, a nossa sexualidade e como devemos viver a nossa masculinidade e feminilidade de acordo com a forma como Deus nos criou. Se ansiamos ser a melhor versão de nós mesmos, então devemos abraçar as qualidades únicas de nosso gênero. Para isso, é preciso voltar ao princípio, quando Deus nos criou. Gênesis 1,27 nos diz que Deus criou o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou.

Deus nos criou por amor, para que possamos amar e ser amados. A maneira com que esse amor se expressa e se revela é diferente para homens e mulheres, pois foi assim que Deus, em Sua infinita sabedoria, dispôs que fosse. E são as características exclusivas de homens e mulheres que permitem que este amor venha a ser concretizado. Nós existimos para complementar um ao outro, o homem como o que ama e conquista, e a mulher como a que recebe o amor. Na Teologia do Corpo, o Beato João Paulo II nos diz que somos chamados a existir como um dom, um presente para o outro. Ele descreve esse dom como um dom sincero de si mesmo, e é só quando nós entregamos a nossa vida para outra pessoa dessa forma que vamos experimentar a plenitude genuína.

A fim de entender o plano de Deus para a humanidade em nosso mundo decaído, devemos voltar ao princípio e ver o que Deus planejou para nós. É somente quando nós fazemos isto que ficamos cheios de esperança e de paz. No início dos tempos, depois que Deus criou o mundo, viu que não era bom que o homem estivesse só, assim, Ele criou a mulher. Eva foi criada como um dom sincero para Adão, e Adão como um dom para ela. Eles foram criados para complementar um ao outro em sua união, cada um a oferecer-se para o outro como um presente.

Nossa sociedade de hoje perdeu de vista esse ideal por excelência, devido ao egoísmo. Nossa cultura está infestada de distorções e inquietações devido a uma mentalidade de "utilitarismo" representado pelos "ficas", "rolos" e encontros íntimos sem compromissos. Nossa cultura vive distorcida, pela falta de castidade, de auto-controle, pela pornografia e uma verdadeira falta de respeito pela dignidade da pessoa humana.

O que fazer:

Deus criou uma mulher para ser de grande encanto e mistério. E quando uma mulher preza sua sexualidade, ela reflete essa beleza e apelo de uma forma única. Meninas, guardem o belo mistério de seus corpos, pois o seu valor é indescritível. Quero carinhosamente incentivá-la a esperar pelo sexo até que você esteja casada, e, se você tiver feito um erro, então vá para a confissão e comece de novo. Deus Pai enviou o seu Filho ao mundo para morrer por você e Ele anseia lavá-la com o Seu amor e misericórdia. O mesmo se aplica para os homens. Não há pecado grande demais que Ele não perdoe. Ele está esperando que você se aproxime dele. Ele se deleita em você.

Nunca caia na imoralidade para atrair um homem. Você vale mais do que isso. De fato, seu valor está além da compreensão humana. Deus criou o universo, e com certeza Ele não se esqueceu do seu futuro. Toda mulher anseia por um homem que vai proteger e cuidar dela. Minha pergunta para você é: você está se conduzindo de tal maneira que atraia um homem virtuoso?

E lembre-se, você vale a pena, vale a pena que esperem por você. Você merece um homem que vai lutar por você. Um homem que vai proteger e cuidar de você. Um homem que realmente vai mantê-la segura, em todos os sentidos da palavra. Espere que um homem lhe honre pelo belo dom que você é. O homem que Deus tem para você não vai pressioná-la a fazer sexo, ele vai esperar pacientemente até sua noite de núpcias, assim vocês poderão se entregar um ao outro como um dom sincero de si.

Se você estiver namorando alguém agora que não se encaixa nessa descrição e que pressiona você - DÊ UM FORA NELE! VOCÊ MERECE ALGUÉM QUE SABE ESPERAR POR VOCÊ E TE HONRAR!

A mulher virtuosa quem a achará? Ela vale muito mais do que rubis. Enganosa é a beleza e passageira a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada. - Provérbios 31

P.S. Você é o suficiente.

(C) "Made in his image" - link original do artigo

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Discurso de João Paulo II aos Sacerdotes Participantes de um Seminário de Estudo sobre a “Procriação Responsável”.

Discurso proferido por S.S. João Paulo II, em 17 de setembro de 1983 Caríssimos

1. Com um espírito alegre vos recebo no final desse importante seminário. Ao direcionar-me a vós com as minhas cordiais saudações, desejo exprimir aos organizadores do "Seminário de Estudo" meu profundo contentamento pela oportuna iniciativa, que buscou refletir sobre um dos pontos essenciais da doutrina cristã sobre o casamento. Durante estes dias, na verdade, estais tentando redescobrir as razões de tudo que Paulo VI ensinou na Encíclica Humanae Vitae, e que eu mesmo reafirmei na exortação apostólica Familiaris Consortio.

O aprofundamento das razões para este ensino é uma das tarefas mais urgentes para qualquer pessoa envolvida no ensino da ética, ou no ministério da família. Não é, de fato, suficiente que esse seja fiel e plenamente proposto, mas cumpre a nós também o compromisso em mostrar quais são as suas razões mais profundas.

Elas são, em primeiro lugar, de natureza ideológica. Na origem de toda a pessoa humana está um ato criativo de Deus: ninguém vem à existência por acaso; todo ser humano é sempre fruto do amor criador de Deus. Dessa verdade fundamental da fé e da razão, segue-se que a capacidade procriativa, inscrita na sexualidade humana, é - na sua verdade mais profunda - a cooperação com o poder criativo de Deus. Daí deriva também que o homem e a mulher não são os árbitros desta mesma capacidade, não são seus donos, chamados como são, nela e através dela, a participar da decisão criadora de Deus. Quando, portanto, através da contracepção, os esposos retiram do exercício de sua sexualidade conjugal sua potencial capacidade procriativa, eles atribuem a si um poder que pertence somente a Deus: o poder de decidir, em última instância, sobre a vinda à existência de uma pessoa humana. Atribuem a si o status de serem não os cooperadores do poder criador de Deus, mas os depositários últimos da origem da vida humana. Nessa perspectiva, deve-se julgar a contracepção, objetivamente, tão profundamente ilícita, que ela não pode nunca, sob nenhuma circunstância, ser justificada. Pensar ou dizer o contrário é acreditar que na vida humana podem ocorrer situações em que seja lícito não reconhecer a Deus como Deus.

2. Há, então, razões de ordem antropológica. O ensinamento da Humanae Vitae e Familiaris Consortio se justifica no contexto da verdade da pessoa humana: é esta verdade que lhe está subjacente.

A conexão inseparável, de que fala a Encíclica, entre o significado unitivo e o significado procriativo, inscrita no ato conjugal, faz-nos compreender que o corpo é uma parte constitutiva do homem, que pertence ao ser da pessoa e não ao que ela tem. No ato que exprime seu amor conjugal, os esposos são chamados a fazer de si mesmos um dom um ao outro (uma doação de si para o outro): nada do que constitui seu ser pessoa pode ser excluído desta doação.

Ouvimos um texto de rara profundidade do Concílio Vaticano II: "Ille autem amor, utpote eminenter humanus, cum a persona in personam voluntatis affectu dirigatur, totius personae bonum complectitur. . . Talis amor, humana simul et divina consorcians, coniuges ad liberum et mutuum sui ipsius donum. . . conducit "(Gaudium et Spes, 49). "A persona in personam": estas palavras tão simples expressam toda a verdade do amor conjugal, o amor inter-pessoal. Um amor todo concentrado sobre a pessoa, centrado no bem da pessoa ("totius personae bonum complectitur"): sobre o bem que é o “ser pessoa”. É esse bem que os cônjuges se doam reciprocamente ("liberum et mutuum sui ipsius donum"). O ato contraceptivo introduz uma limitação substancial dentro deste dom recíproco e exprime uma recusa objetiva de doar ao outro, respectivamente, todo o bem da feminilidade ou da masculinidade. Em uma palavra: a contracepção contradiz a verdade do amor conjugal.

3. Não podemos ignorar as dificuldades que o casal encontra para ser fiel à lei de Deus, e essas dificuldades foram o assunto de vossa reflexão. É necessário que façamos o que é possível, para que os cônjuges sejam ajudados de forma adequada.

É necessário, antes de tudo, evitar a "gradualidade" da lei de Deus, “adequando-a” à medida das várias várias situações em que os cônjuges se encontram. A lei moral nos revela o plano de Deus para o casamento, o bem inteiro do amor conjugal: querer reduzir esse projeto é uma falta de respeito pela dignidade humana. A lei de Deus expressa as exigências da verdade da pessoa humana; aquela ordem da divina sabedoria "quem si tenuerimus in hac vita", como diz Santo Agostinho, "perducet ad Deum, et quem nisi tenuerimus in vita, non perveniemus ad Deum" (Santo Agostinho, De Ordine 1, 9, 27: CSEL 63, 139).

Pode-se, com efeito, perguntar-se se a confusão entre "gradualidade da lei" e a "lei da gradualidade" não tem sua explicação em uma baixa estima pela lei de Deus. Acredita-se que essa lei não seria adequada para todas as pessoas, para todas as situações, e, portanto, deseja-se substituí-la por uma ordem diferente da divina.

4. Há uma verdade central na ética cristã, que neste momento deve ser resgatada. Nós lemos há poucos dias na Liturgia das Horas da festa da Natividade de Maria: "A lei foi vivificada pela graça e foi posta a seu serviço em uma composição harmônica e fecunda. Cada um dos dois elementos, a lei e a graça, preservou suas características, sem alteração ou confusão. No entanto, a lei, que antes constituía um pesado fardo e uma tirania, tornou-se, pelo poder de Deus, peso leve e uma fonte de liberdade." (Santo André de Creta, Sermo I: PG 97, 806).

O Espírito Santo, dado aos fiéis, escreve em nossos corações a lei de Deus, de modo que ela não é apenas expressa para o exterior, mas também e acima de tudo é doada para o interior. Persistir em crer que haveria situações em que seria de fato impossível para os cônjuges ser fiéis a todas as exigências da verdade do amor conjugal equivale a esquecer aquele acontecimento de graça que caracteriza a nova aliança: a graça do Espírito Santo torna possível tudo aquilo que não é possível aos seres humanos quando estes restam abandonados às suas próprias forças. É necessário, portanto, sustentar o casal em sua vida espiritual, convidá-los a um recurso frequente aos sacramentos da Confissão e da Eucaristia, para um retorno contínuo, uma conversão permanente para a verdade do seu amor conjugal.

Todos os batizados, por isso mesmo também os esposos, são chamados à santidade, como ensinado pelo Concílio Vaticano II (cf. Lumen Gentium, 39): "In variis vitae generibus et officiis una sanctitas excolitur ab omnibus, qui a Spiritu Sancto aguntur, atque voci Patris oboedientes Deumque Patrem in spiritu et veritate adorantes, Christum pauperem, humilem, et crucem baiulantem sequuntur, ut gloriae eius mereantur esse consortes" (ibid., 41). Todos, incluindo os cônjuges, são chamados à santidade, e é uma vocação, isto, que também pode exigir heroísmo. Isso não deve ser esquecido.

Caríssimos, a reflexão que concluís neste dia deve ser continuada e continuamente aprofundada, para se ter uma visão sempre mais adequada da verdade do amor conjugal, que constitui o patrimônio mais valioso do matrimônio. Empenhai-vos generosamente nesse esforço. Acompanhe-vos em vosso trabalho a bênção apostólica, que vos concedo de coração.

© Copyright 1983 - Libreria Editrice Vaticana

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1983/september/documents/hf_jp-ii_spe_19830917_procreazione-responsabile_it.html

sábado, 31 de março de 2012

Amor e Responsabilidade: a lei do dom – compreendendo os dois aspectos do amor

Por Edward P. Sri

Como uma pessoa pode saber se está em um relacionamento de amor autêntico e comprometido, ou se está apenas em mais um romance desapontador que não vai resistir ao teste do tempo?
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Esse é o assunto sobre o qual João Paulo II – então Karol Wojtyla – se debruça na próxima seção de seu livro, “Amor e Responsabilidade”, quando ele discute os dois aspectos do amor.

De acordo com Wojtyla, existem dois aspectos do amor, e compreender a diferença é crucial para qualquer casamento, noivado ou namoro. Por um lado, temos o que está acontecendo dentro de nós quando nos sentimos atraídos por uma pessoa do sexo oposto.

Quando um rapaz encontra uma garota, ele experimenta uma série de sentimentos e desejos poderosos em seu coração. Ele pode se encontrar fisicamente atraído pela beleza do corpo dela, ou se perceber pensando constantemente nela em uma atração emocional. Essa dinâmica interior do desejo sensual (sensualidade) e do amor emocional (sentimentalidade) molda em grande parte a maneira com que o homem e a mulher interagem um com o outro, e é isso que faz o romance, especialmente em seus estágios iniciais, ser tão emocionante para o casal envolvido.

Entretanto, esse é apenas um aspecto do amor, que não deve ser igualado ao amor no sentido mais pleno. Nós sabemos da experiência que podemos ter fortes emoções e desejos por outra pessoa sem necessariamente estar comprometido com ela, ou sem a pessoa estar verdadeiramente comprometida conosco em uma relação de amor.

É por isso que Wojtyla coloca o aspecto subjetivo do amor em seu devido lugar. Ele nos desperta e nos lembra que, não importa o quão forte experimentemos essas sensações, isso não é necessariamente amor, mas simplesmente uma “situação psicológica”. Em outras palavras, por si só, o aspecto subjetivo do amor nada mais é do que uma experiência prazerosa que está acontecendo dentro de mim.

Essas emoções e desejos não são ruins, e podem se desenvolver dentro do amor, e até enriquecê-lo, mas não devemos vê-los como sinais infalíveis do amor autêntico. Wojtyla diz: “É impossível julgar o valor de um relacionamento entre duas pessoas meramente a partir da intensidade de suas emoções... O amor se desenvolve com base em uma atitude totalmente comprometida e totalmente responsável de uma pessoa para outra pessoa”; enquanto que ao mesmo tempo os sentimentos românticos “nascem espontaneamente das reações sensuais e emocionais. Um crescimento muito rápido e muito rico de tais sensações pode esconder um amor que falhou em se desenvolver” (Amor e Responsabilidade).

Direcionando o amor para as reações interiores

Os homens e as mulheres hoje são bastante suscetíveis a cair nessa ilusão de amor, pois o mundo moderno direcionou o amor para as reações interiores, focando-se primariamente no aspecto subjetivo. No último artigo, escrevi sobre o fenômeno do “amor hollywoodiano”, que nos diz que o amor será mais forte quanto mais forte forem nossas emoções. Wojtyla, entretanto, enfatiza que há uma outra faceta do amor que é absolutamente essencial, não importando quão fortes sejam nossas emoções e desejos. A esse aspecto ele chamou de “objetivo”.

Esse aspecto tem uma série de características objetivas que vão além dos sentimentos prazerosos que experimento no nível subjetivo. O verdadeiro amor envolve virtude, amizade, e a busca de um bem comum. No casamento cristão, por exemplo, marido e mulher se unem pelo bem comum de ajudarem um ao outro a crescer em santidade, aprofundar a união, e educar os filhos. Além disso, eles devem não apenas compartilhar esse objetivo em comum, mas possuir a virtude que os ajude a chegar lá.

É por isso que o aspecto objetivo do amor é muito mais do que um olhar interior para minhas emoções e desejos. É muito mais do que os prazeres que recebo da relação. Ao considerar o aspecto objetivo do amor, devemos discernir que tipo de relacionamento existe realmente entre eu e a pessoa que amo, e não simplesmente o que esse relacionamento significa para mim em meus sentimentos. A outra pessoa me ama mais pelo que sou ou me ama mais pelo prazer que recebe da relação? Meu(minha) amado(a) compreende o que é verdadeiramente melhor para mim? Ele(ela) tem a virtude para me ajudar a chegar ao que é melhor para mim? Estamos profundamente unidos por um objetivo comum, servindo um ao outro e lutando juntos por um bem comum que é maior do que cada um de nós? Ou estamos na verdade apenas vivendo lado a lado, compartilhando recursos e ocasiões agradáveis enquanto cada um persegue egoisticamente seus próprios projetos e interesses na vida? Esse são os tipos de questões que apontam para o aspecto objetivo do amor.

Agora podemos ver porque Wojtyla diz que o verdadeiro amor é “um fato interpessoal”, não simplesmente uma “situação psicológica”. Um relacionamento forte está baseado na virtude e na amizade, não simplesmente em experimentar juntos sentimentos agradáveis e situações prazerosas. Como explica Wojtyla, “o amor enquanto experiência deve estar subordinado ao amor enquanto virtude – de tal modo que sem o amor enquanto virtude não pode haver plenitude na experiência do amor” (Amor e Responsabilidade).

Amor doação de si

Uma das marcas mais distintivas do aspecto objetivo do amor é o dom de si mesmo. Wojtyla ensina que o que faz o amor comprometido diferente de todas as outras formas de amor (atração, desejo, amizade) é que as duas pessoas “se doam” uma para a outra. As pessoas não estão apenas atraídas uma pela outra, e elas não desejam simplesmente o que é melhor para a outra. No amor comprometido, cada pessoa se rende completamente à outra pessoa. “Quando o amor comprometido entra nessa relação interpessoal surge algo mais do que uma simples amizade: surgem duas pessoas que se entregam uma para a outra” (Amor e Responsabilidade).

De fato a idéia de amor auto-doação levanta alguns questionamentos importantes: como pode uma pessoa realmente se doar a outra? O que isso significa? Afinal de contas o próprio Wojtyla ensina que cada pessoa humana é completamente única. Cada pessoa tem sua própria mentalidade e sua vontade própria. No final, ninguém pode pensar por mim. Ninguém pode escolher por mim. Portanto, cada pessoa “é seu próprio mestre”, e não está disponível a ser entregue a outra pessoa. Então, em que sentido uma pessoa pode “se doar” a(o) seu(sua) amado(a)?

Wojtyla responde dizendo que é impossível para uma pessoa se doar a outra no nível natural e físico, mas na ordem do amor uma pessoa pode fazê-lo ao escolher limitar sua liberdade e unir sua vontade à da pessoa que ama. Em outras palavras, por causa do seu amor, uma pessoa pode na verdade desejar abdicar de seu próprio livre-arbítrio e ligá-lo ao da pessoa amada. Como Wojtyla diz, o amor “faz com que a pessoa queira exatamente isto – render-se ao(a) outro(a), à pessoa amada”.

A liberdade de amar

Por exemplo, considere o que acontece quando um homem solteiro se torna casado. Como solteiro, “Roberto” é capaz de decidir o que deseja fazer, quando deseja fazer, e como deseja fazer. Ele faz sua própria agenda. Ele decide onde vai viver. Ele pode se demitir de um emprego e se mudar para outra parte do país em um instante, se quiser. Ele pode deixar o apartamento uma bagunça. Ele pode gastar seu dinheiro do modo como quiser. E ele pode comer quando quiser, sair para onde quiser, e ir dormir quando quiser. Ele está acostumado a tomar sozinho as decisões de sua vida.

O casamento, entretanto, vai mudar de modo significativo a vida de “Roberto”. Se ele decide por conta própria se demitir do emprego, comprar um carro novo, viajar no final de semana, ou vender a casa, isso provavelmente não vai se encaixar muito bem com a vida da sua esposa! Agora que “Roberto” está casado, todas as decisões que ele estava acostumado a tomar por conta própria devem ser tomadas em união com sua esposa, e procurando o que for melhor para seu casamento e para sua família.

No amor de doação de si, um homem reconhece de modo profundo que sua vida já não é mais propriedade sua. Ele rendeu sua própria vontade à sua amada. Seus próprios planos, sonhos e gostos não estão completamente abandonados, mas agora eles são colocados em nova perspectiva. Eles estão subordinados ao bem de sua esposa e dos filhos que possam surgir do casamento. Como “Roberto” vai gastar seu tempo e seu dinheiro e como ele vai organizar sua vida já não é matéria de sua própria escolha pessoal. Sua família se torna o ponto de referência primário para tudo que ele for fazer.

Essa é a beleza do amor doação de si. Como solteiro “Roberto” tinha grande autonomia – ele podia organizar sua vida como quisesse. Mas, por causa de seu amor, “Roberto” escolheu livremente abdicar dessa autonomia, limitar sua liberdade, comprometendo-se com sua esposa e com o bem dela. O amor é tão poderoso que o impele a desejar render sua vontade à sua amada desse modo profundo.

Realmente muitos casamentos hoje em dia seriam muito mais sólidos se ao menos compreendêssemos e nos lembrássemos do amor de doação a que originalmente nos comprometemos. Ao invés de perseguir egoisticamente nossas próprias preferências e desejos, devemos nos lembrar que quando fizemos nossos votos escolhemos livremente render – amorosamente desejamos render – nossas vontades ao bem do(a) nosso(a) esposo(a) e dos filhos. Como Wojtyla explica: “A forma de amor mais plena consiste precisamente na auto-doação, em fazer do inalienável e intransferível ‘eu’ uma propriedade de outra pessoa” (Amor e Responsabilidade).

A lei do dom

Agora chegamos ao grande mistério do amor doação de si. No coração desse dom de si está uma convicção fundamental de que, ao render minha autonomia à pessoa amada, eu ganho muito mais em troca. Ao unir-me com outra pessoa, minha própria vida não fica diminuída, mas é profundamente enriquecida. Isso é o que Wojtyla chama de “lei do ekstasis”, ou lei da auto-doação: “O amante ‘sai de si mesmo’ para encontrar um existência mais plena no(a) outro(a)” (Amor e Responsabilidade).

Em uma época de vigoroso individualismo, entretanto, essa profunda afirmação de Wojtyla pode ser difícil de compreender. Por que devo sair de mim mesmo para encontrar a felicidade? Por que eu deveria me comprometer desse modo radical com outra pessoa? Por que deveria abdicar da liberdade de fazer o que quisesse com minha vida? Essas são as questões do homem moderno.

Entretanto, de uma perspectiva cristã, a vida não é para “fazer o que eu quiser”. A vida é para meus relacionamentos – é para encontrar a plenitude de meu relacionamento com Deus e com as pessoas que Deus colocou na minha vida. Na verdade, é aí que encontramos plenitude na vida: em viver bem nossos relacionamentos. Mas para viver bem nossos relacionamentos precisamos muitas vezes fazer sacrifícios, rendendo nossa vontade própria para servir ao bem dos outros. É por isso que descobrimos uma felicidade mais profunda na vida quando nos doamos desse modo, pois estamos vivendo do modo como Deus nos criou para viver, do modo como o próprio Deus vive: em um amor total, comprometido e de auto-doação. Como diz uma das passagens favoritas de Wojtyla retirada do Vaticano II: “O homem só se encontra ao fazer de si mesmo um dom sincero para os outros” (Gaudium et spes nr. 24).

Essa afirmação do Vaticano II se aplica especialmente ao matrimônio, onde o amor de auto-doação entre duas pessoas humanas se mostra mais profundamente. Ao me comprometer com outra pessoa em uma relação de amor verdadeiro eu certamente limito minha liberdade de fazer “o que quiser”. Mas ao mesmo tempo eu me abro para uma liberdade ainda maior: a liberdade de amar. Como explica Wojtyla: “O amor consiste em um compromisso que limita a liberdade da pessoa – é uma doação de si, e doar-se a si mesmo significa exatamente isso: limitar a própria liberdade em prol do(a) outro(a). A limitação da liberdade da pessoa pode parecer algo negativo e desagradável, mas o amor faz dessa limitação uma coisa positiva, criativa e cheia de alegria. A liberdade existe para que se possa amar” (Amor e Responsabilidade).

Portanto, enquanto o individualista moderno pode ver a auto-doação no matrimônio como algo negativo e restritivo, os cristãos veem tais limitações como libertadoras. O que eu realmente desejo fazer na vida é amar a Deus, minha esposa e meus filhos, e meu próximo – pois nesses relacionamentos encontro minha felicidade. E se eu existo para amar minha mulher e meus filhos e para viver totalmente comprometido a eles, eu devo evitar que meus desejos egoístas dominem minha vida e controlem minha casa. Em outras palavras, eu devo estar livre da tirania do “faço o que eu quero”. Só então é que sou livre para amar do modo como Deus me criou. Só então é que sou livre para ser feliz. Só então é que sou livre para amar.
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O Autor: Edward Sri é professor assistente de Teologia do Benedictine College em Atchinson, Kansas, Estados Unidos, e autor de vários livros de Teologia e espiritualidade.
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Traduzido de: http://catholiceducation.org/articles/marriage/mf0072.html

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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"Treinando" para o casamento

Por Crystalina Evert

Quando eu era do colegio, me lembro que um dia fui para a casa de uma colega, e vi sua mãe e seu pai. Eu me lembro de perguntar para ela: "Você não acha estranho ter seu pai sempre em casa?" Ela simplesmente me olhou meio confusa e falou: "Hm... não, não acho".

Meus pais se separaram quando eu tinha dois anos. Dos meus seis tios e tias, cinco eram divorciados, e a maioria das minhas amigas viviam em lares onde só havia a mãe, algumas vezes só o pai. Aos meus olhos, não acreditava que as relações pudessem durar. Então, quando comecei a namorar, não tinha a menor idéia do que seria um relacionamento saudável.

O drama dos meus relacionamentos geralmente seguiam um roteiro: eu paquerava, me "apaixonava", e depois as coisas ficavam muito "quentes" fisicamente. Seguia-se o desrespeito, abuso, infidelidade, sarcasmo, e desonestidade. Daí então a gente terminava (geralmente várias vezes), e depois repetia o processo todo com outra pessoa. Eu sei que parece meio depressivo, mas era minha realidade, já que todas as minhas amigas estavam na mesma situação.

Depois de alguns anos vivendo assim, você pode imaginar que eu não tinha lá muita vontade de me casar. Na verdade, eu debochava das pessoas que viam o casamento como um objetivo na vida. Eu pensava: "Meu Deus, como são ingênuas essas pessoas! Elas estão apenas caminhando para a frustração!" Eu nunca desejei passar por um divórcio, e eu sabia exatamente como evitá-lo: não me casando nunca.

Mas, finalmente, me veio um pensamento. Se ninguém quer um divórcio, porque todo mundo vive como se estivesse treinando para ter um? Ao invés de treinarmos para a fidelidade, tínhamos essa mentalidade: "Se te dá vontade, vai lá e faz!" Ao invés de ensinar as outras pessoas a nos respeitar, deixávamos as pessoas nos usarem. Mas será que esses hábitos vão levar um casamento a ser duradouro? Com certeza não, pois tudo depende de mim.

Eu não mudei meu jeito de ser da noite para o dia, porque eu não sabia sequer como deveria ser tratada. Eu tinha recaídas de tempos em tempos, mas sempre pensava comigo mesma: "Se eu quero dar aos meus filhos a família que eu nunca tive, então tenho que parar de agir como vítima". É muito fácil desistir, entrar em desespero, e admitir a derrota, do mesmo jeito que é fácil se divorciar.

O que não é fácil é se fazer vulnerável, praticar o auto-controle, ficar longe de relacionamentos sem futuro, e ter a coragem de manter firme a esperança de que o verdadeiro amor existe. Mas parece que as únicas pessoas que encontram o verdadeiro amor são exatamente as pessoas que fazem isso. A idéia de se tornar um marido ou uma esposa pode parecer algo distante para você, mas as virtudes ou vícios que você pratica hoje irão moldar quem você irá se tornar, e a maneira com que você vai se permitir ser tratada no futuro.

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Trecho do livro "Theology of the body for teens", p. 129

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Casamento requer preparação

Por Mieczyslaw Guzewicz

A maior parte do grande número de crises no casamento e de divórcios que ocorre nos dias de hoje é o resultado da falta de uma adequada preparação para a vida adulta a dois. Para remediar essa situação, devemos primeiramente tirar de nossa mente qualquer outro arranjo entre pessoas que não seja o matrimônio.

Comecemos a refletir sobre esse assunto à luz do que nos diz o livro de Gênesis. Encontramos ali um plano prontamente acessível para construir um casamento feliz: “Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne” (Gen 2, 24).




Esse versículo contém algumas condições que devem ser cumpridas para um casamento; e essas condições devem ser cumpridas antes mesmo do casal por o pé na Igreja. Temos aqui requisitos específicos para construir uma união duradoura, e que devem ser realizados antes de dar início à vida matrimonial. A despreocupação em realizar essas condições preliminares é uma das principais causas do número crescente de casamentos fracassados que nos assola hoje em dia.

A sequência correta

O primeiro princípio contido no verso bíblico é uma clara sequência de passos:
1. Deixar
2. Unir-se
3. Tornar-se uma só carne

A própria ordem desses estágios testifica o gênio do autor inspirado. Já há milhares de anos atrás, um homem deixou escrito em uma curta sentença uma verdade lógica que permanece até hoje. Uma união bem sucedida entre um homem e uma mulher deve ser construída nessa ordem: primeiro o casal deve deixar seus pais, então eles devem entrar no matrimônio (formalmente, e não apenas vivendo juntos, mas seguindo um procedimento estabelecido), e só então é que podem formar uma completa união espiritual e corporal. A união corporal é o complemento e realização total da união espiritual. Por si mesma, a união corporal não é completa, mas a espiritual ou afetiva também não é completa por si só (nem mesmo quando devidamente abençoada) enquanto não for “consumada” na carne. Vamos agora refletir um pouco na sequência relatada, pois o sucesso do matrimônio depende da observação da sequência correta.

Hoje em dia vemos a prática comum de inverter a ordem e ignorar os requisitos de cada estágio sucessivo. É muito comum os jovens primeiro “consumarem” o casamento (terem relação sexual mesmo antes de ser um casamento), usufruindo dos prazeres do corpo e criando “uma só carne” – mas apenas em um sentido corporal, que trivializa e degrada o valor da verdadeira união. Só depois começam a pensar onde vão morar, muitas vezes sem condições de cuidar de si mesmos – se não financeiramente, pelo menos profissionalmente. O casal não vai resolver o problema indo morar com os seus pais. Desse modo, eles não só invertem a ordem dos estágios, como também deixam de cumprir os requisitos de cada estágio. O que temos, então, é um dramático paradoxo, que traz a destruição do casamento antes mesmo dele começar.

O texto bíblico nos fala claramente que observar a sequência correta é uma condição básica para ter um casamento duradouro. Igualmente importante é o cumprimento dos requisitos de cada estágio separado.

1. Deixar

Deixar os próprios pais é uma condição para um casamento feliz. Assim como uma criança não pode se desenvolver plenamente sem deixar o útero da mãe e cortar ter o seu cordão umbilical cortado, do mesmo modo um casamento não pode se desenvolver plenamente sem que o casal deixe seus pais. Embora deixar o pai e a mãe normalmente seja um acontecimento acompanhado de um certo grau de sofrimento e dor, é uma dor necessária, que deve ser superada, pelo bem do casamento.

O versículo do livro do Gênesis faz uma referência específica ao homem, mas é óbvio que isso se aplica tanto ao homem quanto à mulher. A circunstância tem mais a ver com o fato de que, em todas as culturas e tradições, sempre tem sido o homem aquele que leva a responsabilidade de construir um novo lar e levar sua noiva para esse novo lar.

A fim de realizar esse primeiro estágio, o casal deve adquirir independência profissional. Eles devem adquirir uma condição que procure garantir um emprego capaz de sustentar a eles e à nova família. Depois eles devem ganhar um certo grau de independência financeira, que permitirá a mudança, da casa dos pais para a nova casa. Essa mudança é absolutamente necessária. É a maneira visível, exterior, através da qual o casal deixa seus pais, se separa deles, e adquirem um senso de independência e liberdade para agir por si mesmos. Igualmente importante nesse primeiro estágio é ganhar a independência emocional e psicológica necessária para viver sem ter que ser “levado pela mão”. Isso envolve a aquisição de habilidades básicas de vida, como cuidar da própria saúde e se responsabilizar sozinho por formalidades legais. Também tem a ver com esse estágio: ser capaz de assumir responsabilidade por si e pelas próprias ações; prontidão em assumir responsabilidade pelos outros – pela esposa ou marido e pelos futuros filhos; prontidão em se sacrificar pelos outros e aceitar o sofrimento; e, finalmente, conhecimento dos princípios morais básicos, os dez Mandamentos e o Catecismo, incluindo o significado sacramental do matrimônio.

É muito comum os pais dificultarem esses passos na vida dos filhos. Agindo assim, eles fragilizam psicologicamente seus filhos, fazendo-os dependentes financeiramente e psicologicamente dos pais. Em alguns casos, chegam a construir grandes casas, com planos de ter os filhos casados morando com eles. Esse é um sério engano, que ocasiona grande prejuízo para os filhos. Deixar a casa para estudar em outra cidade contribui muito para um jovem se tornar independente em muitos níveis. O serviço militar também pode ser de ajuda para amadurecer uma pessoa. No passado, era mais fácil cumprir esse estágio na vida antes do casamento. As pessoas amadureciam psicologicamente mais rápido do que hoje. Situações extremas, como guerras, aceleravam a entrada dos jovens no mundo dos adultos. Havia também uma outra compreensão do papel dos pais, do homem e da mulher na sociedade. Sob as condições atuais, em que a maturidade emocional e psicológica e um senso de responsabilidade por si e pelos outros chega muito depois da maturidade física, sair um pouco de casa, mesmo pagando o preço de atrasar um casamento, pode ser uma condição necessária para se construir uma união duradoura.

Mudar-se para outro lar não significa cortar relações com os pais, nem significa a negação da obrigação que os filhos têm para com relação aos pais, particularmente quando eles alcançam uma idade mais avançada. O que uma mudança para um novo lar faz é criar um nível inicial de conforto para ambos os lados, e facilitar o desenvolvimento de respeito mútuo. É mais fácil respeitar o outro à distância, quando um lado não está dependente de outro. Viver junto com os pais pode ter suas vantagens, mas elas são superadas em muito pelas desvantagens. Nessa situação de morar com os pais, pode acontecer um estado de grande tensão e estresse. Em situações nas quais isso não pode ser evitado, é necessária uma grande dose de tolerância e de compreensão de ambas as partes. Mas um arranjo assim deve sempre ser considerado temporário e transitório, tendo sempre em mente a necessidade de ter sua vida independente.

Portanto, a casa, o lar do casal, é essencial para a formação de um casamento duradouro, e para a obtenção do grau mais alto de humanização. “Somente realizando uma ruptura com essa realidade inicial, e sendo capaz de confiar a própria vida a outra pessoa, é que revelamos aquela qualidade específica através da qual podemos ser vistos como imagem e semelhança de Deus” (Z. Kiernikowski, Two in One Body in Christ).

O cumprimento interior e exterior do primeiro estágio (deixar os pais) também significa o reconhecimento de que, de agora em diante, a esposa ou o marido é a pessoa mais importante de nossa vida. Deixar nossos pais significa que amadurecemos ao ponto de compreender que, embora os pais continuem sendo importantes para nós, eles já não são mais tão importantes como eram antes de sairmos de casa. Nós passamos a reconhecer que a pessoa de maior importância para nós agora é o marido ou esposa. Depois dele ou dela, vem o fruto de nossa união – nossos filhos – e só depois nossos pais, parentes, amigos etc. Os pais também devem aceitar essa realidade, e não esperar que seus filhos casados os tratem como mais importantes que o marido ou esposa.

Deixar os pais também significa ter e ser capaz de se confiar nas mãos de outra pessoa. Isso envolve um grande risco. Quando deixamos nossos pais e rompemos nossa dependência para com eles, damos um corajoso passo. Nós nos lançamos nos braços de alguém com quem não guardamos laços de sangue. Esse ato de confiança ao marido ou esposa é algo de diferente comparado com o relacionamento anterior com os pais. Com eles, fomos, acima de tudo, recebedores de bens e de cuidados solícitos. Nossos pais nos serviam devotamente. Agora, assumimos o papel de provedores de bens e de cuidado para os outros. Isso significa uma transição, de uma posição na qual somos servidos, para uma posição na qual servimos. Deixar a casa dos pais é, portanto, uma transição para um nível de valores muito mais alto. Esse passo é um passo extraordinariamente difícil, arriscado, e, de fato, impossível de se atingir completamente. Porém, na dimensão nova, na qual Cristo é a realização plena, esse ideal se torna possível, principalmente através da Eucaristia, que é o meio pelo qual o humanamente impossível se torna possível.

Talvez esse estágio, mais do que qualquer outro, necessite que ambos os lados, os filhos que estão deixando a casa, e os pais que precisam aceitar essa partida, possam basear suas decisões humanas no poder da Graça Divina.

(a ser continuado)
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Traduzido e adaptado de: http://www.loveoneanothermagazine.org/nr/true_love_waits_pure/marriage_requires_preparation.html
Revista católica “Love One Another”, da Sociedade de Cristo, Padres poloneses

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O amor conquista tudo

Dave era um garoto normal do Texas, que fazia o ensino médio, e gostava de mexer em carros. Ele tinha uma boa família cristã e cresceu aprendendo a ser fiel a Deus, à família e ao país. A garota que ele gostava na escola, Brenda, achava que ele era um pouco exagerado, quando um dia ele falou para ela no corredor do colégio que a amava. Ela deu um tapa na cara dele, pedindo para nunca mais repetir aquilo, a não ser que fosse de verdade.

Alguns anos depois, depois de ter passado mais tempo com ela – namorando com pureza, e mostrando que ele realmente se importava – Dave pediu Brenda em casamento. Ela disse sim, e pouco depois, estavam casados. Então, um dia chegou uma carta: Dave tinha sido chamado para servir no exército durante a guerra do Vietnam. Como não queria descumprir a ordem, e também não queria morrer, Dave escolheu a Marinha, imaginando que isso lhe traria mais segurança, por estar na água, ao invés de se meter em combate na selva. Logo ele descobriu que tinha sido selecionado para servir em uma unidade especial da Marinha, atuante em rios. Depois de um treinamento rigoroso de patrulhamento de rio, Dave teve uma folga de 10 dias para ir para casa. Ele aproveitou o tempo com Brenda, e no dia da partida para o Vietnam ele beijou Brenda e prometeu: “Bebê, eu vou voltar sem nenhuma cicatriz”. Mal sabia que a palavra “cicatriz” teria um novo significado para ele.

Ele voou para o Vietnam, onde serviu na linha de frente contra os vietcongues. Nos oito meses que se seguiram, Dave manteve sua fé. Ele foi treinado para se manter fiel aos homens com que servia, e a sua mulher, Brenda. Enquanto muitos outros soldados cediam e se entregavam a aventuras com drogas, pornografia, ou prostitutas, Dave manteve-se firme em seus votos. Ele estava apaixonado, e guardava todas as premiações para dar de presente a Brenda – dinheiro que ele guardava para ela, ao invés de gastar em atos frívolos de auto satisfação.

Faltando apenas uma semana para receber uma viagem paga ao Havaí para aproveitar com Brenda cinco dias de uma segunda lua de mel, durante um intenso tiroteio em 25 de julho de 1969, com os vietcongues bem próximos, a unidade de Dave sofreu uma emboscada. Seus colegas sobreviveram ao ataque, mas alguma coisa (uma bala ou um estilhaço) deixou uma pequena marca em sua bochecha. Dave tirou o pedaço de metal sem dificuldade, e agradeceu por estar vivo. Mas essa era uma pequena cicatriz. Seria o próximo dia que mudaria sua vida para sempre.

Era 26 de julho de 1969, perto da fronteira com o Camboja, quando a unidade de Dave subiu o rio para fazer o patrulhamento da mesma área onde tinha ocorrido o intenso combate do dia anterior. Enquanto o barco deslizava suavemente, tudo estava quieto. Dave sentiu que algo estava errado. Ele se abaixou e apanhou uma granada, puxou o pino, e preparou-se para atirá-la, pretendendo criar uma cortina de fumaça para encobrir seu barco.

Mas uma luz piscou como em um flash, e o mundo pareceu explodir. Um combatente tinha atirado em Dave, atingindo sua mão, e a granada, que estava apenas a centímetros de sua face. Ela explodiu.


Em um instante, o corpo de Dave estava pegando fogo; o lado direito de sua face estava destruído. Ele pulou na água e nadou até a margem, onde desmaiou, ainda em chamas. Ele foi resgatado por um helicóptero, e o médico chegou a pensar que ele estava morto. Mas ele resistiu, e foi levado até o Japão, e depois de um tempo de recuperação, foi mandado de volta a San Antonio, Texas.

O soldado na cama ao lado estava sem pele, queimado da cabeça aos pés. Dave ouviu a mulher dele chegar, e jogar a aliança aos pés dele. Ela disse que nunca mais poderia andar com ele na rua. E saiu. Enquanto Dave esperava por Brenda, ele temia o pior. Como poderia ele, um “monstro com a face deformada”, ficar com uma mulher linda como Brenda, muito menos continuar sendo o amor de sua vida?

Ali estava ele – apenas um resquício do homem que tinha beijado Brenda na despedida oito meses atrás. Tudo que ele podia fazer era esperar, e temer. Finalmente, Brenda chegou. Como não conseguia identificar Dave pela aparência, ela se aproximou de sua cama e conferiu o nome escrito no seu prontuário, e a etiqueta de identificação em seu pulso, para ter certeza que era ele. Então, ela se inclinou e o beijou... na face. “Eu quero que você saiba que eu te amo”, ela disse, enquanto olhava para ele, no olho do lado bom de sua face. “Bem vindo a casa, Dave”.

Brenda permaneceu o quanto foi permitido a ela naquele dia, e, através do seu amor, a esperança reacendeu no coração de Dave.

Dave começou a experimentar o amor de um modo que jamais tinha imaginado, desde quando tinha dito o seu “sim”, em 15 de julho de 1967. O “sim” de Brenda se tornou um compromisso diário. Ela realmente foi sincera em seus votos, e os manteve. O corpo de Dave permaneceu desfigurado, e Brenda permaneceu completamente fiel. Deus foi fiel a ambos, e agora, trinta e nove anos depois, Brenda e Dave ainda vivem um maravilhoso amor, com dois filhos, e alguns netos, o fruto duradouro de seu casamento fiel.



O casamento deles foi feito no céu, fortalecido durante a guerra, e para sempre marcado pelos votos fiéis de um amor que queima mais profundamente do que qualquer granada, e que fala mais alto do que qualquer cicatriz.
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Traduzido e adaptado do livro “Teologia do Corpo para Jovens” (Theology of the Body for Teens, de Brian Butler, Jason Evert e Crystalina Evert, p. 119-120, Eed. Ascension Press, 2006)


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sábado, 29 de janeiro de 2011

O sexo antes do casamento fortalece a relação?

“Eu amo muito meu namorado. Nós estamos pensando em fazer sexo. Como isso vai afetar nosso relacionamento?”
“O sexo antes do casamento fortalece a relação, ou prejudica? Por que?

Por Mary Beth Bonacci

Muita gente gosta da idéia de criar uma ligação forte no relacionamento. Essas pessoas dizem: “Ah, que legal, uma ligação mais forte. Isso é exatamente o que estamos precisando. Nós sabemos que vamos nos casar. Mas antes temos que conseguir nossos empregos em outro estado, ou passar por faculdades diferentes, terminar a faculdade, ou ganhar um milhão de dólares. Mas se tivermos sexo, essa ligação física forte vai manter nosso amor vivo. Então quando conseguirmos nossas BMW’s e nossos MBA’s, vamos nos casar, ter uma casa maravilhosa, vamos ter 1,2 filhos, e essa ligação vai ter salvado tudo.”


É desse jeito que funciona?
Não.
Por mais lógico que pareça tudo isso, há um problema. O sexo fala a linguagem de “Eu me entrego totalmente e completamente a você agora. Eu já comprometi minha vida toda a você. Nós estamos casados, e com esse ato eu renovo esse sacramento.”

Relacionamentos de pessoas não casadas, por definição, não falam essa linguagem. Um relacionamento de não casados “comprometidos” significa basicamente que “Eu prometo não namorar com ninguém mais até o momento que a gente terminar.” Isso não é um compromisso real. É um comprometimento temporário, e nada na linguagem do sexo é temporário.

Então, o que acontece quando a atividade sexual entra em um relacionamento de não casados? O corpo está dizendo “Eu me entrego totalmente e completamente a você, para o que for melhor para você pelo resto da minha vida.” E o coração está ouvindo em alto e bom som essa mensagem. Enquanto isso, o relacionamento está dizendo algo diferente. Pode estar dizendo “Tomara que a gente se case”. Ou talvez: “Vamos ver o que acontece”. Ou então, a minha favorita: “Mas nós ainda somos livres para fazer isso com outras pessoas, certo?” De qualquer modo, você não está casado, e seu coração está colocado em uma situação muito difícil.

O sexo coloca pressão em relacionamentos de pessoas não casadas. Lá no fundo, seu coração sabe que já se entregou completamente. O relacionamento, entretanto, não está em um nível de comprometimento mútuo em que essa entrega possa ser protegida. Você se entregou completamente, e você que, no final das contas, você pode ser completamente rejeitada. Perceber isso leva a uma condição tremenda de vulnerabilidade, insegurança e medo.

Nós, que trabalhamos com jovens, e jovens adultos, podemos comumente dizer quando um casal começou a ter relações sexuais. O relacionamento deles não se transforma de repente em uma relação maravilhosa, de sonho. Ao invés disso, muitas vezes eles começam a brigar. Não necessariamente eles terminam, porque, com a nova ligação que estabeleceram, sentem-se ligados um ao outro. Mas há uma nova pressão no relacionamento – uma pressão que eles não compreendem, mas de que não conseguem escapar.

O outro sinal de que o casal está sexualmente ativo é que mulheres normalmente seguras se tornam comumente muito dependentes e inseguras, e muitos homens normalmente sensatos se tornam, de repente, extremamente ciumentos e possessivos. Muitas vezes as pessoas nem entendem porque estão se comportando dessa maneira. Mas elas têm muita dificuldade em parar de agir assim. Isso não é surpresa. Essas pessoas se entregaram completamente, mas não estão em um relacionamento onde essa entrega pode ser protegida. De repente, essas pessoas se sentem extremamente vulneráveis. Essa vulnerabilidade coloca pressão sobre eles e sobre seu relacionamento.

Uma vez que a entrega de si foi feita através da relação sexual, se torna muito fácil perder a perspectiva. A consideração mais importante deixa de ser “Será que essa é a melhor pessoa para mim?”, e passa a ser “Essa pessoa NÃO pode me rejeitar.” A possibilidade de se entregar e depois ser rejeitada é tão terrível que nos esquecemos de perguntar se o relacionamento sequer vale a pena ser mantido.

Em todos os meus anos atuando na educação para a castidade e em toda minha vida como solteira, eu nunca vi um relacionamento de pessoas não casadas melhorar depois da entrada da atividade sexual. Isso é muito importante, por isso eu vou repetir: Eu nunca vi um relacionamento entre solteiros melhorar como resultado da atividade sexual entre eles. Eu vi a atividade sexual machucar e prejudicar muitos relacionamentos. Eu vi bons relacionamentos se perderem depois da entrada em cena da atividade sexual. Eu vi um monte de gente TENTAR usar o sexo para melhorar seus relacionamentos. Mas nunca vi isso funcionar.

Eu sei que a atividade sexual pode ser extremamente tentadora em uma relação entre solteiros. Quando duas pessoas se amam, como acontece muito entre solteiros de todas as idades, é natural querer expressar fisicamente esse amor. Do mesmo modo, quando uma relação começa a se desgastar, a tentação de procurar “ajeitar” as coisas de volta com o sexo, para ver se fica tudo bem de novo, pode ser uma tentação sufocante.

Mas isso não funciona. Não ajuda em nada. O sexo fala uma linguagem, e apenas uma linguagem. E essa linguagem é: “Eu e você, agora e para sempre, unidos sacramentalmente, prontos para o que der e vier.” Significa casamento, e somente casamento. Fora de contexto, o sexo pode estragar um relacionamento – muito bem estragado.
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Trecho do Livro: “Real Love – Mary Beth Bonacci answers your questions on dating, marriage and the real meaning of sex.”, da Ignatius Press, 1996. Pág. 78 a 81.


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