sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

As passagens bíblicas mais importantes para a Teologia do Corpo

Um bom passo para começar a conhecer e estudar a Teologia do Corpo é pelas passagens bíblicas mais importantes, que são ponto de partida para as reflexões que estão contidas nesses ensinamentos.



A Teologia do Corpo pode ser compreendida como um grande estudo bíblico. São João Paulo II reuniu em 133 catequeses seu ensinamento sobre o corpo, o amor verdadeiro, e a afetividade humana. Esse conteúdo foi dividido pelo próprio João Paulo II em grandes seções. Na maioria das vezes elas iniciam com uma passagem bíblica, e a partir daí seguem as reflexões e análises.

O objetivo dessa metodologia de S. João Paulo II é cobrir toda a história de nossa salvação, desde a criação do ser humano (Gênesis), até a consumação dos tempos (Apocalipse), esclarecendo o projeto de Deus para nossa sexualidade e para o todo de nossa salvação.

A primeira grande seção, ou o primeiro grande tema, é justamente a criação do ser humano, enquanto homem e mulher. Nesse ponto, S. João Paulo II comenta sobre praticamente todo o capítulo 2 de Gênesis, mas o versículo chave é Gênesis 2,24: "Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne". Aqui se mostra em plenitude o plano original de Deus para o ser humano: existindo em sexos distintos (homem, mulher) o ser humano é chamado desde o princípio a uma união de amor, união em "uma só carne". Mas São João Paulo II traz à tona essa passagem do Gênesis através das palavras do próprio Jesus em Mateus 19, 3-9:

"Após esses discursos, Jesus deixou a Galiléia e veio para a Judéia, além do Jordão. Uma grande multidão o seguiu e ele curou seus doentes. Os fariseus vieram perguntar-lhe para pô-lo à prova: É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer? Respondeu-lhes Jesus: Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu. Disseram-lhe eles: Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la? Jesus respondeu-lhes: É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim. Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério."

Aqui Jesus, no diálogo com os fariseus, chama a atenção dos seus ouvintes para a importância de relembrar o plano original de Deus para o amor entre homem e mulher, e esse plano é que está no centro das reflexões da Teologia do Corpo.

Na segunda seção, o tema passa a ser a queda de Adão e Eva e a consequente expulsão do Paraíso, e a análise de toda a condição humana após o pecado original. Nessa seção, que é a mais longa de toda a Teologia do Corpo, o foco se volta para o interior do ser humano. É no "coração" do ser humano (entendido aqui como o centro interior de nossa alma, de nossas decisões) que vai se mostrar presente o pecado, alterando o plano original de Deus. Após discutir sobre o pecado original e suas consequências, São João Paulo II reflete sobre a graça santificante de Cristo, e a proposta que Ele faz ao coração humano de viver a pureza. Por isso a passagem "chave" para toda essa seção vem do Sermão da Montanha, em Mateus 5, 27-28: 

"Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração". 

A esse chamado de Jesus em direção à pureza de coração, o ser humano deve responder vivendo uma vida renovada, "no Espírito", abandonando o pecado em seu coração e vivendo a graça de Deus. Essa seção é fundamental para a compreensão do estado atual do ser humano, pois todos nós vivemos nessa condição: herdamos as consequências do pecado original, mas nos abrimos para a graça santificante de Cristo. Nessa seção também é onde se podem traçar mais paralelos com os acontecimentos cotidianos que exigem nosso discernimento segundo uma correta moralidade.

Na terceira seção, São João Paulo II passa a falar de nosso futuro escatológico, ou seja, da Ressurreição e do "mundo que há de vir". A Igreja ensina que Jesus virá novamente para reunir todos os eleitos consigo no céu, e que ressuscitaremos assim como Ele ressuscitou. A passagem "chave" aqui vem de Marcos 12, 18-27:

"Ora, vieram ter com ele os saduceus, que afirmam não haver ressurreição, e perguntaram-lhe: Mestre, Moisés prescreveu-nos: Se morrer o irmão de alguém, e deixar mulher sem filhos, seu irmão despo-se a viúva e suscite posteridade a seu irmão. Ora, havia sete irmãos; o primeiro casou e morreu sem deixar descendência. Então o segundo desposou a viúva, e morreu sem deixar posteridade. Do mesmo modo o terceiro. E assim tomaram-na os sete, e não deixaram filhos. Por último, morreu também a mulher. Na ressurreição, a quem destes pertencerá a mulher? Pois os sete a tiveram por mulher. Jesus respondeu-lhes: Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus. Na ressurreição dos mortos, os homens não tomarão mulheres, nem as mulheres, maridos, mas serão como os anjos nos céus. Mas quanto à ressurreição dos mortos, não lestes no livro de Moisés como Deus lhe falou da sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó (Êx 3, 6)? Ele não é Deus de mortos, senão de vivos. Portanto, estais muito errados."

Nesse trecho do Evangelho, Jesus explica como o período "futuro", do "mundo que há de vir", o novo paraíso após a Ressurreição, será uma experiência diferente da que temos aqui na terra, e onde não caberá mais a realidade do matrimônio como o entendemos aqui (eles não tomarão mulheres nem maridos), mas essa realidade temporal será suplantada por uma nova realidade onde estaremos junto a Deus, contemplando-o "face a face", e vivendo em seu amor, ou usando a expressão do Apocalipse, nas "núpcias do Cordeiro".

Também nessa seção sobre a ressurreição está incluída uma série de catequeses sobre o celibato como vocação e maneira de viver o chamado a uma vida plena de entrega de sua própria vida aos irmãos. Vale a pena ler a passagem que referencia essas reflexões, em Mateus 19, 10-12:

"Seus discípulos disseram-lhe: Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar! Respondeu ele: Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado. Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda."

Na quarta seção, São João Paulo II volta-se para o tema do matrimônio, e passa a explicar e analisar esse sacramento, primeiramente em sua dimensão teológica. É uma reflexão que busca explicar a razão pela qual esse sacramento é tão importante. Busca analisar o seu significado mais profundo. Poderíamos até dizer, em sua dimensão mais "conceitual". Para isso, São João Paulo II chamou essa dimensão de "Dimensão da Aliança e da Graça". A passagem "chave" nesta seção vem de Efésios 5, 21-32:

"Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Certamente, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne; ao contrário, cada qual a alimenta e a trata, como Cristo faz à sua Igreja - porque somos membros de seu corpo. Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois constituirão uma só carne (Gn 2, 24). Este mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja."

Essa passagem é muito importante para entender o sentido mais profundo do matrimônio: o sentido esponsal. Ter um sentido ou significado esponsal quer dizer tomar como modelo a relação de amor entre Cristo e a Igreja, e fazer da relação matrimonial uma relação de doação: ser esponsal é ser capaz de dar amor, de entregar a si mesmo e a própria vida por amor.

Na quinta seção, São João Paulo II fala da dimensão dos sinais sacramentais que fazem o matrimônio. Essa "Dimensão do Sinal" é explicada a partir dos próprios ritos previstos para a cerimônia do matrimônio, mas também na percepção mais atenta de que também a união conjugal em si é também um sinal visível que compõe esse sacramento. Nessa seção se encontra também um comentário sobre o livro "Cântico dos Cânticos", da Bíblia, e uma reflexão sobre a história de Tobias, presente nos capítulos 6 a 8 do livro de Tobias. Destaca aqui apenas a oração com que Tobias e Sara iniciam sua vida conjugal, presente em Tobias 8, 4-10:

"Então Tobias encorajou a jovem com estas palavras: Levanta-te, Sara, e roguemos a Deus, hoje, amanhã e depois de amanhã. Estaremos unidos a Deus durante essas três noites. Depois da terceira noite consumaremos nossa união; porque somos filhos dos santos (patriarcas), e não nos devemos casar como os pagãos que não conhecem a Deus. Levantaram-se, pois, ambos, e oraram juntos fervorosamente para que lhes fosse conservada a vida. Tobias disse: Senhor Deus de nossos pais, bendigam-vos os céus, a terra, o mar, as fontes e os rios, com todas as criaturas que neles existem. Vós fizestes Adão do limo da terra, e destes-lhe Eva por companheira. Ora, vós sabeis, ó Senhor, que não é para satisfazer a minha paixão que recebo a minha prima como esposa, mas unicamente com o desejo de suscitar uma posteridade, pela qual o vosso nome seja eternamente bendito. E Sara acrescentou: Tende piedade de nós, Senhor; tende piedade de nós, e fazei que cheguemos juntos a uma ditosa velhice!"

Finalmente, a sexta e última seção da Teologia do Corpo é um comentário sobre a Encíclica Humanae Vitae, que versa sobre a vida humana e o relacionamento de homem e mulher no casamento. Essa Encíclica foi escrita pelo Papa Paulo VI em 1968, e ficou mais conhecida por reafirmar a perene doutrina da Igreja Católica de que meios de contracepção artificial não são moralmente corretos, por retirar do ato conjugal a dimensão procriativa. Para ser moralmente correto, todo ato conjugal deve preservar as suas duas dimensões: a dimensão unitiva e a dimensão procriativa. Nessa seção não há uma passagem bíblica específica, mas aqui São João Paulo II afirma que chegou ao ponto culminante, por assim dizer, de suas reflexões, e que todos os ensinamentos das seções anteriores são importantes para compreender uma posição moral que a Igreja continua sustentando, e que pela qual sofre muitas críticas, justamente por não ser bem compreendida. Minha opinião pessoal é que esse é um dos assuntos mais importantes para o mundo atual, podendo ser um ponto de partida para uma verdadeira renovação do panorama da vivência da sacramentalidade do matrimônio.

Se você tem dúvida sobre algumas dessas passagens, ou ficou querendo saber quais os comentários de São João Paulo II sobre elas, eu incentivo você a conhecer melhor a Teologia do Corpo. Esses ensinamentos estão mudando vidas ao redor do mundo. Fica então o convite para que você, ao ler e refletir sobre essas passagens bíblicas, possa se sentir motivado para iniciar seus estudos da Teologia do Corpo de uma forma mais profunda. Que Deus abençoe!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Uma conversa sobre masturbação

Há algum tempo atrás, enquanto dava uma palestra, uma pessoa simplesmente não acreditou quando eu disse que masturbação não fazia bem, e era pecado. Ele não achou que estivesse falando sério.

O problema com os pecados contra a castidade é que, infelizmente, vivemos em um mundo que não valoriza a pureza, e portanto não consegue conceber o que é ser uma pessoa pura de coração, porque simplesmente essa é uma experiência que lhe foge completamente. Para muitas pessoas está simplesmente fora de seu horizonte de existência.




Primeiramente é preciso dizer que a castidade não é sinônimo de abstinência de sexo. Pode ser que, no caso da pessoa solteira, coincida com a abstinência. Mas cônjuges também devem viver a castidade em seus relacionamentos íntimos. A castidade é a virtude da temperança e da pureza, vivida com relação ao corpo e a sexualidade. Ela significa viver os valores sexuais (sim, eles são valores positivos!) dentro de sua justa proporção, dentro do plano para o qual foram criados por Deus. Significa viver os valores sexuais dentro de uma realidade maior, onde a atração sexual está a serviço do amor verdadeiro, e a ele se orienta.

O contrário da castidade é a luxúria, é um vício que leva as pessoas a ver seu semelhante como um objeto de satisfação de prazeres, e não um ser humano integral que recebe amor e é amado(a). Quem não vive a castidade não sabe o que é amor, pura e simplesmente, porque confunde amor com atração sexual, confunde amor com satisfação sensual, confunde amor com prazeres carnais.

Não é que o verdadeiro amor exclui o prazer. Não. Cônjuges que vivem seus relacionamentos íntimos com certeza sentem prazeres sensuais. Mas, se eles se amam de verdade, não escolheram amar a outra pessoa só por causa desse prazer que ele(a) proporciona. O prazer vem em decorrência de sua união. Não foi a causa da união. A causa da união foi, e continua sendo, o amor verdadeiro. Com o passar dos anos, quando a atração sexual vai normalmente diminuindo, o que fica entre eles é o amor. Casais que não fizeram do amor a razão primeira de sua escolha de um para o outro, nesse ponto correm o risco de cair em um vazio. Muitas vezes essa é a causa do divórcio. Quem não ama de verdade não sabe superar as dificuldades da vida em comum, perdoar as deficiências da outra pessoa, viver escolhendo novamente aquela pessoa de novo e de novo, a cada dia.

Hoje em dia a masturbação é comumente praticada entre adolescentes. Em uma pesquisa acadêmica de 2011, 80% dos jovens rapazes americanos de 17 anos reportaram ter praticado masturbação pelo menos uma vez na vida (1), com mais da metade reportando uma frequência de pelo menos algumas vezes no mês. A percentagem de jovens que se masturbam é maior entre os homens, porém entre as mulheres está longe de ser um raridade. O percentual de jovens mulheres americanas de 17 anos que reportaram ter praticado masturbação chega a 58%, consituindo mais da metade (1).Com uma percentagem tão alta, não é de estranhar que as pessoas passem a ver a masturbação como uma coisa "normal".

O que é preocupante com isso tudo é que a masturbação não ensina a viver os valores sexuais dentro da dimensão do amor verdadeiro.  Organizações e profissionais de saúde tendem a considerar a masturbação como uma prática "normal", "natural", como "parte do desenvolvimento da sexualidade". Mas essa visão não levam em conta aspectos morais. A tendência desses profissionais e pessoas supostamente "entendidas" do assunto é que a religião só serve para trazer "culpa" e sentimentos de "angústia" para os adolescentes, pois a religião se permite questionar se a masturbação faz mesmo bem ou não para os jovens. Por isso, muitas vezes sugerem "abandonar" as visões religiosas, sugerindo que isso vai trazer melhor "auto-estima" para os adolescentes.

Essa é uma visão muito simplista, e que não considera o ser humano como um todo. Nós temos uma consciência moral, não somos apenas "animais evoluídos" que se limitam a reagir psicologicamente a estímulos. Não é a religião que "cria" sentimentos de culpa, mas nossa própria consciência parece nos alertar que "algo está errado aqui". Mas, infelizmente, essa visão preconceituosa contra a religião é a que prevalece, e muitas vezes as pessoas nem querem ouvir o que a religião tem a dizer sobre o assunto.

Somado a isso, temos, infelizmente, o mau exemplo de muitos líderes religiosos, que, por um motivo ou por outro, não sabem traduzir em palavras boas e afirmativas uma proposta convincente para os jovens de hoje viverem a castidade.

Paremos para pensar por um momento sobre o que é a masturbação: uma estimulação dos próprios órgãos genitais visando obter prazer. Agora passemos a comparar essa definição com o projeto de uma relação madura e feliz: um casal que se ama de verdade e se compromete no matrimônio a viver em fidelidade para fazer o outro feliz, e que como instrumento de expressão desse amor vive a união sexual aceitando plenamente tudo que ela traz, ou seja, uma união de vida, não só de corpo, mas também de sentimentos e companheirismo. Agora vem a pergunta: como uma coisa pode ajudar a outra? Como a masturbação pode ajudar a viver em plenitude a vocação matrimonial? A resposta é: não pode.

Não pode porque a masturbação não tem nenhuma característica que venha a "treinar" ou "preparar" a pessoa para viver em um matrimônio sadio, satisfatório, onde existe verdadeiro amor e complementaridade. Mesmo a nível puramente do prazer sexual, a masturbação "treina" o cérebro para se excitar com situações e práticas que não farão parte do panorama de uma relação sexual a dois, normal, entre os cônjuges.

Mas lembre-se que o matrimônio não é composto só de prazer sexual. O prazer é uma parte de um todo mais complexo, que inclui a escolha de um pelo outro, a aceitação social de viver juntos e partilhar a mesma casa e conviver com as mesmas famílias, a aceitação e criação dos filhos, o companheirismo de quem prometeu viver o resto da vida em fidelidade e amor para com aquele(a) cônjuge. Todos esses fatores não são tocados nem de perto pela masturbação.

Por isso o Catecismo da Igreja Católica relata que "a masturbação é um ato intrínseca e gravemente desordenado", pois "o uso da faculdade sexual fora das relações conjugais normais (leia-se: casamento) contradiz sua finalidade" (2).

Uma pessoa certa vez argumentou comigo que a masturbação seria "natural" por fazer parte de um processo de "descoberta do próprio corpo". Esse argumento não pode ser levado a sério. Pare para pensar no caso de um jovem que pratica masturbação frequentemente, vamos dizer mais de duas vezes por semana, repetindo isso durante os anos de sua adolescência. Ao chegar na vida adulta, esse jovem terá realizado centenas, senão milhares de atos de masturbação. Fica difícil argumentar sobre a necessidade de uma quantidade tão grande de masturbação para "descoberta do próprio corpo" quando sabemos que o corpo de um ser humano normal ocupa uma quantidade tão limitada de espaço. Em outras palavras, é patético dizer que o jovem precisa se masturbar tantas vezes para "conhecer o próprio corpo" quando seu corpo é claramente limitado espacialmente falando.

Além do mais, para "conhecer o próprio corpo" não é preciso experimentar prazer sexual. Então algumas pessoas podem argumentar que é preciso "conhecer o prazer sexual". Não existe nenhuma razão para uma suposta "necessidade" de conhecer as sensações envolvidas no prazer sexual fora do casamento, a não ser a própria busca de prazer. E, a título de argumentação, não seria verdade que um só orgasmo já seria suficiente para saber o que ele é? Portanto, após a primeira masturbação as outras não teriam mais sentido, segundo esse argumento. Fica claro que a defesa que algumas pessoas fazem da masturbação não passa de "desculpas" para tentar calar a própria consciência e tentar tornar "normal" uma prática que, no fundo, não leva a nada, e não tem nenhum sentido real para existir. O único (falso) "sentido" é a busca do prazer.

Como vivemos em uma sociedade que faz do prazer o único e absoluto bem, as pessoas continuam buscando esse prazer a qualquer custo. Para uma pessoa que se converte, vem a crise, porque ela passa a conhecer mais sobre moralidade, Deus, a religião, o bem, o amor verdadeiro, Jesus Cristo, e de repente não quer "largar" os hábitos antigos, porque isso implicaria renunciar a prazeres com os quais está acostumada. Tem dificuldade para abandonar esses "prazeres" não só por motivos psicológicos, mas até mesmo por motivos neurológicos, pois nosso cérebro se "acostuma" com aquilo, e tem verdadeiras "crises de abstinência". (3)

Dizer que não é fácil viver a castidade é chover no molhado. É óbvio. Mas Jesus nunca disse que segui-lo seria fácil. Ele pediu para entramos na porta estreita (4). Temos muito a ganhar se passarmos a procurar entender o que é o amor verdadeiro, e procurarmos vivê-lo em plenitude. Outros artigos do nosso blog podem ajudar. (5)

Uma última palavra, então, para você que está lendo esse artigo: não desista nunca da busca da pureza, da castidade. Se o caminho é longo, ele começa pelo primeiro passo. E se vierem quedas, sempre se levante. Longe de te deixar triste ou angustiado, esse caminho vai ter levar a descobrir uma nova realidade, onde existe mais paz e felicidade.



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Notas:

 (1) Prevalence, Frequency, and Associations of Masturbation With Partnered Sexual Behaviors Among US Adolescents. Cynthia L. Robbins, MD; Vanessa Schick, PhD; Michael Reece, PhD, MPH; et al Debra Herbenick, PhD, MPH; Stephanie A. Sanders, PhD; Brian Dodge, PhD; J. Dennis Fortenberry, MD, MS. Arch Pediatr Adolesc Med. 2011;165(12):1087-1093. Disponível em: <http://jamanetwork.com/journals/jamapediatrics/fullarticle/1107656>

(2) Catecismo da Igreja Católica, §2352 (http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s2cap2_2196-2557_po.html)

(3) Veja artigo no blog Vida e Castidade: "A pornografia é tão perigosa quanto cocaína ou heróina" (http://vidaecastidade.blogspot.com/2017/02/a-pornografia-e-uma-droga-tao-perigosa.html)

(4) Mt 7, 13 - "Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram."

(5) Artigos sobre masturbação (http://vidaecastidade.blogspot.com/2009/05/artigos-sobre-masturbacao.html
Artigos sobre pornografia (http://vidaecastidade.blogspot.com/2009/05/artigos-sobre-pornografia.html
Artigos sobre Teologia do Corpo (http://vidaecastidade.blogspot.com/2009/05/artigos-sobre-teologia-do-corpo.html)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Divulgando a Teologia do Corpo

Não é fácil resumir o que seja a Teologia do Corpo em uns poucos parágrafos. Creio que um dos problemas que criam dificuldades para uma disseminação mais ampla de seus ensinamentos é o fato de que ela é extensa, e muitas vezes um pouco complexa.



São 133 catequeses no total. Cada catequese explica com mais detalhes um determinado ponto. A sucessão das catequeses é que vai criando um sentido geral, delineando os caminhos do pensamento de São João Paulo II. Às vezes é preciso ler tudo para ter uma visão geral. Às vezes é preciso descer em detalhes específicos, para evitar mal-entendidos.

Para conhecer pelo menos superficialmente a Teologia do Corpo eu diria que uma pessoa precisa ao menos ler todas as 133 catequeses. É óbvio, mas às vezes é preciso dizer o básico. Uma pessoa não pode sair por aí ensinando Teologia do Corpo se nem sequer leu odas as catequeses. E isso já não é pouca coisa. São muitas páginas, e às vezes a compreensão não é total, é difícil, para a maioria de nós, que não tem bagagem acadêmica na área da filosofia ou teologia. Sem falar que muitas vezes certos assuntos, por si só, dariam material para muito tempo de reflexão. Como atrair as pessoas para uma tarefa que, apesar de recompensadora, é árdua?

Penso que um dos caminhos é trazer para a atenção das pessoas as idéias de São João Paulo II a partir do comentário de fatos, acontecimentos e costumes do cotidiano. Por exemplo, a maneira com que as pessoas se vestem. Vez ou outra isso é assunto de polêmica, envolvendo um ou outro artigo de jornal sobre alguma personalidade famosa, ou sobre algum acontecimento que chama a atenção. Isso pode iniciar um debate sobre a modéstia no vestir. Por sua vez, a modéstia no vestir pode trazer a discussão do que a Igreja tem a falar sobre isso. O que poderia trazer, por exemplo, a passagem da Bíblia sobre o momento em que Adão e Eva se cobrem ao sentir vergonha, um episódio discutido em algumas catequeses. Isso pode levar a discutir e explicar essas catequeses, o que São João Paulo II nos esclarece com elas.

Esse é um caminho que pode aproveitar o "gancho" de assuntos que estão em discussão no momento, e trazer o foco para a  Teologia do Corpo, incentivando seu estudo. O importante é que o conhecimento da Teologia do Corpo sejam cada vez mais incentivado, e seu conteúdo cada vez mais estudado e assimilado na cultura atual, no comportamento das pessoas, e na formação das consciências.

Um segundo caminho que também considero fundamental é a existência de um estudo mais extenso, complexo e sistemático da Teologia do Corpo. É claro que nesse ponto somente algumas pessoas estariam interessadas. Mas não seriam somente professores e alunos de teologia ou filosofia. Qualquer pessoa com interesse e motivação pode perfeitamente estudar de modo mais profundo, e ganhar muito com isso. 

Um leigo católico não necessariamente precisa ter formação acadêmica para ter uma compreensão profunda, de qualidade, dos ensinamentos da Igreja. Os ganhos são vários: uma pessoa com esse estudo mais aprofundado terá mais subsídio para sua própria santificação pessoal e de seus próximos (familiares, amigos), bem como estará mais preparado para liderar instâncias de divulgação da Teologia do Corpo, como grupos de estudo, cursos, palestras etc. 

Precisamos dessas pessoas que se disponham a um estudo mais aprofundado por dois motivos. Primeiro para garantir a fidelidade à letra das catequeses, evitando e corrigindo distorções que a superficialidade de abordagens mais simples pode trazer. Em segundo lugar, para produzir material (escrito, audio-visual) que possa ajudar a transformar a cultura, expondo cada vez mais pessoas à esses ensinamentos.

Espero que possa escrever no futuro alguns artigos que possam seguir os dois caminhos: alguns artigos comentando aspectos do cotidiano a partir do ponto de vista da Teologia do Corpo, e outros artigos com uma característica de mais profundidade e com um conteúdo mais sistematizado

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Padre Paulo Ricardo denuncia mais uma artimanha para normalizar o aborto no Brasil

Padre Paulo Ricardo denuncia em artigo e em vídeo nova artimanha para tornar o aborto uma prática comum no Brasil.
Trata-se do Projeto de Lei 7371/2014, que esconde por detrás do "Combate à Violência contra a mulher" condições práticas para a realização de abortos indiscriminadamente no país.

É muito importante todos tomarem conhecimento do assunto, e investigarem quem está por trás desse projeto de lei, quais são os políticos que estão influenciando nesse sentido. Combater esses políticos deve ser prioridade para qualquer católico.

Veja:




A pornografia é uma droga tão perigosa quanto cocaína ou heroína

Recomendo a leitura do site: http://fightthenewdrug.org. A tradução seria algo como "Combata a nova droga". Esse site, além de ter um visual moderno e agradável, apresenta uma série de artigos que comprovam os perigos da pornografia. Muitos artigos apresentam um amplo embasamento científico, com várias citações de pesquisas acadêmicasimportantes.

Os artigos são divididos em três categorias:
- Como a pornografia afeta seu cérebro
- Como a pornografia afeta seu coração
- Como a pornografia afeta o mundo

Na seção que fala sobre os efeitos da pornografia no cérebro, existe um artigo chamado "Como a pornografia afeta o seu cérebro semelhante a uma droga" (http://fightthenewdrug.org/how-porn-affects-the-brain-like-a-drug/) (1). Nele, são citadas várias pesquisas acadêmicas que comprovam que a pornografia age no cérebro com a mesma intensidade com que uma droga como a cocaína, por exemplo. Ela cria um vício, onde a pessoa fica "presa" tentando voltar a sentir os mesmos prazeres de novo e de novo, em um círculo vicioso.

Em um vício de drogas como a cocaína, o viciado inicialmente tem sensações agradáveis, o que o fazem buscar mais a droga. Com o tempo, porém, vem um ajuste natural, que torna necessário cada vez mais quantidade da droga para chegar aos níveis desejados daquela sensação. Esse fenômeno é chamado tolerância, e deve-se a uma adaptação natural do cérebro à presença da droga.

Com a pornografia acontece o mesmo fenômeno, pois a visão desse material pornográfico faz o cérebro liberar as mesmas substâncias (chamadas neurotransmissores, principalmente a dopamina) que o viciado em drogas experimenta quando entra em contato com a heroína, por exemplo.

Outro fenômeno que acontece com o viciado é a chamada "crise de abstinência", onde a pessoa passa a sofrer vários sintomas na ausência da droga, como depressão, irritabilidade, alterações de humor, entre outras. O mesmo acontece com a pornografia. Quando uma pessoa se acostuma a olhar material pornográfico, o cérebro da pessoa se acostuma com a liberação da dopamina, e fica viciada naquelas sensações proporcionadas. De modo que a falta de pornografia na vida da pessoa passa a levar a crises de abstinência, e fazem a pessoa procurar novamente aquele tipo de material.

O que estamos falando aqui não é brincadeira, nem é invenção. São descobertas de pesquisas científicas publicadas em revistas respeitadas nos meios acadêmicos. Estamos apenas, enquanto sociedade, começando a descobrir e comprovar o perigo que a pornografia pode representar para a saúde mental das pessoas. Sem falar nos outros prejuízos, no campo espiritual ou social, por exemplo.

E com a internet proporcionando uma quantidade inesgotável de material pornográfico, existe sempre oportunidade para mais, com novas versões cada vez mais extremas e chocantes de pornografia. O perigo está a um clique de distância, muitas vezes atingindo crianças e adolescentes com pouca idade.



"É como se estivéssemos descobrindo uma nova forma de heroína... utilizável na privacidade de sua própria residência e injetada diretamente no cérebro através dos olhos.", diz o Dr. Jeffrey Satinover, da Univerdade de Princeton, Estados Unidos. (2)

Dê uma olhada no artigo original, e veja as citações. São pesquisas acadêmicas publicadas em jornais científicos, bem como citações de livros e pronunciamentos de cientistas.

Está na hora de alertar a sociedade para essa realidade, pois a pornografia é pouco comentada, em geral. Enquanto o silêncio reina, está se criando um contingente enorme de pessoas dependentes, viciadas, com sérios prejuízos psicológicos, espirituais e sociais. Muitas dessas pessoas são crianças e adolescentes, que terão sua saúde mental e sua visão de sexualidade afetadas por toda a vida.

Divulgue esse artigo e ajude a combater esse mal. Busque ajuda se você se reconhece como dependente de pornografia. Existem outros artigos na seção sobre pornografia aqui deste blog que podem ajudar.

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Notas:
(1) Veja o artigo original em: http://fightthenewdrug.org/how-porn-affects-the-brain-like-a-drug/
(2) Satinover, J. (2004). Senate Committee on Commerce, Science, and Transportation, Subcommittee on Science, Technology, and Space, Hearing on the Brain Science Behind Pornography Addiction and Effects of Addiction on Families and Communities, November 18.



domingo, 19 de fevereiro de 2017

O desafio da castidade - Criando uma cultura da castidade

Vivemos em um mundo que absolutamente não acredita que é possível viver a castidade. O mundo nem sequer entende direito o que é castidade. A maioria das pessoas, durante o percurso de toda uma vida, normalmente não entra em contato com nenhuma explicação séria sobre o assunto. Nenhum artigo sensato sob o ponto de vista da moral e dos bons costumes. Nenhum vídeo ou programa de televisão explicando o real sentido do amor e da castidade. Nenhuma pessoa próxima disposta a dar um bom conselho.

Ao contrário, a sensação que se tem, de modo geral, é que a castidade é impossível. Só o que se escuta são aquelas risadas de quem faz pouco caso do assunto. Se a gente experimenta falar sobre castidade para uma pessoa aleatória com quem temos que conviver na vida, damos de cara com aqueles olhares que parecem nos perguntar se a gente é de outro mundo.

Também não é para menos. Pare um pouco para pensar. Independente do nível de engajamento na Igreja que você tenha, a probabilidade é que você tenha ouvido falar muito pouco, ou quase nada, sobre castidade. Se você participa de grupos de oração para jovens, eu pergunto: quantas formações seu grupo já lhe proporcionou sobre o assunto? Se você vai para a Igreja no Domingo, quantas vezes você já ouviu o Padre falar sobre castidade no sermão? Se você tem uma família católica, quantas vezes seu pai ou sua mãe já conversou com você para lhe orientar sobre o que é, e qual a importância da castidade?

E mesmo que você já tenha ouvido palestras, sermões, ou conversado com alguém sobre o assunto, provavelmente (pare pra refletir) você já ouviu, leu, viu, entrou em contato com muito material que leva você para longe, bem longe da castidade, com uma frequência muito, mas muito maior mesmo.  Não estou falando só de pornografia. Estou falando de programas de televisão no domingo de tarde. Estou falando de artigos de revistas para adolescentes. Estou falando de conversas no corredor do colégio ou da faculdade.

É uma luta desigual. Você pode até dizer que não é influenciável, mas todos nós, uns mais outros menos, sofremos a influência do que vemos, ouvimos, lemos, discutimos. É uma luta desigual comparar uns poucos minutos de pregação sobre castidade que você já teve em sua vida, com uma infinidade de artigos de revista, de programas de televisão, de conversas com amigos, e tantas outras coisas que levam para longe, muito longe da castidade.

É de admirar que mesmo com a balança pesando tanto a favor do lado ruim, ainda exista gente que vive a castidade nesse mundo. Mas existe. E não são poucos. Cito o exemplo de uma pesquisa americana. Muitos esperariam um crescimento na atividade sexual na adolescência nos últimos anos, a julgar pela difusão da pornografia e da "sexualização" da sociedade. Mas, na verdade, essa pesquisa revelou que, de 1991 a 2007, não existiu crescimento acelerado na atividade sexual dos jovens. Pelo contrário, a tendência é de estagnação, ou mesmo de queda (1). E, dos que já tiveram experiência sexual, aproximadamente dois terços (dois de cada três) disse se arrepender de ter não ter esperado mais. (2)

Isso, para mim, só pode significar uma coisa: a consciência pessoal continua viva. Continua firme e forte. Para aqueles que não cedem às pressões da sociedade, e seguem sua consciência, é possível viver a castidade.

Significa também que o terreno está aí, pronto para receber a semente. Muitos jovens estão sedentos de alguém que lhes explique o que é castidade. Uma voz que lhes convide a ser mais gente, mais humano, mais razoável. Alguém que lhes desafie a ser o melhor que podem ser e fazer de si mesmos. Os jovens querem ser dignos, eles querem ser castos. Só precisam de ajuda para isso.

Precisamos criar uma cultura da castidade. Precisamos de textos, de vídeos, de artigos, de pessoas que falem de castidade, que expliquem o que é, que falem de sua beleza, que falem de tudo que podemos ganhar com ela. Precisamos criar material e influenciar a cultura. Precisamos virar o jogo. É possível. E o primeiro passo é tirar da cabeça das pessoas essa idéia de que castidade é uma coisa do outro mundo. 

A princípio as pessoas podem até ficar chocadas com o que vão ouvir. Mas precisamos estar preparados para isso. Precisamos ser agentes de mudança. Primeiramente, precisamos acreditar nós mesmos na beleza e na possibilidade da castidade. Vivê-la e acreditar em seu poder de nos fazer mais felizes.

Você topa o desafio?

Aqui no blog vamos continuar tentando ajudar a criar essa cultura da castidade. Reze por nós.



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Notas:

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Psiquiatra: O projeto de educação sexual do Vaticano é a ameça mais perigosa que já vi em 40 anos


Extraído de: https://www.lifesitenews.com/opinion/exclusive-the-new-threat-to-catholic-youth-the-meeting-point



Por: Dr. Rick Fitzgibbons


2 de Setembro de 2016 (LifeSiteNews) – Nos últimos anos, a Igreja tem passado por uma de suas mais graves crises, como resultado do abuso de crianças e jovens por parte de sacerdortes. As principais vítimas são adolescentes do sexo masculino. (1) Esse escândalo de proporções mundiais aconteceu devido ao comportamento permissivo e irresponsável de membros da hierarquia, que cometeram o erro de “flertar” com a homossexualidade, de acordo com a fala de um Bispo, em um programa da EWTN que participei, o qual falava sobre a crise.


Esse escândalo também foi causado por um número não pequeno de diretores espirituais que ignoraram a ciência psicológica, e falaram para os padres os quais dirigiam espiritualmente, e que eram acometidos de atração por pessoa do mesmo sexo, que eles “nasceram daquele jeito”, ao invés de encaminhá-los a profissionais de saúde mental competentes, que teriam evitado o abuso contra muitos jovens.


A fim de restaurar no laicato a confiança e a fé, profundamente abaladas, cabe aos membros da hierarquia e aos padres nunca mais agir como líderes ou pastores permissivos, quando surgirem sérias ameaças ao bem estar moral, intelectual, psicológico e sexual de crianças e adolescentes.


Como psiquiatra, trabalhei extensivamente com crianças e jovens católicos severamente prejudicados psicologicamente pelo divórcio de seus pais (2), muitas vezes possível devido a declarações de nulidade “fáceis” do sacramento matrimonial, em contraponto à justiça, à misericórdia e à ciência psicológica (3), e por epidemias de narcisismo (4), maconha (5), pornografia (6), e comportamento sexual desordenado (7) (usar outras pessoas como objetos pessoais), além da enorme pressão social para ser sexualmente ativo, sofrendo os conflitos psicológicos em seus pais, irmãos, e amigos. (8)


Entretanto, em minha opinião pessoal, a mais grave ameaça à juventude católica que já vi nos últimos 40 anos é o novo programa de educação sexual do Vaticano, “O Ponto de Encontro – Projeto de Educação Afetivo Sexual”.





“O Ponto de Encontro” foi lançado na Jornada Mundial da Juventude, na Polônia, pelo Pontifício Conselho da Família, então sob a direção do Arcebispo Paglia, e que agora está disponível online, gratuitamente, em cinco diferentes linguagens.


A primeira reação ao “Ponto de Encontro” foi forte e altamente crítica. Três líderes internacionais pró-vida e pró-família, que há décadas defendem o ensinamento católico sobre matrimônio, sexualidade e vida, revisaram o programa e o descreveram como “absolutamente imoral”, “inteiramente inapropriado”, e “bastante trágico”. (9)


“O Ponto de Encontro” também tem sido criticado por se desviar de 2 mil anos de ensinamento da Igreja Católica no assunto de moralidade sexual e de formação moral da juventude nessa área tão claramente elucidada e descrita por São João Paulo II na “Carta Magna” da família católica, a encíclica “Familiaris Consortio – A Função da Família Cristã no Mundo de Hoje”.


Consequentemente, criou-se uma petição online para requerer ao Papa Francisco e ao novo diretor do Pontifício Conselho da Família, Bispo Kevin Farrell, no sentido de retirar o mais rápido possível esse programa de “educação sexual”, o qual foi definido como “um pesadelo”. (10)


Em uma cultura onde a juventude é bombardeada por pornografia, fiquei particularmente chocado pelas imagens contidas neste novo programa de educação sexual, algumas das quais são claramente pornográficas. Minha reação profissional imediata é a de que essa abordagem obscena e pornográfica abusa psicologicamente e espiritualmente da juventude.


Foto do Programa "Ponto de Encontro": Um jovem casal posa para foto em frente a um estátua mostrando duas pessoas em atividade sexual, onde a estátua funciona como chave de interpretação para o que está na mente dos jovens

Foto do Programa "Ponto de Encontro": imagem de frutas retratadas como se fossem seios femininos em uma campanha de publicidade. Será que os jovens precisam mesmo desses exemplos explícitos para mostrar que os propagandistas usam material sexual para vender produtos?

Foto do programa "Ponto de Encontro": outro exemplo de propaganda usando imagens sexuais explícitas. Mas por que os adolescentes precisam ser expostos a isso?

Foto do programa "Ponto de Encontro": uma garota (à direita) vestida imodestamente, dançando de maneira provocativa com um homem.

Foto do programa "Ponto de Encontro": o Presidente Obama olhando para as nádegas de uma mulher. Por que os adolescentes precisam ser expostos a isso?


Foto do programa "Ponto de Encontro": uma prostituta

Mais fotos sensuais presentes no programa "Ponto de Encontro"

Foto do programa "Ponto de Encontro": mais um exemplo de propaganda usando imagens sensuais para vender produtos. Esse tipo de material explícito não deveria estar em um programa que alega querer ensinar aos jovens a valorizar as virtudes.
  


Mais uma foto do programa "Ponto de Encontro" com conteúdo sexualmente explícito. Os jovens são indagados nessa atividade: "Qual dos dois casais está tendo uma relação sexual?"


Os jovens também são prejudicados pela ausência de avisos sobre os duradouros perigos de comportamentos promíscuos e do uso de contraceptivos. (11) Enquanto profissional que já tratou tanto de padres abusadores quanto de vítimas da crise de abusos sexuais de padres na Igreja, o que eu achei particularmente perturbador foi o fato de que as imagens pornográficas nesse programa são similares àquelas usadas por predadores sexuais de adolescentes.


A principal pessoa responsável pelo desenvolvimento e lançamento desse programa, Arcebispo Paglia, o antigo chefe do Pontifício Conselho para a Família, deveria ser judicialmente obrigado a passar por uma avaliação de uma junta de profissionais, como descrito no manual de normas “Dallas Charter” (11) referente a situações que colocam jovens em risco. Tal avaliação é particularmente importante, tendo em vista que agora ele foi colocado no cargo de chanceler do Instituto João Paulo II de Estudos sobre a Família, continuando no papel de ensinar sobre sexualidade e matrimônio.


Arcebispo Vincenzo Paglia



O programa “Ponto de Encontro” constitui-se em um abuso sexual de adolescentes católicos a nível mundial, e revela uma ignorância acerca da enorme pressão sexual que recai sobre os jovens hoje em dia, e irá resultar em uma subsequente confusão acerca da aceitação do ensinamento da Igreja por parte dos jovens. O programa representa uma grave crise futura na Igreja, e particularmente para a juventude católica e para as famílias, em proporções muito maiores do que a escandalosa crise de abuso sexual de menores, recentemente reportada pela imprensa de forma tão ampla.

O programa de “educação sexual” do Vaticano deveria ser retirado do ar pelo novo diretor do Pontifício Conselho para a Família, Bispo Kevin Farrell, tão rápido quanto possível, a fim de proteger a saúde dos jovens católicos, e ser substituída por um novo programa seguindo o excepcional ensinamento de São João Paulo II sobre matrimônio, juventude, família, e sexualidade, presente na “Familiaris Consortio – A Função da Família Cristã no Mundo de Hoje”. A Igreja ainda não assimilou completamente a riqueza de insights contida no ensinamento de São João Paulo II. Esse deveria ser o direcionamento do novo Pontifício Conselho para a Família, os Leigos, e a Vida.


As palavras de São João Paulo II pronunciadas no seu encontro com bispos e cardeais norte-americanos sobre a crise na Igreja, em 23 de abril de 2002, são tão atuais hoje quanto foram para os membros da hierarquia, e particularmente verdadeiras para o Vaticano. Ele afirmou: “[As pessoas] devem saber que os Bispos e os Sacerdotes estão completamente comprometidos na plenitude da verdade católica acerca das problemáticas da moral sexual, uma verdade que é tão essencial para a renovação do sacerdócio e do episcopado, como para a renovação do matrimônio e da vida familiar em geral”.


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Dr. Rick Fitzgibbons, MD é o diretor do Institute for Marital Healing (Instituto para a Cura no Matrimônio), perto de Philadelphia, e já atendeu milhares de casais nos últimos 40 anos, incluindo centenas de casais católicos e de jovens. Ele é também Professor Adjunto do Instituto João Paulo II para Estudos sobre o Matrimônio e a Família na Universidade Católica, além de ser membro do International Institute for Forgiveness (Instituto Internacional para o Perdão).


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Notas de Rodapé


(1) Fitzgibbons, R. & O’Leary, D. (2011) Sexual Abuse of Minors by Catholic Clergy, The Linacre Quarterly 78(3) (August 2011): 252–273. [Abuso sexual de menores pelo clero católico].


(2) Fitzgibbons, R. (2016) Forthcoming: “Children of Divorce: Conflicts and Healing” in Margaret McCarthy (ed.), Torn Asunder: Children, the Myth of the Good Divorce and the Recovery of Origins, Grand Rapids: Eerdmans, pp. 51-65. [Crianças do divórcio: conflitos e cura. Em: Crianças, o Mito do Bom Divórcio e a Recuperação das Origens].


(3) Fitzgibbons R.  (2015).  Quick and Easy Annulments Pose Grave Risks to the Family.  Retrieved from https://www.lifesitenews.com/opinion/dr.-rick-fitzgibbons-quick-and-easy-annulme...; Adkins, J. et al. (2015).  Remember our Children.  America, November 12, 2015. [Nulidades matrimoniais fáceis e rápidas colocam em grave risco as famílias]


(4) Twenge, J., & Campbell, W. K. (2009). The narcissism epidemic: Living in the age of entitlement. New York, NY: Aria Books. [A Epidemia Narcisita: vivendo na era dos direitos.]


(5) Fitzgibbons, R. (2016). Retrieved from www.childhealing.com/The Addicted Spouse and Child Healing [O cônjuge com vício e a cura da criança].


(6) Kleponis, P. (2014) Integrity Restored: A Catholic Guide to Pornography.  Steubenville: Emmaus Road, p. 19. [Integridade restaurada: um guia católico com relação à pornografia]


(7) Grossman, M. (2007). Unprotected: A Campus Psychiatrist Reveals How Political Correctness in Her Profession Endangers Every Student. St. Cloud, MN: Sentinel. [Desprotegidos: um psiquiatra da universidade revela como o politicamente correto em sua profissão coloca em perigo todos os estudantes]


(8) Enright, R., & Fitzgibbons, R. (2014). Forgiveness therapy: An empirical guide for resolving anger and restoring hope. Washington, DC: American Psychological Association Books, pp. 171-202. [A terapia do perdão: um guia empírico para aplacar a ira e restaurar a esperança]


(9) Extraído de https://www.lifesitenews.com/news/vatican-surrenders-to-sexual-revolution-with-release-of-sex-ed-program-life.


(10) Petition urges Pope Francis to withdraw ‘nightmare’ Vatican sex-ed program


(11) Fitzgibbons, R. (2015).  Extraído de www.thecatholicthing.org/2015/01/29/contraceptions-cascading-rampage.


(12) O “Dallas Charter” é um conjunto de procedimentos estabelecidos pela Conferência dos Bispos dos Estados Unidos (USCCB) em junho de 2002 a fim de lidar com alegações e casos de abusos sexuais perpetrados por clérigos católicos. Mais informações em: http://www.usccb.org/issues-and-action/child-and-youth-protection/charter.cfm

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Enquanto vocês dormem

Por Lindsay Murray

Traduzido de: http://www.onepeterfive.com/while-you-lay-sleeping/



Enquanto vocês dormem, sentei no corredor e dobrei as roupas lavadas. Enquanto eu tirava as roupas da trouxa e as dobrava, me encantei com pequenas camisetas estampadas com personagens de história em quadrinhos. Eu me maravilhei com pequeninas roupinhas de banho, e sorri abertamente com minúsculos pares de meia. Dobrei as camisetas brancas de seu pai e notei as manchas de sujeira na parte da frente. Pensei na caixa que ele montou para nossa horta caseira e em como ele quer fazer mais caixas. Olhei para minha pilha de velhas roupas pretas, surradas e baratas. Será que um dia vocês vão se lembrar de mim em meu “uniforme” de calça e camiseta preta?

Enquanto vocês dormem, eu recolhi seus brinquedos. Peguei seus desenhos e juntei à pilha de aquarelas que vocês todos pintaram hoje. Eu sei o quanto vocês ficariam chateados se eu jogasse fora todos os seus trabalhos de arte. Podem parecer apenas uns rabiscos para mim, mas para vocês, para todos vocês, era um mapa do seu clubinho e as regras para seus membros. Recolhi seus livros e me certifiquei que vocês tinham marcado as páginas onde tinham parado de ler. Encontrei seus pares de sapato, um na cozinha, outro debaixo do sofá, e os guardei de volta no guarda-roupas. Enxaguei a louça e limpei a mesa.

Enquanto vocês dormem, liguei para minha mãe e compartilhei com ela todas as coisas engraçadas e marcantes que vocês fizeram naquele dia. Nunca me canso de falar de vocês. Nunca fico entediada de contar seus progressos. Se alguém ouvisse, com certeza pensaria que nada daquilo era novidade, mas para mim, é tudo extraordinário. O orgulho que sinto por todos vocês aumenta na medida que relembro o modo como vocês ajudaram sua irmã a aprender algumas novas palavras, e a distância que vocês conseguiram rebater aquela bola.

Você contou até cinco.
Você conseguiu andar de bicicleta sem as rodinhas.
Você dormiu sem fralda.
Você limpou o banheiro sem ninguém pedir.

Enquanto vocês dormem, seu pai e eu rimos um para o outro enquanto limpávamos tudo. Ele me contou sobre seu dia, e eu compartilhei sobre o meu. Nós dançamos a dança que fazemos todo dia, e giramos um em torno do outro com os braços cheios de coisas para jogar no saco de reciclagem. Eu passei o aspirador de pó ao redor de seus pés enquanto ele limpava uma vidraça cheia de marcas de mãos nas portas deslizantes, e nós rimos. Vocês ouviram nossa risada quando estavam deitados na cama? Vocês pegaram no sono enquanto ouviam nossas vozes no andar de baixo? Eu me lembro de ouvir meus pais quando tinha a sua idade, e como isso me preenchia com um sentimento profundo de segurança e conforto. Será que vocês ouviam a emoção em nossas vozes quando finalmente pudemos ficar juntos sem ser interrompidos por vocês? Espero que vocês saibam que seu pai é meu melhor amigo. Eu queria que vocês pudessem ver o quanto adoramos um ao outro quando finalmente temos a chance de olhar nos olhos um do outro sem alguém gritando por nossa atenção.

Enquanto vocês dormem, pegamos nossos telefones e olhamos fotos de vocês quatro. Estudamos fotos que já tínhamos visto centenas de vezes e mostramos a tela para o outro dizendo, “Veja! Lembra quando eles eram pequenos assim!”. Preciso que vocês saibam que embora muitos dias se passem em que eu pareço contar as horas pra vocês dormirem, não passa cinco minutos depois e eu já sinto uma saudade tão profunda de vocês que meu estômago realmente dói com a saudade. Eu não sou eu mesma sem vocês. Seu pai e eu mostramos um ao outro vídeos de vocês todos brincando e sendo sapecas, e rimos até chorar porque o silêncio é muito vazio sem vocês.

Enquanto vocês dormem, seu pai pagou as contas que nos mantêm aquecidos e alimentados. Planejei seu próximo dia de lições e fizemos listas de compras e consertos de casa. Falamos sobre o galpão que precisamos para o inverno, e sobre como nossa grama cresceu pouco no verão. Ficamos preocupados com um de vocês que parecia triste hoje, e sobre os esportes que poderiam tentar. Falamos sobre como aquelas meninas eram legais, e como esse era exatamente o tipo de amizade que gostaríamos que vocês tivessem. Ficamos pensando em quanto tempo mais nosso carro duraria. Sentimo-nos culpados por achar que passaram um verão entediante. Prometemos um ao outro planejar um programa familiar durante o outono. Prometemos um ao outro que iríamos finalmente contratar uma babá, e conhecer aquele novo restaurante da cidade, aquele que acabou de ganhar um prêmio. Dizemos essas coisas todas as noites, de um jeito ou de outro. Há tanto contentamento na familiaridade dessas palavras, no jeito com que os casais se falam depois de anos de casamento.

Enquanto vocês dormem, rezamos por vocês. Rezamos para que vocês continem seguros, saudáveis, e santos. Agradecemos a Deus por todos vocês e pedimos a Ele para ser os melhores pais que possamos ser. Pedimos a Deus perdão porque gritamos de novo, fomos impacientes, e não um modelo de virtude. Ficamos um tempo ouvindo palestras dadas por homens e mulheres fiéis, santos de tempos passados, e santos em formação, para crescer em santidade e levá-los no mesmo caminho. Lemos os artigos que tínhamos salvo durante o dia, pois agora tínhamos tempo para ler com cuidado. Comentamos como o mundo anda preocupante hoje em dia, e rezamos de novo. Perguntamos um ao outro “e se...”, e ficamos ansiosos, e especulando sobre como será o mundo quando vocês forem da nossa idade, e de novo rezamos.

Enquanto vocês dormem, assistimos um episódio de um de “nossos shows”, e me recostei no colo do seu pai enquanto ele brincava com meu cabelo. Eu sei que vocês raramente nos veem assim, e isso é uma pena. Não devíamos esperar até tudo ficar calmo para nos abraçar no sofá. Vocês precisam ver mais disso. Acreditem em mim, nos abraçamos enquanto assistimos alguma coisa que gostamos, e vou contar uma verdade: por mais que gostemos de vocês, esse momento é a parte favorita de nosso dia.

Enquanto vocês dormem, checamos as portas e as janelas e trancamos a casa. Certificamos que todos estavam sãos e seguros. Ficamos em frente da janela principal da casa, e olhamos para a rua escura e seu pai colocou o braço ao meu redor. E assim como em outras noites, agradecemos a Deus por nossa casa, por mais um dia vivido na paz. Subimos as escadas, exaustos e agradecidos, e colocamos a cerquinha de bebê, porque um de vocês caminha durante o sono. Nós nos alternamos abrindo as portas dos seus quartos, indo silenciosamente para suas camas. Eu sempre tento ver o peito subindo e descendo com a respiração, e só pra ter certeza, coloco minha mão embaixo do corpo para sentir o coração batendo, e mais uma vez, agradeço a Deus.

Enquanto vocês dormem, ainda parecem os bebês que trouxemos para casa alguns anos atrás.

Nove anos atrás,
Sete anos atrás,
Quatro anos atrás,
Dois anos atrás...

Cada um de vocês está tranquilo no escuro, meio suados de sonhar, agarrados a lençóis especiais e ursinhos de pelúcia rasgados. Vocês não mudaram muito, e isso toca meu coração profundamente, toda noite. Isso nunca passa, assim como vocês nunca crescem, na hora do sono. Vocês podem me achar boba e super emocional, mas saberão o que é esse amor um dia, quando estiverem diante dos próprios filhos dormindo, extasiados e chorando porque nada se compara a isso. Tracei uma cruz com meu polegar nas suas testas, e sussurrei “Deus abençoe” enquanto beijava cada bochecha.

Enquanto vocês dormem, seu pai e eu nos aconchegamos em nossa cama de casal. Aquela que esperamos mais de uma década para comprar. Voltamo-nos um para o outro, e de novo e de novo, nosso amor transborda. Esse dom do matrimônio é vivido ao redor do mundo enquanto vocês dormem, e, com ele, milhares de preces são enviadas aos céus pedindo mais filhos, e que o amor se multiplique.

Enquanto vocês dormem, tentamos finalmente pegar no sono. Nunca é um sono totalmente restaurador, pois um pai sempre fica alerta. Enquanto vocês dormem, levantamos com cada som e escutamos cada choro para saber se vocês precisam de nós.

Enquanto vocês dormem, vocês podem sonhar livremente e respirar facilmente porque estamos logo aqui no final do corredor, sempre prontos caso vocês precisem, mesmo quando estamos na cama, pois enquanto vocês dormem, vocês nunca estão sozinhos.

E mesmo se dormimos,
sonhamos com vocês
porque levamos vocês sempre conosco,
mesmo quando estão dormindo.

domingo, 31 de agosto de 2014

É possível viver a castidade na faculdade?



Em uma sociedade que iguala a masculinidade ao número de parceiros sexuais, eu sentia que seria rotulado como algo menos que um homem se admitisse que era virgem. Apesar da minha ansiedade, ainda sentia que a coisa certa a se fazer era esperar para ter sexo depois do casamento. Eu tinha aprendido sobre a virtude da castidade ao longo dos anos, mas dentro de mim ainda sentia a pressão da sociedade no sentido de ceder ao sexo antes do casamento, e esse conflito atingiu o ápice durante o meu tempo na faculdade.

Eu comecei a faculdade em 2008. Foi a primeira vez em que tive que me confrontar diariamente com comportamentos de promiscuidade. No meu primeiro final de semana na faculdade percebi que a principal razão pela qual muitos rapazes iam para festas era simplesmente para “ficar” com alguma garota. Uma vez eu estava em uma festa na casa de um colega, e posso me lembrar de um amigo me induzindo: “vai falar com ela”, apontando para uma garota, “provavelmente você não vai ter muito trabalho para levá-la para a cama hoje à noite”. Eu ri, e tentei agir de maneira natural, mas em minha cabeça estava pensando: “Eu sequer sei o seu nome! Eu não vou beijá-la, muito menos tentar levá-la para a cama”. E esse não foi um incidente isolado... Essa rotina se repetiu freqüentemente durante os meus primeiros anos de faculdade. A verdade era que, não importa com quantas garotas eu tinha falado ou com quem tinha dançado naquela noite, eu simplesmente não conseguir ir além quando pensava em “avançar os sinais”. Então eu ia para uma festa, saía com meus amigos, talvez dançava com uma garota, e depois eu ia para casa. Sozinho.

Meus amigos provavelmente pensavam que eu era “devagar”, mas muito cedo eu percebi que o que eu estava procurando não podia ser encontrado em uma festa. Eu queria encontrar uma mulher com quem pudesse compartilhar toda a minha vida, não apenas o meu corpo. Eu não queria viver a versão “hollywoodiana” da fantasia masculina de “sexo-sem-fim-sem-compromisso”; eu queria ser um verdadeiro cavalheiro.

Então eu lutava nessa dicotomia entre cultura e consciência. Eu procurei por mulheres que fossem capazes de viver para além da mentira dos “ficas” e dos programas de uma noite - mas era difícil de encontrar alguém assim, e era tentador ignorar os apelos da consciência. Eu estava começando a me questionar se eu estava errado, se por acaso os ideais em que eu tinha acreditado em minha mente não eram sequer possíveis no mundo de hoje. Será que eu era tão inocente como a sociedade imagina que são aqueles que procuram viver a castidade?

Finalmente, no último ano de faculdade, eu encontrei Jennifer, a mulher que iria se tornar minha esposa. Desde o momento em que a encontrei sabia que tinha algo de diferente nela. Nós realmente estávamos comprometidos com a castidade, e estávamos vivendo aquilo juntos. Assim como acontece com a maioria das coisas na vida, foi muito mais fácil para nós viver esse desafio com uma pessoa que tem o mesmo pensamento e o mesmo objetivo.

Muitos de meus amigos ainda acham estranho o fato de Jennifer e eu não termos mantido relação sexual depois de 3 anos de namoro. Nós aprendemos a expressar nosso amor de outras formas. Eu enviava para ela cartas escritas, trazia flores para ela sem ter nenhuma ocasião especial, e planejava encontros que não necessariamente tinham uma expectativa por trás deles. Ela sabia que quando eu dava demonstrações espontâneas de gentileza eu não estava fazendo isso porque queria levá-la para a cama, mas porque eu a amava e simplesmente queria fazê-la feliz.

A tentação física sempre vai existir, quer você seja solteiro ou casado, mas para preservar o sexo só para o casamento você precisa ser um homem corajoso. Ceder a todas as tentações sexuais vai deixá-lo sedento por algo mais profundo e mais substancial. Eu ouvi isso de amigos. Um de meus melhores amigos uma vez me disse: “Depois que tenho relação sexual com uma garota, me sinto sujo quando vou para casa naquela determinada noite. Sinto alguma coisa no meu coração que me diz que há algo mais do que aquilo”. Se você aprende a controlar os seus desejos e aprende a canalizá-los, vai acabar em algo bonito, algo pelo qual os humanos anseiam - o verdadeiro amor.

Jennifer e eu nos casamos no final de junho de 2014. Eu estava feliz por poder me entregar livremente, abertamente, e sem vergonhas ou memórias de experiências passadas, e feliz por termos esperamos pelo sacramento do matrimônio para nos tornar um só. Quando estávamos adormecendo, em nossa noite de núpcias, Jennifer sussurrou no meu ouvido: “Obrigado por esperado por mim”. Ouvir essas seis palavras valeram mais a pena do que qualquer prazer que o mundo pudesse oferecer.

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Jeff Swierzbinski se graduou em Ciência Política e Sociologia na Universidade de Delaware. Ele é militar sevindo em Ft. Bragg, Carolina do Norte, Estados Unidos, onde vive com sua esposa, Jennifer.








Traduzido de: http://chastityproject.com/2014/08/chastity-college-possible/

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Dizer sim ao sexo


Em seu contexto apropriado, Deus ama o sexo. Ele poderia ter escolhido a cegonha como meio de procriação, mas Deus tinha outros planos. Muitas vezes pode parecer que o assunto da castidade se resume a um grande "não". Mas na verdade a castidade em um sentido mais profundo é um grande "sim". Quando confiamos em Cristo e seguimos seus planos descobrimos o que o demônio tenta nos esconder.

Considere esse exemplo:

Muitos secadores de cabelo vêm com uma etiqueta que explica: "não usar perto da água". Porque? - você pode se perguntar. Aparentemente muitas pessoas por aí pensavam que podiam se lavar e secar ao mesmo tempo. Os fabricantes se sentiram então obrigados a informar a todas as pessoas que essa não era uma boa idéia. Será que alguém ficou com raiva dos fabricantes de secador de cabelo? Claro que não! Eles apenas forneceram esta instrução porque eles fabricaram o secador, e sabem como ele funciona. Com certeza você é livre para usar no chuveiro se quiser, mas os criadores quiseram avisá-lo de que isso não teria um final feliz (Você pode até morrer de choque elétrico). Talvez o seu Criador esteja avisando de que maneira se deve praticar sua obra prima. Isso não apenas para prevenir um desastre, mas também de modo que você possa viver para glorificá-lo.

Isso tudo porque o sexo conjugal é sacramental

É isso mesmo: eu acabei de usar as palavras "sexo" e "sacramento" na mesma frase. Uma maneira de compreender um sacramento é pensar nele como um sinal exterior de uma graça interior. Deus nos concedeu os sacramentos para que não perdêssemos as coisas extraordinárias que ele quer fazer em nossas vidas! É uma maneira que temos de ver, ouvir, sentir e experimentar uma realidade sobrenatural que está acontecendo no interior das nossas almas. Nos sacramentos nos é dada a chance de testemunhar fisicamente uma realidade espiritual superior. O ato sexual dentro do contexto do matrimônio também pode ser pensado como um sinal visível de uma realidade invisível. Foi feito para nos fazer mais santos, para que possamos glorificar a Deus com nossos corpos. Isso significa que a relação sexual é um momento onde o casal recebe graças! No casamento podemos ser santificados através da união sexual.

No ato sexual dentro do matrimônio, Deus contribui com sua criação a fim de criar

É no ato sexual que nos tornamos co-criadores com Deus. Pare e pense sobre isso por um momento. É impressionante. Podemos ter uma noção do mistério da Trindade olhando para a estrutura da família. Na Trindade, Deus se revela como uma eterna comunhão de amor-doação. No matrimônio esse dom de si é expresso em um nível humano na união do casal. O sexo foi criado como uma manifestação exterior de uma realidade interior: o amor. O potencial desse intercâmbio é tão poderoso que nove meses depois você dá a ele um nome. Não, Deus não escolheu a cegonha; ele decidiu ao contrário nos envolver em seu poder criador.

Então, se você fosse o demônio, onde colocaria seu ataque mais estratégico sobre a humanidade?

O demônio tem conseguido sucesso em fazer o sexo parecer tão casual, e ao mesmo tempo nos fazer acreditar que é algo sujo. A pessoa comum provavelmente não tem idéia de que existe algo de santo no sexo. Se a sexualidade foi pensada para nos unir a Deus através da família, então satanás certamente acredita que deve fazer um grande esforço para distorcer essa realidade. Imagine que o plano de Deus para o amor e o matrimônio é como uma maravilhosa festa. O Senhor está diligentemente preparando este banquete para você, e mal pode esperar para recebê-lo assim que ele estiver pronto. Por outro lado, o demônio tenta nos dissuadir de esperar, nos tentando a se banquetear com carne crua. Nós temos a liberdade de esperar por aquilo que está por vir, ou ceder para o que é fácil e rápido. Deus tem planos incríveis para você. A questão é: você vai dizer sim?



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Katie Hartfiel é uma autora e palestrante dedicada a compartilhar o intenso amor de Deus. Ela se formou na Universidade Franciscana de Steubenville, onde recebeu diploma de Teologia. Serviu em grupos de jovens por sete anos em Houston, onde hoje reside com seu marido, Mark, e suas duas filhas. Em 2012, Katie lançou seu primeiro livro, Woman in Love (Mulheres apaixonadas) disponivel em womaninlove.org.




Traduzido de: chastityproject.com/2014/08/say-yes-sex/