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quinta-feira, 16 de março de 2017

Morrre Norma McCorvey

Por Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Disponível em: http://www.providaanapolis.org.br/index.php/todos-os-artigos/item/538-morre-norma-mccorvey

(com uma falsa alegação de estupro, ela obteve a liberação do aborto nos Estados Unidos)

No dia 18 de fevereiro deste ano, Pe. Frank Pavone, Diretor Nacional de “Priests for Life” (“Sacerdotes pela vida”), noticiava em um e-mail a morte de sua amiga Norma McCorvey, aos 69 anos de idade.


Conhecida como Jane Roe, Norma tinha 21 anos quando em 1969 descobriu que estava grávida de seu terceiro filho. Desejosa de fazer um aborto na cidade de Dallas, Texas, EUA, inventou a história de que havia sido estuprada por uma gangue. Então duas advogadas recém-graduadas, Linda Coffee e Sarah Weddington, que estavam à procura de uma mulher grávida desejosa de abortar, ofereceram-se para representá-la em juízo contra o Estado do Texas (cuja legislação proibia seu aborto), representado por Henry Wade, procurador do Condado de Dallas.

Em 1970 estava criado o caso “Roe versus Wade”, que subiria até a Suprema Corte e resultaria na tristemente célebre sentença de 22 de janeiro de 1973, dando vitória a Roe por sete votos contra dois. Norma não fez aborto. Antes que o processo encerrasse, ela deu à luz e encaminhou a criança para adoção. Mas foi por causa dela (e da mentira por ela inventada) que a Suprema Corte declarou inconstitucional a legislação do Texas que incriminava o aborto. E foi mais adiante:

Afirmou, de fato, que qualquer lei estadual que proibisse o aborto para proteger o feto nos primeiros dois trimestres de gravidez - antes do sétimo mês - era inconstitucional. (...) De um só golpe, em Washington, um tribunal de nove juízes que haviam sido nomeados e não eleitos para seus cargos, e que nem foram unânimes em sua decisão, mudara radicalmente as leis de quase todos os cinquenta estados norte-americanos[1].

A decisão fundou-se, por um lado, no direito da mulher à “privacidade”, por outro lado, na negação da personalidade da criança por nascer. Para declarar que o nascituro (unborn) não era pessoa, e que, portanto, não tinha direito à vida, a Suprema Corte usou o mesmo texto da emenda que outrora havia proibido a escravidão. Dizia tal emenda que “... todas as pessoas, nascidas ou naturalizadas nos Estados Unidos (...) são cidadãos dos Estados Unidos...” (destacou-se). Ora, como o nascituro não é nascido nem naturalizado, então ele não é cidadão dos Estados Unidos. Assim, ele não goza de nenhum direito! Por meio desse artifício, o Tribunal declarou que a personalidade legal não existe nos Estados Unidos antes do nascimento: “... a palavra ‘pessoa’, como foi usada na 14ª Emenda, não inclui o nascituro.”[2]

Além de declarar inconstitucional qualquer lei estadual, como a do Texas, que proibisse o aborto inclusive até o sexto mês de gravidez, a Suprema Corte declarou que o aborto poderia ser permitido até o momento do nascimento, desde que o médico o julgasse necessário para preservar a saúde da mãe. O conceito de saúde foi estendido ao extremo, compreendendo o completo bem-estar físico e psicológico da gestante. Acerca disso, transcreva-se o voto do juiz relator Blackmun:

A maternidade, ou uma prole adicional, pode forçar a mulher a uma vida e a um futuro angustiados. O dano psicológico pode ser iminente. A saúde física e mental pode ser sobrecarregada pelo cuidado do filho. Há ainda a angústia, para todos os envolvidos, associada ao filho indesejado, e há o problema de trazer uma criança a uma família já incapaz, psicologicamente e por outros motivos, de cuidar dela. Em outros casos, como neste [o de Jane Roe], as dificuldades adicionais e o contínuo estigma de mãe solteira podem estar envolvidos. Tudo isso são fatores que a mulher e seu médico responsável necessariamente levarão em conta na consulta.[3] (destacou-se).

Com esse conceito tão amplo de “saúde”, a partir de 1973 qualquer mulher estadunidense pôde abortar simplesmente por alegar que a gravidez, sendo indesejada, causava-lhe um mal-estar psicológico, e assim, prejudicava a sua “saúde” psíquica. Estava liberado na prática o aborto por simples solicitação da gestante: o aborto a pedido (abortion on demand).

Falso estupro revelado

Em 1987, Norma McCorvey reconheceu, em entrevista televisiva com Carl Rowan, que a história do estupro tinha sido completamente inverídica[4].

Sarah Weddington, uma das advogadas de Roe versus Wade, explicou em um discurso feito no Instituto de Ética da Educação, em Oklahoma, por que se utilizara da falsa alegação de estupro até que o caso chegasse à Suprema Corte: “Minha conduta pode não ter sido totalmente ética. Mas eu fiz por que pensei que havia boas razões”[5].

Norma tornou-se um ícone do movimento pró-aborto (chamado “pro-choice”, que significa “pró-escolha”) e passou a trabalhar na indústria do aborto.

Conversão à vida

Sua conversão ocorreu quando a Operação Resgate (um grupo pró-vida que atua nas portas das clínicas de aborto) mudou-se para um prédio do outro lado da rua da clínica onde ela trabalhava, em Dallas. Inicialmente ela reagiu com violência, mas pouco a pouco passou a sentir simpatia pelos militantes pró-vida.

Em 8 de agosto de 1995, Norma McCorvey foi batizada pelo Pastor Flip Benham, Diretor Nacional da Operação Resgate[6]. No entanto, ela ainda se dizia favorável ao aborto no primeiro trimestre de gestação. Ouçamo-la em seu livro “Won by love” (1998) (“Vencida pelo amor”) dizer o que aconteceu:

Poucas semanas depois da minha conversão, eu estava sentada no escritório da Operação Resgate, quando notei um cartaz de desenvolvimento fetal. A progressão era tão óbvia, os olhos eram tão doces. Meu coração se feriu, somente de olhá-los.
Corri para fora e finalmente despertei: “Norma,” disse a mim mesma, “eles estão certos”. Eu tinha trabalhado com mulheres grávidas por anos. Eu mesma tinha passado por três gravidezes e três partos. Eu deveria ter sabido. Algo ainda no cartaz fez-me perder a respiração. Continuei olhando a figura daquele minúsculo embrião de dez semanas, e disse a mim mesma: aquilo é um bebê!
Foi como se antolhos caíssem de meus olhos e de repente eu compreendi a verdade: aquilo é um bebê!
Senti-me “esmagada” pela verdade daquela percepção. Tive que enfrentar a terrível realidade. O aborto não era de ‘produtos da concepção’. Não era de ‘menstruações perdidas’. Era de crianças sendo mortas no ventre de suas mães. Durante todos aqueles anos eu estava errada. Ao assinar aquele depoimento, eu estava errada. Ao trabalhar em clínicas de aborto, eu estava errada. Não mais essa coisa de primeiro semestre, segundo trimestre, terceiro trimestre. O aborto – em qualquer ponto – era errado. Era tão claro. Dolorosamente claro[7].

Em 27 de agosto de 1998, Norma ingressaria na Igreja Católica, recebendo a Comunhão Eucarística e a Confirmação, esta última administrada pelo Pe. Frank Pavone[8].

Em um vídeo de um minuto produzido em 2013, Norma McCorvey dizia: “Depois de conhecer a Deus, eu percebi que o meu caso [Roe versus Wade], que legalizou o aborto a pedido, foi o maior engano da minha vida”[9].

Leiamos o que escreveu Pe. Frank Pavone na mensagem em que noticiava a morte de sua amiga:

Apesar do peso em seu coração pelo assassinato de 58 milhões de crianças desde a sentença Roe versus Wade, ela sempre soube como tomar a mão do Senhor e deixar sua graça levantá-la. Ela experimentou o programa do retiro das Vinhas de Raquel[10] para ajudá-la a sarar suas feridas (embora ela mesma nunca tenha feito um aborto), e dedicou-se de todas as maneiras a pôr um fim à tragédia do aborto.

Amigos, a história de Norma continuará viva. É uma história de esperança. Se ela pôde se converter e encontrar perdão por seu envolvimento com o aborto, então qualquer um pode. E se ela pudesse dizer alguma coisa agora para o mundo, estou convencido de que seria: “Aprendam minha história e tenham esperança”.

Anápolis, 13 de março de 2017.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis


[1] Ronald DWORKIN. Domínio da vida, São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 7.
[2] UNITED STATES OF AMÉRICA. Supreme Court. Roe v. Wade. Appeal from the United States District Court to the Northern District of Texas. BLACKMUN, J., Opinion of the Court, 22 Jan. 1973, Washington, DC. Disponível em: https://www.law.cornell.edu/supremecourt/text/410/113
[3] Ibidem.
[6] Cf. Steven WALDMAN; Ginny CARROL, Roe v. Roe. Newsweek, New York, 21 Aug. 1995, p. 24.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Padre Paulo Ricardo denuncia mais uma artimanha para normalizar o aborto no Brasil

Padre Paulo Ricardo denuncia em artigo e em vídeo nova artimanha para tornar o aborto uma prática comum no Brasil.
Trata-se do Projeto de Lei 7371/2014, que esconde por detrás do "Combate à Violência contra a mulher" condições práticas para a realização de abortos indiscriminadamente no país.

É muito importante todos tomarem conhecimento do assunto, e investigarem quem está por trás desse projeto de lei, quais são os políticos que estão influenciando nesse sentido. Combater esses políticos deve ser prioridade para qualquer católico.

Veja:




domingo, 3 de novembro de 2013

BloodMoney - Aborto Legalizado

*Bloody Money – O Aborto Legalizado*. Este filme vai estrear nos cinemas dia 15 de novembro, e a grande imprensa vem boicotando sua divulgação, já que ele critica o aborto. Está fora do Estadão, da Folha, Globo… parece que só a Band vai abrir um espaço! Ajude a divulgar esse filme, assista, indique a amigos. É muito importante que todos conheçam a verdade sobre o aborto!



sexta-feira, 19 de julho de 2013

"Não podemos nos calar"

Pessoal, o assunto é sério, e o mal está se espalhando. Não podemos nos calar. Se nos calarmos, o mal vai se espalhar mais ainda. Vejam o vídeo do Pe. Paulo Ricardo abaixo. Gostaria de pedir principalmente a oração, mas não só ela, a ação também. Divulgue entre seus conhecidos o assunto da legalização camuflada do aborto no Brasil.

A prática do aborto é algo distante no Brasil? Não haverá realmente o risco de ser posto em ação com o veto parcial do projeto? Será que Padre Paulo Ricardo está errado ao pedir o veto total do PLC 03/2013? Estes e outros esclarecimentos neste Parresía.

A Norma Técnica denominada “Prevenção e Tratamentos dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes”, a partir do número 10 (pg. 68) as orientações sobre como proceder em caso de gravidez decorrente de violência sexual. Consulte aqui: Prevenção e Tratamentos dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Papa Francisco hoje (17/07/2013): "Defender a vida, da concepção ao término natural"

Em mensagem destinada aos participantes da "Jornada da Vida", na Grã-Bretanha, o Papa Francisco falou claramente (e talvez pela primeira vez em seu pontificado de forma tão clara) sobre a defesa da vida:

"Também os mais fracos e mais vulneráveis, os doentes, os idosos, os nascituros, e os pobres, são obras-primas da criação de Deus, feitos à Sua imagem, destinados a viver para sempre, e merecedores da máxima reverência e respeito", disse Francisco.



Ah, como eu queria que ele repetisse mensagens assim várias vezes durante a JMJ Rio 2013... especialmente para certas autoridades ouvirem...

Ver artigo original no Vatican Insider: http://vaticaninsider.lastampa.it/vaticano/dettaglio-articolo/articolo/26519/

sábado, 21 de abril de 2012

Bernard Nathanson. A conversão de um abortista

Por L´Osservatore Romano

Em sua autobiografia intitulada The Hand of God, “A mão de Deus”, Bernard Nathanson – outrora conhecido em Nova York como o “rei do aborto” por ter participado, direta ou indiretamente, de 75.000 deles – conta como se converteu num dos mais destacados defensores da vida, tendo depois ingressado na Igreja Católica. A categoria intelectual e moral do Dr. Nathanson fez com que muitos dos que praticavam ou fomentavam o aborto, incluindo alguns parlamentares, reconhecessem o seu erro e se unissem à luta em favor da vida humana mais indefesa: a dos não-nascidos.

O aborto e todo o seu séqüito – da eutanásia aos “estoques” de embriões humanos congelados – são assuntos que nunca estarão definitivamente resolvidos, já que afetam o próprio sentido da vida humana. No atual momento da História, é nos Estados Unidos onde a divisão de forças entre a “cultura da morte” e a “civilização do amor” pode ser vista com mais clareza do que em qualquer outro lugar. Conversões como a do dr. Bernard Nathanson – primeiro à causa pró vida e depois à fé cristã – são altamente significativas, pois mostram a força das evidências científicas e o poder da oração. Além disso, manifestam a íntima conexão que existe entre Deus e a Lei natural inscrita por Ele na natureza humana. Quem reconhece e segue a Lei natural, muito possivelmente acabará encontrando Deus e a Igreja.


O ABORTO, TAL COMO ELE É

Muitos leitores conhecem em grandes traços a história do Dr. Nathanson. Em 1969 fundou com outras pessoas a Associação Nacional para a Revogação das Leis contra o Aborto (conhecida pela sigla NARAL. Quando mais tarde adotou o nome de Liga Nacional de Ação pelos Direitos Reprodutivos e do Aborto – National ReproductiveAbortion Rights Action League –, a sigla manteve-se). Foi Diretor do Centro de Saúde Reprodutiva e Sexual de Nova York, que na época era a maior clínica de abortos do mundo.

No final da década de 70, abandonou a militância a favor do aborto e chegou a ser um grande advogado da causa pró vida, principalmente com o seu livro Aborting America <“A América que aborta”> e com o vídeo The Silent Scream (“O Grito Silencioso”). Este último constituiu uma verdadeira revolução: empregando a tecnologia médica, mostrou de forma definitiva todos os horrores do aborto, tal como realmente ocorre no ventre materno. Esse vídeo e a sua continuação, The Eclipse of Reason (“O Eclipse da Razão”), foram amplamente exibidos, não somente para o grande público através de canais de televisão em todo o mundo, como também em sessões especiais para parlamentares de diversos países.

Nathanson logo se tornou alvo da ira das forças que promovem a cultura anti vida nos Estados Unidos. Sua mudança de atitude ao convencer-se da realidade objetiva do aborto – a supressão de uma vida humana inocente – fez dele um tema habitual para radicalizações e sátiras. A partir de então passou a atuar simultaneamente como obstetra de prestígio e como professor universitário, viajando pelo mundo todo para dar conferências em defesa dos não nascidos. Já prestes a aposentar-se, publica a sua autobiografia, que contém não somente impressionantes revelações sobre como um homem pode chegar a ser um abortista, mas também – por ter sido escrito quando estava já às vésperas de dar o último passo da sua conversão e incorporar-se, pelo Batismo, à Igreja de Cristo – um testemunho convincente do poder da graça divina.


SEM DESCULPAS

O livro não é fácil nem agradável de ser lido, pois revela ações más e verdadeiramente repugnantes. O que chama a atenção e merece elogios é o fato de o autor não oferecer nenhum argumento que sirva de desculpa para o seu comportamento. Embora o leitor não encontre nada que justifique a conduta de Nathanson, pelo menos encontrará muitas razões para compreendê-la, ao conhecer como foi a infância e a adolescência do autor. Nathanson relata minuciosamente os seus primeiros anos em Nova York, no seio de um lar em que não havia o menor indício de fé religiosa, nem de lealdade ou carinho familiar. A religião não teve papel algum na sua educação. Sua família, judia, não praticava a fé, embora celebrasse as festas religiosas, da mesma forma que muitas famílias cristãs também festejam de algum modo a Páscoa ou o Natal sem que essas solenidades tenham quaisquer conseqüências práticas sobre a sua forma de pensar ou de agir.

É realmente impressionante como Nathanson descreve a idéia que tinha de Deus na sua infância. “Minha imagem de Deus – concluiu, refletindo sessenta anos depois – era a da figura ameaçadora, majestosa e barbuda do Moisés de Michelangelo: sentado sobre o que parecia ser o seu trono, inspecionava o meu destino e estava prestes a lançar sobre mim o seu juízo inexoravelmente condenatório. Assim era o meu Deus judeu: terrível, despótico e implacável”. Num momento posterior da sua vida, quando cumpria o serviço militar na Força Aérea, leu um livro sobre a Bíblia para passar o tempo nas horas mortas. Descobriu que “o Deus do Novo Testamento era uma figura amável, clemente e incomparavelmente carinhosa. Nela iria eu depois buscar, e por fim encontraria, o perdão que desejei por tanto tempo e tão desesperadamente”. Foi um presságio da sua posterior conversão à fé cristã.


O SEGREDO DA PAZ DE CRISTO

Durante os seus estudos de Medicina na Universidade McGill do Canadá, teve como professor o famoso psiquiatra judeu Karl Stern, que havia emigrado da Alemanha nazista. Essa relação teria conseqüências positivas várias décadas depois, quando Nathanson começou a examinar mais de perto as razões do Cristianismo. A respeito de Stern, diz: “Era a figura dominante no Departamento: um grande professor, um orador fascinante – chegava a ser eloqüente, embora empregasse um idioma que não era o seu – e um polemista brilhante, que infalivelmente disparava idéias originais e atrevidas. (...) Tive para com Stern uma espécie de culto ao herói: estudei a Psiquiatria com a diligência de um escriba que esquadrinha a Bíblia, e em troca me deram o prêmio de Psiquiatria ao acabar o quarto ano. (...) Stern transmitia uma serenidade e uma segurança indefiníveis. Na altura eu não sabia que em 1943 – após anos de meditação, leitura e estudo – ele se tinha convertido ao Catolicismo”. Mais tarde, quando Nathanson leu a famosa autobiografia de Stern, Pillars of Fire (“Pilares de Fogo”), compreenderá que o seu autor “possuía um segredo que estive toda a vida buscando: o segredo da paz de Cristo”.

Os capítulos seguintes descrevem a compulsiva promiscuidade de Nathanson, da qual resultou o seu primeiro contato com o aborto, pago pelo seu pai e feito na sua primeira namorada. Depois vem a história dos seus dois primeiros casamentos e o episódio que talvez seja o mais arrepiante: o aborto feito por ele mesmo em outra das mulheres com quem tinha tido relações.


AS EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS

Nos capítulos seguintes, Nathanson conta o que já em boa parte tinha explicado em seu livro Aborting America sobre a sua crescente participação na campanha pela liberação do aborto nos Estados Unidos. Como se sabe, essa campanha terminou em 1973, com a sentença da Suprema Corte que – na prática – legalizou o aborto solicitado.

Com o passar do tempo, Nathanson viu claramente as evidências científicas – em boa parte graças às novas tecnologias, que permitiam ver a criança dentro do ventre materno – de que “aquilo” que abortou milhares de vezes (segundo seus próprios cálculos, esteve direta ou indiretamente envolvido em 75.000 abortos) era na verdade um ser humano: era-o desde o instante da concepção. Deixou de praticar abortos e passou a ser o mais famoso “convertido” e o mais conhecido defensor da causa pró vida nos Estados Unidos.


MATADOUROS HUMANOS

Num dos últimos capítulos, intitulado “Rumo aos Tanatórios”, Nathanson faz predições sobre o que o Papa Paulo VI já antecipava com tanta clarividência na sua Encíclica Humanae Vitae: uma vez perdido o respeito pela vida humana em seu começo, chega-se inevitavelmente à eutanásia. Prognostica que em breve haverá clínicas que farão negócio com a morte.

“Baseando-me na minha própria experiência com um tipo de paganismo tão extremo como esse, posso prever que haverá empresários que montarão pequenos e discretos «sanatórios» para aqueles que desejem morrer ou que a isso tenham sido persuadidos, coagidos ou enganados pelos médicos (...). Mas isso será apenas a primeira fase. Quando os tanatórios (do grego thanathos, morte) tiverem prosperado e se expandido, formando redes de clínicas e concessionárias, os administradores assumirão o comando, cortando gastos e custos à medida em que a concorrência for aumentando. Na sua versão final, os tanatórios – reorganizados, eficientes e economicamente perfeitos – tornar-se-ão primeiramente muitíssimo parecidos às fábricas de produção em série em que se converteram as clínicas abortistas; numa fase posterior, serão semelhantes aos fornos de Auschwitz”.


O EXEMPLO E A ORAÇÃO

Apesar de tudo, Nathanson termina o livro com uma nota de esperança na misericórdia, no perdão e na salvação oferecida por Cristo. Como costuma ocorrer nas histórias de conversões, foi a oração e o exemplo de muitos amigos e colegas pró-vida o que acabou por vencer a resistência daquele ateu endurecido, que assim pôde compreender que é possível haver um lugar no coração de Deus até mesmo para gente como ele.

Referindo-se a uma manifestação pró-vida em frente a uma clínica abortista, conta que os participantes “rezavam, apoiavam-se mutuamente, cantavam hinos de júbilo e recordavam constantemente uns aos outros a proibição absoluta de empregar a violência. Rezavam pelos não-nascidos, pelas pobres mulheres que iam lá para abortar, e pelos médicos e enfermeiras da clínica. Rezavam inclusive pelos policiais e jornalistas designados para o local. Eu me perguntava: «Como é que essa gente pode se entregar por um público que é – e sempre será – mudo, invisível e incapaz de qualquer agradecimento?»” Ver aqueles manifestantes pró-vida, dispostos a ir para a cadeia e a arruinar-se por suas convicções, causou em Nathanson uma profunda impressão.

Conta então que “pela primeira vez em minha vida de adulto, comecei a albergar a noção de Deus: um Deus que paradoxalmente me tinha levado até à beira dos proverbiais círculos do inferno, só para mostrar-me o caminho para a redenção e para o perdão mediante a sua graça. Esse pensamento contradizia todas as férreas certezas, que me haviam sido tão queridas: num instante converteu o meu passado num repugnante lodaçal de pecado e de maldade; me acusou e condenou pelos graves crimes contra aqueles que me amavam e contra aqueles que nem sequer conheci; e ao mesmo tempo – milagrosamente – ofereceu-me uma reluzente centelha de esperança, na crença – cada vez mais firme – em que há dois mil anos Alguém morrera pelos meus pecados e pela minha maldade”.

L´OSSERVATORE ROMANO, 21 de fevereiro de 1997, pág. 9.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A Clareza de Clara

Do site do Theology of the Body Institute (http://www.tobinstitute.org/page.asp?ContentID=141)

Todo pai deve considerar seu filho um dom e um milagre, porque toda vida humana é irrepetível, absolutamente incrível, a manifestação física da imagem de Deus e do Seu amor neste mundo. Nossa filha Clare (nt: Clara, em português) é um milagre por causa dessa verdade; mas há algo ainda mais miraculoso em sua história, que merece ser repetido. Nesse mês de janeiro, quando centenas de milhares de pessoas viajam a Washington capital dos Estados Unidos para lamentar 39 anos de legalização do aborto no país, precisamos ainda mais da claridade e da luz que Clare nos traz. Clare é uma sobrevivente do holocausto do aborto.

Antes mesmo de sabermos de sua existência, nossa futura filha adotada estava no útero de sua mãe, em uma clínica da Planned Parenthood (nt: a maior rede de clínicas de aborto dos EUA), com sua vida marcada para ser extinta. Através de um milagre da graça, um técnico permitiu que o som da batida do coração da pequena bebê Clare ecoasse naquela sala clínica de tortura (Essa não é a prática comum da Planned Parenthood, mas parece que existe alguma legislação recente tornando lei o monitoramento pré-natal). Ao ouvir o som rápido daquele pequeno coração, a mãe biológica de Clare mudou de idéia sobre o aborto, se levantou, e deixou a sala.



Caminhando pela rua, ela encontrou um lugar, um centro de acolhimento que oferecia apoio e ajuda a mulheres em crise na gravidez. Ao invés de ser um lugar de sacrilégio contra uma nova vida, este era um santuário em prol da vida. Uma tapeçaria de Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe dos Nascituros, acolhia a mulher enquanto ela entrava.

Tendo já adotado nosso lindo filho com uma história ligeiramente parecida de sobrevivência, minha esposa e eu recebemos uma ligação e uma pergunta dos nossos amigos do centro de acolhimento: "Tem um outro bebê aqui, a mãe quer um meio de adoção. A história é complicada. Vocês estão abertos a isso?" Levamos apenas 4 segundos para decidir. Nosso pensamento foi rápido: "Você disse bebê. Nós estamos abertos".

A gravidez foi um período tenso. Rezamos pela saúde e estabilidade da mãe biológica, sabendo que ela era uma alma em dificuldades. Em certo ponto na gravidez, houve uma ameaça de romper a bolsa amniótica. Ela estava exausta de ansiedade e da tentativa de esconder de todo mundo uma gravidez. Sentimos profundamente a vulnerabilidade e a fragilidade da vida de nossa futura filha. Como disse uma vez o Papa Bento XVI: "Como pode o lugar humano mais sagrado - o útero - ter se tornado um lugar de violência indizível?" E enquanto isso a pequena Clara estava se formando na aquecida escuridão do útero, ignorando o quão perto esteve de nunca ver a luz do dia.

E então chegou o grande dia.

Nossa amiga do centro de apoio à gravidez, que cuidou de Clare e de sua mãe biológica, estava ao lado da cama da mãe no hospital. Houve complicações; o parto não estava progredindo, e a mãe rejeitava uma cesariana, chateada e ansiosa que estava para sair dali rapidamente após o nascimento da bebê. Nesse momento nosso amigo, rezando o Terço da Misericórdia justamente na hora da misericórdia, viu as coisas mudarem. Clare nasceu de parto normal, nasceu saudável e forte. Talvez temerosa pelo poder que essa nova vida teria sobre seu coração, ou simplesmente em uma tentativa angustiada de retornar à vida que conhecia antes, a mãe biológica se recusou a saber o sexo da bebê que tinha acabado de trazer à luz. Seu desejo manifesto foi atendido, e ela nunca segurou ou mesmo olhou para Clare. Foi nosso amigo quem a segurou nos braços, cantando Ave Marias para ela, e falando como ela já era muito amada, cuidada e querida por Jesus e por uma mamãe e um papai que estavam ali bem perto. Ela não cansava de repetir para a pequena Clare: "Você é cheia de graça".



No terceiro dia de sua vida, ela veio a nós. Era domingo, 15 de Agosto, Festa de Nossa Senhora da Assunção. Uma garoa suave e incomum caía naquele dia (apenas mais um sinal de graça), e se misturou com nossas lágrimas de felicidade. Segurar a pequena era inacreditável. Milagre dos milagres! Escolhemos o nome Clare, que significa luz ou clareza, e pelo ano e meio que ela tem estado conosco, ela tem sido exatamente isso. Rápida em sorrir, rir, e deixar as pequenas coisas a encherem de espanto e admiração. Ela tem conquistado corações como os nossos por onde anda com seus charmes - na igreja, no supermercado, no shopping. Em cada elogio à sua beleza, sentimo-nos compelidos a contar sua história. Ainda agradecemos a Deus pela sua mãe biológica, e continuamos a rezar por ela - ela escolheu a Vida, e seremos sempre abençoados por essa escolha. E quanto a Clare, ela é a prova viva de que a Vida é boa, e de que a Vida vai vencer. A clareza e a luz se abrem para nós neste mundo toda vez que ela sorri, e cada vez que bate seu precioso coração. O coração que, na verdade, a salvou.

O vídeo que conta sua história está aqui:



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domingo, 19 de fevereiro de 2012

180 - o filme

Por favor, mas por favor mesmo, assistam esse vídeo até o final. E que a mudança de 180 graus possa acontecer na sua vida, se ainda não aconteceu.



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Assinar petição on-line contra o aborto

Prezados amigos

Envio-lhes em anexo o boletim "Aborto. Faça alguma coisa pela vida!", edição n. 152, com a matéria "Pode o juiz autorizar um aborto?"

Tenham a bondade de assinar uma petição "on line" solicitando ao Deputado Salvador Zimbaldi (SP), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida, que assine e protocole junto ao Procurador Geral de Justiça de Goiás uma representação criminal contra juízes que vem autorizando ilegalmente a prática do aborto de crianças deficientes.
A meta a atingir é de 1000 assinaturas.

http://www.peticoesonline.com/peticao/representacao-criminal-contra-juizes-que-autorizam-aborto/371

Excelentíssimo presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida
Deputado Federal Salvador Zimbaldi (SP)

Solicito que Vossa Excelência protocole uma representação junto ao Procurador Geral de Justiça do Estado de Goiás solicitando oferta de denúncia contra os juízes de direito que vêm autorizando ilegalmente a prática do aborto de crianças deficientes.

Deus lhes pague. As criancinhas agradecem.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

“Não caiam no mesmo erro que eu”

(a história de alguém que se deixou seduzir pela falácia abortista)
[Este depoimento foi recebido por correio eletrônico em 29/09/2011
A autora deu permissão para sua publicação]

Meu nome é Gabriela, tenho 32 anos, nasci no RJ, cresci em uma família cercada de amor e cuidados e atenção. Apesar de ter crescido em uma família católica ouvindo sempre os ensinamentos de Deus, achava tudo isto uma grande besteira, meu discurso era de que o ser humano é o único responsável por sua própria existência.

Em minhas preleções cheias de propriedade eu defendia a liberdade da mulher, o aborto e a não existência de Deus.

Em uma vida atribulada e com valores invertidos, fui construindo uma personalidade vaidosa, fútil e egoísta. Com objetivos traçados, eu lutava para conseguir atingi-los na ilusão que minha beleza era eterna e que a minha inteligência era acima do comum. Como estudante e depois como jornalista, trabalhei com artistas famosos e intelectuais, para a maioria das pessoas o aborto era considerado algo normal. Então quando me vi grávida não cheguei sequer a cogitar a opção de ser mãe. Sem nenhum remorso fui a uma clínica para a consulta pela manhã e marquei o procedimento para o mesmo dia à tarde.

Minha única preocupação foi perguntar ao médico se estaria boa para trabalhar no dia seguinte, pois havia o lançamento de um livro e eu precisava estar lá para mostrar o quanto eu era competente.
Acompanhada do meu namorado, que ainda tentou me demover da idéia, alegando que financeiramente um filho seria viável e que gostava de mim, me dirigi para cometer o maior erro da minha vida. Para ele apenas afirmei que era eu quem tinha o direito de decisão, pois para mim a mulher é quem podia decidir ter ou não um filho. Fiz o aborto sem nenhuma dor de consciência e fui tocando minha vida sem Deus.

Ignorante, eu imaginava que éramos os seres humanos, os únicos responsáveis por nossos destinos e que Deus não passava de uma figura inventada para acalentar os fracos.

Um tempo após ter feito o aborto, fui convidada para ir ao MT para um trabalho, já restava com 26 anos, peguei um avião e parti ao que seria minha maior escola.

Em MT, pela vontade de Deus acabei parando em uma cidade fronteiriça com a Bolívia, marcada pela pobreza em demasia e pela promiscuidade. Nesta cidade, conheci um rapaz por quem me apaixonei (era para eu ficar por 4 meses fazendo um documentário sobre população ribeirinha), joguei tudo para o alto para viver este amor e casei-me em dezembro de 2007.

Mas minha vida não foi fácil, meu marido me traía e fui muito humilhada, com a tristeza acabei engordando 24 kg, perdendo a beleza que tanto eu exaltava, não tinha emprego como jornalista, então fui dar aulas de inglês, meu trabalho não tinha nenhum glamour de outros tempos, meus pais não estavam mais por perto para limpar as besteiras que eu fazia. Eu que adorava festas e passava madrugadas nas altas rodas, sofria pelos sumiços de meu marido, que só retornava bêbado pela manhã. E eu que sempre fui tão dona de meu nariz, andava de cabeça baixa resignada. Em meio a toda esta dor fui apresentada a Jesus, comecei a rezar e de alguma forma Ele me acalentava. Certo dia, fui a Catedral que existe aqui na cidade e ajoelhada em frente à imagem de Nsa. Senhora chorei um choro doído que me fez entender muita coisa e agradeci o sofrimento, pois percebi que Deus me deu a oportunidade de sofrer para pagar um pouco os imensos pecados. Naquele momento tive a consciência que cometi um assassinato. Havia matado meu próprio filho! O sofrimento devastou minha alma como uma grande onda, este sofrimento foi como uma bofetada que me fez despertar.

Hoje meu marido se arrependeu da traição e vivemos melhor, voltei a trabalhar como jornalista em uma universidade, nunca mais tive a beleza de antes. Desejei muito ter um filho, fiz várias tentativas, mas nunca consegui engravidar de novo. Sofro muito até hoje e a culpa me persegue.

Percebi que Deus tinha um propósito para minha vida e hoje converso com muitas jovens sobre a importância da solidez de uma família e sou militante CONTRA o aborto. Quero adotar uma criança e dar amor e valores a ela, mas sei que terei esta marca impressa para toda a eternidade.


Dou meu testemunho porque quero de alguma forma ajudar a quem tem dúvidas. Nos fazem acreditar que para ser feliz basta termos uma boa profissão, ter liberdade de fazer o que quiser e não temer a nada nem a ninguém. Hoje sei que os limites são necessários e que a família é um bem precioso.

Deus é um pai de imensa bondade e sua justiça é infalível, por isto agradeço minhas lágrimas, só através delas pude dissolver a cegueira do egoísmo e da vaidade.

Eu imploro, não cogitem fazer um aborto. A vida é um presente de Deus e filhos bênçãos maravilhosas! Não caiam no mesmo erro que eu, a culpa é um chicote que abre feridas que nunca se cicatrizam.

Gabriela
www.providaanapolis.org.br

domingo, 21 de agosto de 2011

Abortos ocultos

Veja também no site do Pe. Paulo Ricardo:

http://padrepauloricardo.org/audio/34-parresia-abortos-ocultos/




domingo, 8 de maio de 2011

“Jesus, o que foi que eu fiz?” a experiência traumática da estrela do rock Steve Tyler com o aborto

Por Kevin Burke

4 de maio de 2011 (Notícias Pró-Família) — Muito antes de receber elogios como juiz do programa de televisão American Idol [um caçador de estrelas], Steven Tyler era uma genuína estrela do rock, com tudo o que isso implicava. Em 1975, quando ele estava com quase 30 anos de idade e era o vocalista da banda Aerosmith, Tyler persuadiu os pais de sua namorada de 14 anos, Julia Holcomb, a fazer dele o guardião legal dela a fim de que eles pudessem viver juntos em Boston.

Steve Tyler

Quando a senhorita Holcomb e Tyler conceberam um bebê, o amigo dele de longa data Ray Tabano convenceu Tyler de que o aborto era a única solução. Na “autobiografia” da banda Aerosmith Walk This Way (em que recordações de todos os membros da banda e seus amigos e amantes, foram coletadas pelo autor Stephen Davis), Tabano diz: “Então eles fizeram o aborto, e realmente atrapalhou a vida de Steven porque o bebê era menino. Ele… assistiu ao procedimento de aborto, que atrapalhou muito a vida dele”.

Tyler também reflete em sua experiência de aborto na autobiografia. “Foi uma grande crise. É uma grande coisa quando estamos criando algo com uma mulher, mas nos convenceram de que nunca daria certo e arruinaria nossas vidas… Fomos ao médico, onde enfiaram uma agulha na barriga dela, e injetam o conteúdo na barriga dela, enquanto eu estava lá assistindo. E o bebê saiu morto. Senti-me devastado. Na minha mente, eu estava dizendo: ‘Jesus, o que foi que eu fiz?’”

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais define um acontecimento traumático como: “1. A pessoa experimentou, testemunhou ou se defrontou com um acontecimento ou acontecimentos que envolveram real ou ameaçada morte ou sérios danos físicos, ou uma ameaça à própria integridade física ou de outros. 2. A resposta da pessoa envolveu intenso medo, impotência ou terror”.

Aqueles que apoiam o direito de fazer aborto nos garantem que complicações depois do aborto são um mito. Mas Steven Tyler penetra essa espessa névoa de negação e fala sem rodeios: Jesus, o que foi que eu fiz?
Esse é o grito de um pai depois da experiência do aborto, um pai cuja íntima exposição à realidade do aborto se encaixa na definição clássica de trauma — conforme definida pela mesma Associação Americana de Psiquiatria que nos garante que o aborto é um procedimento seguro sem nenhum efeito negativo na saúde mental de um homem ou de uma mulher.

Anestesie seus sentimentos e fuja

O que ocorre com alguém que se expõe a um acontecimento traumático e não consegue processar as imagens e memórias dessa experiência e curar as feridas psíquicas? Provavelmente, essa pessoa anestesiará seus sentimentos, fugirá e manifestará questões não resolvidas do trauma.

Não há ocupação mais fácil em que reagir desse jeito ao trauma pós-aborto do que a de uma estrela do rock nas décadas de 1970 e 1980.

Depois do aborto, Tyler iniciou um caso ardente com Bebe Buell, modelo da revista Playboy, enquanto ainda visitava Julia, a mãe de seu filho abortado. Se você estava tentando imaginar o que aconteceu com Julia (que é mencionada como Diana Hall no livro) depois desse procedimento que pela aparência é psicologicamente seguro, Bebe nos diz: “No período em que eles estavam se separando, a pobre Diana fazia muitas ligações telefônicas ameaçando se suicidar. Foi realmente um tempo muito triste”.

E como Steven estava lidando com isso? Ele viajou numa turnê de concertos na Europa, acompanhado por Bebe, que nos diz: “Ele estava louco… totalmente bêbado, realmente fora de si… Steven destruiu seu camarim em Hammersmith… quando voltamos da Europa… Certa noite eu o encontrei no chão de seu banheiro tendo um ataque de drogas. Ele estava se contorcendo de dor”.

Em seguida, veio um período em que ele passou muitos dias doidão em enormes doses de uma droga sedativa e hipnótica a base de barbitúricos. Ele diz: “Eu costumava comer quatro ou cinco vezes por dia… e foi bom por dois meses… essa é a razão por que tenho total perda de consciência desse período”.

Essa é a receita anormal para se lidar com estresse pós-traumático: Tome doses pesadas de drogas para anestesiar as memórias e sentimentos — e jogue uma parte da raiva tóxica nos parceiros de banda ou de quartos de hotel. Raiva, principalmente nos homens, é muitas vezes um sinal não diagnosticado de depressão e tristeza reprimida que precisa de uma expressão saudável e cura. Muitos pais depois de passar pela experiência do aborto nos dizem que o controle da raiva era um grande problema para eles depois de um aborto.

Então Bebe Buell engravidou de Tyler. Ela percebeu que seria impossível criar uma criança com ele, considerando o uso de drogas fora de controle e estilo de vida de rock-and-roll dele. Ela voltou para seu ex-amante, o compositor, produtor e músico Todd Rundgren, que concordou em fazer o papel do pai da criança e manter em segredo a paternidade de Tyler. A filha deles, que veio a se tornar a atriz Liv Tyler, nasceu em 1 de julho de 1977.

Trauma e cura

Para muitos homens e mulheres que passaram pela experiência do aborto, a ansiedade ligada ao aborto pode vir à tona em ocasiões inesperadas, provocadas por acontecimentos tais como uma gravidez subsequente, a morte de um bicho de estimação, ou alguma outra pessoa, lugar, ou coisa que de alguma maneira nos liga à memória traumática.

Anos mais tarde, quando Tyler se casou, e ele e sua esposa estavam esperando seu primeiro filho, ele ainda sofria a perseguição de memórias do passado ligadas ao aborto: “Afetou-me mais tarde… Eu tinha medo. Eu achava que minha esposa daria a luz uma vaca com seis cabeças por causa do que eu havia feito com outras mulheres. A culpa real era muito traumática para mim. Ainda sofro”.

Nos Ministérios Vinha de Raquel, nós muitas vezes vemos homens e mulheres muitos anos depois de um aborto, quando eles estão prontos para dar uma olhada nesse segredo e canto escuro de suas almas. A maioria das pessoas não consegue decifrar as partes fragmentadas e desconjuntadas de suas vidas após um aborto até entrarem num curso de cura. Tragicamente, os que fazem propaganda do aborto em nossa cultura trabalham dia e noite para garantir que nunca se façam essas conexões.

Apesar da oposição, os pais, avós e irmãos que passaram pela experiência de um aborto estão encontrando seu caminho para cursos de cura no mundo inteiro. Ao viajarem juntos no processo de cura, eles aprendem uns com os outros e apoiam-se mutuamente. Eles descobrem que as partes fragmentadas de suas vidas começam a se encaixar e fazer sentido. Isso pode ser um dos motivos por que é tão difícil reagir à propaganda do movimento pró-aborto. Muitas vezes, é só depois da jornada de cura que homens e mulheres conseguem ver a íntima conexão entre seus abortos e seus problemas emocionais, vícios e outros sintomas pós-aborto.

Ainda um fã


Cresci com a música de Aerosmith como adolescente na década de 1970 e continuo a ter um grande respeito pelo talento de composição e desempenho musical de Steven Tyler. Suas ações no aborto de seu filho foram muito erradas, e ele sofreu as consequências, pois sua vida foi caindo num lamaçal de vício e destruição de si mesmo. Felizmente, Tyler foi tratado com sucesso por seu vício de drogas em 1986.
No centro da cura pós-aborto está a purificação de um coração ferido. O pai ou mãe, depois de uma experiência de aborto, precisa se libertar da vergonha, culpa e sofrimento antes que ele ou ela consiga abraçar o bebê em gestação com amor. Vamos esperar e rezar para que esta estrela do rock e juiz do programa American Idol consiga fazer as pazes com sua perda do aborto e encontrar perdão e reconciliação com Deus e seu filho abortado — e que ele usará então seu talento e influência considerável para convidar para a cura outros pais depois de uma experiência de aborto.
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Kevin Burke, LSW, é o fundador dos Ministérios Vinha da Raquel e um sócio pastoral da organização Padres pela Vida. Esse artigo foi publicado pela primeira vez na National Review Online.
Traduzido por Julio Severo
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/news/jesus-what-have-i-done-rock-star-steve-tylers-traumatic-encounter-with-abor
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sábado, 12 de março de 2011

Link - As conseqüências negativas do aborto

Para quem deseja se aprofundar no estudo das conseqüências negativas do aborto, seu custo no campo financeiro, problemas de saúde relacionados, estatísticas, problemas mentais associados, etc, pode consultar o site (em inglês):
http://www.thecostofabortion.com/

E também ver o vídeo (em inglês):

http://www.youtube.com/watch?v=KyvgIM7E9Do

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Às mulheres que já abortaram


«Um pensamento especial quereria reservá-lo para vós, mulheres, que recorrestes ao aborto. A Igreja está a par dos numerosos condicionalismos que poderiam ter influído sobre a vossa decisão, e não duvida que, em muitos casos, se tratou de uma decisão difícil, talvez dramática. Provavelmente a ferida no vosso espírito ainda não está sarada. Na realidade, aquilo que aconteceu, foi e permanece profundamente injusto.

Mas não vos deixeis cair no desânimo, nem percais a esperança. Sabei, antes, compreender o que se verificou e interpretai-o em toda a sua verdade. Se não o fizestes ainda, abri-vos com humildade e confiança ao arrependimento: o Pai de toda a misericórdia espera-vos para vos oferecer o seu perdão e a sua paz no sacramento da Reconciliação.

A este mesmo Pai e à sua misericórdia, podeis com esperança confiar o vosso menino. Ajudadas pelo conselho e pela solidariedade de pessoas amigas e competentes, podereis contar-vos, com o vosso doloroso testemunho, entre os mais eloquentes defensores do direito de todos à vida. Através do vosso compromisso a favor da vida, coroado eventualmente com o nascimento de novos filhos e exercido através do acolhimento e atenção a quem está mais carecido de solidariedade, sereis artífices de um novo modo de olhar a vida do homem.»

(João Paulo II, Evangelium Vitae)

O aborto destrói as mulheres psicologicamente

A diretora do Instituto para a Reabilitação da Mulher e a Família (Irma), Mari Carmen Alva, advertiu que o aborto destrói psicologicamente as mulheres já que esta prática anti-vida constitui um forte gerador de estresse e causa uma série de desordens mentais como o síndrome pós-aborto e a depressão.

A perita fez esta precisão na comemoração dos 10 anos da instituição que dirige, a única no México que com limitados recursos econômicos se dedica a tratar a mulheres que passaram pelo trauma do aborto ou que optaram por não exercer sua maternidade.



Alva comenta que “muitas mulheres que abortaram estão mortas em vida, são mulheres que pelo grau de afetação física e psicológica, são mortas viventes. Quando lhes brinda atenção para o síndrome pós-aborto, a todas essas mulheres devolve a vida. São mulheres que voltam a nascer”.

No IRMA, explica Mari Carmen Alva, uma equipe de profissionais da saúde, psicólogas, terapeutas, entre outras, atendem mulheres que sofreram um aborto e em ocasiões este acompanhamento se estende a casais e/ou famílias.

Depois de denunciar que apesar de ter despenalizado o aborto, o Distrito Federal do México não atende as mulheres que padecem a síndrome pós-aborto condenando-as a “padecer em silêncio as conseqüências”, Alva explica alguns dos transtornos mentais que gera esta prática anti-vida.

Segundo os critérios do Manual Diagnóstico Psiquiátrico (DSM-IV), o transtorno depressivo maior, que padece 7 de cada 10 mulheres que passaram pela lamentável experiência de um aborto, caracteriza-se por um estado de ânimo deprimido prolongado que incapacita e que se expressa em tristeza profunda (73 por cento), sentimentos de vazio (63 por cento), transtornos freqüentes de sono (48 por cento), falta de concentração em suas atividades, irritabilidade constante (63 por cento) e idéias suicidas pela dor e tristeza (39 por cento).

Isso gera que quase se triplique o índice de tentativas de suicídio passando de 4 para 11 por cento, além de que dificultam severamente as relações sociais e trabalhistas, provocando o abandono de estudos ou trabalho quase na metade das pacientes.

Mari Cardem Alva e sua instituição alentam as autoridades locais e federais a não fechar os olhos para esta problemática e brindar atenção médica gratuita às mulheres que passaram pela dolorosa prática de um aborto.

Não podem “condená-las a padecer o aborto em silêncio, pois a ferida apenas se fará mais profunda”, concluiu.
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Retirado de: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/18915-o-aborto-destroi-as-mulheres-psicologicamente-adverte-perita-mexicana

sábado, 29 de maio de 2010

O poder da oração

(Pedimos desculpas pelas imagens com frases ofensivas.)

O número de abortos decresce em Rockford, e a clínica de aborto parece estar (corretamente) culpando o poder espiritual dos Padres.

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Em setembro de 2008 um grupo de Padres Católicos começou a rezar toda semana, em frente a uma clínica de aborto, orações especiais da Igreja para que a clínica fosse liberta da presença do mal. Imediatamente, as mulheres pró-vida que monitoram as atividades da clínica puderam perceber um dramático declínio no número de mães que procuravam o aborto, e um número sensivelmente crescente de mães que escolhiam a vida, mesmo à caminho da clínica.
Uma contagem não oficial mostra que o número total de abortos diminui por mais da metade. Foi então quando começaram a surgir cartazes nas janelas da clínica, atacando os Padres Católicos.
Em 29 de maio, uma sexta-feira, a clínica de aborto piorou os ataques. Enquanto um Padre pacificamente rezava as orações da Igreja, acompanhado de um seminarista, alguém dentro da clínica colocou um sinal que dizia claramente: “f... seus padres pervertidos” (“f... your perverted priests”).


Os Padres Católicos também tiveram que suportar insultos pessoais dos seguranças da clínica. O carro de um dos padres foi atingido com ovos por um ativista pró-aborto. Outro padre teve um cartaz escrito à mão pregado em seu carro, o cartaz dizia: “Eu violento crianças” (“I rape children”).

Uma coisa é certa. A clínica de aborto e seus apoiadores sabem que uma das principais razões da diminuição do número de bebês mortos ali foi pelo fato das orações constantes, comprometidas, e cheias de fé dos Padres Católicos, pedindo que o mal que envolve e sustenta a indústria do aborto fosse substituída pela graça de Jesus Cristo. Em Rockford esses padres e suas orações já salvaram incontáveis vidas e almas. É por isso que essa clínica odeia e ataca os padres dessa maneira desrespeitosa.

É como disse um ativista pró-vida de Rockford: “Esse grupo de padres rezou em frente a essa clínica independente do clima, da intimidação, e das ameaças que enfrentaram. No espírito de Jesus Cristo, eles responderam a esses ataques com oração, humildade e amor”.

Um homem afirmou acerca de um dos padres: “No último inverno, em um dia onde o vento gelado estava bem abaixo de zero grau, o Padre estava em oração na calçada com seu casaco aberto. Todos lhe disseram para se proteger melhor do frio, mas ele sabia que as pessoas que entravam na clínica precisavam saber eu um Padre estava ali. Uma jovem mulher hispânica olhou para o Padre, viu sua roupa, seu colarinho eclesiástico, viu que ele rezava por ela. Ela imediatamente deixou a clínica e nunca mais retornou”.


A comunidade cristã de Rockford espera que as autoridades da cidade olhem para a história longa e cheia de ódio da clínica de aborto, e venham a decidir que esse tipo de coisa não é aceitável na cidade.

E quanto a esses santos homens que rezam e trabalham pela vida e pelo fim da demoniacamente inspirada cultura da morte, devemos a eles nosso apoio, nossas orações, e nossa gratidão por nos liderar nessa batalha contra o pecado, satanás e a morte.

1548 No serviço eclesial do ministro ordenado, é o próprio Cristo que está presente à sua Igreja, como Cabeça do seu corpo, Pastor do seu rebanho, Sumo-Sacerdote do sacrifício redentor, mestre da verdade. É o que a Igreja exprime quando diz que o padre, em virtude do sacramento da Ordem, age in persona Christi Capitis – na pessoa de Cristo Cabeça. «É o mesmo Sacerdote, Jesus Cristo, de quem realmente o ministro faz as vezes. Se realmente o ministro é assimilado ao Sumo-Sacerdote, em virtude da consagração sacerdotal que recebeu, goza do direito de agir pelo poder do próprio Cristo que representa 'virtute ac persona ipsius Christi'». «Cristo é a fonte de todo o sacerdócio: pois o sacerdócio da [antiga] lei era figura d'Ele, ao passo que o sacerdote da nova lei age na pessoa d'Ele».

1549 Pelo ministério ordenado, especialmente dos bispos e padres, a presença de Cristo como cabeça da Igreja torna-se visível no meio da comunidade dos crentes. Segundo a bela expressão de Santo Inácio de Antioquia, o bispo é týpos toû Patrós, como que a imagem viva de Deus Pai.
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Traduzido de:
http://www.prolifecorner.com/node/333

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Dinheiro de sangue

"Dinheiro de sangue" (Bloodmoney) um documentário que expõe a verdade por trás da indústria do aborto, a partir de uma perspectiva pró-vida.

“Tínhamos todo um plano para vender abortos, e se chamava “educação sexual”: quebrar a inocência natural das meninas, separá-las de seus pais e de seus valores, e tornarmo-nos os "experts" em sexo para elas, de modo que elas nos procurassem", é o que diz uma ex-funcionária da Planned Parenthood (rede de clínicas de aborto nos Estados Unidos). "Nossa meta [na Planned Parenthoo] era 3 a 5 abortos para cada menina entre as idades de 13 a 18 anos".

Esse filme provavelmente é o primeiro documentário profissional sobre a história, a política, o dinheiro e os horrores associados à indústria do aborto nos Estados Unidos. Como vocês podem adivinhar, o pessoal na Planned Parenthood e todo o pessoal pró-aborto não está nada feliz com o lançamento desse filme. Já começam a se organizar protestos e os donos de cinema se encontram relutantes em exibi-lo.

Convidamos você a dar uma olhada nesse trailer. Esperamos que "Bloodmoney" possa ter a divulgação merecida, e quem sabe possa estar em algum cinema perto de você.





Para ver no You Tube:

http://www.youtube.com/watch?v=gOK9eLzCiG4

(Legendas colocadas via You Tube, qualquer problema manda um comentário)
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Fonte: http://unitedfamiliesinternational.wordpress.com/2010/05/12/bloodmoney-the-horrors-the-politics-and-the-money-behind-the-abortion-industry/

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Depoimento da Deputada Fátima Pelaes

Convido os leitores a verem o seguinte vídeo, um depoimento da Deputada Fátima Pelaes (PMDB/AP), ocorrido durante a discussão do Estatudo do Nascituro - PL 478/07, em 19 de maio de 2010.



Para ver o vídeo no You Tube:
http://www.youtube.com/watch?v=ewVuBQeAagM

quinta-feira, 20 de maio de 2010

10 falácias no debate sobre o aborto

Imagem de um bebê não-nascido de 23 semanas


Por Peter Cuthbertson



1. O feto não pode ser levado a sério como pessoa

Antes de conhecer mais a fundo o debate sobre o aborto, eu não tinha nenhum interesse no feto (bebê não-nascido). Quando era mencionado, eu aceitava sem criticar que o “feto” era apenas uma espécie de esperma superdesenvolvido, sem nenhum valor ou valia. A retórica pró-aborto havia me convencido que o bebê no útero era, de alguma forma, uma classe totalmente diferente de humano, diferente de você ou de mim, como se o simples ato de sair do ventre e respirar oxigênio conferisse a humanidade a alguém. Eu não tenho certeza se considerava isso racional no momento, mas apoiava o aborto, porque eu tinha sido levado a acreditar que não havia nada em jogo na destruição de um feto humano.

A realidade mudou minha opinião. É claro que o bebê não nascido, só por causa do fato de existir dentro do útero, não se torna uma classe especial de seres humanos, nem deixa de algum modo de ser uma pessoa. Por qualquer critério científico que se queira, uma vida humana completa é formada no momento em que um espermatozóide fertiliza o óvulo. A criatura formada está viva – crescendo, amadurecendo e substituindo as próprias células que morrem. É humano – já é original e diferente de qualquer outro ser humano que já existiu, da espécie homo sapiens sapiens, com 46 cromossomos humanos, e só pode evoluir para um ser humano adulto, nunca para outra criatura. E é completo – a pessoa em questão vai crescer muito ao longo dos anos que se seguem à concepção, mas tudo o que é adicionado é apenas a replicação do que já existe. Não há nenhuma dúvida científica de que um bebê de 23 semanas de gravidez no interior do útero é tão humano e tão vivo quanto um bebê que nasceu prematuro com 23 semanas de gravidez e está fora do útero. No entanto, a um é dado o pleno direito legal que todos nós normalmente temos, e o outro pode ser morto, como se fosse uma mera inconveniência [Nota do tradutor: O artigo é de outro país. No Brasil atualmente o aborto é sempre crime, sendo suspensa apenas sua punição quando não há outro meio para salvar a vida da mãe ou quando a gravidez resulta de estupro].

É óbvio porque o lobby pró-aborto fala sempre em termos de “feto”. Parece muito menos pessoal e menos humano falar de “eliminar um feto” do que de matar um bebê. Todos os tipos de eufemismos médicos já foram alguma vez utilizados: conjunto de células (quem de nós não é um aglomerado de células?), bolha de protoplasma, e assim por diante. Eles vão chamar a criança por nascer de qualquer coisa, menos de “bebê”.

Alguns defensores do aborto argumentam que seu lado fala de fetos, enquanto o outro lado fala de bebês, de acordo com suas agendas. Portanto, não há razão para dizer que um determinado lado é desonesto em seu uso da linguagem para se adequar ao seu argumento – um lado usa termos médicos e o outro lado usa termos mais emocionais, isso é tudo. Mas isso ignora a realidade de como as pessoas falam no dia a dia. Quando uma mulher está grávida, todas as perguntas são voltadas para um bebê, e não para um feto. Ninguém fala sobre o chute do feto na barriga da mãe. Nenhuma mãe que sofre um aborto espontâneo fala sobre a perda de seu feto. É só quando a discussão se volta para o aborto que os termos médicos são utilizados para descrever o bebê que vai ser morto. Apenas na hora de defender o aborto é que desumanizamos o bebê para que o argumento de matá-lo se torne mais fácil de aceitar. Essa não é uma tática nova. De “Untermenschen” a “Nigger” (1), fanáticos sempre inventaram termos que podem usar para evitar descrever como ser humano aqueles que querem matar. Mas chamar um judeu “Untermenschen” não faz dele menos humano, e chamar um bebê de “feto” (uma palavra que ironicamente significa na verdade “pequena criança”) não a fará nem um pouco menos humana.

Nenhuma pessoa pró-vida diz que o bebê deve ter precedência sobre a mãe. Mas deixar de reconhecer que existem duas vidas humanas nessa questão é cegueira deliberada. Nas circunstâncias em que nenhuma das duas pessoas vai morrer, por que uma das vidas deve ser ceifada?


2. "Pró-escolha" é uma posição neutra sobre o aborto

Um dos argumentos estranhos que as pessoas muitas vezes fazem sobre aborto é que elas não querem tomar partido sobre o assunto – o que elas querem é que a mãe escolha se quer abortar, sendo elas próprias “neutros” sobre o assunto. Implícito nisso está a idéia de que, de um lado está um grupo de pessoas que se opõem ao aborto em quaisquer circunstâncias, e do outro lado está um grupo de pessoas favoráveis ao aborto em todos os casos, quer a mãe deseje o aborto ou não. Ser "pró-escolha", segue-se, seria uma posição neutra e intermediária.

Este não é um argumento que dure muito tempo. Nenhuma pessoa em sã consciência defende o aborto em qualquer caso, portanto basear a alegação de neutralidade entre um argumento que existe e um argumento que não existe é claramente um absurdo. Mas o ponto chave que refuta a idéia de que a posição "pró-escolha" equivale à neutralidade é que ela afirma que as escolhas da mãe devem sempre prevalecer sobre a vida de seu filho ou filha. Ao ficar do lado da "escolha", a pessoa declara-se contrária à idéia de que a vida humana inocente deve ter precedência sobre as escolhas de um outro ser humano, e isso se alia à idéia dos defensores do “direito de abortar”, segundo a qual o “direito da mulher de escolher” deve vir em primeiro lugar.

O debate acerca do aborto não ocorre entre aqueles que não querem nenhum aborto e aqueles que querem todos abortados, mas sim entre aqueles que querem o aborto para a conveniência de um ou ambos os pais, e aqueles que pensam que a vida humana deve prevalecer sobre a escolha humana. Na dicotomia entre vida e escolha, que forma o debate sobre o aborto, você pode ser indiferente quanto ao que tem prevalência, você pode estar indeciso, pode estar incerto, e você não pode ter opinião nenhuma. Mas o que você não pode ser é neutro, porque não há uma posição neutra. Ou a vida vem primeiro, ou a escolha vem primeiro.


3. Restringir o aborto significa impor aos outros uma moral religiosa

Muitas pessoas de todas as confissões religiosas, bem como pessoas sem religião se opõem ao aborto, mas alguns sugerem que ser pró-vida é adotar uma posição religiosa. Portanto, apoiar as leis pró-vida seria sugerir a imposição de um ponto de vista religioso sobre todas as outras pessoas, a mesma coisa que tornar ilegal o consumo de carne de porco por causa das prescrições do Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos).

Se o aborto é uma questão religiosa, então quase tudo é. O que as pessoas costumam dizer com isso é que o aborto é uma questão exclusivamente religiosa, de nenhum interesse àqueles que não compartilham a fé das pessoas pró-vida. Como muitas religiões enfatizam o valor de uma alma humana eterna, e muitas pessoas pró-vida se expressam em termos religiosos, as duas coisas não estão desconectadas. Mas é completamente errado sugerir que uma questão ética como o aborto se torna inteiramente uma questão religiosa só porque a religião dá seu ponto de vista sobre ela. O livro do Êxodo diz que ninguém deve cometer um assassinato. Isso não significa que o assassinato é uma questão exclusivamente religiosa, e certamente não significa que as leis contra o assassinato seriam uma quebra na tradição de separação entre Igreja e Estado que existe em países como os Estados Unidos.

Não apenas é falso, é um insulto dizer que a oposição ao aborto é uma posição religiosa, ao invés de ser, em última instância, uma questão de direitos civis e humanos. Será que essas pessoas realmente acreditam que é impossível para um ateu se preocupar com o bebê não nascido? Será que honestamente acham que o supremo valor e importância de uma vida humana inocente é algo que só uma pessoa religiosa pode entender? Eu certamente espero que não.

Portanto, restringir o aborto não é imposição de moral religiosa. Mas seria errado no sentido de que se impõe algum tipo de moralidade? Bem, o problema com este argumento é de que toda lei é a imposição de uma moralidade. A lei que proíbe o roubo impõe sobre os outros uma moralidade anti-roubo. Ninguém tem um problema com isso, porque ninguém é realmente um relativista moral na prática. Nós todos sabemos que os indivíduos têm certos direitos que ultrapassam a vontade dos outros de fazer o que quiserem. Sejam os direitos “lockianos” à vida, à liberdade e à propriedade, sejam os direitos mais expansivos do “Ato de Direitos Humanos da Europa”, todos nós aceitamos que alguma proteção individual deve ser garantida. Para o nascituro, as pessoas pró-vida pedem apenas o direito mais básico de todos – o direito à vida. Não se trata de impor a ninguém, mas se trata de evitar a maior imposição de todas: uma execução de uma pessoa inocente, sem nenhum crime, e culpado apenas de ser um inconveniente. Essa seria a verdadeira imposição, o verdadeiro caso de uso de força ilegítima.

Ironicamente, as pessoas pró-aborto sempre acusam os seus adversários daquilo que elas são mais culpadas. São elas que querem fazer leis com base não num critério objetivo como a proteção da vida humana inocente, mas nas avaliações subjetivas da mãe. Experimente dizer a alguém que defende o aborto que o aborto deveria ser ilegal porque mata, e eles vão dizer que isso não importa, porque só mata um feto. Explique que um feto no útero é um ser humano em qualquer definição científica, e eles vão dizer que ele não está vivo. Diga-lhes que o bebê no útero está de fato vivo, e eles vão dizer que o bebê pode ser uma vida humana, mas não é o que eles consideram uma pessoa. Então, eles se defendem através de uma noção totalmente arbitrária e subjetiva do que merece e do que não merece o direito à vida, baseada em sua própria noção do que seja uma pessoa humana. Esse é um caso verdadeiramente injusto de imposição de moralidade, tão grande quanto justificar a escravidão porque, embora o negro seja um ser humano esteja vivo, ele não é uma pessoa, no sentido que você considera.


4. "Eu nunca faria um aborto, mas os outros devem ser livres para escolher” ou “Se você não gosta de aborto, não faça um”

Não é inconsistente alguém que nunca lutaria boxe na vida querer que o boxe continue juridicamente legal. Alguém pode odiar o gosto do café, mas isso não significa que seria preciso proibi-lo. Sempre se pode simplesmente parar de bebê-lo. Não seria necessariamente hipócrita para alguém que odeia a caça à raposa continuar a acreditar na liberdade dos outros para a caça. Alguns tentam estender este princípio liberal ao aborto: eles argumentam que não é preciso se opor ao aborto só porque existe alguém que acha o aborto imoral, de mau gosto e mau.

Tendo classificado o boxe, o café e a caça como três coisas que uma pessoa pode de forma bastante consistente não gostar, sem com isso acreditar que eles deveriam ser proibidos, devemos analisar algumas coisas que uma pessoa não pode se opor de forma consistente sem as querer proibidas. Um exemplo claro seria o estupro. Seria completamente absurdo dizer "Não gosta de estupro? Então não cometa nenhum". Isso acontece porque quando alguém está dizendo que acha o estupro errado não está simplesmente falando em discordar com as escolhas que os outros fazem, como pode ser o caso com a caça, mas porque ele é contra a própria idéia de que alguém venha forçar uma mulher a fazer sexo com ele.

A questão é se o aborto entra na primeira categoria – uma questão de escolha, como o boxe ou beber café, sem direitos fundamentais envolvidos – ou na segunda – uma questão de direitos fundamentais da pessoa, que não podem ser negociados e não se referem apenas às preferências de uma pessoa. Qualquer que seja o lado que se tome nesse debate, o aborto não se encaixa na primeira categoria, como as duas afirmações acima erroneamente sugerem.

Se alguém afirma que a vida humana inocente é sagrada e valiosa e que este valor permanece, independente das preferências dos outros, então o aborto é claramente uma questão de direitos individuais. Ninguém pode afirmar que o aborto é uma violação dos direitos individuais e ao mesmo tempo ter o pensamento que ele deve ser legalizado mesmo assim. Isso é que é tão absurdamente hipócrita naqueles que afirmam ser pessoalmente contra o aborto, mas ainda o desejam legalizado. Pela lógica, a única razão para se acreditar pessoalmente que seria errado cometer um aborto é pensar que o bebê que iria morrer tem direito à vida. Mas se o bebê no seu próprio ventre tem direito à vida, por que não qualquer outro bebê? Se o bebê em seu ventre é um ser humano inocente, como pode isso mudar para os bebês que terminam nos corpos daquelas que estariam dispostas a fazer um aborto? Será que o corpo sabe na concepção se a mãe é pró-vida ou pró-aborto, para produzir um bebê humano, no primeiro caso, mas não no segundo? E se a mãe mudar de idéia no meio da gravidez? É aqui que o absurdo dessa posição se torna clara. Eles estão, essencialmente, argumentando que o direito à vida de alguém deve depender do ponto de vista que sua mãe adotou a respeito do aborto – que seus próprios filhos têm direito à vida, mas os filhos de mulheres pró-aborto não. Se isto não é hipocrisia, nada mais é.

Da mesma forma, dizer que os opositores do aborto devem simplesmente “não cometer um” é perder completamente o argumento. As pessoas pró-vida não estão dizendo que é sua preferência pessoal que os indivíduos tenham direitos, mas sim que a vida humana inocente deve ser protegida, seja no corpo de uma fervorosa pró-vida ou de uma mulher sem escrúpulos em seu sétimo aborto. Não faz sentido de modo algum argumentar que, se alguém não gosta de escravidão, então não precisa comprar um escravo. No entanto, esse mesmo argumento foi muito utilizado nos Estados Unidos no século 19, e é usado agora como uma defesa do aborto. Ou o aborto é assassinato ou não é. Contornar essa questão e fingir que é apenas uma questão de preferência, como escolher entre marcas de detergentes, revela ignorância ou desonestidade.


5. O aborto é, em última análise, uma questão de direitos da mulher

Uma das tentativas mais desesperadas e fracas para vencer o debate sobre o aborto e calar os opositores pode ser vista naqueles que argumentam que, já que os homens não podem engravidar, e por isso não podem fazer um aborto, então a questão não tem nada a ver com eles. Em seguida sugerem que as opiniões dos homens não têm o direito de ser ouvidas de modo algum, ou então que o aborto beneficia as mulheres em relação aos homens.

A resposta a isso é um fato biológico simples: metade dos bebês não nascidos é do sexo feminino. Assim, para cada menino abortado, em média uma menina morre também. A relação, na verdade, é menos favorável às mulheres em países onde os meninos são mais valorizados do que meninas. Por exemplo, na Índia, tornou-se comum entre as mulheres pagar por um exame de ultra-som barato, e depois pagar por um aborto barato se o bebê for do sexo feminino. Em seguida, elas repetem tudo até que venha um menino. Assim, a idéia de que o aborto é uma vitória para as mulheres é desmentida pela realidade de milhões de meninas sendo mortas da forma mais brutal e cruel.

Bem, está certo, talvez o aborto mate pelo menos tantas meninas quanto mata meninos, mas com os homens incapazes de engravidar, são as mulheres as que têm abortos e, normalmente, são elas que no final decidem. Portanto, a questão cai para as mulheres decidirem, não os homens. Mas esse argumento é contrário a todos os princípios democráticos. Nós não exigimos que só os recrutas exponham os seus pontos de vista e seu voto sobre as questões relativas à guerra. Também não exigimos que somente os doentes tenham voz na área da saúde. A democracia dá a todos voz. Basta ver aonde esse argumento vai levar, para ver suas grandes falhas. Argumentar que, porque só as mulheres podem cometer aborto, então elas devem ser as únicas a decidir as leis relativas a ele é equivalente a argumentar que as leis de estupro só devem ser determinadas e discutidas pelos homens, porque só eles podem cometer esse delito. Democracia significa que todos têm uma palavra a dizer, quer o problema os afete ou os beneficie diretamente quer não.


6. Nenhuma pessoa pró-vida pode com sinceridade aceitar a pena de morte

Algumas pessoas argumentam que há uma contradição aqui, já que a opinião pró-vida tende a aparecer mais na direita política, que normalmente é mais simpática à pena capital. Como alguém pode ser pró-vida e ainda a favor da pena de morte?

A resposta é que, assim como o termo “pró-escolha”, o termo “pró-vida” talvez não seja o termo mais preciso para descrever a oposição ao aborto. A maioria das pessoas se opõe ao aborto por conferir um valor especial à vida humana inocente. Eles acreditam que ela é sagrada, ou ainda que seu valor não pode ser ignorado simplesmente por ser um inconveniente. Eu não sou pró-vida na medida em que eu me oponho ao término de toda e qualquer vida, porque eu como carne e não sou contra matar animais para esse fim. Nem sou pró-vida humana no sentido de que me oponho a tirar uma vida humana em qualquer circunstância. Na guerra, aceito que se atire no inimigo e, quando um assassinato foi cometido, eu estou disposto a aceitar a execução do assassino. A palavra chave é inocente. Simplesmente não é possível para um bebê não nascido cometer um assassinato. Portanto, não há contradição em aceitar a execução de assassinos e se opor à execução de bebês inocentes. O mesmo princípio inspira ambas as convicções: que a vida humana inocente é tão valiosa que não deve ser destruída, e que aqueles que tiram uma vida humana inocente deveria pagar um preço elevado.

Não são aqueles pró-vida e pró-pena capital que são inconsistentes, mas aqueles que são a favor do aborto e se opõem à pena capital. Sua posição é a de executar o inocente e proteger o culpado.


7. É hipócrita ser pró-vida se não se adota bebês ou se ajuda no seu sustento

Assim como o argumento feminista, esse tipo de acusação tenta encerrar o debate, dessa vez, sugerindo que se deve demonstrar pessoalmente um compromisso para com as crianças que resultariam da restrição do aborto. Certamente, é uma coisa maravilhosa se alguém pode e está disposto a ajudar nesses casos. Mas argumentar ad hominem que porque alguém não vai ou não pode botar em prática as suas convicções em termos de ajuda direta, isso é um argumento errado, é confundir o argumento com o argumentador. Se algo é mais ou menos verdadeiro, isso não depende de quem o diz. Acusações de hipocrisia são fáceis de se fazer por aí, mas, embora possam prejudicar a reputação dos acusados, não afetam o seu argumento.

Dizer que uma pessoa não pode ser contra o aborto se não estiver disposta a adotar uma meia dúzia de crianças é como dizer que não se pode apoiar uma guerra sem se oferecer para lutar, ou que não se pode ser contra a escravidão sem estar disposto a alimentar e vestir muitos ex-escravos. Apoiar o direito à vida, à liberdade e à propriedade de uma pessoa não significa que se tem que apoiá-las de outras formas. Uma injustiça é uma injustiça.

Novamente, a maior hipocrisia vem da posição geral da esquerda política. Se um homem engravida a mulher, eles dizem, então é justo que ele assuma a responsabilidade pelo bebê. Mesmo que o pai não o queira, ele ainda assim deveria pagar pensão alimentícia para ajudar em sua alimentação, vestuário etc. Ele escolheu se arriscar a engravidar a mulher, então ele deve – dizem-nos – assumir a responsabilidade pelas conseqüências.

Isso tudo soa bastante razoável, e seria, se eles aplicassem o mesmo argumento para as mulheres. Mas eles não o fazem. Eles não dizem que a mãe escolheu se arriscar a engravidar e que agora deve assumir a responsabilidade pelo bebê que resultou. Em vez disso, dizem que a escolha sobre a vida ou a morte do bebê depende inteiramente dela, e que ela pode determinar essa escolha segundo sua própria conveniência. Essa é a verdadeira hipocrisia e inconsistência.


8. Restringir o aborto não faria diferença; significaria apenas mais mulheres morrendo em “abortos clandestinos”

Embora o argumento seja muitas vezes declarado dessa forma, claramente ele quer dizer algo diferente, com a diferença sendo mais mulheres morrendo em decorrência da restrição do aborto. Em primeiro lugar, será que as leis sobre o aborto e um clima pró-vida reduziriam o número de abortos? O melhor exemplo disso é a Polônia. Quando os soviéticos a deixaram, as tradições religiosas e humanitárias da Polônia ressurgiram. Nos anos 80 havia cerca de 100 mil abortos por ano. Em 1990, esse número era de 59.417. Então, claramente, quando as pessoas começam a acreditar que o aborto é errado, elas começam a mudar seu comportamento. Seria estranho, na verdade, sugerir que as atitudes sociais não são de modo algum afetadas pelas leis sobre aborto e pela aprovação democrática das mesmas.

Mas que dizer sobre a acusação de que o aborto significaria mais mortes em “abortos clandestinos”? Na verdade, o número decrescente de mortes por “abortos clandestinos” não foi muito afetado, nem na Inglaterra nem nos Estados Unidos, depois que o aborto foi legalizado nesses países. Também deve se enfatizar como são poucas as mortes com essa causa: cerca de três dúzias por ano em todo o território dos Estados Unidos, ou menos de um por estado. Assim, ou os abortos ilegais ou eram muito raros, ou muito seguros. Se eles são muito seguros, então não se pode argumentar que a proibição do aborto seria uma ameaça para a vida das mulheres. Se eles eram muito raros, então claramente as leis pró-vida desencorajaram, de fato, os abortos ilegais, salvando as vidas das mulheres em questão, e os bebês que foram concebidos.

Como um último exemplo desta tendência, em 1993 a Polônia proibiu o aborto, exceto em casos de estupro, incesto ou deficiência, e no ano seguinte, 782 bebês foram abortados legalmente (contra 100 mil há uma década), mas absolutamente ninguém morreu em um aborto ilegal.


9. Os abortos são justificáveis, pois eles mantêm a população limitada, diminuem o crime e poupam algumas crianças de uma vida miserável

O argumento utilitarista para o aborto é mais cruel do que a maioria dos outros, mas ele merece ser tratado. Mesmo que se admita que o feto é uma vida humana inocente, isso não significa proteção para ela, diz o argumento, porque tal proteção significaria uma população excessiva, permitindo que os bebês mais pobres nasçam e venham a cometer crimes ou fazendo com que alguém nasça em um lar infeliz.

Em primeiro lugar, deve-se questionar a idéia de que a população de qualquer país moderno ocidental é demasiadamente elevada. Na Grã-Bretanha, prevê-se que a população fique mais ou menos estável ao longo dos próximos cinqüenta anos, caindo um pouco. Para a estabilidade de uma população, cada mulher deve ter uma média de 2,1 filhos (2 para substituir ela e o pai, e 0,1 por conta de mortes no parto etc.). Na Grã-Bretanha essa média atualmente é cerca de 1,8; e são esperados 2 milhões de imigrantes durante a próxima década. Nosso problema não é que temos muitas crianças, mas sim que temos muito poucas. Grande parte da Europa moderna está agora a perdendo a sua cultura através de tantos abortos, e da necessidade de imigração em massa.

Em segundo lugar está o argumento de que o aborto afeta desproporcionalmente a sorte de certo tipo de pessoas que se tornam criminosos e, portanto, o aborto diminuiria o crime. Matar outro ser humano para conseguir essa diminuição é uma solução muito dura. Executá-los em sua infância por um crime que eles ainda não cometeram e nem poderão mais cometer é brutal. Um bom sistema de justiça criminal e de polícia bem como atitudes sociais respeitáveis combate melhor o crime. Não devemos pensar que matar inocentes é uma substituição adequada ou moral.

Em terceiro lugar vem a sugestão de que seria melhor para muitos bebês serem abortados do que serem adotados ou não-desejados. A arrogância de tal posição é clara: quem são eles para decidir isso no lugar das pessoas que ainda nem sequer nasceram? O que lhes dá o direito de declarar a vida de outra pessoa tão miserável a ponto de ser cortada fora no momento mesmo de seu início?

Em última análise, a moralidade civilizada é baseada em princípios não-negociáveis: o direito à vida é um deles. Dizer que tais noções podem ser comprometidas em nome da conveniência da sociedade em geral é uma defesa monstruosa e sem sentido do aborto. Se a vida humana inocente merece proteção, então é irrelevante. Se não, então é supérflua.


10. Mesmo que um mendigo venha a morrer se eu jogá-lo fora da minha casa no frio, eu tenho o direito legal de fazê-lo

Alguns no debate sobre o aborto admitem a imoralidade do mesmo, mas o defendem legalmente como se fosse questão de controle do próprio corpo. Pode-se ter o dever de cuidar de outro ser humano, mas a lei obrigar isso é impor à pessoa uma carga que não é razoável. Pode ser cruel, no meio de uma nevasca, não aceitar que um mendigo entre em sua casa, mas a pessoa tem esse direito legal. Porém a gravidez é diferente de qualquer situação de propriedade. Para estender a analogia do mendigo, se a pessoa tivesse convidado o mendigo para entrar em sua casa, e depois tivesse sugado seu cérebro antes de jogá-lo fora no frio, a lei olharia para isso de maneira um pouco diferente. Já que na gênese de quase todos os abortos está uma atividade sexual consensual – a escolha de arriscar uma gravidez – o bebê não é uma imposição, mas um inquilino escolhido.

Pode-se perguntar também sobre os direitos e deveres legais dos pais e de seus filhos. Nenhuma mãe poderia ser legalmente autorizada a jogar seu bebê fora no frio, só porque um dia pagou pela casa, como era seu direito. Por quê? Porque a maternidade traz consigo certas obrigações legais. Nós, portanto, concedemos o direito à vida e o “impomos” a um bebê recém-nascido, e com razão, mas não para um bebê por nascer. Essa não é uma obrigação permanente, e essa mãe poderia cuidar do bebê até o ponto em que ela poderia lhe dar para adoção. Mas isso poderia muito bem ser feito também por uma mulher grávida que não deseja o bebê. O que não permitimos com os bebês de 23 semanas de gravidez e já nascidos, mesmo prematuros, é a mãe matá-los. Infelizmente, por algum motivo que ninguém consegue explicar logicamente, nós de fato permitimos que bebês de 23 semanas dentro do útero sejam “evitados” de maneira mortal para o bebê [Nota do tradutor: Nos países onde o aborto é legalizado. No Brasil o aborto é crime]. Ninguém sugere que o bebê não é uma vida humana, nem que seja culpado de um crime. Mas ainda assim deixamos a nossa própria conveniência vir em primeiro lugar.

Ao invés de falar mal do aborto, eu pensei que poderia apenas rebater alguns mitos pró-aborto. Isso acabou ficando mais estruturado e mais divertido. Espero que inspire alguma meditação. Vou encerrar com uma citação que resume a posição pró-vida de forma justa e sucinta:

“A antiga lei permitia que o aborto salvasse uma das vidas quando as duas fossem morrer caso ele não fosse feito. A nova lei permite que o aborto tire uma vida, quando as duas iriam viver caso ele não fosse feito.” - Herbert Ratner.
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(1) “Untermenschen” é um termo alemão que significa “sub-humano”, “abaixo do humano”. É um terno da ideologia racial nazista, usado para descrever “pessoas inferiores”, especialmente as “massas do oriente”: judeus, ciganos, eslavos, soviets, homossexuais ou qualquer pessoa que não fosse “ariano”. “Nigger” é um termo pejorativo usado nos Estados Unidos para se referir a pessoas de cor, a maioria afro-descendentes. Nos tempos modernos é considerado um termo racista.

Traduzido de:
http://www.freerepublic.com/focus/news/785378/posts