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Vida e Castidade
"Deus vos chama a respeitar-vos também no namoro e no noivado, pois a vida conjugal que, por disposição divina, está destinada aos casados é somente fonte de felicidade e de paz na medida em que souberdes fazer da castidade, dentro e fora do matrimônio, um baluarte das vossas esperanças futuras" (Bento XVI)
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
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segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Marcha pela Vida em Fortaleza-CE
Ontem, dia 11 de novembro de 2012, cerca de 5 mil pessoas (segundo estimativas da própria Polícia Militar) estiveram presentes na Avenida Beira Mar, um dos cartões postais de Fortaleza, para promover a vida e lutar contra o aborto.
Seguem fotos do evento (desculpe pela má qualidade do celular =)
O evento contou com a participação de Elba Ramalho, do ex-deputado Luis Bassuma (que foi expulso do PT por defender a vida e ser contra o aborto) e da Dra. Lenise Garcia, presidente do Movimento pela Vida.
Parabéns a todos que participaram. Foi muito bom estar lá e encontrar muito amigos. Que essa iniciativa se repita em Fortaleza de novo e em muitos outros lugares Brasil afora.
Seguem fotos do evento (desculpe pela má qualidade do celular =)
O evento contou com a participação de Elba Ramalho, do ex-deputado Luis Bassuma (que foi expulso do PT por defender a vida e ser contra o aborto) e da Dra. Lenise Garcia, presidente do Movimento pela Vida.
Parabéns a todos que participaram. Foi muito bom estar lá e encontrar muito amigos. Que essa iniciativa se repita em Fortaleza de novo e em muitos outros lugares Brasil afora.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Orientação aos eleitores - não votem em candidatos comprometidos com o aborto
Vídeo do Pró-Vida Anápolis para instruir os eleitores.
Divulgue em seu blog! Não tenhamos medo de falar a verdade!
Veja abaixo artigo do Pe. Lodi, para mostrar que não é só o PT que busca a descriminalização do aborto, mas outros partidos, como o PV.
II. O segundo passo é examinar a atuação passada de seu candidato.
Se o seu candidato já foi parlamentar, verifique como foi seu voto em questões relativas à vida e à família.
III. O terceiro passo é verificar o compromisso do candidato para o futuro.
Mas atenção: só devemos dar o terceiro passo depois de ter dado os dois primeiros.
Não adianta, por exemplo, que um candidato pertencente a um partido comprometido com o aborto, venha depois assinar um compromisso pela vida.
Divulgue em seu blog! Não tenhamos medo de falar a verdade!
Veja abaixo artigo do Pe. Lodi, para mostrar que não é só o PT que busca a descriminalização do aborto, mas outros partidos, como o PV.
TRÊS
PASSOS PARA ESCOLHER O CANDIDATO
I.
O primeiro passo é examinar o Partido a que ele pertence.
Os partidos que se dizem comunistas ou socialistas são incompatíveis com a Doutrina Social da Igreja:
Os partidos que se dizem comunistas ou socialistas são incompatíveis com a Doutrina Social da Igreja:
“Socialismo
religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém
pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista”
(Pio
XI, Quadragesimo Anno, n.º 119).
“Entre
comunismo e cristianismo, o Pontífice [Pio XI] declara
novamente que a oposição é radical. E acrescenta não poder
admitir-se de maneira alguma que os católicos adiram ao socialismo
moderado” (João XXIII, Mater et Magistra, n.º 31).
“O
erro fundamental do socialismo é de caráter antropológico. De
fato, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma
molécula do organismo social”
(João
Paulo II, Centesimus Annus, n.º 13).
Eis a
lista dos partidos brasileiros que se declaram comunistas ou
socialistas (ver anexo):
Partido
dos Trabalhadores (PT) - 13
Partido
Comunista Brasileiro (PCB) - 21
Partido
Popular Socialista (PPS), sucessor do PCB - 23
Partido
Comunista do Brasil (PC do B) - 65
Partido da
Causa Operária (PCO) - 29
Partido
Democrático Trabalhista (PDT) - 12
Partido da
Mobilização Nacional (PMN) - 33
Partido
Pátria Livre (PPL) - 54
Partido
Socialismo e Liberdade (PSOL) - 50
Partido
Socialista Brasileiro (PSB) - 40
Partido
Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) - 16
Partido Verde (PV) - 43
Partido Verde (PV) - 43
Nota: O PV
não se declara socialista, mas em seu Programa defende o
homossexualismo e a legalização do aborto.
O PT, além de se declarar socialista, exige de seus candidatos um compromisso com o aborto.
O PT, além de se declarar socialista, exige de seus candidatos um compromisso com o aborto.
Exclua,
portanto, de seus candidatos, os números 13, 21, 23, 65, 29, 12, 33,
54, 50, 40, 16 e 43.
II. O segundo passo é examinar a atuação passada de seu candidato.
Se o seu candidato já foi parlamentar, verifique como foi seu voto em questões relativas à vida e à família.
02/03/2005:
Deputados que votaram contra ou a favor do artigo 5º da Lei de
Biossegurança, que permite a destruição de embriões humanos:
http://www.providaanapolis.org.br/votobios.pdf
13/08/2008:
Deputados que assinaram o Recurso 0201/08, de José Genoíno,
solicitando que o projeto abortista PL 1135/91 não fosse arquivado,
mas primeiro fosse apreciado pelo plenário da Câmara:
http://www.providaanapolis.org.br/senaofoss.htm
28/05/2009:
Deputados que assinaram a PEC 367/2009, pretendendo dar um terceiro
mandato (pró-aborto) ao presidente Lula:
http://www.providaanapolis.org.br/prolongab.htm
19/05/2010:
Deputados que votaram contra o Estatuto do Nascituro na Comissão de
Seguridade Social e Família:
http://www.providaanapolis.org.br/meandros.htm
III. O terceiro passo é verificar o compromisso do candidato para o futuro.
Há uma
lista de candidatos que se comprometeram a defender a vida em
http://www.brasilsemaborto.com.br/?action=campanha&cache=0.1641827216371894
Mas atenção: só devemos dar o terceiro passo depois de ter dado os dois primeiros.
Não adianta, por exemplo, que um candidato pertencente a um partido comprometido com o aborto, venha depois assinar um compromisso pela vida.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Um padre disse que eu posso me masturbar: e agora?
Olá amigos, mais um vídeo do Pe Paulo Ricardo, onde ele responde a pergunta de uma pessoa: o padre disse que eu posso me masturbar, e agora?
sábado, 28 de abril de 2012
Vídeo do Pe. Paulo Ricardo sobre o Feminismo
Os vídeos do Pe. Paulo Ricardo são sempre importantes, corretos, urgentes. Por favor, assista a mais esse vídeo, e que Deus abençoe a vocação do Pe. Paulo.
Fonte: http://padrepauloricardo.org/audio/47-parresia-feminismo-o-maior-inimigo-das-mulheres/
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Fonte: http://padrepauloricardo.org/audio/47-parresia-feminismo-o-maior-inimigo-das-mulheres/
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sábado, 21 de abril de 2012
Bernard Nathanson. A conversão de um abortista
Por L´Osservatore Romano
Em sua autobiografia intitulada The Hand of God, “A mão de Deus”, Bernard Nathanson – outrora conhecido em Nova York como o “rei do aborto” por ter participado, direta ou indiretamente, de 75.000 deles – conta como se converteu num dos mais destacados defensores da vida, tendo depois ingressado na Igreja Católica. A categoria intelectual e moral do Dr. Nathanson fez com que muitos dos que praticavam ou fomentavam o aborto, incluindo alguns parlamentares, reconhecessem o seu erro e se unissem à luta em favor da vida humana mais indefesa: a dos não-nascidos.
O aborto e todo o seu séqüito – da eutanásia aos “estoques” de embriões humanos congelados – são assuntos que nunca estarão definitivamente resolvidos, já que afetam o próprio sentido da vida humana. No atual momento da História, é nos Estados Unidos onde a divisão de forças entre a “cultura da morte” e a “civilização do amor” pode ser vista com mais clareza do que em qualquer outro lugar. Conversões como a do dr. Bernard Nathanson – primeiro à causa pró vida e depois à fé cristã – são altamente significativas, pois mostram a força das evidências científicas e o poder da oração. Além disso, manifestam a íntima conexão que existe entre Deus e a Lei natural inscrita por Ele na natureza humana. Quem reconhece e segue a Lei natural, muito possivelmente acabará encontrando Deus e a Igreja.
O ABORTO, TAL COMO ELE É
Muitos leitores conhecem em grandes traços a história do Dr. Nathanson. Em 1969 fundou com outras pessoas a Associação Nacional para a Revogação das Leis contra o Aborto (conhecida pela sigla NARAL. Quando mais tarde adotou o nome de Liga Nacional de Ação pelos Direitos Reprodutivos e do Aborto – National ReproductiveAbortion Rights Action League –, a sigla manteve-se). Foi Diretor do Centro de Saúde Reprodutiva e Sexual de Nova York, que na época era a maior clínica de abortos do mundo.
No final da década de 70, abandonou a militância a favor do aborto e chegou a ser um grande advogado da causa pró vida, principalmente com o seu livro Aborting America <“A América que aborta”> e com o vídeo The Silent Scream (“O Grito Silencioso”). Este último constituiu uma verdadeira revolução: empregando a tecnologia médica, mostrou de forma definitiva todos os horrores do aborto, tal como realmente ocorre no ventre materno. Esse vídeo e a sua continuação, The Eclipse of Reason (“O Eclipse da Razão”), foram amplamente exibidos, não somente para o grande público através de canais de televisão em todo o mundo, como também em sessões especiais para parlamentares de diversos países.
Nathanson logo se tornou alvo da ira das forças que promovem a cultura anti vida nos Estados Unidos. Sua mudança de atitude ao convencer-se da realidade objetiva do aborto – a supressão de uma vida humana inocente – fez dele um tema habitual para radicalizações e sátiras. A partir de então passou a atuar simultaneamente como obstetra de prestígio e como professor universitário, viajando pelo mundo todo para dar conferências em defesa dos não nascidos. Já prestes a aposentar-se, publica a sua autobiografia, que contém não somente impressionantes revelações sobre como um homem pode chegar a ser um abortista, mas também – por ter sido escrito quando estava já às vésperas de dar o último passo da sua conversão e incorporar-se, pelo Batismo, à Igreja de Cristo – um testemunho convincente do poder da graça divina.
SEM DESCULPAS
O livro não é fácil nem agradável de ser lido, pois revela ações más e verdadeiramente repugnantes. O que chama a atenção e merece elogios é o fato de o autor não oferecer nenhum argumento que sirva de desculpa para o seu comportamento. Embora o leitor não encontre nada que justifique a conduta de Nathanson, pelo menos encontrará muitas razões para compreendê-la, ao conhecer como foi a infância e a adolescência do autor. Nathanson relata minuciosamente os seus primeiros anos em Nova York, no seio de um lar em que não havia o menor indício de fé religiosa, nem de lealdade ou carinho familiar. A religião não teve papel algum na sua educação. Sua família, judia, não praticava a fé, embora celebrasse as festas religiosas, da mesma forma que muitas famílias cristãs também festejam de algum modo a Páscoa ou o Natal sem que essas solenidades tenham quaisquer conseqüências práticas sobre a sua forma de pensar ou de agir.
É realmente impressionante como Nathanson descreve a idéia que tinha de Deus na sua infância. “Minha imagem de Deus – concluiu, refletindo sessenta anos depois – era a da figura ameaçadora, majestosa e barbuda do Moisés de Michelangelo: sentado sobre o que parecia ser o seu trono, inspecionava o meu destino e estava prestes a lançar sobre mim o seu juízo inexoravelmente condenatório. Assim era o meu Deus judeu: terrível, despótico e implacável”. Num momento posterior da sua vida, quando cumpria o serviço militar na Força Aérea, leu um livro sobre a Bíblia para passar o tempo nas horas mortas. Descobriu que “o Deus do Novo Testamento era uma figura amável, clemente e incomparavelmente carinhosa. Nela iria eu depois buscar, e por fim encontraria, o perdão que desejei por tanto tempo e tão desesperadamente”. Foi um presságio da sua posterior conversão à fé cristã.
O SEGREDO DA PAZ DE CRISTO
Durante os seus estudos de Medicina na Universidade McGill do Canadá, teve como professor o famoso psiquiatra judeu Karl Stern, que havia emigrado da Alemanha nazista. Essa relação teria conseqüências positivas várias décadas depois, quando Nathanson começou a examinar mais de perto as razões do Cristianismo. A respeito de Stern, diz: “Era a figura dominante no Departamento: um grande professor, um orador fascinante – chegava a ser eloqüente, embora empregasse um idioma que não era o seu – e um polemista brilhante, que infalivelmente disparava idéias originais e atrevidas. (...) Tive para com Stern uma espécie de culto ao herói: estudei a Psiquiatria com a diligência de um escriba que esquadrinha a Bíblia, e em troca me deram o prêmio de Psiquiatria ao acabar o quarto ano. (...) Stern transmitia uma serenidade e uma segurança indefiníveis. Na altura eu não sabia que em 1943 – após anos de meditação, leitura e estudo – ele se tinha convertido ao Catolicismo”. Mais tarde, quando Nathanson leu a famosa autobiografia de Stern, Pillars of Fire (“Pilares de Fogo”), compreenderá que o seu autor “possuía um segredo que estive toda a vida buscando: o segredo da paz de Cristo”.
Os capítulos seguintes descrevem a compulsiva promiscuidade de Nathanson, da qual resultou o seu primeiro contato com o aborto, pago pelo seu pai e feito na sua primeira namorada. Depois vem a história dos seus dois primeiros casamentos e o episódio que talvez seja o mais arrepiante: o aborto feito por ele mesmo em outra das mulheres com quem tinha tido relações.
AS EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
Nos capítulos seguintes, Nathanson conta o que já em boa parte tinha explicado em seu livro Aborting America sobre a sua crescente participação na campanha pela liberação do aborto nos Estados Unidos. Como se sabe, essa campanha terminou em 1973, com a sentença da Suprema Corte que – na prática – legalizou o aborto solicitado.
Com o passar do tempo, Nathanson viu claramente as evidências científicas – em boa parte graças às novas tecnologias, que permitiam ver a criança dentro do ventre materno – de que “aquilo” que abortou milhares de vezes (segundo seus próprios cálculos, esteve direta ou indiretamente envolvido em 75.000 abortos) era na verdade um ser humano: era-o desde o instante da concepção. Deixou de praticar abortos e passou a ser o mais famoso “convertido” e o mais conhecido defensor da causa pró vida nos Estados Unidos.
MATADOUROS HUMANOS
Num dos últimos capítulos, intitulado “Rumo aos Tanatórios”, Nathanson faz predições sobre o que o Papa Paulo VI já antecipava com tanta clarividência na sua Encíclica Humanae Vitae: uma vez perdido o respeito pela vida humana em seu começo, chega-se inevitavelmente à eutanásia. Prognostica que em breve haverá clínicas que farão negócio com a morte.
“Baseando-me na minha própria experiência com um tipo de paganismo tão extremo como esse, posso prever que haverá empresários que montarão pequenos e discretos «sanatórios» para aqueles que desejem morrer ou que a isso tenham sido persuadidos, coagidos ou enganados pelos médicos (...). Mas isso será apenas a primeira fase. Quando os tanatórios (do grego thanathos, morte) tiverem prosperado e se expandido, formando redes de clínicas e concessionárias, os administradores assumirão o comando, cortando gastos e custos à medida em que a concorrência for aumentando. Na sua versão final, os tanatórios – reorganizados, eficientes e economicamente perfeitos – tornar-se-ão primeiramente muitíssimo parecidos às fábricas de produção em série em que se converteram as clínicas abortistas; numa fase posterior, serão semelhantes aos fornos de Auschwitz”.
O EXEMPLO E A ORAÇÃO
Apesar de tudo, Nathanson termina o livro com uma nota de esperança na misericórdia, no perdão e na salvação oferecida por Cristo. Como costuma ocorrer nas histórias de conversões, foi a oração e o exemplo de muitos amigos e colegas pró-vida o que acabou por vencer a resistência daquele ateu endurecido, que assim pôde compreender que é possível haver um lugar no coração de Deus até mesmo para gente como ele.
Referindo-se a uma manifestação pró-vida em frente a uma clínica abortista, conta que os participantes “rezavam, apoiavam-se mutuamente, cantavam hinos de júbilo e recordavam constantemente uns aos outros a proibição absoluta de empregar a violência. Rezavam pelos não-nascidos, pelas pobres mulheres que iam lá para abortar, e pelos médicos e enfermeiras da clínica. Rezavam inclusive pelos policiais e jornalistas designados para o local. Eu me perguntava: «Como é que essa gente pode se entregar por um público que é – e sempre será – mudo, invisível e incapaz de qualquer agradecimento?»” Ver aqueles manifestantes pró-vida, dispostos a ir para a cadeia e a arruinar-se por suas convicções, causou em Nathanson uma profunda impressão.
Conta então que “pela primeira vez em minha vida de adulto, comecei a albergar a noção de Deus: um Deus que paradoxalmente me tinha levado até à beira dos proverbiais círculos do inferno, só para mostrar-me o caminho para a redenção e para o perdão mediante a sua graça. Esse pensamento contradizia todas as férreas certezas, que me haviam sido tão queridas: num instante converteu o meu passado num repugnante lodaçal de pecado e de maldade; me acusou e condenou pelos graves crimes contra aqueles que me amavam e contra aqueles que nem sequer conheci; e ao mesmo tempo – milagrosamente – ofereceu-me uma reluzente centelha de esperança, na crença – cada vez mais firme – em que há dois mil anos Alguém morrera pelos meus pecados e pela minha maldade”.
L´OSSERVATORE ROMANO, 21 de fevereiro de 1997, pág. 9.
Em sua autobiografia intitulada The Hand of God, “A mão de Deus”, Bernard Nathanson – outrora conhecido em Nova York como o “rei do aborto” por ter participado, direta ou indiretamente, de 75.000 deles – conta como se converteu num dos mais destacados defensores da vida, tendo depois ingressado na Igreja Católica. A categoria intelectual e moral do Dr. Nathanson fez com que muitos dos que praticavam ou fomentavam o aborto, incluindo alguns parlamentares, reconhecessem o seu erro e se unissem à luta em favor da vida humana mais indefesa: a dos não-nascidos.
O aborto e todo o seu séqüito – da eutanásia aos “estoques” de embriões humanos congelados – são assuntos que nunca estarão definitivamente resolvidos, já que afetam o próprio sentido da vida humana. No atual momento da História, é nos Estados Unidos onde a divisão de forças entre a “cultura da morte” e a “civilização do amor” pode ser vista com mais clareza do que em qualquer outro lugar. Conversões como a do dr. Bernard Nathanson – primeiro à causa pró vida e depois à fé cristã – são altamente significativas, pois mostram a força das evidências científicas e o poder da oração. Além disso, manifestam a íntima conexão que existe entre Deus e a Lei natural inscrita por Ele na natureza humana. Quem reconhece e segue a Lei natural, muito possivelmente acabará encontrando Deus e a Igreja.
O ABORTO, TAL COMO ELE É
Muitos leitores conhecem em grandes traços a história do Dr. Nathanson. Em 1969 fundou com outras pessoas a Associação Nacional para a Revogação das Leis contra o Aborto (conhecida pela sigla NARAL. Quando mais tarde adotou o nome de Liga Nacional de Ação pelos Direitos Reprodutivos e do Aborto – National ReproductiveAbortion Rights Action League –, a sigla manteve-se). Foi Diretor do Centro de Saúde Reprodutiva e Sexual de Nova York, que na época era a maior clínica de abortos do mundo.
No final da década de 70, abandonou a militância a favor do aborto e chegou a ser um grande advogado da causa pró vida, principalmente com o seu livro Aborting America <“A América que aborta”> e com o vídeo The Silent Scream (“O Grito Silencioso”). Este último constituiu uma verdadeira revolução: empregando a tecnologia médica, mostrou de forma definitiva todos os horrores do aborto, tal como realmente ocorre no ventre materno. Esse vídeo e a sua continuação, The Eclipse of Reason (“O Eclipse da Razão”), foram amplamente exibidos, não somente para o grande público através de canais de televisão em todo o mundo, como também em sessões especiais para parlamentares de diversos países.
Nathanson logo se tornou alvo da ira das forças que promovem a cultura anti vida nos Estados Unidos. Sua mudança de atitude ao convencer-se da realidade objetiva do aborto – a supressão de uma vida humana inocente – fez dele um tema habitual para radicalizações e sátiras. A partir de então passou a atuar simultaneamente como obstetra de prestígio e como professor universitário, viajando pelo mundo todo para dar conferências em defesa dos não nascidos. Já prestes a aposentar-se, publica a sua autobiografia, que contém não somente impressionantes revelações sobre como um homem pode chegar a ser um abortista, mas também – por ter sido escrito quando estava já às vésperas de dar o último passo da sua conversão e incorporar-se, pelo Batismo, à Igreja de Cristo – um testemunho convincente do poder da graça divina.
SEM DESCULPAS
O livro não é fácil nem agradável de ser lido, pois revela ações más e verdadeiramente repugnantes. O que chama a atenção e merece elogios é o fato de o autor não oferecer nenhum argumento que sirva de desculpa para o seu comportamento. Embora o leitor não encontre nada que justifique a conduta de Nathanson, pelo menos encontrará muitas razões para compreendê-la, ao conhecer como foi a infância e a adolescência do autor. Nathanson relata minuciosamente os seus primeiros anos em Nova York, no seio de um lar em que não havia o menor indício de fé religiosa, nem de lealdade ou carinho familiar. A religião não teve papel algum na sua educação. Sua família, judia, não praticava a fé, embora celebrasse as festas religiosas, da mesma forma que muitas famílias cristãs também festejam de algum modo a Páscoa ou o Natal sem que essas solenidades tenham quaisquer conseqüências práticas sobre a sua forma de pensar ou de agir.
É realmente impressionante como Nathanson descreve a idéia que tinha de Deus na sua infância. “Minha imagem de Deus – concluiu, refletindo sessenta anos depois – era a da figura ameaçadora, majestosa e barbuda do Moisés de Michelangelo: sentado sobre o que parecia ser o seu trono, inspecionava o meu destino e estava prestes a lançar sobre mim o seu juízo inexoravelmente condenatório. Assim era o meu Deus judeu: terrível, despótico e implacável”. Num momento posterior da sua vida, quando cumpria o serviço militar na Força Aérea, leu um livro sobre a Bíblia para passar o tempo nas horas mortas. Descobriu que “o Deus do Novo Testamento era uma figura amável, clemente e incomparavelmente carinhosa. Nela iria eu depois buscar, e por fim encontraria, o perdão que desejei por tanto tempo e tão desesperadamente”. Foi um presságio da sua posterior conversão à fé cristã.
O SEGREDO DA PAZ DE CRISTO
Durante os seus estudos de Medicina na Universidade McGill do Canadá, teve como professor o famoso psiquiatra judeu Karl Stern, que havia emigrado da Alemanha nazista. Essa relação teria conseqüências positivas várias décadas depois, quando Nathanson começou a examinar mais de perto as razões do Cristianismo. A respeito de Stern, diz: “Era a figura dominante no Departamento: um grande professor, um orador fascinante – chegava a ser eloqüente, embora empregasse um idioma que não era o seu – e um polemista brilhante, que infalivelmente disparava idéias originais e atrevidas. (...) Tive para com Stern uma espécie de culto ao herói: estudei a Psiquiatria com a diligência de um escriba que esquadrinha a Bíblia, e em troca me deram o prêmio de Psiquiatria ao acabar o quarto ano. (...) Stern transmitia uma serenidade e uma segurança indefiníveis. Na altura eu não sabia que em 1943 – após anos de meditação, leitura e estudo – ele se tinha convertido ao Catolicismo”. Mais tarde, quando Nathanson leu a famosa autobiografia de Stern, Pillars of Fire (“Pilares de Fogo”), compreenderá que o seu autor “possuía um segredo que estive toda a vida buscando: o segredo da paz de Cristo”.
Os capítulos seguintes descrevem a compulsiva promiscuidade de Nathanson, da qual resultou o seu primeiro contato com o aborto, pago pelo seu pai e feito na sua primeira namorada. Depois vem a história dos seus dois primeiros casamentos e o episódio que talvez seja o mais arrepiante: o aborto feito por ele mesmo em outra das mulheres com quem tinha tido relações.
AS EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
Nos capítulos seguintes, Nathanson conta o que já em boa parte tinha explicado em seu livro Aborting America sobre a sua crescente participação na campanha pela liberação do aborto nos Estados Unidos. Como se sabe, essa campanha terminou em 1973, com a sentença da Suprema Corte que – na prática – legalizou o aborto solicitado.
Com o passar do tempo, Nathanson viu claramente as evidências científicas – em boa parte graças às novas tecnologias, que permitiam ver a criança dentro do ventre materno – de que “aquilo” que abortou milhares de vezes (segundo seus próprios cálculos, esteve direta ou indiretamente envolvido em 75.000 abortos) era na verdade um ser humano: era-o desde o instante da concepção. Deixou de praticar abortos e passou a ser o mais famoso “convertido” e o mais conhecido defensor da causa pró vida nos Estados Unidos.
MATADOUROS HUMANOS
Num dos últimos capítulos, intitulado “Rumo aos Tanatórios”, Nathanson faz predições sobre o que o Papa Paulo VI já antecipava com tanta clarividência na sua Encíclica Humanae Vitae: uma vez perdido o respeito pela vida humana em seu começo, chega-se inevitavelmente à eutanásia. Prognostica que em breve haverá clínicas que farão negócio com a morte.
“Baseando-me na minha própria experiência com um tipo de paganismo tão extremo como esse, posso prever que haverá empresários que montarão pequenos e discretos «sanatórios» para aqueles que desejem morrer ou que a isso tenham sido persuadidos, coagidos ou enganados pelos médicos (...). Mas isso será apenas a primeira fase. Quando os tanatórios (do grego thanathos, morte) tiverem prosperado e se expandido, formando redes de clínicas e concessionárias, os administradores assumirão o comando, cortando gastos e custos à medida em que a concorrência for aumentando. Na sua versão final, os tanatórios – reorganizados, eficientes e economicamente perfeitos – tornar-se-ão primeiramente muitíssimo parecidos às fábricas de produção em série em que se converteram as clínicas abortistas; numa fase posterior, serão semelhantes aos fornos de Auschwitz”.
O EXEMPLO E A ORAÇÃO
Apesar de tudo, Nathanson termina o livro com uma nota de esperança na misericórdia, no perdão e na salvação oferecida por Cristo. Como costuma ocorrer nas histórias de conversões, foi a oração e o exemplo de muitos amigos e colegas pró-vida o que acabou por vencer a resistência daquele ateu endurecido, que assim pôde compreender que é possível haver um lugar no coração de Deus até mesmo para gente como ele.
Referindo-se a uma manifestação pró-vida em frente a uma clínica abortista, conta que os participantes “rezavam, apoiavam-se mutuamente, cantavam hinos de júbilo e recordavam constantemente uns aos outros a proibição absoluta de empregar a violência. Rezavam pelos não-nascidos, pelas pobres mulheres que iam lá para abortar, e pelos médicos e enfermeiras da clínica. Rezavam inclusive pelos policiais e jornalistas designados para o local. Eu me perguntava: «Como é que essa gente pode se entregar por um público que é – e sempre será – mudo, invisível e incapaz de qualquer agradecimento?»” Ver aqueles manifestantes pró-vida, dispostos a ir para a cadeia e a arruinar-se por suas convicções, causou em Nathanson uma profunda impressão.
Conta então que “pela primeira vez em minha vida de adulto, comecei a albergar a noção de Deus: um Deus que paradoxalmente me tinha levado até à beira dos proverbiais círculos do inferno, só para mostrar-me o caminho para a redenção e para o perdão mediante a sua graça. Esse pensamento contradizia todas as férreas certezas, que me haviam sido tão queridas: num instante converteu o meu passado num repugnante lodaçal de pecado e de maldade; me acusou e condenou pelos graves crimes contra aqueles que me amavam e contra aqueles que nem sequer conheci; e ao mesmo tempo – milagrosamente – ofereceu-me uma reluzente centelha de esperança, na crença – cada vez mais firme – em que há dois mil anos Alguém morrera pelos meus pecados e pela minha maldade”.
L´OSSERVATORE ROMANO, 21 de fevereiro de 1997, pág. 9.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
NUNCA O PERIGO ABORTISTA ESTEVE TÃO PRÓXIMO
Conscientes de que seria quase impossível obter a legalização do aborto pelo Poder Legislativo, os defensores do aborto resolveram usar como "atalho fácil" (nas palavras de Ellen Gracie em 27/04/2005) o Supremo Tribunal Federal.
Composto de onze ministros, nenhum deles eleito pelo povo, todos nomeados pelo Presidente da República, o STF deverá julgar no dia 11 de abril, quarta-feira de oitava da páscoa, a ADPF 54 (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54).
A ação, que usa como testa de ferro a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde, pretende que a Suprema Corte "reinterpretando" o Código Penal, declare que a "antecipação terapêutica de parto" (para não dizer "aborto") de uma criança anencéfala não se enquadra nas condutas descritas para o crime de aborto.
O argumento usado nessa ação é o de que impedir a mãe de abortar seu bebê em tal caso seria violar a "dignidade humana" dela, seu direito à "liberdade" e seu direito à "saúde". Preservar a vida do deficiente seria, na opinião dos que defendem a ADPF 54, descumprir todos esses preceitos fundamentais da Constituição: dignidade humana, liberdade, saúde. A criança (que nunca é chamada "criança", mas "feto") é sempre desqualificada: é um "monstro", um "peso inútil", sua mãe é um "caixão ambulante" etc.
Embora a anencefalia admita vários graus (de modo que é praticamente impossível uma definição exata da anomalia) e embora os anencéfalos reajam a estímulos nervosos, respirem com os próprios pulmões e tenham uma sobrevida variável (de alguns minutos até um ano e oito meses, como no caso de Marcela de Jesus Ferreira), os defensores de tal aborto frequentemente mentem dizendo: que o bebê tem a vida de um vegetal, que não tem capacidade de sentir nem de ter consciência, e que sua sobrevida além de alguns minutos é totalmente impossível.
Em 27/04/2005, quatro Ministros perceberam a má-fé da ADPF 54 e resolveram não conhecê-la, mas foram vencidos: foram eles Ellen Gracie, Eros Grau, Cezar Peluso e Carlos Veloso. Desses, somente Cezar Peluso pertence atualmente ao Tribunal. Agora, no julgamento do mérito, os defensores do aborto precisam de seis votos.
A situação é particularmente grave. Nunca o perigo abortista esteve tão próximo. Note-se: não é um anteprojeto de reforma do Código Penal (que nem sequer foi ainda encaminhado ao Congresso), não é um projeto de lei (que precisaria ser aprovado pela Câmara e pelo Senado e depois ser sancionado pelo Presidente da República). É uma ação judicial à espera de uma decisão que terá efeito vinculante, como se fosse uma lei, e sem qualquer possibilidade de recurso.
A nação brasileira corre o perigo iminente de sofrer um golpe via STF.
É por esse motivo que recomendamos a presença de todos os que puderem à Vigília pela Vida, cuja programação está abaixo.
Repito: é a última chance que temos de impedir um desastre comparável ao da decisão Roe versus Wade, que em 1973 declarou "legal" o aborto nos Estados Unidos, a revelia do Poder Legislativo.
"Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto"
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
www.providaanapolis.org.br
naomatar.blogspot.com.br
Composto de onze ministros, nenhum deles eleito pelo povo, todos nomeados pelo Presidente da República, o STF deverá julgar no dia 11 de abril, quarta-feira de oitava da páscoa, a ADPF 54 (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54).
A ação, que usa como testa de ferro a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde, pretende que a Suprema Corte "reinterpretando" o Código Penal, declare que a "antecipação terapêutica de parto" (para não dizer "aborto") de uma criança anencéfala não se enquadra nas condutas descritas para o crime de aborto.
O argumento usado nessa ação é o de que impedir a mãe de abortar seu bebê em tal caso seria violar a "dignidade humana" dela, seu direito à "liberdade" e seu direito à "saúde". Preservar a vida do deficiente seria, na opinião dos que defendem a ADPF 54, descumprir todos esses preceitos fundamentais da Constituição: dignidade humana, liberdade, saúde. A criança (que nunca é chamada "criança", mas "feto") é sempre desqualificada: é um "monstro", um "peso inútil", sua mãe é um "caixão ambulante" etc.
Embora a anencefalia admita vários graus (de modo que é praticamente impossível uma definição exata da anomalia) e embora os anencéfalos reajam a estímulos nervosos, respirem com os próprios pulmões e tenham uma sobrevida variável (de alguns minutos até um ano e oito meses, como no caso de Marcela de Jesus Ferreira), os defensores de tal aborto frequentemente mentem dizendo: que o bebê tem a vida de um vegetal, que não tem capacidade de sentir nem de ter consciência, e que sua sobrevida além de alguns minutos é totalmente impossível.
Em 27/04/2005, quatro Ministros perceberam a má-fé da ADPF 54 e resolveram não conhecê-la, mas foram vencidos: foram eles Ellen Gracie, Eros Grau, Cezar Peluso e Carlos Veloso. Desses, somente Cezar Peluso pertence atualmente ao Tribunal. Agora, no julgamento do mérito, os defensores do aborto precisam de seis votos.
A situação é particularmente grave. Nunca o perigo abortista esteve tão próximo. Note-se: não é um anteprojeto de reforma do Código Penal (que nem sequer foi ainda encaminhado ao Congresso), não é um projeto de lei (que precisaria ser aprovado pela Câmara e pelo Senado e depois ser sancionado pelo Presidente da República). É uma ação judicial à espera de uma decisão que terá efeito vinculante, como se fosse uma lei, e sem qualquer possibilidade de recurso.
A nação brasileira corre o perigo iminente de sofrer um golpe via STF.
É por esse motivo que recomendamos a presença de todos os que puderem à Vigília pela Vida, cuja programação está abaixo.
Repito: é a última chance que temos de impedir um desastre comparável ao da decisão Roe versus Wade, que em 1973 declarou "legal" o aborto nos Estados Unidos, a revelia do Poder Legislativo.
"Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto"
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
www.providaanapolis.org.br
naomatar.blogspot.com.br
sábado, 7 de abril de 2012
Amor e ... responsabilidade?
Por Edward P. Sri
Fala-se rotineiramente que metade dos casamentos termina em divórcio. Mas o que muitas vezes não é discutido é a outra metade da equação: os casamentos que não acabam. Esses casamentos estão indo muito bem? Será que os cônjuges que permanecem juntos realmente se sentem próximos um do outro? Será que eles alcançam uma intimidade verdadeira, pessoal e duradoura?
__________
A situação nesse outro lado não é muito bonita. Estudos tem mostrado que a maioria dos casais não se sentem unidos a um amigo(a) verdadeiro(a). Na verdade, apenas 1 de cada 10 casais nos Estados Unidos dizem experimentar intimidade emocional no relacionamento.
Um bom casamento não é aquele onde as pessoas simplesmente permanecem juntas. Um bom casamento é aquele em que os esposos experimentam uma profunda comunhão pessoal um com o outro. Queremos casamentos em que pessoas com 10, 20 ou 30 anos de casado possam dizer: “Eu amo meu(minha) esposo(a) agora mais do que quando me casei”.
Para João Paulo II – então Karol Wojtyla – o segredo para a comunhão pessoal na vida conjugal é o amor-doação-de-si, e um senso que acompanha esse amor, um senso de responsabilidade pelo dom que é a outra pessoa. Na verdade esse tema da aresponsabilidade é tão importante que ele o colocou no título do seu livro sobre amor, casamento e relacionamento entre homem e mulher. O livro não se chama simplesmente “Amor”, mas “Amor e Responsabilidade”.
O que é essa responsabilidade? E como ela pode transformar os relacionamentos entre esposos, noivos, e pessoas significativas? É isso que vamos explorar nesta reflexão.
Responsabilidade
Pense no que acontece em um amor onde há compromisso. Em nossa última reflexão, vimos que o sentido mais pleno do amor envolve duas pessoas que se doam uma à outra. E essa auto-doação nada mais é do que uma entrega total da vida da pessoa para outrem – um render as próprias preferências, liberdade, e vontade em prol do outro.
Isso significa que, no verdadeiro amor comprometido, meu(minha) amado(a) entrega completamente sua vida a mim. Essa pessoa renuncia livremente e amorosamente a sua autonomia e devota sua vontade ao bem do nosso casamento e ao bem de nossa família. Portanto, já que a pessoa amada confia sua vida inteiramente a mim dessa maneira única, eu devo, por minha vez, possuir um profundo senso de responsabilidade por ela – pelo seu bem-estar, sua felicidade, sua segurança emocional, sua santidade. Como explica Wojtyla: “Existe no amor uma responsabilidade particular – a responsabilidade por uma pessoa que está ligada pelo compromisso mais íntimo possível com a vida e a atividade de outra pessoa, e se torna, de certo modo, propriedade de quem recebe essa entrega de vida, esse dom de si” (Amor e Responsabilidade).
Aqui, Wojtyla oferece um padrão para o amor que é contra-cultural: “Quanto maior o sentimento de responsabilidade pela pessoa, mais há amor verdadeiro” (Amor e Responsabilidade). Note que ele não disse que haveria mais amor onde fossem mais fortes as emoções. A verdadeira medida para o amor não é o quanto se gosta de estar com a pessoa amada, ou quanto prazer se recebe dela. O amor autêntico não é tão centrado em si mesmo, constantemente olhando para dentro de si, para minhas próprias emoções e desejos. Ao invés, o verdadeiro amor olha para fora, com um fascínio para com meu(minha) amado(a) que entregou sua vida a mim, e tem um profundo senso de responsabilidade pelo seu bem, especialmente à luz do fato de que essa pessoa se entregou a mim dessa maneira.
Aceitando o dom
Para que possamos apreciar melhor o papel crucial que a responsabilidade possui em um relacionamento, vamos considerar os dois aspectos do amor doação-de-si. Por um lado, existe um doar a mim mesmo: a pessoa amada se entrega a mim e eu me entrego a ela. Por outro lado, há a aceitação da outra pessoa: eu aceito a pessoa amada como um dom que me foi confiado, e ela me aceita como um dom. Wojtyla observa como existe, no amor verdadeiro, um grande mistério de reciprocidade no dar e receber de um pelo outro. Na verdade, ele faz uma afirmação muito intrigante sobre isso: “Aceitação também deve ser doação, e doação também deve ser recepção” (Amor e responsabilidade).
Em que sentido aceitação é doação? Em outras palavras, em que sentido a aceitação da pessoa amada é um verdadeiro dom para ela? Os insights de João Paulo II na Teologia do Corpo nos ajudarão a compreender (1). Ao comentar sobre a união de Adão e Eva, ele explica que quando Eva foi apresentada a Adão pela primeira vez, ela foi plenamente aceita por ele, e os dois se tornaram intimamente unidos, como uma só pessoa. “Então o homem disse: ‘Finalmente essa é osso dos meus ossos e carne da minha carne’, portanto o homem deixa seu pai e sua mão e se une a sua mulher, e os dois se tornam uma só carne” (Gen 2, 23-24).
Como o pecado ainda não havia entrado no mundo Adão não lutava contra o egoísmo. Portanto, ele amava sua mulher não pelo que ele poderia lucrar com o relacionamento (uma ajudante para cuidar do jardim, companhia, prazer emocional, prazer sexual etc.). Ao invés, ele a amava pelo que ela era como pessoa. Ele aceitava sua mulher como esse tremendo dom ao qual ele iria cuidar e proteger. Ele tinha um profundo senso de responsabilidade por ela, e ele sempre buscava o que fosse melhor para ela, não para seus próprios interesses. Ele nunca fez nada que pudesse magoá-la.
A chave para a intimidade
Coloque-se no lugar de Eva. Imagine ter um esposo como esse! Imagine como ela deve ter se sentido totalmente aceita desse modo. De fato, foi um grande dom para ela ter um esposo que a recebeu alegremente e que a amou por ela mesma, pois seus anseios por uma comunhão pessoal puderam ser atendidos. A aceitação total de Eva por parte de Adão forneceu a ela a segurança que ela precisava para se sentir capaz de confiar seu coração e toda sua vida completamente a ele, sem medo de ser frustrada. Em outras palavras, o amor e a aceitação verdadeiros que Adão teve para com Eva fez florescer no coração dela a confiança que torna possível a intimidade emocional (2).
Essa é a chave para a comunhão pessoal no matrimônio. Eva nunca sentiu medo de ser usada por Adão, de ser incompreendida por ele, ou de ser magoada por ele, visto que ela tinha total confiança no amor dele. Portanto, nesse contexto do amor e da responsabilidade compromissada, ela se sentia livre para se entregar completamente a seu marido – emocional, espiritual e fisicamente – sem guardar nada para si.
De volta ao paraíso
Esse é o tipo de dinâmica que queremos para nossos casamentos: uma confiança integral, que torna possível a intimidade pessoal. Entretanto, a pessoa amada só vai aumentar sua confiança em mim – e consequentemente desvelar seu coração para mim – à medida que ele sente que estou comprometido com ela, que a aceito totalmente, e que sinto uma grande responsabilidade em procurar o que é melhor para ela.
Isso não é uma coisa fácil de se alcançar. Ao contrário de Adão e Eva no jardim, nossa natureza é decaída. Somos egoístas, e muitas vezes fazemos coisas que magoam a outra pessoa, e quebram a confiança, fazendo regredir a intimidade. Por exemplo, quando um homem está mais preocupado com o que precisa fazer no trabalho do que com as necessidades de sua esposa, ele envia para ela uma mensagem de que ela não é prioridade – de que todo o resto é mais importante. Isso, é claro, não ajuda a construir a confiança, e só a faz sentir mais distante de seu marido. Do mesmo modo, uma esposa que constantemente reclama do seu marido e o critica por suas fraquezas, por não conseguir fazer os trabalhos de casa, ou por não ter um emprego melhor, pode fazê-lo sentir-se desrespeitado ou indesejado. Essas reclamações provavelmente só irão torná-lo mais distante emocionalmente dela.
E quando experimentamos as fraquezas da pessoa amada, e nos sentimos magoados por algo que ela fez? Quando nos magoamos, temos a tentação de alimentar a frustração para com a pessoa amada, dizendo para nós mesmos: “Porque ele sempre faz isso? Ele nunca vai mudar!”. Podemos nos tornar defensivos (“Não foi culpa minha! Porque ela não entende?”). Podemos levantar barreiras (“Não vou mais contar para ele o que realmente estou sentindo... ele não liga mesmo...”). Podemos até começar a duvidar do amor (“ Se eu tivesse casado com outra pessoa, não seria tratado dessa maneira”).
Wojtyla nos lembra que é nesses momentos que nossa aceitação e responsabilidade pela outra pessoa são mais testadas. Por isso, devemos “amar a pessoa completamente, com todas as suas virtudes e faltas, até o ponto em que a amemos independente dessas virtudes e apesar dessas faltas” (Amor e Responsabilidade). Ele não está dizendo que devemos condescender ou ignorar os pecados e as fraquezas da pessoa amada. Mas ele está nos desafiando a evitar enxergar a pessoa amada como se fôssemos um advogado de acusação. Embora feridos, devemos olhar para além dos meros fatos (“Ela fez aquilo comigo!”) e ver a pessoa, que preserva seu grande valor mesmo em meio às fraquezas e pecados. Afinal de contas, como temos visto nessas reflexões, o amor é direcionado à pessoa – não apenas ao que ele(ela) faz por mim. Então, quando a pessoa amada está em um momento não tão bonito assim – não me é prazeroso, e na verdade faz algo que me magoa – ainda haverá amor e aceitação total para ela?
Esse é o tipo de pergunta que consegue atingir o âmago da questão do amor. Como resume Wojtyla:
Isso, claro, é análogo ao modo como o Senhor nos ama. Apesar de nossos pecados e falhas, Deus permanece fiel a nós, olhando-nos pacientemente e misericordiosamente, em face de nossas faltas. Ele continua conosco mesmo quando fazemos coisas que ferem nosso relacionamento com Ele.
Portanto, se queremos seguir a imagem de Cristo em nossos casamentos, devemos primeiramente e de modo mais intenso desenvolver uma atitude profunda de amor e de aceitação pelos nossos cônjuges do modo como eles são, com todas as suas imperfeições. Ao invés de tentar mudá-los ou de se irritar com suas faltas, devemos permanecer firmemente comprometidos com eles como pessoas que nos foram confiadas com dom. Nossa atitude fundamental para com a pessoa amada, em meio a suas fraquezas, não deve ser de agitação, defesa, ou irritação, mas sim de aceitação incondicional em nosso coração pelo(a) esposo(a) que ele(a) é, suportando pacientemente suas faltas. Quando fazemos isso, começamos a amar como Deus ama.
__________
Notas:
(1) Ver as catequeses da Teologia do Corpo presentes no livro “Homem e mulher o criou – Ed. EDUSC”.
(2) Nesta curta reflexão focalizei a aceitação que Adão teve para com Eva, porém o mesmo pode ser dito na outra direção. A aceitação total de Adão como dom, por parte de Eva, serve igualmente como dom para ele, fortalecendo mais ainda a confiança e a intimidade no relacionamento.
__________
O Autor: Edward Sri é professor assistente de Teologia do Benedictine College em Atchinson, Kansas, Estados Unidos, e autor de vários livros de Teologia e espiritualidade.
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Traduzido de: http://catholiceducation.org/articles/marriage/mf0071.html
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Fala-se rotineiramente que metade dos casamentos termina em divórcio. Mas o que muitas vezes não é discutido é a outra metade da equação: os casamentos que não acabam. Esses casamentos estão indo muito bem? Será que os cônjuges que permanecem juntos realmente se sentem próximos um do outro? Será que eles alcançam uma intimidade verdadeira, pessoal e duradoura?
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A situação nesse outro lado não é muito bonita. Estudos tem mostrado que a maioria dos casais não se sentem unidos a um amigo(a) verdadeiro(a). Na verdade, apenas 1 de cada 10 casais nos Estados Unidos dizem experimentar intimidade emocional no relacionamento.
Um bom casamento não é aquele onde as pessoas simplesmente permanecem juntas. Um bom casamento é aquele em que os esposos experimentam uma profunda comunhão pessoal um com o outro. Queremos casamentos em que pessoas com 10, 20 ou 30 anos de casado possam dizer: “Eu amo meu(minha) esposo(a) agora mais do que quando me casei”.
Para João Paulo II – então Karol Wojtyla – o segredo para a comunhão pessoal na vida conjugal é o amor-doação-de-si, e um senso que acompanha esse amor, um senso de responsabilidade pelo dom que é a outra pessoa. Na verdade esse tema da aresponsabilidade é tão importante que ele o colocou no título do seu livro sobre amor, casamento e relacionamento entre homem e mulher. O livro não se chama simplesmente “Amor”, mas “Amor e Responsabilidade”.
O que é essa responsabilidade? E como ela pode transformar os relacionamentos entre esposos, noivos, e pessoas significativas? É isso que vamos explorar nesta reflexão.
Responsabilidade
Pense no que acontece em um amor onde há compromisso. Em nossa última reflexão, vimos que o sentido mais pleno do amor envolve duas pessoas que se doam uma à outra. E essa auto-doação nada mais é do que uma entrega total da vida da pessoa para outrem – um render as próprias preferências, liberdade, e vontade em prol do outro.
Isso significa que, no verdadeiro amor comprometido, meu(minha) amado(a) entrega completamente sua vida a mim. Essa pessoa renuncia livremente e amorosamente a sua autonomia e devota sua vontade ao bem do nosso casamento e ao bem de nossa família. Portanto, já que a pessoa amada confia sua vida inteiramente a mim dessa maneira única, eu devo, por minha vez, possuir um profundo senso de responsabilidade por ela – pelo seu bem-estar, sua felicidade, sua segurança emocional, sua santidade. Como explica Wojtyla: “Existe no amor uma responsabilidade particular – a responsabilidade por uma pessoa que está ligada pelo compromisso mais íntimo possível com a vida e a atividade de outra pessoa, e se torna, de certo modo, propriedade de quem recebe essa entrega de vida, esse dom de si” (Amor e Responsabilidade).
Aqui, Wojtyla oferece um padrão para o amor que é contra-cultural: “Quanto maior o sentimento de responsabilidade pela pessoa, mais há amor verdadeiro” (Amor e Responsabilidade). Note que ele não disse que haveria mais amor onde fossem mais fortes as emoções. A verdadeira medida para o amor não é o quanto se gosta de estar com a pessoa amada, ou quanto prazer se recebe dela. O amor autêntico não é tão centrado em si mesmo, constantemente olhando para dentro de si, para minhas próprias emoções e desejos. Ao invés, o verdadeiro amor olha para fora, com um fascínio para com meu(minha) amado(a) que entregou sua vida a mim, e tem um profundo senso de responsabilidade pelo seu bem, especialmente à luz do fato de que essa pessoa se entregou a mim dessa maneira.
Aceitando o dom
Para que possamos apreciar melhor o papel crucial que a responsabilidade possui em um relacionamento, vamos considerar os dois aspectos do amor doação-de-si. Por um lado, existe um doar a mim mesmo: a pessoa amada se entrega a mim e eu me entrego a ela. Por outro lado, há a aceitação da outra pessoa: eu aceito a pessoa amada como um dom que me foi confiado, e ela me aceita como um dom. Wojtyla observa como existe, no amor verdadeiro, um grande mistério de reciprocidade no dar e receber de um pelo outro. Na verdade, ele faz uma afirmação muito intrigante sobre isso: “Aceitação também deve ser doação, e doação também deve ser recepção” (Amor e responsabilidade).
Em que sentido aceitação é doação? Em outras palavras, em que sentido a aceitação da pessoa amada é um verdadeiro dom para ela? Os insights de João Paulo II na Teologia do Corpo nos ajudarão a compreender (1). Ao comentar sobre a união de Adão e Eva, ele explica que quando Eva foi apresentada a Adão pela primeira vez, ela foi plenamente aceita por ele, e os dois se tornaram intimamente unidos, como uma só pessoa. “Então o homem disse: ‘Finalmente essa é osso dos meus ossos e carne da minha carne’, portanto o homem deixa seu pai e sua mão e se une a sua mulher, e os dois se tornam uma só carne” (Gen 2, 23-24).
Como o pecado ainda não havia entrado no mundo Adão não lutava contra o egoísmo. Portanto, ele amava sua mulher não pelo que ele poderia lucrar com o relacionamento (uma ajudante para cuidar do jardim, companhia, prazer emocional, prazer sexual etc.). Ao invés, ele a amava pelo que ela era como pessoa. Ele aceitava sua mulher como esse tremendo dom ao qual ele iria cuidar e proteger. Ele tinha um profundo senso de responsabilidade por ela, e ele sempre buscava o que fosse melhor para ela, não para seus próprios interesses. Ele nunca fez nada que pudesse magoá-la.
A chave para a intimidade
Coloque-se no lugar de Eva. Imagine ter um esposo como esse! Imagine como ela deve ter se sentido totalmente aceita desse modo. De fato, foi um grande dom para ela ter um esposo que a recebeu alegremente e que a amou por ela mesma, pois seus anseios por uma comunhão pessoal puderam ser atendidos. A aceitação total de Eva por parte de Adão forneceu a ela a segurança que ela precisava para se sentir capaz de confiar seu coração e toda sua vida completamente a ele, sem medo de ser frustrada. Em outras palavras, o amor e a aceitação verdadeiros que Adão teve para com Eva fez florescer no coração dela a confiança que torna possível a intimidade emocional (2).
Essa é a chave para a comunhão pessoal no matrimônio. Eva nunca sentiu medo de ser usada por Adão, de ser incompreendida por ele, ou de ser magoada por ele, visto que ela tinha total confiança no amor dele. Portanto, nesse contexto do amor e da responsabilidade compromissada, ela se sentia livre para se entregar completamente a seu marido – emocional, espiritual e fisicamente – sem guardar nada para si.
De volta ao paraíso
Esse é o tipo de dinâmica que queremos para nossos casamentos: uma confiança integral, que torna possível a intimidade pessoal. Entretanto, a pessoa amada só vai aumentar sua confiança em mim – e consequentemente desvelar seu coração para mim – à medida que ele sente que estou comprometido com ela, que a aceito totalmente, e que sinto uma grande responsabilidade em procurar o que é melhor para ela.
Isso não é uma coisa fácil de se alcançar. Ao contrário de Adão e Eva no jardim, nossa natureza é decaída. Somos egoístas, e muitas vezes fazemos coisas que magoam a outra pessoa, e quebram a confiança, fazendo regredir a intimidade. Por exemplo, quando um homem está mais preocupado com o que precisa fazer no trabalho do que com as necessidades de sua esposa, ele envia para ela uma mensagem de que ela não é prioridade – de que todo o resto é mais importante. Isso, é claro, não ajuda a construir a confiança, e só a faz sentir mais distante de seu marido. Do mesmo modo, uma esposa que constantemente reclama do seu marido e o critica por suas fraquezas, por não conseguir fazer os trabalhos de casa, ou por não ter um emprego melhor, pode fazê-lo sentir-se desrespeitado ou indesejado. Essas reclamações provavelmente só irão torná-lo mais distante emocionalmente dela.
E quando experimentamos as fraquezas da pessoa amada, e nos sentimos magoados por algo que ela fez? Quando nos magoamos, temos a tentação de alimentar a frustração para com a pessoa amada, dizendo para nós mesmos: “Porque ele sempre faz isso? Ele nunca vai mudar!”. Podemos nos tornar defensivos (“Não foi culpa minha! Porque ela não entende?”). Podemos levantar barreiras (“Não vou mais contar para ele o que realmente estou sentindo... ele não liga mesmo...”). Podemos até começar a duvidar do amor (“ Se eu tivesse casado com outra pessoa, não seria tratado dessa maneira”).
Wojtyla nos lembra que é nesses momentos que nossa aceitação e responsabilidade pela outra pessoa são mais testadas. Por isso, devemos “amar a pessoa completamente, com todas as suas virtudes e faltas, até o ponto em que a amemos independente dessas virtudes e apesar dessas faltas” (Amor e Responsabilidade). Ele não está dizendo que devemos condescender ou ignorar os pecados e as fraquezas da pessoa amada. Mas ele está nos desafiando a evitar enxergar a pessoa amada como se fôssemos um advogado de acusação. Embora feridos, devemos olhar para além dos meros fatos (“Ela fez aquilo comigo!”) e ver a pessoa, que preserva seu grande valor mesmo em meio às fraquezas e pecados. Afinal de contas, como temos visto nessas reflexões, o amor é direcionado à pessoa – não apenas ao que ele(ela) faz por mim. Então, quando a pessoa amada está em um momento não tão bonito assim – não me é prazeroso, e na verdade faz algo que me magoa – ainda haverá amor e aceitação total para ela?
Esse é o tipo de pergunta que consegue atingir o âmago da questão do amor. Como resume Wojtyla:
“A força de tal amor emerge mais claramente quando a pessoa amada “tropeça”, quando suas fraquezas ou mesmo pecados ficam à mostra. Quem ama de verdade não retira seu amor, mas ama ainda mais, ama com plena consciência das limitações e pecados da outra pessoa, e sem aprová-los na mais mínima condição que seja. Pois a pessoa em si nunca perde seu valor essencial. A emoção que se vincula ao valor intrínseco da pessoa permanece fiel ao ser humano” (Amor e Responsabilidade).
Isso, claro, é análogo ao modo como o Senhor nos ama. Apesar de nossos pecados e falhas, Deus permanece fiel a nós, olhando-nos pacientemente e misericordiosamente, em face de nossas faltas. Ele continua conosco mesmo quando fazemos coisas que ferem nosso relacionamento com Ele.
Portanto, se queremos seguir a imagem de Cristo em nossos casamentos, devemos primeiramente e de modo mais intenso desenvolver uma atitude profunda de amor e de aceitação pelos nossos cônjuges do modo como eles são, com todas as suas imperfeições. Ao invés de tentar mudá-los ou de se irritar com suas faltas, devemos permanecer firmemente comprometidos com eles como pessoas que nos foram confiadas com dom. Nossa atitude fundamental para com a pessoa amada, em meio a suas fraquezas, não deve ser de agitação, defesa, ou irritação, mas sim de aceitação incondicional em nosso coração pelo(a) esposo(a) que ele(a) é, suportando pacientemente suas faltas. Quando fazemos isso, começamos a amar como Deus ama.
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Notas:
(1) Ver as catequeses da Teologia do Corpo presentes no livro “Homem e mulher o criou – Ed. EDUSC”.
(2) Nesta curta reflexão focalizei a aceitação que Adão teve para com Eva, porém o mesmo pode ser dito na outra direção. A aceitação total de Adão como dom, por parte de Eva, serve igualmente como dom para ele, fortalecendo mais ainda a confiança e a intimidade no relacionamento.
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O Autor: Edward Sri é professor assistente de Teologia do Benedictine College em Atchinson, Kansas, Estados Unidos, e autor de vários livros de Teologia e espiritualidade.
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Traduzido de: http://catholiceducation.org/articles/marriage/mf0071.html
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