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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Beijo de língua, beijo na boca: é pecado ou não é?

O "beijo de língua" é comum entre casais de namorados, e muitos perguntam sobre ele, se é pecado ou não. A maior preocupação é saber "até onde posso ir" nas carícias do namoro, sem pecar. Esse assunto já rendeu um artigo do blog Revolução Jesus, da Canção Nova (1), e também no nosso blog já traduzimos um artigo do Jason Evert a respeito (2). 




Para explicar melhor a doutrina da Igreja a esse respeito, precisamos ter em mente sempre os três "pontos" que precisam ser analisados quando vamos determinar se uma ação é moralmente boa ou má. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, nos parágrafos 1750 a 1756 (3), lemos que: 

"A moralidade dos atos humanos depende:
 – do objeto escolhido; 
– do fim que se tem em vista ou da intenção;
– das circunstâncias da ação.
(...)
O objeto escolhido é um bem para o qual a vontade tende deliberadamente. É a matéria de um ato humano. 
(...) 
A intenção é um movimento da vontade em direção ao fim; diz respeito ao termo do agir. 
(...) 
As circunstâncias, incluindo as consequências, são elementos secundários dum ato moral. Contribuem para agravar ou atenuar a bondade ou malícia moral dos atos humanos." 

Para saber se um determinado ato é moralmente bom ou mau, devemos analisar esses três "aspectos", e todos eles devem ser bons, para que o ato seja bom, conforme o Catecismo:

"O ato moralmente bom pressupõe, em simultâneo, a bondade do objeto, da finalidade e das circunstâncias. 
(...) 
O objeto da escolha pode, por si só, viciar todo um modo de agir. Há comportamentos concretos – como a fornicação – cuja escolha é sempre um erro, porque comporta uma desordem da vontade, isto é, um mal moral. 
(...) 
Uma intenção boa (por exemplo: ajudar o próximo) não torna bom nem justo um comportamento em si mesmo desordenado (como a mentira e a maledicência). O fim não justifica os meios. Assim, não se pode justificar a condenação dum inocente como meio legítimo para salvar o povo. Pelo contrário, uma intenção má acrescentada (por exemplo, a vanglória) torna mau um ato que, em si, pode ser bom (como a esmola). 
(...) 
As circunstâncias não podem, de per si, modificar a qualidade moral dos próprios atos; não podem tornar boa nem justa uma ação má em si mesma." 

Agora vamos ver alguns exemplos dessa análise da moralidade dos atos, para que possamos depois explicar a situação do "beijo de língua". 


EXEMPLO 1: Um casal deseja beber uma taça de vinho para comemorar o aniversário de casamento, junto com a família, em uma festa. 

Vamos analisar os três pontos: 
A) OBJETO: BOM - Tomar uma taça de vinho não é, em si, pecado. 
B) INTENÇÃO: BOA - A intenção é comemorar o aniversário de casamento, se alegrar. 
C) CIRCUNSTÂNCIAS: BOAS - A ocasião de comemoração não traz nenhum problema.
RESULTADO FINAL: Como os três "pontos" analisados são bons, esse ato específico é moralmente bom. 


EXEMPLO 2: Um jovem decide ter relação sexual com uma garota antes e fora do casamento (fornicação). 

Vamos analisar os três pontos: 
A) OBJETO: MAU - Como explicado pelo Catecismo da Igreja Católica, a fornicação é intrinsecamente má, ou seja, má em si mesma. 
B) INTENÇÃO: DESCONHECIDA - Independente da intenção do rapaz, esse ato já pode ser condenado como mau. Não adianta a pessoa argumentar que tinha uma intenção boa. O rapaz poderia dizer, por exemplo, que tinha intenção de "fazer feliz" a garota, ou "mostrar como a ama", ou pode até mesmo prometer casar com ela no futuro. Nenhuma dessas intenções tem a capacidade de transformar seu ato moralmente condenável em um ato moralmente bom. 
C) CIRCUNSTÂNCIAS: DESCONHECIDAS - As circunstâncias, quaisquer que sejam, não alteram a moralidade ruim deste ato, já que seu objeto é mau. 
RESULTADO FINAL: Ato moralmente pecaminoso, já que seu objeto é mau. 


EXEMPLO 3: Um homem dá uma esmola com a intenção interior de seu coração de se vangloriar diante dos amigos da Igreja. 

Vamos analisar os três pontos: 
A) OBJETO: BOM - Dar esmola é um ato de caridade reconhecidamente bom, inclusive recomendado pela Igreja e pedido pelo próprio Jesus (cf. Lc 12, 33). 
B) INTENÇÃO: MÁ - A intenção de se vangloriar é má, e isso torna essa ação específica desse homem uma ação má, muito embora dar esmola, em si, seja louvável. Se, numa outra oportunidade, o homem desse esmola com a intenção correta no coração de ajudar o próximo, e por amor a Deus, então essa ação passaria a ser boa. 
C) CIRCUNSTÂNCIAS: DESCONHECIDAS - Quaisquer circunstâncias não fariam esta ação específica se tornar boa, já que foi "manchada" pela má intenção do homem em questão. 
RESULTADO FINAL: Ação moralmente ruim, devido à intenção do homem ser má, apesar de seu objeto (dar esmola), em si, ser bom. 


Agora vamos analisar a questão do beijo "de língua". 

EXEMPLO 4: Um casal de namorados resolver dar um "beijo de língua". 
A) OBJETO: BOM OU NEUTRO- O beijo, em si, enquanto contato físico, é uma carícia, que varia de significado de cultura para cultura. Mesmo quando é "na boca", guarda ainda essa característica de neutralidade. Alguns estudiosos poderão dizer que é um objeto neutro, outros poderão dizer que é bom. São diferentes formas de colocar a questão, mas o importante é frisar que ninguém sustenta que o beijo seja, em si mesmo, mau. 
B) INTENÇÃO: BOA ou MÁ? - Aqui está o centro da questão. Se a intenção do casal for boa, ou seja, se o seu coração não procurou o beijo meramente por luxúria, para obter prazer, mas sim para manifestar o apreço e o amor pela pessoa, pode-se sustentar que esse beijo específico foi moralmente bom. Porém, em outra oportunidade, se por exemplo o casal de namorados resolve se beijar por ter seu coração invadido por desejos inapropriados de luxúria, por querer obter prazeres ilícitos, com a intenção de provocar um contato mais íntimo que não é permitido no namoro, por querer "usar" a ocasião e a outra pessoa para sentir esse prazer, então esse beijo específico se torna um ato mau, no aspecto moral. Ou seja, se torna pecado. 
C) CIRCUNSTÂNCIAS: DESCONHECIDAS - Deixamos a análise das circunstâncias para um outro momento. As circunstâncias podem agravar ou atenuar a malignidade desse ato específico. 
RESULTADO FINAL: Depende da intenção da pessoa, Se a intenção do coração for boa, o ato específico é bom. Se a intenção for má, este ato específico será mau, apesar do objeto em si (beijar) ser bom. 

Precisamos também, para ampliar a discussão, analisar a situação descrita no artigo do Jason Evert (2), de um casal de namorados que decide não se beijar na boca, guardando esse momento para o casamento. A intenção do Jason Evert, com certeza, foi disseminar e incentivar a vivência da pureza, citando esse casal como uma espécie de exemplo de vivência da pureza. 


EXEMPLO 5: Um casal de namorados decide não se beijar na boca durante o namoro, guardando esse momento para o casamento. 
A) OBJETO: BOM - Não há nenhuma maldade em se abster do ato de beijar por um certo período de tempo. 
B) INTENÇÃO: BOA ou MÁ? - Aqui novamente está o centro da questão. Se a intenção do casal for boa, essa decisão deles é moralmente louvável. Consigo imaginar que um casal tome essa decisão, por exemplo, como uma espécie de "jejum", ou seja, um sacrifício temporário feito por amor a Deus, ou pela salvação das almas, ou pela conversão dos próprios corações. Imagino também um casal decidindo isso por precaução ante o medo de "passar dos limites", principalmente se supormos que os dois, ou um deles, tenha porventura uma especial dificuldade de viver a pureza, e possa facilmente se deixar levar pela "emoção do momento" e querer avançar para contatos mais íntimos que não são moralmente corretos no namoro. Nesses casos, a intenção dos dois é louvável, e ganha méritos diante de Deus. Por outro lado, pode ser o caso deles terem uma intenção errônea, como, por exemplo, no caso de os dois decidirem isso por querer se vangloriar diante dos amigos do grupo de oração, por querer ser considerados "mais santos". Nessa caso, apesar do objeto do ato ser louvável, esta decisão específica fica "manchada" pela má intenção do casal, e se torna moralmente reprovável. 
C) CIRCUNSTÂNCIAS: DESCONHECIDAS - Deixemos de lado, por enquanto, a discussão sobre as circunstâncias. 
RESULTADO FINAL: Depende da intenção das pessoas. Se a intenção for boa, este ato específifco será bom. Se a intenção for má, o ato será mau, apesar de seu objeto em si (abster-se de beijos "na boca") ser bom. (4)


Concluímos, então, que muitas pessoas não percebem a diferença entre a discussão do objeto do ato (ou seja, sua definição, de um modo geral), e a discussão da moralidade de cada ato particular, a qual leva em consideração também a intenção e as circunstâncias. Escrever um artigo para dizer que o "beijo de língua" não é pecado está teologicamente correto se o autor do artigo está se referindo ao objeto do ato. E normalmente está, porque não tem como saber a intenção do coração de cada um. Entretanto, penso que o autor deveria deixar claro que está falando do objeto do ato de modo geral, resssaltando que, apesar de ser bom em si, cada ato específico de beijar pode ser "manchado" por uma intenção maliciosa. Minha opinião é que os autores de artigos sobre o tema deveriam levar em consideração essa realidade, alertando sempre as pessoas para a importância da intenção do coração, da formação das consciências. 

Um jovem casal de namorados que examina sua consciência com retidão saberá quando é hora de parar com os beijos. Saberá qual a melhor forma de manifestar seu carinho discernindo as intenções de seu coração, e levando em conta as circunstâncias específicas. 

Por exemplo, um jovem rapaz que luta para vencer os pecados contra a castidade (pornografia, masturbação etc) pode ter bastante dificuldade em manter pura a intenção do coração quando está dando um "beijo de língua" na namorada. Já para a ela pode ser mais fácil, dependendo da situação de seu coração. Enfim, estou dando um exemplo para dizer que cada casal de namorados deve dialogar muito, formar suas consciências, e buscar viver a pureza de coração, tomando os cuidados necessários nesse ponto, podendo chegar até a abstinência de beijo, temporária ou definitiva (porque não?) se for preciso salvaguardar a reta intenção e a pureza da alma. 

Uma última palavra que gostaria de oferecer é sobre os julgamentos. Devemos evitar julgar a intenção dos outros, como o próprio Jesus nos ensinou (cf. Mt 7, 1). Somente Deus é capaz de ver o interior dos corações. Sobre a intenção do coração, a Igreja só pode dar direcionamentos gerais. Na verdade, é obrigação da Igreja orientar. Ela aconselha que todos formem sua consciência e procurem ter uma intenção pura. Mas somente a própria pessoa e Deus têm acesso ao que passa no interior de seu coração. Ao fazer um exame de consciência, a pessoa deve pedir a Deus a graça de se revelar a verdadeira intenção do coração, ou seja, que Deus possa lhe dar a graça de conhecer e reconhecer seus pecados. Caso sua consciência a acuse, a pessoa deve procurar um sacerdote para confissão. 

Voltando ao caso dos namorados que decidem se beijar só no casamento, digo que não podemos julgar porque, se porventura sabemos de um casal que decide esperar pelo casamento para se beijar, corremos o risco de julgar que fazem isso por serem "puritanos", ou por querer "ser mais santos que os outros". Eu já vi isso acontecer na prática. Só que não devemos agir assim. Somente Deus sabe a intenção de seus corações, e eles podem estar agindo com méritos diante de Deus. Algumas pessoas, ao saber de casais que decidem esperar para dar o primeiro beijo no altar, se sentem incomodadas, pois não acreditam que possa existir alguém tomando uma decisão dessas com reta intenção de coração. Não acreditam que possa existir tamanho grau de pureza. Acham que eles são "puritanos", ou "hipócritas", que na verdade estão com "desejos" pecaminosos enormes em seu interior, mas disfarçando com uma "máscara" de santidade exterior. 

Amigos e amigas, não cabe a nós julgar a intenção dos outros. Além do mais, pode ser que essa descrença na capacidade dos outros viverem a pureza revele, no fundo, ou uma descrença na própria capacidade de viver a pureza, ou a inexistência de pureza em si mesmo. 

Por outro lado, também, se sabemos que um casal se beija "de língua" com mais "intensidade", não podemos de antemão julgar que estão com desejos luxuriosos em seu coração, por mais que isso seja difícil. O que podemos (e não só podemos, devemos) fazer, nesse caso, é dar uma orientação sobre a formação da consciência, sobre o sentido de pecado, e aconselhar que possam fazer um exame de consciência mais atento com relação às intenções de seu coração. Assim, eles próprios, se for o caso, poderão se arrepender e se converter, de coração, procurando a confissão e mudando de atitude. Mudarão de comportamento porque saberão, de dentro para fora, a partir do próprio coração, que os desejos desordenados e luxuriosos são maus. 

Como podem ver, o assunto é complexo. Mas espero que esse artigo tenha contribuído para a discussão e para a formação de todos.

__________
Notas:
(4)  Imagino mais duas possibilidade para essa análise do casal de namorados que decide não se beijar na boca até o casamento: 
     a) Pode acontecer de o casal ter vontade em seu coração de ter "beijos de língua" tão somente por luxúria, alimentando desejos maliciosos, buscando sentir prazeres ilícitos para o namoro, mas na realidade deixar totalmente de se beijar por achar que o "beijo de língua" é pecado em todas as ocasiões, pois alguém lhes ensinou assim. Nesse caso hipotético, o coração dos dois já está impuro, pois já o próprio desejo de pecar pode ser considerado ruim (ver Mateus 5, 28). Mesmo que na realidade não se beijem "na boca" nunca, podem já estar pecando com o coração.
     b) Pode acontecer de o casal não ter esses desejos luxuriosos de sentir prazer que relatei no parágrafo anterior (e cf. Mt 5, 28), e deixar totalmente de se beijar porque alguém lhes ensinou que era sempre pecado. Nesse caso, o casal não teria culpabilidade, pois seu desejo de se beijar seria idôneo (como forma de manifestar carinho, não como busca de prazer). Se o casal continuar totalmente sem se beijar, não estará pecando, claro. Se souberem fazer dessa abstinência temporária sacrifício sincero de louvor a Deus, poderão ter méritos. Mas se o casal decidir se beijar, desde que mantida a reta intenção e pureza de seus corações, deve ser esclarecido a eles que não estariam pecando, nesse caso específico, para que eles não fiquem com um "peso" na consciência que não deveria estar lá.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Teologia do Corpo 004 - A Solidão Original

"É verdade que Deus nos criou com um propósito?". Os olhos dela pareciam não acreditar muito no que estava ouvindo.

"Sim, minha filha. Deus nos chamou para viver o amor." Respondeu Padre Felício (nome fictício).

"Eu não sei, Padre... Eu sou muito jovem, mas minha vida até aqui tem sido só um monte de confusão e... e..." - Gaguejou, e as palavras não conseguim sair de sua boca. Os olhos de Miriam (nome fictício) começaram a ficar cheios de lágrimas. "Às vezes eu tenho vontade de sumir, de viver na solidão, sabe?", concluiu dizendo as únicas palavras que lhe vinham na mente.

Seu namoro tinha acabado no último final de semana, e por isso tinha pedido ao Padre para conversar, pois estava muito triste. Tinham sido dias difíceis, pois tinha investido muito na relação com o Mateus (nome fictício), apesar dos constantes alertas de seus pais sobre o comportamento do rapaz. 

"Você está se sentindo sozinha, não é verdade?", perguntou o Padre. "Sim, claro, foi terrível principalmente no sábado, quando ele terminou comigo", respondeu ela. "Sentia muita vontade de estar com ele, simplesmente não sei..." As palavras fugiram de novo.



"Minha filha", disse o Padre, "todos nós fomos criados para o amor. O que você deseja é ser amada. Em última instância somente Deus pode preencher esse vazio que está no seu coração. Nessa vida passageira nunca seremos totalmente felizes, pois a felicidade está em Deus. Um dia, quando estivermos no céu, se Deus quiser, iremos nos sentir totalmente saciados, totalmente plenos, totalmente felizes e repletos de amor, pois veremos Deus face a face, e viveremos em comunhão com Ele, que é o próprio Amor. Enquanto isso, na terra, a solidão vai ser um aspecto de nossa existência que sempre vai estar ali. Você acha que pessoas casadas há 10, 20, 30 anos, nunca sentem momentos de solidão? Pois eu digo que sentem sim. Pode ser o casamento mais perfeito do mundo, ainda assim, por mais amor que a pessoa vivencie no relacionamento perfeito, ainda existirá uma dimensão de solidão em seu coração."

Miriam escutava atenta às palavras do Padre, que continuou: "No princípio, quando fez Adão, o primeiro ser humano, Deus lhe apresentou todos os animais para que Adão desse um nome a cada um. No final, Adão reclamou que não tinha conseguido encontrar nenhuma 'auxiliar', nenhuma pessoa que lhe correspondesse. Adão, nesse relato, representa a humanidade, ou seja, todos nós, seres humanos, homens e mulheres. Essa experiência por que passou Adão foi uma experiência de solidão. Veja que interessante, minha filha. Adão estava na presença de Deus, e na presença de todos os seres vivos, e ainda assim se sentiu sozinho. Deus fez Adão passar por essa experiência de solidão antes de criar Eva, e antes colocá-la Eva na presença de Adão. É como se Deus quisesse que Adão experimentasse o desejo de conhecer Eva. Todos nós vivenciamos esse desejo de entrar em contato com outra pessoa igual a nós na natureza. Está tudo no capítulo 2 de Gênesis. Leia quando chegar em casa. Guardamos um 'eco' dessa experiência original. Experimentamos esse desejo de comunhão. Por isso você está tão triste. Por que essa possibilidade de comunhão com esse rapaz se frustrou. Mas não fique triste. Viva na oração, na espera, no discernimento da pessoa que Deus tem preparado para você. Se não deu certo, talvez é porque não era para acontecer mesmo. Mas Deus vai lhe mostrar o caminho"

Miriam escutou com atenção. Trocaram mais algumas idéias, e no final ela saiu mais confortada. Pensou consigo mesmo que iria refletir melhor sobre a solidão, e aproveitar para entrar mais em contato com Deus.

Alguns anos se passaram. A última vez que falei com Padre Felício perguntei sobre aquela jovem. Ele me confidenciou que Miriam, agora adulta, estava noiva, e prestes a casar com um rapaz muito voltado para as coisas de Deus, com toda aprovação dos pais, e sem nenhum problema no namoro. Ela estava muito feliz, e mais madura. Agradeci ao Padre e fiquei feliz pela Miriam. Afinal de contas, se Deus nos fez passar pela solidão, assim como Adão ao nomear os animais, foi para depois nos mostrar a graça da comunhão, assim como fez com Adão ao criar Eva e mandar que os dois se unissem "em uma só carne!

terça-feira, 21 de março de 2017

Teologia do Corpo 002 - Desejo bom e desejo ruim

Amanda (nome fictício) não saberia dizer há quanto tempo vem pensando naquele rapaz. Parece que todas as coisas da sua vida estavam rodando em torno dele. Se desse certo, tudo o mais daria certo. Se não desse em nada, toda sua vida seria em vão.

André (nome fictício) falou comigo ontem pela manhã, estava tenso e preocupado. Não conseguia parar de pensar naquela garota. Achava realmente que era a garota mais bonita que já tinha visto em toda sua vida. Não se achava nem digno dela, mas ao mesmo tempo parece que sua cabeça não conseguia tirar a imagem daquele rosto de seus pensamentos.

Será que alguma vez você já teve algum pensamento parecido com os de Amanda ou de André? Muitas vezes na nossa vida somos tomados pelo desejo de conhecer uma pessoa, de estar com alguém. Mas será que esse desejo não é pecado?

Na Teologia do Corpo um dos pontos fundamentais (e mais difíceis de entender), na minha opinião, é saber diferenciar o desejo santo do desejo malicioso. Às vezes é uma descoberta para alguns saber que existe um desejo santo. Para muitas pessoas, todo desejo é pecaminoso, e a castidade se alcançaria mutilando os pensamentos e desejos. Mas não é assim. 

É compreensível que, em uma sociedade tão sensualizada, tão pervertida, tão cheia de pornografia e luxúria, as pessoas passem a olhar com maus olhos para o desejo. Mas é preciso diferenciar: de que desejo estamos falando?

São João Paulo II comenta que o utilitarismo é o que está por trás do desejo libidinoso. Utilitarismo significa, em termos simples, "utilizar" alguém para seu prazer. Nesse caso, a outra pessoa se torna um mero objeto, que está ali para me dar prazer. Eu só recebo, só usufruo. Não partilho nada.

O contrário disso é o amor-doação. O amor que é entrega de si para a felicidade do outro. Se você tem desejo de estar com aquele rapaz ou aquela garota porque você realmente quer fazer a pessoa feliz, você está no caminho certo. Está no caminho do desejo santo. 

Claro que, se você ama de verdade aquela pessoa, vai querer estar junto dele ou dela por toda a vida, tendo a oportunidade de viver para fazer a outra pessoa feliz. O nome disso é casamento. Claro que casamento envolve sexualidade, filhos, procriação. E sexualidade envolve prazer. Você sabe disso. Mas não está procurando aquele relacionamento com o fim exclusivo de encontrar prazer. Esse prazer vem como um adicional. Um adicional agradável aos sentidos, e bem vindo, é certo. Mas, ainda assim, não é o principal.

Se por acaso meu esposo ou minha esposa sofre uma doença ou um acidente inesperado que desfigura sua beleza física ou deixa a pessoa incapaz de proporcionar prazer, por causa disso vou deixar de amar a pessoa? Se o marido ou a mulher avança na idade e a passagem do tempo não deixa de trazer suas consequências em termos de rugas e de decaimento da beleza corporal, por isso vou amar menos a pessoa?

Por outro lado, quem ama só o corpo da outra pessoa, não ama a pessoa inteira. Enquanto a pessoa está jovem, as coisas se mantêm, com base na pura atração física. Muitos chamam isso de "amor". Vem a idade, e a beleza começa a desaparecer. "Vamos fazer cirurgia plástica", dirão algumas pessoas. Sim, a cirurgia pode até atrasar mais alguns anos as marcas do tempo, mas não existe pessoa imortal. Será que as pessoas realmente precisavam daquela cirurgia? Será que não era medo de não ser realmente amada se deixasse de ser bela?

O amor verdadeiro traz consigo o desejo verdadeiro. Então, da próxima vez que estiver pensando sem parar naquele rapaz, ou naõ estiver conseguindo tirar a imagem daquela garota de sua mente, pare para refletir um pouco. Será que meu desejo é verdadeiro, ou é apenas busca de prazer? Será que eu quero realmente o bem daquela pessoa e estou disposto a sacrificar minha vida pela seua felicidade, ou será que estou apenas tendo uma tentação de usufruir luxuriosamente daquela beleza, daquela companhia?

São perguntas assim que podem ir aos poucos amadurecendo nossa consciência para o que é o verdadeiro amor. Não deixo de pensar que muitos jovens precisam urgentemente parar e refletir sobre muitas coisas relacionadas com o desejo. Não consigo deixar de pensar que o ambiente em que crescemos (escola, amigos, programas de TV, filmes etc) nos educa para o desejo libidinoso. Não educa para o desejo santo, o desejo de amar de verdade, de se doar, de se sacrificar, de estar junto... E também de ter gratificação (prazer etc) por estar com a pessoa? Sim, mas não só por causa disso, e sim principalmente por realmente querer o melhor para ele(a).

Resumindo, o desejo tem que estar ordenado para o bem, para o plano de Deus. Por exemplo, se você tem desejo por uma pessoa casada, com certeza isso não é plano de Deus! Tire esses pensamentos da cabeça! Se você tem desejos que identifica como luxuriosos, pensando somente em prazer e aspectos corporais, cuidado, pois pode ser pecado sim, por não estar ordenado para o bem daquela pessoa, mas somente para sua satisfação sensual. Por outro lado, se o seu desejo te leva a querer conhecer a pessoa, amando-o(a) de verdade cada vez mais, fazendo surgir em você, além da admiração da beleza da pessoa, o desejo de entregar sua vida pela felicidade dele(a), é mais provável que você esteja num caminho melhor.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Teologia do Corpo 001 - Criados para o Amor

Leandro (nome fictício) me chamou no canto, depois de uma palestra, e pediu para conversar um pouco. Jovem, de cabelos negros, devia ter uns 16 ou 17 anos. Soube depois que uma pessoa exemplar no grupo de oração. Não tinha namorada, e estava discernindo uma possível vocação sacerdotal.

"Sabe qual o problema?", perguntou ele. "Eu não consigo entender como é que Deus pode ter colocado na gente tantos... tantos... impulsos sexuais... se é que você me entende... se no final das contas não podemos fazer nada, que tudo é pecado..."



Depois que ele falou, percebi em seu olhar um misto de dúvida, perplexidade, e um início de desesperança. Pensei que talvez esse conflito já fizesse parte de sua vida há algum tempo. Não pude deixar de sentir compaixão pelas suas dúvidas, mas também senti tristeza pelas pessoas que poderiam tê-lo orientado ao longo da vida, mas não o fizeram: pais, professores, figuras religiosas.

Talvez você já tenha passado pelo que nosso personagem fictício passou. Talvez você não esteja sozinho. O que vou escrever aqui não é exatamente o desenrolar daquela conversa. Deixo as particularidades para a intimidade do coração de nosso personagem. O que desejo é trazer alguma luz para a situação.

Sim, é verdade que Deus nos fez seres sexuados. Temos um sexo. Masculino ou feminino. Sim, é verdade que Deus colocou em nós os desejos e impulsos sexuais. Na verdade essa foi minha primeira grande descoberta quando comecei a estudar a Teologia do Corpo. 

Nela, São João Paulo II começa nos levando de volta para o início, para o Gênesis. Quando Deus criou o ser humano, Ele tinha um plano em mente. Nesse plano, estava incluído o ser homem e o ser mulher. Não é mesmo extraordinário pensar que existem essas duas "formas" (digamos assim) de ser humano, e que elas sejam complementares? Que o corpo do homem e da mulher foram feitos um para o outro? 

Na minha opinião, o fato mais importante do relato da Criação é o chamado que Deus faz ao ser humano para que viva em unidade: "O homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher, e os dois se tornam uma só carne" (Gn 2, 24). É uma ordem expressa de Deus, e um convite à união. Homem unido com mulher, casal que se une e se torna uma só carne. Tudo isso já estava no projeto original de Deus.

Nada mais justo que esperar a presença da atração do ser humano pelo outro sexo: atração do homem pela mulher, e da mulher pelo homem. Atração sexual, porque é uma atração entre os sexos.

Mas, voltando à pergunta do nosso amigo: porque ter essa atração se tudo relacionado a sexualidade é pecado?

Para responder, primeiro é preciso reconhecer que nem tudo é pecado. Infelizmente vivemos numa sociedade com tantos problemas morais, tanta pornografia, sensualização banal, que temos a tentação de rejeitar tudo como sendo pecado. Mas é preciso discernir que o pecado não está no corpo do ser humano, nem na atração, mas sim está na distorção e no mau uso que fazemos da sexualidade.

O plano de Deus é que homem e mulher se unam em uma só carne. A isso damos o nome de matrimônio, uma realidade tão sagrada que foi elevada à categoria de sacramento. Quando um homem deixa seu pai e sua mãe e se une à mulher escolhida, temos um matrimônio, inicia-se uma nova família. Isso não é pecado. A vivência da relação conjugal entre cônjuges não é pecado. É plano de Deus. As distorções, como pornografia, sexo desenfreado antes e fora do casamento, tudo isso é pecado, justamente por serem distorções do plano de Deus.

Não é verdade que Deus proíbe a sexualidade. Não é verdade que a Igreja só vê pecado na sexualidade. Pelo contrário, Deus (e a Igreja) consideram a sexualidade humana algo muito sagrado e querido por Deus desde o plano original da criação do ser humano, e por isso tanta proteção para com o matrimônio. Proteção, sim. Daí vem a denúncia das distorções que nos afastam desse projeto de Deus.

Infelizmente, cada vez que imoralidades e contatos sexuais fora ou antes do casamento acontecem entre jovens, é mais um pouco da sacralidade do matrimônio que é vilipendiada, é mais um pouco da beleza do casamento sendo desprezada e aviltada. 

Mas, então, enquanto jovem que ainda não se casou, como nosso amigo Leandro pode aprender a viver esse momento de espera antes do casamento? Ou ainda, se por acaso ele tem vocação sacerdotal, como viver essa atração natural que Deus nos dotou em uma vida inteira de celibato pela causa do Reino dos Céus? Para tudo isso São João Paulo II dedicou muitas linhas de sua Teologia do Corpo, que poderemos discutir mais na frente. Por agora, basta saber que não só é possível, como é o único caminho realmente dignificante e feliz para o ser humano. Esse caminho é o caminho do amor verdadeiro. Aprender a viver o amor é o único caminho realmente digno para o ser humano. 

E, na verdade, é o caminho que nosso coração deseja ardentemente. É o que nosso coração tão calorosamente procura nos momentos mais pessoais de nossa vida, nos momentos que nos definem.

Então, concluindo, Deus, em seu plano original, não nos criou para a solidão. Ele nos criou para a união, para a comum-união, para o amor. E colocou em nosso coração esse desejo.

Vamos ter oportunidade de aprofundar mais esse assunto nos próximos artigos. Até lá!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Uma conversa sobre masturbação

Há algum tempo atrás, enquanto dava uma palestra, uma pessoa simplesmente não acreditou quando eu disse que masturbação não fazia bem, e era pecado. Ele não achou que estivesse falando sério.

O problema com os pecados contra a castidade é que, infelizmente, vivemos em um mundo que não valoriza a pureza, e portanto não consegue conceber o que é ser uma pessoa pura de coração, porque simplesmente essa é uma experiência que lhe foge completamente. Para muitas pessoas está simplesmente fora de seu horizonte de existência.




Primeiramente é preciso dizer que a castidade não é sinônimo de abstinência de sexo. Pode ser que, no caso da pessoa solteira, coincida com a abstinência. Mas cônjuges também devem viver a castidade em seus relacionamentos íntimos. A castidade é a virtude da temperança e da pureza, vivida com relação ao corpo e a sexualidade. Ela significa viver os valores sexuais (sim, eles são valores positivos!) dentro de sua justa proporção, dentro do plano para o qual foram criados por Deus. Significa viver os valores sexuais dentro de uma realidade maior, onde a atração sexual está a serviço do amor verdadeiro, e a ele se orienta.

O contrário da castidade é a luxúria, é um vício que leva as pessoas a ver seu semelhante como um objeto de satisfação de prazeres, e não um ser humano integral que recebe amor e é amado(a). Quem não vive a castidade não sabe o que é amor, pura e simplesmente, porque confunde amor com atração sexual, confunde amor com satisfação sensual, confunde amor com prazeres carnais.

Não é que o verdadeiro amor exclui o prazer. Não. Cônjuges que vivem seus relacionamentos íntimos com certeza sentem prazeres sensuais. Mas, se eles se amam de verdade, não escolheram amar a outra pessoa só por causa desse prazer que ele(a) proporciona. O prazer vem em decorrência de sua união. Não foi a causa da união. A causa da união foi, e continua sendo, o amor verdadeiro. Com o passar dos anos, quando a atração sexual vai normalmente diminuindo, o que fica entre eles é o amor. Casais que não fizeram do amor a razão primeira de sua escolha de um para o outro, nesse ponto correm o risco de cair em um vazio. Muitas vezes essa é a causa do divórcio. Quem não ama de verdade não sabe superar as dificuldades da vida em comum, perdoar as deficiências da outra pessoa, viver escolhendo novamente aquela pessoa de novo e de novo, a cada dia.

Hoje em dia a masturbação é comumente praticada entre adolescentes. Em uma pesquisa acadêmica de 2011, 80% dos jovens rapazes americanos de 17 anos reportaram ter praticado masturbação pelo menos uma vez na vida (1), com mais da metade reportando uma frequência de pelo menos algumas vezes no mês. A percentagem de jovens que se masturbam é maior entre os homens, porém entre as mulheres está longe de ser um raridade. O percentual de jovens mulheres americanas de 17 anos que reportaram ter praticado masturbação chega a 58%, consituindo mais da metade (1).Com uma percentagem tão alta, não é de estranhar que as pessoas passem a ver a masturbação como uma coisa "normal".

O que é preocupante com isso tudo é que a masturbação não ensina a viver os valores sexuais dentro da dimensão do amor verdadeiro.  Organizações e profissionais de saúde tendem a considerar a masturbação como uma prática "normal", "natural", como "parte do desenvolvimento da sexualidade". Mas essa visão não levam em conta aspectos morais. A tendência desses profissionais e pessoas supostamente "entendidas" do assunto é que a religião só serve para trazer "culpa" e sentimentos de "angústia" para os adolescentes, pois a religião se permite questionar se a masturbação faz mesmo bem ou não para os jovens. Por isso, muitas vezes sugerem "abandonar" as visões religiosas, sugerindo que isso vai trazer melhor "auto-estima" para os adolescentes.

Essa é uma visão muito simplista, e que não considera o ser humano como um todo. Nós temos uma consciência moral, não somos apenas "animais evoluídos" que se limitam a reagir psicologicamente a estímulos. Não é a religião que "cria" sentimentos de culpa, mas nossa própria consciência parece nos alertar que "algo está errado aqui". Mas, infelizmente, essa visão preconceituosa contra a religião é a que prevalece, e muitas vezes as pessoas nem querem ouvir o que a religião tem a dizer sobre o assunto.

Somado a isso, temos, infelizmente, o mau exemplo de muitos líderes religiosos, que, por um motivo ou por outro, não sabem traduzir em palavras boas e afirmativas uma proposta convincente para os jovens de hoje viverem a castidade.

Paremos para pensar por um momento sobre o que é a masturbação: uma estimulação dos próprios órgãos genitais visando obter prazer. Agora passemos a comparar essa definição com o projeto de uma relação madura e feliz: um casal que se ama de verdade e se compromete no matrimônio a viver em fidelidade para fazer o outro feliz, e que como instrumento de expressão desse amor vive a união sexual aceitando plenamente tudo que ela traz, ou seja, uma união de vida, não só de corpo, mas também de sentimentos e companheirismo. Agora vem a pergunta: como uma coisa pode ajudar a outra? Como a masturbação pode ajudar a viver em plenitude a vocação matrimonial? A resposta é: não pode.

Não pode porque a masturbação não tem nenhuma característica que venha a "treinar" ou "preparar" a pessoa para viver em um matrimônio sadio, satisfatório, onde existe verdadeiro amor e complementaridade. Mesmo a nível puramente do prazer sexual, a masturbação "treina" o cérebro para se excitar com situações e práticas que não farão parte do panorama de uma relação sexual a dois, normal, entre os cônjuges.

Mas lembre-se que o matrimônio não é composto só de prazer sexual. O prazer é uma parte de um todo mais complexo, que inclui a escolha de um pelo outro, a aceitação social de viver juntos e partilhar a mesma casa e conviver com as mesmas famílias, a aceitação e criação dos filhos, o companheirismo de quem prometeu viver o resto da vida em fidelidade e amor para com aquele(a) cônjuge. Todos esses fatores não são tocados nem de perto pela masturbação.

Por isso o Catecismo da Igreja Católica relata que "a masturbação é um ato intrínseca e gravemente desordenado", pois "o uso da faculdade sexual fora das relações conjugais normais (leia-se: casamento) contradiz sua finalidade" (2).

Uma pessoa certa vez argumentou comigo que a masturbação seria "natural" por fazer parte de um processo de "descoberta do próprio corpo". Esse argumento não pode ser levado a sério. Pare para pensar no caso de um jovem que pratica masturbação frequentemente, vamos dizer mais de duas vezes por semana, repetindo isso durante os anos de sua adolescência. Ao chegar na vida adulta, esse jovem terá realizado centenas, senão milhares de atos de masturbação. Fica difícil argumentar sobre a necessidade de uma quantidade tão grande de masturbação para "descoberta do próprio corpo" quando sabemos que o corpo de um ser humano normal ocupa uma quantidade tão limitada de espaço. Em outras palavras, é patético dizer que o jovem precisa se masturbar tantas vezes para "conhecer o próprio corpo" quando seu corpo é claramente limitado espacialmente falando.

Além do mais, para "conhecer o próprio corpo" não é preciso experimentar prazer sexual. Então algumas pessoas podem argumentar que é preciso "conhecer o prazer sexual". Não existe nenhuma razão para uma suposta "necessidade" de conhecer as sensações envolvidas no prazer sexual fora do casamento, a não ser a própria busca de prazer. E, a título de argumentação, não seria verdade que um só orgasmo já seria suficiente para saber o que ele é? Portanto, após a primeira masturbação as outras não teriam mais sentido, segundo esse argumento. Fica claro que a defesa que algumas pessoas fazem da masturbação não passa de "desculpas" para tentar calar a própria consciência e tentar tornar "normal" uma prática que, no fundo, não leva a nada, e não tem nenhum sentido real para existir. O único (falso) "sentido" é a busca do prazer.

Como vivemos em uma sociedade que faz do prazer o único e absoluto bem, as pessoas continuam buscando esse prazer a qualquer custo. Para uma pessoa que se converte, vem a crise, porque ela passa a conhecer mais sobre moralidade, Deus, a religião, o bem, o amor verdadeiro, Jesus Cristo, e de repente não quer "largar" os hábitos antigos, porque isso implicaria renunciar a prazeres com os quais está acostumada. Tem dificuldade para abandonar esses "prazeres" não só por motivos psicológicos, mas até mesmo por motivos neurológicos, pois nosso cérebro se "acostuma" com aquilo, e tem verdadeiras "crises de abstinência". (3)

Dizer que não é fácil viver a castidade é chover no molhado. É óbvio. Mas Jesus nunca disse que segui-lo seria fácil. Ele pediu para entramos na porta estreita (4). Temos muito a ganhar se passarmos a procurar entender o que é o amor verdadeiro, e procurarmos vivê-lo em plenitude. Outros artigos do nosso blog podem ajudar. (5)

Uma última palavra, então, para você que está lendo esse artigo: não desista nunca da busca da pureza, da castidade. Se o caminho é longo, ele começa pelo primeiro passo. E se vierem quedas, sempre se levante. Longe de te deixar triste ou angustiado, esse caminho vai ter levar a descobrir uma nova realidade, onde existe mais paz e felicidade.



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Notas:

 (1) Prevalence, Frequency, and Associations of Masturbation With Partnered Sexual Behaviors Among US Adolescents. Cynthia L. Robbins, MD; Vanessa Schick, PhD; Michael Reece, PhD, MPH; et al Debra Herbenick, PhD, MPH; Stephanie A. Sanders, PhD; Brian Dodge, PhD; J. Dennis Fortenberry, MD, MS. Arch Pediatr Adolesc Med. 2011;165(12):1087-1093. Disponível em: <http://jamanetwork.com/journals/jamapediatrics/fullarticle/1107656>

(2) Catecismo da Igreja Católica, §2352 (http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s2cap2_2196-2557_po.html)

(3) Veja artigo no blog Vida e Castidade: "A pornografia é tão perigosa quanto cocaína ou heróina" (http://vidaecastidade.blogspot.com/2017/02/a-pornografia-e-uma-droga-tao-perigosa.html)

(4) Mt 7, 13 - "Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram."

(5) Artigos sobre masturbação (http://vidaecastidade.blogspot.com/2009/05/artigos-sobre-masturbacao.html
Artigos sobre pornografia (http://vidaecastidade.blogspot.com/2009/05/artigos-sobre-pornografia.html
Artigos sobre Teologia do Corpo (http://vidaecastidade.blogspot.com/2009/05/artigos-sobre-teologia-do-corpo.html)

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O desafio da castidade - Criando uma cultura da castidade

Vivemos em um mundo que absolutamente não acredita que é possível viver a castidade. O mundo nem sequer entende direito o que é castidade. A maioria das pessoas, durante o percurso de toda uma vida, normalmente não entra em contato com nenhuma explicação séria sobre o assunto. Nenhum artigo sensato sob o ponto de vista da moral e dos bons costumes. Nenhum vídeo ou programa de televisão explicando o real sentido do amor e da castidade. Nenhuma pessoa próxima disposta a dar um bom conselho.

Ao contrário, a sensação que se tem, de modo geral, é que a castidade é impossível. Só o que se escuta são aquelas risadas de quem faz pouco caso do assunto. Se a gente experimenta falar sobre castidade para uma pessoa aleatória com quem temos que conviver na vida, damos de cara com aqueles olhares que parecem nos perguntar se a gente é de outro mundo.

Também não é para menos. Pare um pouco para pensar. Independente do nível de engajamento na Igreja que você tenha, a probabilidade é que você tenha ouvido falar muito pouco, ou quase nada, sobre castidade. Se você participa de grupos de oração para jovens, eu pergunto: quantas formações seu grupo já lhe proporcionou sobre o assunto? Se você vai para a Igreja no Domingo, quantas vezes você já ouviu o Padre falar sobre castidade no sermão? Se você tem uma família católica, quantas vezes seu pai ou sua mãe já conversou com você para lhe orientar sobre o que é, e qual a importância da castidade?

E mesmo que você já tenha ouvido palestras, sermões, ou conversado com alguém sobre o assunto, provavelmente (pare pra refletir) você já ouviu, leu, viu, entrou em contato com muito material que leva você para longe, bem longe da castidade, com uma frequência muito, mas muito maior mesmo.  Não estou falando só de pornografia. Estou falando de programas de televisão no domingo de tarde. Estou falando de artigos de revistas para adolescentes. Estou falando de conversas no corredor do colégio ou da faculdade.

É uma luta desigual. Você pode até dizer que não é influenciável, mas todos nós, uns mais outros menos, sofremos a influência do que vemos, ouvimos, lemos, discutimos. É uma luta desigual comparar uns poucos minutos de pregação sobre castidade que você já teve em sua vida, com uma infinidade de artigos de revista, de programas de televisão, de conversas com amigos, e tantas outras coisas que levam para longe, muito longe da castidade.

É de admirar que mesmo com a balança pesando tanto a favor do lado ruim, ainda exista gente que vive a castidade nesse mundo. Mas existe. E não são poucos. Cito o exemplo de uma pesquisa americana. Muitos esperariam um crescimento na atividade sexual na adolescência nos últimos anos, a julgar pela difusão da pornografia e da "sexualização" da sociedade. Mas, na verdade, essa pesquisa revelou que, de 1991 a 2007, não existiu crescimento acelerado na atividade sexual dos jovens. Pelo contrário, a tendência é de estagnação, ou mesmo de queda (1). E, dos que já tiveram experiência sexual, aproximadamente dois terços (dois de cada três) disse se arrepender de ter não ter esperado mais. (2)

Isso, para mim, só pode significar uma coisa: a consciência pessoal continua viva. Continua firme e forte. Para aqueles que não cedem às pressões da sociedade, e seguem sua consciência, é possível viver a castidade.

Significa também que o terreno está aí, pronto para receber a semente. Muitos jovens estão sedentos de alguém que lhes explique o que é castidade. Uma voz que lhes convide a ser mais gente, mais humano, mais razoável. Alguém que lhes desafie a ser o melhor que podem ser e fazer de si mesmos. Os jovens querem ser dignos, eles querem ser castos. Só precisam de ajuda para isso.

Precisamos criar uma cultura da castidade. Precisamos de textos, de vídeos, de artigos, de pessoas que falem de castidade, que expliquem o que é, que falem de sua beleza, que falem de tudo que podemos ganhar com ela. Precisamos criar material e influenciar a cultura. Precisamos virar o jogo. É possível. E o primeiro passo é tirar da cabeça das pessoas essa idéia de que castidade é uma coisa do outro mundo. 

A princípio as pessoas podem até ficar chocadas com o que vão ouvir. Mas precisamos estar preparados para isso. Precisamos ser agentes de mudança. Primeiramente, precisamos acreditar nós mesmos na beleza e na possibilidade da castidade. Vivê-la e acreditar em seu poder de nos fazer mais felizes.

Você topa o desafio?

Aqui no blog vamos continuar tentando ajudar a criar essa cultura da castidade. Reze por nós.



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Notas:

terça-feira, 3 de setembro de 2013

O poder do amor



Eu fiz esse blog por causa de uma foto minha com meu marido que foi muito divulgada na Internet. Eu quis compartilhar a história por trás dessa foto, para as muitas pessoas que encontraram uma boa inspiração através desse momento que tivemos.

Momentos antes de entrar na Igreja minha então futura sogra entrou no quarto onde estava terminando de me arrumar e onde estava ajeitando os últimos detalhes.

"Querida, seu noivo está lhe chamando".

Nervosa, eu disse: "O quê? Eu nem estou pronta! Preciso pegar meus sapatos..." Mas ela já tinha me pegado pela mão e me levado para um canto da sala, onde meu noivo estava me esperando. Mal consegui me sentar, estava muito nervosa, cheia de expectativas. Será que ele ia gostar do vestido? Será que meu cabelo estava bonito? Será que ele pode me ver?

Do outro lado da parede estava meu noivo. Eu estava tão nervosa, mas fui a primeira a falar:

"Oi, meu amor, hoje nós vamos nos casar!"

"Eu sei, meu amor, e eu quero rezar com você antes disso."

Então ficamos ali perto um do outro, mas separados pelo canto da parede. E juntos inclinamos nossas cabeças. Tinha muita gente passando, o mestre de cerimônias chamando as pessoas para cá e para lá, os fotógrafos tirando fotos. Mas, mesmo assim, na quietude de nossos corações e nossas mentes, estávamos a sós na presença de nosso Salvador, Jesus Cristo.

Meu marido pediu a Deus que abençoasse nosso casamento, para que a gente nunca perdesse a esperança um no outro. Para que a gente não se focasse nas imperfeições do outro, mas sim na perfeição de Cristo. Para que, a cada novo dia, pudéssemos nos decidir a amar um ao outro com a força do amor de Deus.

Segurando forte a mão um do outro nós dissemos: "Amem". Minha voz estava trêmula, e eu me esforçava por segurar a lágrima que caía pelo meu rosto.

Logo depois terminaram de me arrumar, e em pouco tempo eu estava pronta para entrar pelo corredor com meu lindo vestido branco.

Ele não é meu Príncipe só porque ele é bonito e charmoso, mas principalmente porque me ajudou a proteger o dom mais precioso que eu tenho: minha pureza.

Logo depois que começamos a namorar, nervosa eu disse a ele que era virgem, e que planejava me guardar até a noite do meu casamento. Ele respondeu que desejava exatamente a mesma coisa.

Mas muitas vezes, durante nosso namoro e durante o noivado, tivemos que lutar muito contra as tentações. Muitas vezes, principalmente quando ia chegando mais perto do casamento, parecia que estávamos tentando o impossível.

"Porque estamos fazendo isso?" - eu perguntava na minha fraqueza. E ele me lembrava: "É porque Deus quer assim". Outras vezes ele confessava: "É demais, é muito difícil, eu não vou conseguir". E eu então rezava para que ele tivesse fortaleza.

Quando eu entrei naquela Igreja eu olhei bem dentro dos olhos do homem que se entregou completamente, entregou sua vida para proteger a noiva que Deus tinha lhe dado. Quando seus olhos encontraram os meus ele olhou para a face daquela mulher que soube esperar por ele, a mulher que vai amá-lo e lhe dar suporte pelo resto de sua vida, nos dias bons e nos dias ruins.

Estou compartilhando tudo isso porque naquele momento de oração, que foi capturado por essa foto, nós rezamos pedindo a Deus que usasse nosso casamento para Sua Glória. Não chegamos onde chegamos com nossas forças, mas por Sua graça. Deus tem usado essa foto para inspirar muitas e muitas pessoas, e por isso lhe sou muito grata! Louvo a Deus que nos levou para aquele cantinho, com nossas mãos unidas, e prontos para começar nossa vida juntos.

do blog: http://thepowerofprayer.tumblr.com/


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Porque estou esperando pelo casamento para ter sexo

Por Maura Byrne | Fundadora de "Made in his image"



Minha caixa de e-mails é inundada diariamente com perguntas de jovens mulheres, dizendo: Meu namorado diz que, se eu realmente o amo, deveria fazer sexo com ele. Se eu não tiver relações sexuais com ele, eu tenho medo que ele vá me deixar. Se eu não der o que ele quer, tenho medo que ele vá me trair. Meu namorado vê pornografia e isso me faz sentir como se eu não fosse o suficiente. Meus amigos me dizem que, se eu realmente o amo, então deveria dormir com ele. Eu só quero me sentir amada e desejada. Estas são apenas algumas das coisas que eu leio diariamente.

A minha esperança é que Deus Pai venha lhe inspirar através deste post para que você possa ver seu enorme valor e a dignidade que você possui como Sua filha, bem como o caráter sagrado do sexo criado para um marido e uma mulher, e que você não se contente com um homem que não lhe conquiste, honre e proteja.

Por que eu estou esperando pelo casamento para viver o sexo:

É uma história verídica. Uma vez um homem me disse que eu era uma puritana porque eu disse que não ia fazer sexo enquanto não me casasse. Adivinha o que eu disse a ele: Até logo. Afinal de contas, ninguém tem tempo para esse tipo de desrespeito. Eu valho mais do que isso. Meu valor é algo que me levou muito tempo para descobrir e eu ainda estou descobrindo. Ninguém aprende tudo na vida, há sempre mais para aprender.

Quer ouvir algo que poderia chocá-la? Deus criou o sexo. Sim, você me ouviu direito. Deus criou o sexo para um marido e uma esposa trazer novas vidas ao mundo e encontrarem prazer no corpo um do outro. Com isto dito, o sexo não deve ser visto de forma superficial. Tem sido fácil ter 27 anos e não ter tido relações sexuais? Não. Eu fui tentada a fazer sexo? Sim. Mas o próprio Cristo foi tentado, mas não pecou. E este é o exemplo que somos chamados a imitar. Claro que somos humanos e vamos cair, mas devemos buscar o perdão de Deus e começar de novo quando isso acontece.

Quando eu ouvi pela primeira vez sobre o plano de Deus para nossa sexualidade fiquei fascinada e procurei saber mais sobre Sua Verdade. Foi então que aprendi sobre o meu valor e como eu mereço um homem que seja digno e que proteja heroicamente a minha pureza (e, claro, vice-versa). Então, só porque eu estou esperando para ter relações sexuais no casamento, não significa que eu não tenha sido tentada. Mas essa é a beleza da castidade, pois a castidade é simplesmente um caminho ordenado para o amor. Deus colocou esse desejo em meu coração para que eu me entregue ao meu futuro marido e eu confio que Ele vai cumprir esse desejo, mas com um homem que faça um compromisso de sua vida toda para mim. Minha sexualidade é um dos maiores dons que eu estou guardando para ele e só ele.

Só vou me entregar ao meu futuro marido, a um homem que possa dizer o seguinte para mim: "Tomei-te em meus braços, e eu te amo, e eu prefiro você à minha própria vida. Porque a vida presente não é nada, e o meu sonho mais ardente é vivê-la com você de tal forma que possamos ter a certeza de não estar separados na vida eterna reservada para nós. Eu coloco o seu amor acima de todas as coisas, e nada seria mais amargo e doloroso para mim do que pensar diferente de você." - São João Crisóstomo, sobre o que um marido deveria dizer à sua noiva

A ferida:

A ferida mais epidêmica do nosso mundo é a orfandade. Toda menina pequena anseia por ser querida pelo seu pai. Ela quer ser desejada. Ela faz as perguntas: Eu te agrado? Tenho valor a ponto de merecer que você lute por mim? Você me quer? Você me vê? Você me valoriza? Eu sou bonita? Eu sou o suficiente? Quando essas perguntas são respondidas através de um pai adequadamente amoroso, que toca, beija e afirma a sua filha, ela não precisa fugir com o primeiro menino que a acha atraente.

Mas quando essas perguntas não são respondidas de forma adequada, ela procura encontrar as respostas por si própria. Quando um pai não dá à sua filha a atenção e o amor que ela almeja, sua necessidade de aceitação masculina é sem fim. Muitas vezes essas questões não respondidas conduzem a distúrbios alimentares, depressão e promiscuidade, para citar alguns problemas.

Meu conselho para você: não procure o amor de seu pai em todos os lugares. Encontre esse amor no Pai do céu.

Nossa Cultura Sexualizada:

Tomemos por exemplo uma modelo da Victoria Secret (n. do t.: famosa marca de lingerie): Sim, as modelos Victoria Secret são fisicamente atraentes e não há nada de errado com a beleza física. Deus criou as mulheres para serem desse jeito, mas a beleza física por si mesma carece de profundidade. Deus criou as mulheres para inspirarem um sentimento de encanto e admiração em um homem. E isso é muito bom, pois este é o desígnio de Deus.

Toda mulher anseia ser vista por mais do que sua beleza física. Porque, vamos ser sinceros, existe mais coisa em uma mulher do que sua aparência. Mas como os homens podem ver nossos corações, se desnudamos primeiro a nossa carne? O corpo da mulher não foi criado para ser ostentado em uma passarela vestindo lingerie. Lingerie é para o marido de uma mulher, não para uma passarela.

Da mesma forma, a revista People pode colocar uma mulher semi-nua na capa de suas revistas e afirmar que ela ganhou o título de mulher mais bonita do ano. Isso não é verdade. A modéstia revela a beleza interior de uma mulher para o mundo ver, preservando o corpo para seu marido no santo sacramento do matrimônio. Nossa cultura perdeu esse sentido do sagrado do corpo humano  e do vínculo conjugal. Normalmente, a noiva e o noivo não veem um ao outro no dia do casamento, então por que eles olhariam para os corpos uns dos outros antes de fazer seus votos?

A ciência por trás do sexo:

A ciência prova que a quebra de um relacionamento sexual é mais difícil do que um relacionamento não-sexual. Quando um homem e uma mulher têm relações sexuais há muitos processos químicos que ocorrem, por exemplo, o cérebro produz dopamina durante o sexo, que é um produto químico extremamente poderoso. A dopamina é responsável pelo prazer interior, e quando um homem e uma mulher têm relações sexuais produzem um vínculo que não é facilmente esquecido.

A oxitocina também é produzida em grandes quantidades, o que é um forte hormônio produzido principalmente em mulheres quando têm relações sexuais, no parto do seu bebê, e quando ela está amamentando. É por isso que o sexo é para a ligação entre marido e mulher, e é por isso que as mães têm uma ligação tão profunda com seu bebê. A oxitocina é também uma das razões pelas quais uma mulher muitas vezes decide ficar com um homem que está abusando dela: porque ela está literalmente ligada a ele.

A substância química que une um homem a uma mulher é a vasopressina, e tem o mesmo efeito que a oxitocina. É por isso que Deus criou o sexo para o casamento, porque literalmente ele une marido e mulher juntos. Pode-se colocar a questão: Bem, eu acho que eu vou me casar com ele ou ela de qualquer modo, então podemos ter sexo, certo? Errado. Quando você tem relações sexuais, está se ligando a seu parceiro(a), e portanto, está interrompendo o processo de discernimento. O sexo vai unir vocês juntos independentemente de qualquer problema, e é por isso que há tantas feridas em nossa sociedade hoje, e uma das razões por que encontros de uma só noite nunca duram. Porque existe uma ligação emocional, mas não existe nenhum compromisso ao longo da vida.

Cura:

Um dos maiores tesouros que o Beato João Paulo II deixou para o mundo são as catequeses da Teologia do Corpo (www.teologiadocorpo.com.br). Nelas, ele fala sobre a pessoa humana, e explica como Deus se manifesta através da humanidade. A Teologia do Corpo investiga o que realmente significa ser um homem e uma mulher, a nossa sexualidade e como devemos viver a nossa masculinidade e feminilidade de acordo com a forma como Deus nos criou. Se ansiamos ser a melhor versão de nós mesmos, então devemos abraçar as qualidades únicas de nosso gênero. Para isso, é preciso voltar ao princípio, quando Deus nos criou. Gênesis 1,27 nos diz que Deus criou o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou.

Deus nos criou por amor, para que possamos amar e ser amados. A maneira com que esse amor se expressa e se revela é diferente para homens e mulheres, pois foi assim que Deus, em Sua infinita sabedoria, dispôs que fosse. E são as características exclusivas de homens e mulheres que permitem que este amor venha a ser concretizado. Nós existimos para complementar um ao outro, o homem como o que ama e conquista, e a mulher como a que recebe o amor. Na Teologia do Corpo, o Beato João Paulo II nos diz que somos chamados a existir como um dom, um presente para o outro. Ele descreve esse dom como um dom sincero de si mesmo, e é só quando nós entregamos a nossa vida para outra pessoa dessa forma que vamos experimentar a plenitude genuína.

A fim de entender o plano de Deus para a humanidade em nosso mundo decaído, devemos voltar ao princípio e ver o que Deus planejou para nós. É somente quando nós fazemos isto que ficamos cheios de esperança e de paz. No início dos tempos, depois que Deus criou o mundo, viu que não era bom que o homem estivesse só, assim, Ele criou a mulher. Eva foi criada como um dom sincero para Adão, e Adão como um dom para ela. Eles foram criados para complementar um ao outro em sua união, cada um a oferecer-se para o outro como um presente.

Nossa sociedade de hoje perdeu de vista esse ideal por excelência, devido ao egoísmo. Nossa cultura está infestada de distorções e inquietações devido a uma mentalidade de "utilitarismo" representado pelos "ficas", "rolos" e encontros íntimos sem compromissos. Nossa cultura vive distorcida, pela falta de castidade, de auto-controle, pela pornografia e uma verdadeira falta de respeito pela dignidade da pessoa humana.

O que fazer:

Deus criou uma mulher para ser de grande encanto e mistério. E quando uma mulher preza sua sexualidade, ela reflete essa beleza e apelo de uma forma única. Meninas, guardem o belo mistério de seus corpos, pois o seu valor é indescritível. Quero carinhosamente incentivá-la a esperar pelo sexo até que você esteja casada, e, se você tiver feito um erro, então vá para a confissão e comece de novo. Deus Pai enviou o seu Filho ao mundo para morrer por você e Ele anseia lavá-la com o Seu amor e misericórdia. O mesmo se aplica para os homens. Não há pecado grande demais que Ele não perdoe. Ele está esperando que você se aproxime dele. Ele se deleita em você.

Nunca caia na imoralidade para atrair um homem. Você vale mais do que isso. De fato, seu valor está além da compreensão humana. Deus criou o universo, e com certeza Ele não se esqueceu do seu futuro. Toda mulher anseia por um homem que vai proteger e cuidar dela. Minha pergunta para você é: você está se conduzindo de tal maneira que atraia um homem virtuoso?

E lembre-se, você vale a pena, vale a pena que esperem por você. Você merece um homem que vai lutar por você. Um homem que vai proteger e cuidar de você. Um homem que realmente vai mantê-la segura, em todos os sentidos da palavra. Espere que um homem lhe honre pelo belo dom que você é. O homem que Deus tem para você não vai pressioná-la a fazer sexo, ele vai esperar pacientemente até sua noite de núpcias, assim vocês poderão se entregar um ao outro como um dom sincero de si.

Se você estiver namorando alguém agora que não se encaixa nessa descrição e que pressiona você - DÊ UM FORA NELE! VOCÊ MERECE ALGUÉM QUE SABE ESPERAR POR VOCÊ E TE HONRAR!

A mulher virtuosa quem a achará? Ela vale muito mais do que rubis. Enganosa é a beleza e passageira a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada. - Provérbios 31

P.S. Você é o suficiente.

(C) "Made in his image" - link original do artigo

segunda-feira, 14 de março de 2011

Vídeo - Jason Evert: Confiança em Deus

Novo vídeo de Jason Evert, falando sobre o amor verdadeiro e a confiança em Deus na hora de encontrar a pessoa certa.

http://www.youtube.com/watch?v=ZXmd6w44jDg



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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Casamento requer preparação

Por Mieczyslaw Guzewicz

A maior parte do grande número de crises no casamento e de divórcios que ocorre nos dias de hoje é o resultado da falta de uma adequada preparação para a vida adulta a dois. Para remediar essa situação, devemos primeiramente tirar de nossa mente qualquer outro arranjo entre pessoas que não seja o matrimônio.

Comecemos a refletir sobre esse assunto à luz do que nos diz o livro de Gênesis. Encontramos ali um plano prontamente acessível para construir um casamento feliz: “Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne” (Gen 2, 24).




Esse versículo contém algumas condições que devem ser cumpridas para um casamento; e essas condições devem ser cumpridas antes mesmo do casal por o pé na Igreja. Temos aqui requisitos específicos para construir uma união duradoura, e que devem ser realizados antes de dar início à vida matrimonial. A despreocupação em realizar essas condições preliminares é uma das principais causas do número crescente de casamentos fracassados que nos assola hoje em dia.

A sequência correta

O primeiro princípio contido no verso bíblico é uma clara sequência de passos:
1. Deixar
2. Unir-se
3. Tornar-se uma só carne

A própria ordem desses estágios testifica o gênio do autor inspirado. Já há milhares de anos atrás, um homem deixou escrito em uma curta sentença uma verdade lógica que permanece até hoje. Uma união bem sucedida entre um homem e uma mulher deve ser construída nessa ordem: primeiro o casal deve deixar seus pais, então eles devem entrar no matrimônio (formalmente, e não apenas vivendo juntos, mas seguindo um procedimento estabelecido), e só então é que podem formar uma completa união espiritual e corporal. A união corporal é o complemento e realização total da união espiritual. Por si mesma, a união corporal não é completa, mas a espiritual ou afetiva também não é completa por si só (nem mesmo quando devidamente abençoada) enquanto não for “consumada” na carne. Vamos agora refletir um pouco na sequência relatada, pois o sucesso do matrimônio depende da observação da sequência correta.

Hoje em dia vemos a prática comum de inverter a ordem e ignorar os requisitos de cada estágio sucessivo. É muito comum os jovens primeiro “consumarem” o casamento (terem relação sexual mesmo antes de ser um casamento), usufruindo dos prazeres do corpo e criando “uma só carne” – mas apenas em um sentido corporal, que trivializa e degrada o valor da verdadeira união. Só depois começam a pensar onde vão morar, muitas vezes sem condições de cuidar de si mesmos – se não financeiramente, pelo menos profissionalmente. O casal não vai resolver o problema indo morar com os seus pais. Desse modo, eles não só invertem a ordem dos estágios, como também deixam de cumprir os requisitos de cada estágio. O que temos, então, é um dramático paradoxo, que traz a destruição do casamento antes mesmo dele começar.

O texto bíblico nos fala claramente que observar a sequência correta é uma condição básica para ter um casamento duradouro. Igualmente importante é o cumprimento dos requisitos de cada estágio separado.

1. Deixar

Deixar os próprios pais é uma condição para um casamento feliz. Assim como uma criança não pode se desenvolver plenamente sem deixar o útero da mãe e cortar ter o seu cordão umbilical cortado, do mesmo modo um casamento não pode se desenvolver plenamente sem que o casal deixe seus pais. Embora deixar o pai e a mãe normalmente seja um acontecimento acompanhado de um certo grau de sofrimento e dor, é uma dor necessária, que deve ser superada, pelo bem do casamento.

O versículo do livro do Gênesis faz uma referência específica ao homem, mas é óbvio que isso se aplica tanto ao homem quanto à mulher. A circunstância tem mais a ver com o fato de que, em todas as culturas e tradições, sempre tem sido o homem aquele que leva a responsabilidade de construir um novo lar e levar sua noiva para esse novo lar.

A fim de realizar esse primeiro estágio, o casal deve adquirir independência profissional. Eles devem adquirir uma condição que procure garantir um emprego capaz de sustentar a eles e à nova família. Depois eles devem ganhar um certo grau de independência financeira, que permitirá a mudança, da casa dos pais para a nova casa. Essa mudança é absolutamente necessária. É a maneira visível, exterior, através da qual o casal deixa seus pais, se separa deles, e adquirem um senso de independência e liberdade para agir por si mesmos. Igualmente importante nesse primeiro estágio é ganhar a independência emocional e psicológica necessária para viver sem ter que ser “levado pela mão”. Isso envolve a aquisição de habilidades básicas de vida, como cuidar da própria saúde e se responsabilizar sozinho por formalidades legais. Também tem a ver com esse estágio: ser capaz de assumir responsabilidade por si e pelas próprias ações; prontidão em assumir responsabilidade pelos outros – pela esposa ou marido e pelos futuros filhos; prontidão em se sacrificar pelos outros e aceitar o sofrimento; e, finalmente, conhecimento dos princípios morais básicos, os dez Mandamentos e o Catecismo, incluindo o significado sacramental do matrimônio.

É muito comum os pais dificultarem esses passos na vida dos filhos. Agindo assim, eles fragilizam psicologicamente seus filhos, fazendo-os dependentes financeiramente e psicologicamente dos pais. Em alguns casos, chegam a construir grandes casas, com planos de ter os filhos casados morando com eles. Esse é um sério engano, que ocasiona grande prejuízo para os filhos. Deixar a casa para estudar em outra cidade contribui muito para um jovem se tornar independente em muitos níveis. O serviço militar também pode ser de ajuda para amadurecer uma pessoa. No passado, era mais fácil cumprir esse estágio na vida antes do casamento. As pessoas amadureciam psicologicamente mais rápido do que hoje. Situações extremas, como guerras, aceleravam a entrada dos jovens no mundo dos adultos. Havia também uma outra compreensão do papel dos pais, do homem e da mulher na sociedade. Sob as condições atuais, em que a maturidade emocional e psicológica e um senso de responsabilidade por si e pelos outros chega muito depois da maturidade física, sair um pouco de casa, mesmo pagando o preço de atrasar um casamento, pode ser uma condição necessária para se construir uma união duradoura.

Mudar-se para outro lar não significa cortar relações com os pais, nem significa a negação da obrigação que os filhos têm para com relação aos pais, particularmente quando eles alcançam uma idade mais avançada. O que uma mudança para um novo lar faz é criar um nível inicial de conforto para ambos os lados, e facilitar o desenvolvimento de respeito mútuo. É mais fácil respeitar o outro à distância, quando um lado não está dependente de outro. Viver junto com os pais pode ter suas vantagens, mas elas são superadas em muito pelas desvantagens. Nessa situação de morar com os pais, pode acontecer um estado de grande tensão e estresse. Em situações nas quais isso não pode ser evitado, é necessária uma grande dose de tolerância e de compreensão de ambas as partes. Mas um arranjo assim deve sempre ser considerado temporário e transitório, tendo sempre em mente a necessidade de ter sua vida independente.

Portanto, a casa, o lar do casal, é essencial para a formação de um casamento duradouro, e para a obtenção do grau mais alto de humanização. “Somente realizando uma ruptura com essa realidade inicial, e sendo capaz de confiar a própria vida a outra pessoa, é que revelamos aquela qualidade específica através da qual podemos ser vistos como imagem e semelhança de Deus” (Z. Kiernikowski, Two in One Body in Christ).

O cumprimento interior e exterior do primeiro estágio (deixar os pais) também significa o reconhecimento de que, de agora em diante, a esposa ou o marido é a pessoa mais importante de nossa vida. Deixar nossos pais significa que amadurecemos ao ponto de compreender que, embora os pais continuem sendo importantes para nós, eles já não são mais tão importantes como eram antes de sairmos de casa. Nós passamos a reconhecer que a pessoa de maior importância para nós agora é o marido ou esposa. Depois dele ou dela, vem o fruto de nossa união – nossos filhos – e só depois nossos pais, parentes, amigos etc. Os pais também devem aceitar essa realidade, e não esperar que seus filhos casados os tratem como mais importantes que o marido ou esposa.

Deixar os pais também significa ter e ser capaz de se confiar nas mãos de outra pessoa. Isso envolve um grande risco. Quando deixamos nossos pais e rompemos nossa dependência para com eles, damos um corajoso passo. Nós nos lançamos nos braços de alguém com quem não guardamos laços de sangue. Esse ato de confiança ao marido ou esposa é algo de diferente comparado com o relacionamento anterior com os pais. Com eles, fomos, acima de tudo, recebedores de bens e de cuidados solícitos. Nossos pais nos serviam devotamente. Agora, assumimos o papel de provedores de bens e de cuidado para os outros. Isso significa uma transição, de uma posição na qual somos servidos, para uma posição na qual servimos. Deixar a casa dos pais é, portanto, uma transição para um nível de valores muito mais alto. Esse passo é um passo extraordinariamente difícil, arriscado, e, de fato, impossível de se atingir completamente. Porém, na dimensão nova, na qual Cristo é a realização plena, esse ideal se torna possível, principalmente através da Eucaristia, que é o meio pelo qual o humanamente impossível se torna possível.

Talvez esse estágio, mais do que qualquer outro, necessite que ambos os lados, os filhos que estão deixando a casa, e os pais que precisam aceitar essa partida, possam basear suas decisões humanas no poder da Graça Divina.

(a ser continuado)
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Traduzido e adaptado de: http://www.loveoneanothermagazine.org/nr/true_love_waits_pure/marriage_requires_preparation.html
Revista católica “Love One Another”, da Sociedade de Cristo, Padres poloneses

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O amor conquista tudo

Dave era um garoto normal do Texas, que fazia o ensino médio, e gostava de mexer em carros. Ele tinha uma boa família cristã e cresceu aprendendo a ser fiel a Deus, à família e ao país. A garota que ele gostava na escola, Brenda, achava que ele era um pouco exagerado, quando um dia ele falou para ela no corredor do colégio que a amava. Ela deu um tapa na cara dele, pedindo para nunca mais repetir aquilo, a não ser que fosse de verdade.

Alguns anos depois, depois de ter passado mais tempo com ela – namorando com pureza, e mostrando que ele realmente se importava – Dave pediu Brenda em casamento. Ela disse sim, e pouco depois, estavam casados. Então, um dia chegou uma carta: Dave tinha sido chamado para servir no exército durante a guerra do Vietnam. Como não queria descumprir a ordem, e também não queria morrer, Dave escolheu a Marinha, imaginando que isso lhe traria mais segurança, por estar na água, ao invés de se meter em combate na selva. Logo ele descobriu que tinha sido selecionado para servir em uma unidade especial da Marinha, atuante em rios. Depois de um treinamento rigoroso de patrulhamento de rio, Dave teve uma folga de 10 dias para ir para casa. Ele aproveitou o tempo com Brenda, e no dia da partida para o Vietnam ele beijou Brenda e prometeu: “Bebê, eu vou voltar sem nenhuma cicatriz”. Mal sabia que a palavra “cicatriz” teria um novo significado para ele.

Ele voou para o Vietnam, onde serviu na linha de frente contra os vietcongues. Nos oito meses que se seguiram, Dave manteve sua fé. Ele foi treinado para se manter fiel aos homens com que servia, e a sua mulher, Brenda. Enquanto muitos outros soldados cediam e se entregavam a aventuras com drogas, pornografia, ou prostitutas, Dave manteve-se firme em seus votos. Ele estava apaixonado, e guardava todas as premiações para dar de presente a Brenda – dinheiro que ele guardava para ela, ao invés de gastar em atos frívolos de auto satisfação.

Faltando apenas uma semana para receber uma viagem paga ao Havaí para aproveitar com Brenda cinco dias de uma segunda lua de mel, durante um intenso tiroteio em 25 de julho de 1969, com os vietcongues bem próximos, a unidade de Dave sofreu uma emboscada. Seus colegas sobreviveram ao ataque, mas alguma coisa (uma bala ou um estilhaço) deixou uma pequena marca em sua bochecha. Dave tirou o pedaço de metal sem dificuldade, e agradeceu por estar vivo. Mas essa era uma pequena cicatriz. Seria o próximo dia que mudaria sua vida para sempre.

Era 26 de julho de 1969, perto da fronteira com o Camboja, quando a unidade de Dave subiu o rio para fazer o patrulhamento da mesma área onde tinha ocorrido o intenso combate do dia anterior. Enquanto o barco deslizava suavemente, tudo estava quieto. Dave sentiu que algo estava errado. Ele se abaixou e apanhou uma granada, puxou o pino, e preparou-se para atirá-la, pretendendo criar uma cortina de fumaça para encobrir seu barco.

Mas uma luz piscou como em um flash, e o mundo pareceu explodir. Um combatente tinha atirado em Dave, atingindo sua mão, e a granada, que estava apenas a centímetros de sua face. Ela explodiu.


Em um instante, o corpo de Dave estava pegando fogo; o lado direito de sua face estava destruído. Ele pulou na água e nadou até a margem, onde desmaiou, ainda em chamas. Ele foi resgatado por um helicóptero, e o médico chegou a pensar que ele estava morto. Mas ele resistiu, e foi levado até o Japão, e depois de um tempo de recuperação, foi mandado de volta a San Antonio, Texas.

O soldado na cama ao lado estava sem pele, queimado da cabeça aos pés. Dave ouviu a mulher dele chegar, e jogar a aliança aos pés dele. Ela disse que nunca mais poderia andar com ele na rua. E saiu. Enquanto Dave esperava por Brenda, ele temia o pior. Como poderia ele, um “monstro com a face deformada”, ficar com uma mulher linda como Brenda, muito menos continuar sendo o amor de sua vida?

Ali estava ele – apenas um resquício do homem que tinha beijado Brenda na despedida oito meses atrás. Tudo que ele podia fazer era esperar, e temer. Finalmente, Brenda chegou. Como não conseguia identificar Dave pela aparência, ela se aproximou de sua cama e conferiu o nome escrito no seu prontuário, e a etiqueta de identificação em seu pulso, para ter certeza que era ele. Então, ela se inclinou e o beijou... na face. “Eu quero que você saiba que eu te amo”, ela disse, enquanto olhava para ele, no olho do lado bom de sua face. “Bem vindo a casa, Dave”.

Brenda permaneceu o quanto foi permitido a ela naquele dia, e, através do seu amor, a esperança reacendeu no coração de Dave.

Dave começou a experimentar o amor de um modo que jamais tinha imaginado, desde quando tinha dito o seu “sim”, em 15 de julho de 1967. O “sim” de Brenda se tornou um compromisso diário. Ela realmente foi sincera em seus votos, e os manteve. O corpo de Dave permaneceu desfigurado, e Brenda permaneceu completamente fiel. Deus foi fiel a ambos, e agora, trinta e nove anos depois, Brenda e Dave ainda vivem um maravilhoso amor, com dois filhos, e alguns netos, o fruto duradouro de seu casamento fiel.



O casamento deles foi feito no céu, fortalecido durante a guerra, e para sempre marcado pelos votos fiéis de um amor que queima mais profundamente do que qualquer granada, e que fala mais alto do que qualquer cicatriz.
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Traduzido e adaptado do livro “Teologia do Corpo para Jovens” (Theology of the Body for Teens, de Brian Butler, Jason Evert e Crystalina Evert, p. 119-120, Eed. Ascension Press, 2006)


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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

“Amor fast-food”???

Por Daniel Pinheiro e Juliana Gonçalves dos Santos

Vamos começar pensando em comida. Que tal fast-food? Muita gente AMA comer aquele hambúrguer delicioso, aquelas batatas-fritas crocantes, e aquele refrigerante gelado. Você certamente também tem sensações agradáveis com sua comida preferida. Isso é realmente muito bom (dentro dos limites), e não tem nada de errado. Mas vamos pensar na utilização do verbo “amor”. O que significa “amar” comer essas coisas? Parece que significa apenas sentir as sensações agradáveis e prazerosas que a comida proporciona, não é verdade?



Agora vamos para a situação de um namoro. Imagine que você tem aquelas reações normais de quem está apaixonado: o coração bate forte, o nervosismo aumenta. As garotas mexem no cabelo, os rapazes respiram fundo, e parece que o céu está cheio de arco-íris e os passarinhos todos cantando em um amanhecer lindo. Isso tudo é muito bom (de novo, dentro dos limites). Você certamente “ama” tudo isso!

Não tem nada de errado sentir e amar isso. Mas vamos parar e pensar um pouco. O que significa mesmo esse “amar”? Será que significa apenas que você está gostando das sensações que a pessoa lhe proporciona? Será que só isso basta pra ser um amor verdadeiro?

Afinal de contas, o que é o amor verdadeiro? Como eu sei que ele está presente? Será que o amor nada mais é do que ter sensações agradáveis? A história abaixo, contada pelo palestrante Jason Evert, ajuda-nos a entender melhor o que é o amor:

Imagine um casal de esposos. Durante a madrugada, a esposa acorda com aqueles desejos de grávida, de comer uma determinada coisa. Ela acorda o marido, e pede para ele comprar sorvete de chocolate. Vamos pensar na situação. São quatro horas da manhã. A esposa não está deslumbrante e linda como no dia do casamento. Os passarinhos não estão cantando e não tem nenhum arco-íris no céu. O coração do marido bate normalmente, e ele não está nervoso nem respirando fundo. A única sensação agradável que o marido gostaria de sentir no momento seria a maciez do travesseiro, o conforto da cama, e o sono profundo. No entanto, apesar disso, mesmo com dor de cabeça, e renunciando ao travesseiro maravilhoso, o marido se levanta e vai ao supermercado comprar o sorvete que a mulher tanto deseja. Ele está colocando a felicidade da esposa acima de suas próprias comodidades. Não tem muita sensação agradável aí, mas saiba que é exatamente nesse momento que ele mais está amando sua esposa profundamente.

O Papa João Paulo II apresentou uma excelente definição de amor. Ele disse:

“O amor não é um mero sentimento: é um ato de nossa vontade que consiste em escolher constantemente o bem da outra pessoa, mais do que o meu próprio bem”. (1)

Ele também fala que:

“Quanto maior o sentimento de responsabilidade pela pessoa amada, mais existe amor verdadeiro” (2)

Quem ama de verdade, faz o melhor para a outra pessoa. O ambiente que vai deixar essa pessoa mais feliz, segura e certa do amor verdadeiro é o compromisso do matrimônio. Então, espere pelo casamento para ter intimidade sexual. Prepare e queira o melhor para a pessoa amada, mesmo que para isso, no momento atual, seja preciso sacrifício e renúncia.

Faça do seu namoro um momento agradável de discernimento e preparação para o casamento. Enquanto isso, fique com Deus e mantenha-se forte na oração e na pureza.
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(1) Mensagem de João Paulo II por ocasião do XIX Dia Mundial da Juventude, 22/02/2004
(2) João Paulo II, no livro “Amor e Responsabilidade”.