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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Psiquiatra: O projeto de educação sexual do Vaticano é a ameça mais perigosa que já vi em 40 anos


Extraído de: https://www.lifesitenews.com/opinion/exclusive-the-new-threat-to-catholic-youth-the-meeting-point



Por: Dr. Rick Fitzgibbons


2 de Setembro de 2016 (LifeSiteNews) – Nos últimos anos, a Igreja tem passado por uma de suas mais graves crises, como resultado do abuso de crianças e jovens por parte de sacerdortes. As principais vítimas são adolescentes do sexo masculino. (1) Esse escândalo de proporções mundiais aconteceu devido ao comportamento permissivo e irresponsável de membros da hierarquia, que cometeram o erro de “flertar” com a homossexualidade, de acordo com a fala de um Bispo, em um programa da EWTN que participei, o qual falava sobre a crise.


Esse escândalo também foi causado por um número não pequeno de diretores espirituais que ignoraram a ciência psicológica, e falaram para os padres os quais dirigiam espiritualmente, e que eram acometidos de atração por pessoa do mesmo sexo, que eles “nasceram daquele jeito”, ao invés de encaminhá-los a profissionais de saúde mental competentes, que teriam evitado o abuso contra muitos jovens.


A fim de restaurar no laicato a confiança e a fé, profundamente abaladas, cabe aos membros da hierarquia e aos padres nunca mais agir como líderes ou pastores permissivos, quando surgirem sérias ameaças ao bem estar moral, intelectual, psicológico e sexual de crianças e adolescentes.


Como psiquiatra, trabalhei extensivamente com crianças e jovens católicos severamente prejudicados psicologicamente pelo divórcio de seus pais (2), muitas vezes possível devido a declarações de nulidade “fáceis” do sacramento matrimonial, em contraponto à justiça, à misericórdia e à ciência psicológica (3), e por epidemias de narcisismo (4), maconha (5), pornografia (6), e comportamento sexual desordenado (7) (usar outras pessoas como objetos pessoais), além da enorme pressão social para ser sexualmente ativo, sofrendo os conflitos psicológicos em seus pais, irmãos, e amigos. (8)


Entretanto, em minha opinião pessoal, a mais grave ameaça à juventude católica que já vi nos últimos 40 anos é o novo programa de educação sexual do Vaticano, “O Ponto de Encontro – Projeto de Educação Afetivo Sexual”.





“O Ponto de Encontro” foi lançado na Jornada Mundial da Juventude, na Polônia, pelo Pontifício Conselho da Família, então sob a direção do Arcebispo Paglia, e que agora está disponível online, gratuitamente, em cinco diferentes linguagens.


A primeira reação ao “Ponto de Encontro” foi forte e altamente crítica. Três líderes internacionais pró-vida e pró-família, que há décadas defendem o ensinamento católico sobre matrimônio, sexualidade e vida, revisaram o programa e o descreveram como “absolutamente imoral”, “inteiramente inapropriado”, e “bastante trágico”. (9)


“O Ponto de Encontro” também tem sido criticado por se desviar de 2 mil anos de ensinamento da Igreja Católica no assunto de moralidade sexual e de formação moral da juventude nessa área tão claramente elucidada e descrita por São João Paulo II na “Carta Magna” da família católica, a encíclica “Familiaris Consortio – A Função da Família Cristã no Mundo de Hoje”.


Consequentemente, criou-se uma petição online para requerer ao Papa Francisco e ao novo diretor do Pontifício Conselho da Família, Bispo Kevin Farrell, no sentido de retirar o mais rápido possível esse programa de “educação sexual”, o qual foi definido como “um pesadelo”. (10)


Em uma cultura onde a juventude é bombardeada por pornografia, fiquei particularmente chocado pelas imagens contidas neste novo programa de educação sexual, algumas das quais são claramente pornográficas. Minha reação profissional imediata é a de que essa abordagem obscena e pornográfica abusa psicologicamente e espiritualmente da juventude.


Foto do Programa "Ponto de Encontro": Um jovem casal posa para foto em frente a um estátua mostrando duas pessoas em atividade sexual, onde a estátua funciona como chave de interpretação para o que está na mente dos jovens

Foto do Programa "Ponto de Encontro": imagem de frutas retratadas como se fossem seios femininos em uma campanha de publicidade. Será que os jovens precisam mesmo desses exemplos explícitos para mostrar que os propagandistas usam material sexual para vender produtos?

Foto do programa "Ponto de Encontro": outro exemplo de propaganda usando imagens sexuais explícitas. Mas por que os adolescentes precisam ser expostos a isso?

Foto do programa "Ponto de Encontro": uma garota (à direita) vestida imodestamente, dançando de maneira provocativa com um homem.

Foto do programa "Ponto de Encontro": o Presidente Obama olhando para as nádegas de uma mulher. Por que os adolescentes precisam ser expostos a isso?


Foto do programa "Ponto de Encontro": uma prostituta

Mais fotos sensuais presentes no programa "Ponto de Encontro"

Foto do programa "Ponto de Encontro": mais um exemplo de propaganda usando imagens sensuais para vender produtos. Esse tipo de material explícito não deveria estar em um programa que alega querer ensinar aos jovens a valorizar as virtudes.
  


Mais uma foto do programa "Ponto de Encontro" com conteúdo sexualmente explícito. Os jovens são indagados nessa atividade: "Qual dos dois casais está tendo uma relação sexual?"


Os jovens também são prejudicados pela ausência de avisos sobre os duradouros perigos de comportamentos promíscuos e do uso de contraceptivos. (11) Enquanto profissional que já tratou tanto de padres abusadores quanto de vítimas da crise de abusos sexuais de padres na Igreja, o que eu achei particularmente perturbador foi o fato de que as imagens pornográficas nesse programa são similares àquelas usadas por predadores sexuais de adolescentes.


A principal pessoa responsável pelo desenvolvimento e lançamento desse programa, Arcebispo Paglia, o antigo chefe do Pontifício Conselho para a Família, deveria ser judicialmente obrigado a passar por uma avaliação de uma junta de profissionais, como descrito no manual de normas “Dallas Charter” (11) referente a situações que colocam jovens em risco. Tal avaliação é particularmente importante, tendo em vista que agora ele foi colocado no cargo de chanceler do Instituto João Paulo II de Estudos sobre a Família, continuando no papel de ensinar sobre sexualidade e matrimônio.


Arcebispo Vincenzo Paglia



O programa “Ponto de Encontro” constitui-se em um abuso sexual de adolescentes católicos a nível mundial, e revela uma ignorância acerca da enorme pressão sexual que recai sobre os jovens hoje em dia, e irá resultar em uma subsequente confusão acerca da aceitação do ensinamento da Igreja por parte dos jovens. O programa representa uma grave crise futura na Igreja, e particularmente para a juventude católica e para as famílias, em proporções muito maiores do que a escandalosa crise de abuso sexual de menores, recentemente reportada pela imprensa de forma tão ampla.

O programa de “educação sexual” do Vaticano deveria ser retirado do ar pelo novo diretor do Pontifício Conselho para a Família, Bispo Kevin Farrell, tão rápido quanto possível, a fim de proteger a saúde dos jovens católicos, e ser substituída por um novo programa seguindo o excepcional ensinamento de São João Paulo II sobre matrimônio, juventude, família, e sexualidade, presente na “Familiaris Consortio – A Função da Família Cristã no Mundo de Hoje”. A Igreja ainda não assimilou completamente a riqueza de insights contida no ensinamento de São João Paulo II. Esse deveria ser o direcionamento do novo Pontifício Conselho para a Família, os Leigos, e a Vida.


As palavras de São João Paulo II pronunciadas no seu encontro com bispos e cardeais norte-americanos sobre a crise na Igreja, em 23 de abril de 2002, são tão atuais hoje quanto foram para os membros da hierarquia, e particularmente verdadeiras para o Vaticano. Ele afirmou: “[As pessoas] devem saber que os Bispos e os Sacerdotes estão completamente comprometidos na plenitude da verdade católica acerca das problemáticas da moral sexual, uma verdade que é tão essencial para a renovação do sacerdócio e do episcopado, como para a renovação do matrimônio e da vida familiar em geral”.


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Dr. Rick Fitzgibbons, MD é o diretor do Institute for Marital Healing (Instituto para a Cura no Matrimônio), perto de Philadelphia, e já atendeu milhares de casais nos últimos 40 anos, incluindo centenas de casais católicos e de jovens. Ele é também Professor Adjunto do Instituto João Paulo II para Estudos sobre o Matrimônio e a Família na Universidade Católica, além de ser membro do International Institute for Forgiveness (Instituto Internacional para o Perdão).


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Notas de Rodapé


(1) Fitzgibbons, R. & O’Leary, D. (2011) Sexual Abuse of Minors by Catholic Clergy, The Linacre Quarterly 78(3) (August 2011): 252–273. [Abuso sexual de menores pelo clero católico].


(2) Fitzgibbons, R. (2016) Forthcoming: “Children of Divorce: Conflicts and Healing” in Margaret McCarthy (ed.), Torn Asunder: Children, the Myth of the Good Divorce and the Recovery of Origins, Grand Rapids: Eerdmans, pp. 51-65. [Crianças do divórcio: conflitos e cura. Em: Crianças, o Mito do Bom Divórcio e a Recuperação das Origens].


(3) Fitzgibbons R.  (2015).  Quick and Easy Annulments Pose Grave Risks to the Family.  Retrieved from https://www.lifesitenews.com/opinion/dr.-rick-fitzgibbons-quick-and-easy-annulme...; Adkins, J. et al. (2015).  Remember our Children.  America, November 12, 2015. [Nulidades matrimoniais fáceis e rápidas colocam em grave risco as famílias]


(4) Twenge, J., & Campbell, W. K. (2009). The narcissism epidemic: Living in the age of entitlement. New York, NY: Aria Books. [A Epidemia Narcisita: vivendo na era dos direitos.]


(5) Fitzgibbons, R. (2016). Retrieved from www.childhealing.com/The Addicted Spouse and Child Healing [O cônjuge com vício e a cura da criança].


(6) Kleponis, P. (2014) Integrity Restored: A Catholic Guide to Pornography.  Steubenville: Emmaus Road, p. 19. [Integridade restaurada: um guia católico com relação à pornografia]


(7) Grossman, M. (2007). Unprotected: A Campus Psychiatrist Reveals How Political Correctness in Her Profession Endangers Every Student. St. Cloud, MN: Sentinel. [Desprotegidos: um psiquiatra da universidade revela como o politicamente correto em sua profissão coloca em perigo todos os estudantes]


(8) Enright, R., & Fitzgibbons, R. (2014). Forgiveness therapy: An empirical guide for resolving anger and restoring hope. Washington, DC: American Psychological Association Books, pp. 171-202. [A terapia do perdão: um guia empírico para aplacar a ira e restaurar a esperança]


(9) Extraído de https://www.lifesitenews.com/news/vatican-surrenders-to-sexual-revolution-with-release-of-sex-ed-program-life.


(10) Petition urges Pope Francis to withdraw ‘nightmare’ Vatican sex-ed program


(11) Fitzgibbons, R. (2015).  Extraído de www.thecatholicthing.org/2015/01/29/contraceptions-cascading-rampage.


(12) O “Dallas Charter” é um conjunto de procedimentos estabelecidos pela Conferência dos Bispos dos Estados Unidos (USCCB) em junho de 2002 a fim de lidar com alegações e casos de abusos sexuais perpetrados por clérigos católicos. Mais informações em: http://www.usccb.org/issues-and-action/child-and-youth-protection/charter.cfm

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sede fecundos e multiplicai-vos. Agora.



Por Barbara Kay

Acabei de comemorar um aniversário significativo. Quão significativo? Dica: eu agora posso ter gratuidade no transporte público, em vez de pagar. Eu sou o que sou, e o que eu sou não é jovem.

Decidi que eu sou uma "idosa", termo que tem uma aceitação cultural mais agradável e – ao contrário da palavra "velho", que traz consigo um sentido de desgaste – deixa a pessoa com algumas “cartas” ainda na manga, e neurônios suficientes para distinguir um falcão de um serrote.

Para minha alegria, uma expectativa crucial se materializou: eu também estou mais sábia. Isso é porque eu realmente aprendi com a experiência – a minha própria e a experiência de outras pessoas intelectualmente dignas de confiança. Eu posso distinguir o que é transitório do que perdura. Eu não me deixo enganar ou me levar por projetos duvidosos. Eu sei escolher as pessoas, idéias e instituições nas quais vale a pena gastar o meu tempo cada vez mais precioso.

Você não pode imaginar que conveniência é ter sabedoria, e como ela nos faz ganhar tempo. Eu recomendo. Quando você é sábio, a cada minuto do seu dia é produtivo, de uma forma ou de outra. Suas prioridades instintivamente se ajustam no lugar.

Falando de prioridades, uma poetisa de Montreal uma vez escreveu: "Eu não venderia o meu filho por um milhão de dólares, e eu não lhe daria sequer dois centavos pelo seu." O que ela queria dizer, claro, era que apenas uma coisa na vida é realmente preciosa.

O que me leva ao meu argumento: Alguma sabedoria pode ser adquirida através da própria experiência; mas outros tipos de sabedoria, como a decisão de quando ter filhos, dependem de tempo de experiência, e devem ser tomadas a partir dos conselhos dos sábios mais velhos, como eu.

Então, deixe-me dizer – bem, na verdade acredito que a Constituição permite que as pessoas da minha idade possam dar conselhos não solicitados – que no caso improvável de que você, leitora deste artigo, seja uma mulher de vinte e poucos anos, aqui vai um pouco de sabedoria adquirida com a experiência que você nunca vai obter hoje em dia de figuras de autoridade masculina (eles não ousariam!) ou mesmo da maioria das outras mulheres: Nada do que você possa alcançar naquela sua preciosa carreira vai chegar aos pés da realização que é criar filhos decentes e construtivos.

Não espere muito tempo. A infertilidade desejada voluntariamente pode se tornar um pesadelo de arrependimento. Repita comigo: Meu pico de fertilidade ocorre por volta dos 25 anos. Aos 35, já estou arriscando. Aos 40, estou jogando na loteria.

Não existe um príncipe encantado. Quando você decidir que é a hora certa, você vai encontrar o homem certo. Se você começar a olhar para os homens como potenciais pais, ao invés de potenciais amantes, você vai acabar vivendo harmoniosamente de acordo com a natureza, e não com o plano de feministas.

Minhas amigas se tornaram altamente bem sucedidas nos negócios, na vida profissional e cultural. Mas quando nos encontrarmos socialmente, elas não querem me contar sobre a mais recente realização profissional. Já estão acostumados a quem – e o que – são (ou fizeram as pazes com quem – e o que – não são). O que as estimula agora são os desdobramentos e os dramas das vidas de seus filhos e – se tiveram a sorte de tê-los – dos seus netos.

Você vai estar onde estou mais cedo do que você pensa. Você pode mudar sua opinião em qualquer idade, mas em matéria de biologia, o tempo é um árbitro implacável. O mais pungente dos lamentos de Shakespeare é "Oh, tempo, volte para trás em seu vôo." Aqui termina a sabedoria por hoje.
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Tradução adaptada de trechos do artigo "Be fruitful and multiply. Now.", de Barbara Kay, Jornal National Post (Canada), 12 de dezembro de 2007.


http://www.catholiceducation.org/articles/feminism/fe0044.htm

quarta-feira, 2 de março de 2011

Facebook e Orkut têm culpa no meu pecado?

Por Anthony Buono

Eu tenho que admitir que me incomoda ver pessoas do meu passado me achando no Facebook ou Orkut. Afinal de contas, elas estão no meu passado por alguma razão. Por que elas desejam ser minhas “amigas” no Facebook ou no Orkut? Parece mais curiosidade do que qualquer coisa. E todos conhecemos aquele ditado que diz que curiosidade mata.


Com certeza, se você vai percorrer o "caminho da memória" com uma velha chama acesa, e não tem clareza suficiente para compreender que uma pessoa casada, provavelmente, não devia fazer isso, então certamente teremos problemas.

Mas será que sua estupidez (ou talvez eu diria falta de prudência) é culpa do Facebook ou do Orkut? Eu acho que não.

Adultos com uma fraca força de vontade são um perigo para eles mesmos, não importa o que façam. Quer estejam no Facebook ou no Orkut, ou trabalhando em um escritório com membros do sexo oposto. E se você juntar a isso qualquer problema ou descontentamento conjugal, você se torna uma pessoa pronta para cair, não importa como.

Talvez seja necessário fechar sua conta do Facebook ou do Orkut. Mas isso cabe a cada um decidir, baseado no que conhecem de si mesmos, e de seus hábitos. Paquerar com o desastre se tornando “amigo” de um velho amor do passado, e ficar com amizade íntima com ele ou ela deve ser o suficiente para um adulto com bom senso saber que as coisas devem parar por ali. Mas, e quando se encontram pessoalmente? Esse também é outro problema. Nesse caso o Facebook e o Orkut se tornam a menor das preocupações.

O problema se resolve combatendo as tentações. É um problema da força de vontade, e não da origem da tentação. Nós já temos muitos adultos com força de vontade fraca, com hábitos questionáveis e com falhas de caráter no mundo, causando problemas para eles mesmos e para seus casamentos.

Pessoas solteiras: procurem fortalecer sua força de vontade, e desenvolver bons hábitos de vida, compatíveis com a vocação ao matrimônio. Namorem com pessoas que fazem o mesmo. Seu amor e seu casamento vai ser maravilhoso, e não haverá tentação capaz de machucar alguém além do que deve.

Não acho que nós precisamos nos sentir culpados por usar o Facebook ou o Orkut. Mas poderíamos começar a desenvolver bons hábitos evitando aceitar esses convites de “amigo” vindos de antigos amores.
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Traduzido e adaptado de “Catholic Exchange”: http://catholicexchange.com/2010/12/09/143500/


Anthony Buono, casado e pai de sete filhos, mora na Virginia, EUA. Ele é o fundador e presidente de http://www.avemariasingles.com (em português: http://www.solteirosdoavemaria.com/) e de http://www.roadtocana.com. Ele também tem um blog, http://www.6stonejars.com que dá conselhos aos católicos sobre namoro, noivado e casamento.
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O amor conquista tudo

Dave era um garoto normal do Texas, que fazia o ensino médio, e gostava de mexer em carros. Ele tinha uma boa família cristã e cresceu aprendendo a ser fiel a Deus, à família e ao país. A garota que ele gostava na escola, Brenda, achava que ele era um pouco exagerado, quando um dia ele falou para ela no corredor do colégio que a amava. Ela deu um tapa na cara dele, pedindo para nunca mais repetir aquilo, a não ser que fosse de verdade.

Alguns anos depois, depois de ter passado mais tempo com ela – namorando com pureza, e mostrando que ele realmente se importava – Dave pediu Brenda em casamento. Ela disse sim, e pouco depois, estavam casados. Então, um dia chegou uma carta: Dave tinha sido chamado para servir no exército durante a guerra do Vietnam. Como não queria descumprir a ordem, e também não queria morrer, Dave escolheu a Marinha, imaginando que isso lhe traria mais segurança, por estar na água, ao invés de se meter em combate na selva. Logo ele descobriu que tinha sido selecionado para servir em uma unidade especial da Marinha, atuante em rios. Depois de um treinamento rigoroso de patrulhamento de rio, Dave teve uma folga de 10 dias para ir para casa. Ele aproveitou o tempo com Brenda, e no dia da partida para o Vietnam ele beijou Brenda e prometeu: “Bebê, eu vou voltar sem nenhuma cicatriz”. Mal sabia que a palavra “cicatriz” teria um novo significado para ele.

Ele voou para o Vietnam, onde serviu na linha de frente contra os vietcongues. Nos oito meses que se seguiram, Dave manteve sua fé. Ele foi treinado para se manter fiel aos homens com que servia, e a sua mulher, Brenda. Enquanto muitos outros soldados cediam e se entregavam a aventuras com drogas, pornografia, ou prostitutas, Dave manteve-se firme em seus votos. Ele estava apaixonado, e guardava todas as premiações para dar de presente a Brenda – dinheiro que ele guardava para ela, ao invés de gastar em atos frívolos de auto satisfação.

Faltando apenas uma semana para receber uma viagem paga ao Havaí para aproveitar com Brenda cinco dias de uma segunda lua de mel, durante um intenso tiroteio em 25 de julho de 1969, com os vietcongues bem próximos, a unidade de Dave sofreu uma emboscada. Seus colegas sobreviveram ao ataque, mas alguma coisa (uma bala ou um estilhaço) deixou uma pequena marca em sua bochecha. Dave tirou o pedaço de metal sem dificuldade, e agradeceu por estar vivo. Mas essa era uma pequena cicatriz. Seria o próximo dia que mudaria sua vida para sempre.

Era 26 de julho de 1969, perto da fronteira com o Camboja, quando a unidade de Dave subiu o rio para fazer o patrulhamento da mesma área onde tinha ocorrido o intenso combate do dia anterior. Enquanto o barco deslizava suavemente, tudo estava quieto. Dave sentiu que algo estava errado. Ele se abaixou e apanhou uma granada, puxou o pino, e preparou-se para atirá-la, pretendendo criar uma cortina de fumaça para encobrir seu barco.

Mas uma luz piscou como em um flash, e o mundo pareceu explodir. Um combatente tinha atirado em Dave, atingindo sua mão, e a granada, que estava apenas a centímetros de sua face. Ela explodiu.


Em um instante, o corpo de Dave estava pegando fogo; o lado direito de sua face estava destruído. Ele pulou na água e nadou até a margem, onde desmaiou, ainda em chamas. Ele foi resgatado por um helicóptero, e o médico chegou a pensar que ele estava morto. Mas ele resistiu, e foi levado até o Japão, e depois de um tempo de recuperação, foi mandado de volta a San Antonio, Texas.

O soldado na cama ao lado estava sem pele, queimado da cabeça aos pés. Dave ouviu a mulher dele chegar, e jogar a aliança aos pés dele. Ela disse que nunca mais poderia andar com ele na rua. E saiu. Enquanto Dave esperava por Brenda, ele temia o pior. Como poderia ele, um “monstro com a face deformada”, ficar com uma mulher linda como Brenda, muito menos continuar sendo o amor de sua vida?

Ali estava ele – apenas um resquício do homem que tinha beijado Brenda na despedida oito meses atrás. Tudo que ele podia fazer era esperar, e temer. Finalmente, Brenda chegou. Como não conseguia identificar Dave pela aparência, ela se aproximou de sua cama e conferiu o nome escrito no seu prontuário, e a etiqueta de identificação em seu pulso, para ter certeza que era ele. Então, ela se inclinou e o beijou... na face. “Eu quero que você saiba que eu te amo”, ela disse, enquanto olhava para ele, no olho do lado bom de sua face. “Bem vindo a casa, Dave”.

Brenda permaneceu o quanto foi permitido a ela naquele dia, e, através do seu amor, a esperança reacendeu no coração de Dave.

Dave começou a experimentar o amor de um modo que jamais tinha imaginado, desde quando tinha dito o seu “sim”, em 15 de julho de 1967. O “sim” de Brenda se tornou um compromisso diário. Ela realmente foi sincera em seus votos, e os manteve. O corpo de Dave permaneceu desfigurado, e Brenda permaneceu completamente fiel. Deus foi fiel a ambos, e agora, trinta e nove anos depois, Brenda e Dave ainda vivem um maravilhoso amor, com dois filhos, e alguns netos, o fruto duradouro de seu casamento fiel.



O casamento deles foi feito no céu, fortalecido durante a guerra, e para sempre marcado pelos votos fiéis de um amor que queima mais profundamente do que qualquer granada, e que fala mais alto do que qualquer cicatriz.
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Traduzido e adaptado do livro “Teologia do Corpo para Jovens” (Theology of the Body for Teens, de Brian Butler, Jason Evert e Crystalina Evert, p. 119-120, Eed. Ascension Press, 2006)


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domingo, 12 de dezembro de 2010

Para Refletir

Naquela noite, enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: “Tenho algo importante para te dizer”. Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos.

De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.

Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: “Por quê?”

Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou “você não é homem!” Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouvi-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.

Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa.

Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora.

No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.

Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e voltei a dormir.

Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possível. As suas razões eram simples: o nosso filho faria seus exames no próximo mês e precisava de um ambiente propício para preparar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais.

Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca mas aceitei sua proposta para não tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis.

Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. “Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio” ,disse Jane em tom de gozação.

Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo “O papai está carregando a mamãe no colo!” Suas palavras me causaram constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho “Não conte para o nosso filho sobre o divórcio” Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.



No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito, eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela. Por uns segundos, cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.

No quarto dia, quando eu a levantei, senti certa intimidade maior com o corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.

No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei.

Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse “Todos os meus vestidos estão grandes para mim”. Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.

A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso… ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração….. Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos.

Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse “Pai, está na hora de você carregar a mamãe”. Para ele, ver seu pai carregando sua mãe todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo. Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.

Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas. Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras: “Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo”.

Eu não consegui dirigir para o trabalho…. fui até o meu novo futuro endereço, saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia…Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela “Desculpe, Jane. Eu não quero mais me divorciar”.

Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa “Você está com febre?” Eu tirei sua mão da minha testa e repeti “Desculpe, Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe.

A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouvi-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.

Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi: ”Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe”.

Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama – morta.
Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio – e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, faça pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos. Tenham um casamento real e feliz!

Autor desconhecido, retirado da internet
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Fonte: http://centrodafamiliacj.wordpress.com/2010/10/05/para-refletir/

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Palavra de Deus, matrimônio e família


85. O Sínodo sentiu necessidade de sublinhar também a relação entre Palavra de Deus, matrimônio e família cristã. Com efeito, « com o anúncio da Palavra de Deus, a Igreja revela à família cristã a sua verdadeira identidade, o que ela é e deve ser segundo o desígnio do Senhor ».284 Por isso, nunca se perca de vista que a Palavra de Deus está na origem do matrimônio (cf. Gn 2, 24) e que o próprio Jesus quis incluir o matrimônio entre as instituições do seu Reino (cf. Mt 19, 4-8), elevando a sacramento o que originalmente estava inscrito na natureza humana. « Na celebração sacramental, o homem e a mulher pronunciam uma palavra profética de doação recíproca: ser “uma só carne”, sinal do mistério da união de Cristo e da Igreja (cf. Ef 5, 31-32) ».285 A fidelidade à Palavra de Deus leva também a evidenciar que hoje esta instituição encontra-se, em muitos aspectos, sujeita a ataques pela mentalidade corrente. Perante a difundida desordem dos sentimentos e o despontar de modos de pensar que banalizam o corpo humano e a diferença sexual, a Palavra de Deus reafirma a bondade originária do ser humano, criado como homem e mulher e chamado ao amor fiel, recíproco e fecundo. Do grande mistério nupcial deriva uma imprescindível responsabilidade dos pais em relação aos seus filhos. De fato, pertence à autêntica paternidade e maternidade a comunicação e o testemunho do sentido da vida em Cristo: através da fidelidade e unidade da vida familiar, os esposos são, para os seus filhos, os primeiros anunciadores da Palavra de Deus. A comunidade eclesial deve sustentá-los e ajudá-los a desenvolverem a oração em família, a escuta da Palavra, o conhecimento da Bíblia. Por isso, o Sínodo deseja que cada casa tenha a sua Bíblia e a conserve em lugar digno para poder lê-la e utilizá-la na oração. A ajuda necessária pode ser fornecida por sacerdotes, diáconos e leigos bem preparados. O Sínodo recomendou também a formação de pequenas comunidades entre famílias, onde se cultive a oração e a meditação em comum de trechos apropriados da Sagrada Escritura.286 Os esposos lembrem-se de que « a Palavra de Deus é um amparo precioso inclusive nas dificuldades da vida conjugal e familiar ».287 Neste contexto, quero evidenciar as recomendações do Sínodo quanto à função das mulheres relativamente à Palavra de Deus. A contribuição do « gênio feminino » – assim lhe chamava o Papa João Paulo II288 – para o conhecimento da Escritura e para a vida inteira da Igreja é hoje maior do que no passado e tem a ver com o campo dos próprios estudos bíblicos. De modo especial, o Sínodo deteve-se sobre o papel indispensável das mulheres na família, na educação, na catequese e na transmissão dos valores. Com efeito, elas « sabem suscitar a escuta da Palavra, a relação pessoal com Deus e comunicar o sentido do perdão e da partilha evangélica »,289 como também ser portadoras de amor, mestras de misericórdia e construtoras de paz, comunicadoras de calor e humanidade num mundo que demasiadas vezes se limita a avaliar as pessoas com os critérios frios da exploração e do lucro.
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284 JOÃO PAULO II, Exort. ap. Familiaris consortio (22 de Novembro
de 1981), 49: AAS 74 (1982), 140-141.
285 Propositio 20.
286 Cf. Propositio 21.
287 Propositio 20.
288 Cf. Carta ap. Mulieris dignitatem (15 de Agosto de 1988),


Da EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL
VERBUM DOMINI
DO SANTO PADRE BENTO XVI
AO EPISCOPADO, AO CLERO ÀS PESSOAS CONSAGRADAS E AOS FIÉIS LEIGOS
SOBRE A PALAVRA DE DEUS NA VIDA E NA MISSÃO DA IGREJA

30 de setembro de 2010

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http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/apost_exhortations/documents/hf_ben-xvi_exh_20100930_verbum-domini_po.pdf

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sete Hábitos para um Casamento Feliz


A festa de casamento em Caná espelha a situação da humanidade, especialmente no matrimônio. Muitas vezes nos encontramos entre extremos: entre a falta e a abundância, entre a fraqueza e a glória, especialmente no que concerne ao amor.

O Evangelho de Caná sublinha a importância das jarras de água. O Senhor faz com que essas jarras sejam importantes, porque o milagre ocorre através delas, mesmo sendo apenas objetos comuns. O milagre do vinho em Caná é uma transformação, não uma criação do nada, e Nosso Senhor realiza esse milagre através do trabalho do homem. Dessa passagem do Evangelho eu gostaria de delinear sete bons hábitos de um casamento feliz:

1. Tragam alegria para o cônjuge

Em um casamento feliz, cada esposo é um dom para o outro, não um peso ou uma fonte de sofrimento. Isso parece ser relativamente simples, mas na vida prática do dia a dia, pode ser bem difícil. Pergunte a si mesmo: “O que eu faço e o que eu falo são uma fonte de alegria para meu(minha) esposo(a)?” Devemos tentar encarnar o amor benevolente.
(...)



2. Mantenham rituais prazerosos, e tradições de amor e amizade

Costumes, rituais e gestos de amor fortalecem um relacionamento, porque os gestos suscitam sentimentos de amor, e selam as intenções. Isso começa com a maneira de ser bem-vindo. Se um marido chega em casa de noite, e primeiramente cumprimenta o cachorro, e então se volta para o computador e a televisão, para só depois cumprimentar a esposa com um “O que tem para comer hoje?”, claramente ele não está mantendo um contato profundo.
(...)

3. Falem abertamente e honestamente um com o outro

Um casal feliz cria um espaço seguro onde podem ser quem realmente são; onde podem, sem medo, verbalizar seus sentimentos, seus desejos, suas expectativas, seus problemas, suas frustrações, e tudo que têm no coração. Que graça é ser aceito pelo outro na própria fraqueza!
(...)

4. Sejam habilidosos nos problemas difíceis, e espertos na comunicação

Em certos casos, casais felizes encontram maneiras inteligentes de discutir assuntos em que podem discordar entre si, de modo que conseguem resolver juntos os problemas. Eles criam um equilíbrio na comunicação, de modo que um fala enquanto o outro escuta, e depois de um certo tempo trocam, enquanto o outro fala, o primeiro escuta.
(...)


5. Fiquem sempre "ligados" um no outro

Pode-se dizer que se deve sempre estar “ligado” com o outro, e não se “desconectar” um do outro. Casais felizes sempre encontram novas maneiras de parmanecer emocionalmente conectados um com o outro. Fique ligado! Isso cria a verdadeira intimidade.
(...)

6. Deixem que a vida em comum seja inspirada por uma visão comum

Casais felizes enriquecem seu relacionamento mantendo planos juntos, compartilhando grandes projetos um com o outro, e se adaptando continuamente aos mesmos objetivos. No seu ícone da Trindade, Adrei Rublev retrata as Três Pessoas face a face uma com as outras, em uma conversa. A conversa na “mesa” da Trindade Santa gira em torno da salvação do mundo. A conversa na “mesa” dos casais deve ser a salvação do mundo também, com ações concretas que transbordam dessa discussão. Juntos, o casal pratica atos de misericórdia: visitar os doentes, ajudar uma família enlutada, ou cozinhar para uma mãe depois do nascimento de seu primeiro filho.
(...)

7. Mantenham a oração em comum

A oração conecta as pessoas com Deus e umas com as outras. A oração nos abre para uma proximidade ainda maior com Deus, e nos lembra que nosso relacionamento terreno não nos dá a plenitude última: casais felizes sabem que estão rodeados de transcendência, e isso torna os limites desse mundo e de seu relacionamento suportáveis. A experiência dos limites do amor pode então ser até uma ajuda, mais um degrau para descobrir aquele amor que é infinito, que sempre está presente, que sempre perdoa, que suporta todas as coisas, que é eterno.

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Trechos traduzidos de: (leia o artigo todo em):
http://www.loveoneanothermagazine.org/pg/en/worthy_to_read/the_seven_habits_of.html

sábado, 16 de outubro de 2010

Vale a pena esperar pelo casamento e guardar abstinência

Meu marido e eu frequentamos o mesmo colégio, mas nessa época havia pouco interesse entre nós. Foi na universidade, quando compartilhamos a mesma residência de estudantes, que começamos a nos ver com maior freqüência; foi então que tudo começou.

Nós participávamos regularmente de reuniões na capelania da universidade. Martin não esconde o fato de que ia às reuniões principalmente por causa de mim, embora ele seja um homem de uma fé excepcional.Quanto a mim, fui participante do Movimento Jovem Católico desde o colégio, e costumava ir a retiro espirituais no verão.

Depois de quatro anos de universidade, nós decidimos participar de uma peregrinação a Czestochowa. A idéia era atraente para nós. Em nossa peregrinação seguinte decidimos nos casar; na verdade, sentíamos muito forte que nosso casamento deveria ocorrer durante essa mesma peregrinação. Decidimos fazer nossos votos matrimoniais no santuário diocesano, o qual nosso grupo estava planejando visitar no segundo dia de peregrinação. Informamos nossos pais sobre a nossa decisão. Eles foram contra a idéia, mas isso não era surpresa, devido às circunstâncias. Apesar disso, eles não tinham escolha, a não ser aceitar nossos planos. Já tínhamos terminado nossos estudos, tínhamos bons trabalhos, e éramos financeiramente independentes. O ônibus que trazia os convidados do casamento chegou no santuário. Depois da cerimônia tivemos uma recepção, para a qual convidamos não apenas nossos familiares, mas a peregrinação inteira.

Eu agradeço a Deus porque desde o princípio do nosso relacionamento tínhamos um forte desejo de permanecer castos para o matrimônio. Depois de nosso primeiro beijo, fui consultar o padre da minha paróquia, pois tinha convicção de ter cometido um pecado. Para minha surpresa, o padre tranqüilizou minha mente. Eu aprendi sobre o Método Natural (de paternidade responsável) durante um retiro de verão quando ainda estava na universidade. Eu aprendi a medir minha temperatura e anotar meu ciclo menstrual. Eu também me consultei com uma mulher no centro de aconselhamento. Eu sabia que isso era uma parte importante da preparação para o matrimônio. Quando nossa ligação emocional tinha se aprofundado o bastante, informei ao Martind o meu desejo de permanecer virgem até o dia do nosso casamento, e então conduzir nossas relações sexuais de acordo com a doutrina da Igreja. Felizmente, tínhamos o mesmo pensamento no assunto. Graças à minha formação religiosa (adquirida através do Movimento Jovem Católico e de vários retiros e peregrinações espirituais) eu tinha desenvolvido um profundo senso de confiança na Mãe Igreja, e uma convicção de que, se você acredita em Jesus, você não pode fazer outra coisa senão escolher pensar e agir de acordo com a doutrina da Igreja, a qual Ele fundou sob a liderança visível de Pedro (Mt 16, 14-19). Meu marido, do mesmo modo, era guiado por um forte desejo de obedecer aos Dez Mandamentos e à vontade do Criador. Intuitivamente, ele sentia que a castidade dentro e fora do casamento valia o sacrifício; de fato, ele via isso como um valor em si. E então estabelecemos nosso objetivo: guardar nossa virgindade para o dia do nosso casamento, e portanto oferecer um ao outro o mais belo presente de casamento de todos. Não era fácil, de modo algum, pois nosso namoro durou quatro anos e meio; mas ainda assim, conseguimos.



Depois de muitos anos de casamento (já tínhamos dois filhos na época), começamos a notar que alguma coisa não estava certa com nossa vida sexual. Frequentemente eu tinha a sensação de estar sendo violada. Eu me fechei em mim mesma. Meu marido se tornava irritado, e eu cedia a ele. Começamos a dormir em camas separadas. Muitas vezes eu ia dormir com as crianças. Alguma coisa estava definitivamente errada. E assim continuou até o dia em que uma cópia da revista “Love One Another” caiu em nossas mãos. A revista tinha um testemunho escrito por um casal. Martin viu o artigo primeiro. Eu não me lembro dos autores, mas o texto tinha a ver com a castidade conjugal. Depois de ler o artigo, Martin leu em voz alta para mim. De repente compreendemos a causa de nossas tensões e incompreensões. Nossos problemas se deviam à falta de consistência. Sim estávamos usando o Método Natural, mas também estávamos nos permitindo certas liberdades – nos arriscando em dias férteis; na verdade, fazíamos sexo sempre que queríamos, e então aplacávamos nossa consciência com o pensamento de que, afinal de contas, não estávamos usando anticoncepcionais artificiais. No dia seguinte mesmo já estabelecemos um princípio de não ceder: as relações sexuais seriam somente nos dias inférteis, ou nos dias férteis quando decidíssemos ter outro bebê – e nada mais, sem trapaças! Levou cerca de três semanas para que víssemos os “resultados”. Um indescritível frescor começou a se fazer sentir em nossa relação. Todos os nossos medos e dúvidas acerca de sermos capazes de nos abster de sexo por uma quinzena, mais ou menos, provaram-se sem fundamento. Pode-se medir a melhora na qualidade da nossa intimidade sexual pelo fato de que agora sou eu que “violo” meu marido, enquanto ele tenta fugir, totalmente exausto! Quando chega perto do final de cada período fértil, olhamos um para o outro com renovado frescor. Desejamos um ao outro tanto quanto no tempo no namoro. O ciclo de uma mulher é idealmente “projetado”. Justamente quando o casal parece estar saciado de intimidade física, o início de um novo período fértil oferece-lhes um descanso de uma quinzena.

As relações maritais castas sempre demandam um elemento de serviço e uma boa dose de sacrifício mútuo. À primeira vista isso deve vir do lado da mulher. Sobre ela recai a responsabilidade de aprender métodos naturais de controle da procriação, consultar especialistas, e anotar seu ciclo. Eu aceitei isso como minha parte de responsabilidade em prol do nosso matrimônio. Agora que corrigimos a inconsistência descrita acima, e que nossas relações estão novamente em um equilíbrio, a necessidade de se abster de intimidade física por duas semanas em cada ciclo requer outro sacrifício (dessa vez a responsabilidade recai sobre o marido). Mas eu acho que estou sendo honesta em dizer que nenhum de nós vê mais isso como um sacrifício, mas sim como a expressão natural do amor que nos une – um amor que cresce sempre mais puro e sem mancha. É verdade que os tempos de grande sacrifício existiram. Depois do nascimento de cada um de nossos filhos, nos abstínhamos da intimidade sexual até o início do meu primeiro período (no caso do nosso último filho, nos abstivemos por oito meses). Essa foi uma grande privação, mas nos ofereceu uma oportunidade para um sacrifício maior, e portanto, para fortalecermos nossa união ainda mais. Rezamos muito pela graça da perseverança. Aceitando esse sacrifício, fizemos nossa intenção crescer em afeição um pelo outro e perseverar no amor. Nós também rezamos pelos nossos filhos, especialmente nosso recém-nascido.

Nós temos três filhos, e estamos prestes a ter outro. Com exceção de nosso pároco (que é também nosso diretor espiritual), ninguém sabe disso ainda.

Barbara e Martin
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Traduzido de: http://www.loveoneanothermagazine.org/nr/true_love_waits_pure/premarital_abstinence_is_worth.html

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Os principais ingredientes para o amor e o casamento darem certo

Por Anthony Buono

Acabei de ver por acaso na Internet um obituário de um casal católico, Lou e Patricia DeMuro. Os dois morreram no mesmo dia, depois de 62 anos de casamento. Realmente é uma história de amor à moda antiga.

É uma história muito tocante. A simplicidade com a qual esse casal levou a vida e a convivência a dois é algo de inspirador. O contentamento deles com o que a vida lhes oferecia é admirável. A história desse casal deve ser aquilo que toda pessoa deve procurar, no que diz respeito a amor e casamento. Eles oferecem dois ingredientes indispensáveis para se apaixonar e ter um casamento duradouro; e enfrentar a vida com simplicidade e contentamento.

Infelizmente, muitas e muitas pessoas complicam o processo e se tornam muito exigentes no que diz respeito às suas expectativas com relação à outra pessoa, tornando quase impossível encontrar tal amor. Quanto mais qualificações são necessárias, menos provável encontrar a felicidade e partilhar uma vida assim.


Também é importante perceber que eles tiveram um começo bem humilde, e tiveram uma vida humilde. Eles não ficavam frustrados ou com raiva por causa da situação financeira deles. Eles tinham uma postura de aceitação e gratidão pelas bênçãos que possuíam. Eles também eram muito jovens. Isso também ajuda. Quando você se casa jovem, vive mais anos junto com a outra pessoa. E quanto mais anos vocês vivem juntos no casamento, menos egoístas se tornam.
Mas esse casal tem mais a nos ensinar sobre amor e casamento. Eles tinham um desejo ardente de fazer o outro se sentir feliz e especial, e vice-versa. Eles não se acomodavam. Vejamos como o repórter descreveu sua vida, a partir de sua pesquisa:

- A vida em comum deles tinha poucos luxos, mas muitas risadas.
- Eles cantavam e escutavam músicas da “Mary Poppins” e de outros musicais centenas de vezes. Quanto mais alto as crianças cantavam junto, mais o casal sorria.
- Eles formavam uma equipe quando o assunto era a educação e cuidado com as crianças. Quando o Sr. Lou voltava para casa do trabalho, ele cuidava das crianças, para que a Sra. Patricia pudesse ir para seu trabalho à noite.
- Eles faziam tudo juntos.
- As crianças iam para a escola católica que ficava do outro lado da rua. Elas vinham almoçar em casa.
- Quando a família se mudou, em 1968, a Sra. Patricia conseguiu um emprego como secretária, e o Sr. Lou tinha dois empregos.
- Eles faziam excursões de ônibus para o Alasca ou viagens para o Caribe, e também ao longo do rio Mississippi, e no canal do Panamá.
- Eles adoravam ir a Massachussets no outono para ver as folhas das árvores mudando de cor.

Um monte de risadas, vida sem luxos, curtindo as crianças (crianças barulhentas os faziam sorrir!), cantando músicas sentimentais, vivendo com parentes na mesma casa, as crianças indo para a escola católica, ela ajudando no orçamento, ele com dois empregos, pequenos prazeres... Eles faziam tudo juntos.

Agora vamos ver como os filhos descrevem os pais, e a vida com eles:

- Eles se lembram do pai fazendo churrasco enquanto os meninos brincavam.
- A salsicha feita em casa era muito boa, não tinham vontade de mais nada.
- Os seus pais andavam de patins, e jogavam boliche e baralho junto com eles, e eles mesmos usavam o cortador para cortar a grama.
- A mãe sabia muito bem como estava o dever de casa deles. Ela estava sempre por perto. Dormia enquanto eles estavam na escola.
- Domingo significava carne assada no jantar.
- Eles estavam sempre perguntando para os filhos: “Como você está? Está bem?”. Sempre checando. Eles davam suporte, encorajavam.
- O pai fazia as compras e a mãe cozinhava, ela fazia massas caseiras, ravióli, pizza, bolo de abacaxi e biscoitos italianos.


Participação, disponibilidade, interesse genuíno, trabalho duro, momentos de ternura, frugalidade, atenção às necessidades dos filhos.

O que chama a atenção, para mim, é como eles eram felizes, e mais importante, como os filhos eram felizes. As crianças sentiam uma vida plena, rica, ao crescerem. Certamente eles não eram pobres. Carne assada aos domingos é bem classe média. Eles eram cuidadosos com o dinheiro. Tenho certeza que economizavam, e tinham dinheiro por serem cuidadosos com os gastos. Viviam dentro de suas possibilidades, mas ainda assim faziam coisas especiais. Não era uma vida de extravagância.

Outra coisa que me chama a atenção é que as coisas que os filhos apontam, todas têm a ver com a maneira com que o casal interagia em um nível de amizade. Não parecia haver um dominador e outro dominado. O respeito mútuo parece ser o que os filhos levaram do seu relacionamento com os pais.

Parece mesmo que uma ligação como amigos, com respeito mútuo de um para com o outro é um ingrediente chave para o sucesso no casamento. Cada pessoa é livre para ser ela mesma, mas tem um desejo de fazer coisas juntos e estar juntos. Procurar uma pessoa com quem você possa ter esse tipo de ligação é muito mais do que ver somente a diferença de idade, a atração física, os requisitos para criar os filhos, e as muitas outras coisas com que as pessoas solteiras se preocupam na hora de escolher alguém.

E esse casal se aventurou. Eles viram um no outro alguém com quem queriam estar; um parceiro que cabia bem consigo. Eles não questionaram ou pensaram muito profundamente se essa ou aquela era a pessoa “que Deus tinha em mente para mim”. Eles não rejeitaram um ao outro na esperança de encontrar alguém melhor. Provavelmente eles nem sequer pensaram no assunto. Eles eram duas pessoas que levavam a vida com simplicidade, não eram pessoas difíceis de se agradar, e portanto sabiam como estar contentes e apreciar o que tinham. Tenho certeza que isso os preparou bem para encontrar esse tipo de amor na outra pessoa.

No seu leito de morte, o Sr. Lou foi trazido para ver a Sra. Patricia. Ele disse: “Oi, bebê”. E ela disse: “Lou, eu te amo. Eu tive uma vida maravilhosa. Vou encontrar você em outro lugar”. Eles viveram em uma união muito íntima um com o outro, nesse vínculo de amor. Então era justo que, no final, eles morressem juntos, sucumbindo apenas algumas horas depois um do outro, de uma série de doenças. Lou teve leucemia, mal de Parkinson, e estava em um hospital. Patricia teve diabetes, hipertensão e problemas cardíacos. No final, ambos precisaram do cuidado de outras pessoas. Mas seu maior desejo sempre foi cuidar do outro, especialmente do coração um do outro.

Não é pura sorte ou acaso que eles tenham cuidado um do outro por 62 anos, e ainda tenham se sentido tão próximos depois de tanto tempo. Eles se doaram completamente ao outro, e quiseram fazê-lo, e acharam alegria em fazê-lo. Se cada um de nós levar a vida com simplicidade, como pessoas contentes, sem expectativas exageradas acerca das pessoas que cruzam nosso caminho e com quem namoramos, poderemos terminar tendo uma vida de amor como a que Lou e Patricia partilharam.
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Anthony Buono é casado, e tem sete filhos. Mora na Virginia. Ele é o fundador e presidente do “Ave Maria Singles” (Solteiros do Ave Maria – um serviço para católicos solteiros que buscam um casamento e querem encontrar um futuro cônjuge) e de “Road to Cana” (“Caminho para Caná” – focado na formação de católicos para o namoro, noivado e casamento). O blog de Anthony, “6 Stone Jars”, procura oferecer conselhos e princípios para um bom namoro, a formação da vocação pessoal, e um casamento saudável. Anthony trabalha com católicos solteiros desde 1994.

Traduzido de TOB Catholic Exchange: http://tob.catholicexchange.com/2010/08/16/2198/

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Vídeo - Paternidade Cristã

Pe. Theodore Lange fala sobre a paternidade cristã e a importância do pai na transmissão da fé para os filhos.



Link para You Tube:
http://www.youtube.com/watch?v=fMZJqBLHb6w

Você conhece os vídeos do Canal "Vida e Castidade" no You Tube?
http://www.youtube.com/user/VidaeCastidade

domingo, 11 de abril de 2010

Santa Gianna e o matrimônio


O casal Beretta Molla por ocasião de seu matrimônio

Por Roberto Bertogna
25/7/2004


Viveu alguns anos na incerteza da escolha de um estado de vida. Para bem decidir, rezava muito, pedia orações e conselhos, sofria. Na busca de discernir a vontade de Deus para sua vida, passou mesmo por uma grande perturbação interior; não no plano da fé, mas na elaboração do projeto de vida.

Parecia que o próprio Deus desarranjava e confundia projetos, desejos e sonhos. Sentia-se chamada por Deus, mas no momento da realização, parecia que tudo saltava pelos ares. Um modo misterioso de agir d’Aquele que traça “vias diferentes das nossas”.

Gianna, em suas anotações, indicava três meios para descobrir a própria vocação:

- interrogar o Céu com a oração;

- interrogar o diretor espiritual;

- interrogar a nós mesmos, conhecendo nossas inclinações.

Foi o que fez. Ao invés de acabrunhar-se, intensificou as orações para que pudesse conhecer melhor a vontade de Deus. Para isso foi a Lourdes em peregrinação, e lá rezou bastante.

Quando compreendeu que a vontade de Deus era a de que constituísse uma família, orientou-se decidida para o matrimônio, consciente de que era o caminho que Deus desejava para ela.

Escreveu em seu diário: “O problema do nosso porvir, não devemos solucioná-lo quando temos apenas 15 anos, mas é melhor orientar toda a vida para aquela via na qual o Senhor nos quer, porque nossa felicidade terrena e a eterna dependem de viver bem a nossa vocação”.

Encontro não casual, abençoado por Deus

Na festa da Imaculada Conceição, 8 de dezembro de 1954, celebrava-se na cidade de Mesero a festa da ordenação sacerdotal de Frei Lino Garavaglia, hoje Bispo das dioceses de Cesena e Sarsina (Itália).

Tanto Pedro, o futuro noivo, como Gianna foram convidados para a Missa e para o almoço. Assim Pedro Molla escreveu a Gianna no dia seguinte:

“Recordo-me de ti quando, com teu sorriso largo e gentil, saudavas o Frei Lino e os seus parentes; recordo-me quando fazias devotamente o Sinal da Cruz antes do café; recordo-me ainda quando estavas em oração durante a bênção do Santíssimo Sacramento”.

Aos pés de Nossa Senhora de Lourdes, em junho de 1954, Gianna tinha compreendido qual era a sua vocação, e naquela festa da Virgem Imaculada Pedro compreendia qual era o projeto de Deus. No dia seguinte, ele registrou em seu diário: “Sinto a serena tranqüilidade que me dá a certeza de ter tido ontem um ótimo encontro. A Imaculada Conceição me abençoou”.

Durante o noivado, Pedro observou: “Quanto mais conheço Gianna, mais tenho a certeza de que melhor encontro Deus não podia oferecer-me”.

Gianna respondeu: “Desejo fazer-te feliz e ser a boa esposa que tu desejas: compreensiva e pronta para os sacrifícios que a vida nos pedirá. Penso em doar-me totalmente para formar uma família verdadeiramente cristã. É verdade que teremos que enfrentar dores e sacrifícios, mas se desejarmos sempre um o bem do outro, com a ajuda de Deus venceremos todos os obstáculos”.

Mãe exemplar, dedicada esposa

Gianna e Pedro receberam o sacramento do matrimônio no dia 24 de setembro de 1955. Prepararam-se espiritualmente para esse momento com um tríduo, que consistia em assistir à Missa e receber a Santa Comunhão.

O amor recíproco, baseado na fé e não no sentimentalismo, proporcionou aos jovens esposos coragem para enfrentar tudo serenamente. Gianna não renunciou à sua profissão de médica, cuidava muito eximiamente dos afazeres da casa, mostrando-se excelente cozinheira, e continuava a assistir seus pacientes; prestava-lhes assistência médica gratuita no jardim da infância e na escola primária.

Sentia profundamente o amor à maternidade. “Com o auxílio e a bênção de Deus, faremos de tudo para que nossa família seja um pequeno Cenáculo, onde Jesus reine sobre todos os nossos afetos, desejos e ações”.

Aceitou os inevitáveis sacrifícios da vida familiar sem nunca apagar o seu sorriso de bondade, paciência e generosidade. Todos que a conheceram são testemunhas de que coerência, consciência dos seus deveres e equilíbrio eram os dotes típicos de Gianna, os quais fazia frutificar ao máximo em todo seu âmbito doméstico, profissional e paroquial, com muita harmonia e simplicidade.

Para ela, a finalidade primeira do matrimônio era a formação de uma família numerosa e santa. Em uma carta à sua irmã, dizia: “Peça ao Senhor que me mande logo tantos filhos bons e santos”.

Nasce em 19 novembro de 1956, 14 meses depois do matrimônio, Pierluigi, o primeiro filho. Depois nascem Maria Zita, em 11 novembro de 1957, e Laura Maria, a 15 de julho de 1959. Em menos de quatro anos de matrimônio, teve três filhos, todos com gravidez muito difícil.

Gianna concebia a mulher como mãe católica, e viveu sua maternidade como uma oblação: ser mãe é ser “sacrifício”, eram duas realidades inseparáveis. Mas, note-se bem, tudo vivido com alegria, mesmo se o preço a ser pago fosse muito alto.

Nesse sentido, ainda aos 18 anos de idade, escrevera em seu diário: “Toda vocação é vocação à maternidade, espiritual e moral, e preparar-se significa estar pronto para ser doadores de vida, e se na luta pela nossa vocação tivéssemos que morrer, aquele seria o dia mais bonito da nossa vida”.

Heróico amor maternal por amor de Deus

Após três gravidezes dolorosas, no início da quarta tornou-se indispensável uma cirurgia, devido a um fibroma uterino (tumor no útero). Fidelíssima a seus princípios morais e religiosos, decidiu, sem hesitar, que o médico se preocupasse, em primeiro lugar, não com a operação que salvaria sua vida, mas com a salvação da vida da criança.

Escreve então seu marido: “Com incomparável força de vontade e com imutável empenho, continuava a sua missão de mãe até os últimos dias da sua gestação. Rezava ou meditava. O sorriso e a serenidade que infundiam a beleza, a vivacidade e a saúde dos seus três ‘tesouros’ eram quase sempre velados com uma interior inquietude. Temia que a sua criança nascesse com sofrimentos. Rezava para que assim não fosse. Muitas e muitas vezes, pediu-me desculpas se me causava preocupações. Disse-me que nunca havia tido necessidade de tanta amabilidade e compreensão como agora. Aproximando-se o período do parto, afirmou explicitamente, com tom firme e ao mesmo tempo sereno, com um olhar profundo que não esquecerei jamais: ‘Se vocês devem decidir entre mim e a criança, não hesitem: escolham a criança, eu exijo, salvem-na! Eu faço a vontade de Deus, e Deus providenciará o necessário para meus filhos’”.

Era uma Sexta-feira Santa, 20 abril de 1962, quando foi internada para o parto. No Sábado Santo, Gianna e toda a família tiveram a indescritível alegria de um dom divino: a filha que portava em seu seio nascia bela e forte.

O fruto abençoado desse heróico gesto de amor de Deus recebeu no santo Batismo o nome de Gianna Emanuela.

Após vida modelar, santa morte

Durante aquele momento, Pedro não deixou sua esposa um só minuto. Os médicos tentavam salvá-la a todo custo: antibióticos, soro, sondas… tudo em vão.

Sua última confidência ao marido foi: “Pedro! Agora me curei. Estava já do outro lado, e se soubesses o que eu vi... Um dia te direi! Mas, como éramos muito felizes, estávamos tão bem com os nossos maravilhosos filhos, cheios de saúde e graça, com todas as bênçãos do Céu, mandaram-me de volta aqui embaixo, para sofrer um pouco mais, porque não é justo apresentar-se a Deus sem haver sofrido muito”.

Inteiramente lúcida, Gianna solicita e recebe a Extrema-Unção e a Santa Comunhão pela última vez. Naquele momento, acabava de chegar da Índia sua irmã Virginia, missionária naquele país. Vendo o Crucifixo que lhe pendia do pescoço, pede para osculá-lo, e diz: “Jesus, Te amo”.

Era o dia 28 de abril de 1962, e seria apropriado colocar em seus lábios as últimas palavras de Santa Teresinha do Menino Jesus: “Eu não morro, mas entro na Vida”.(5)

Notas:

1. Cfr. “Pro-Life”, Annual Report 2004, Washington.

2. Cfr. “Avvenire”, Milão, 16-9-03.

3. Cfr. “Corriere della Sera”, Milão, 8-3-00.

4. Cfr. “Il Giornale”, Milão, 27-3-04.

5. Livros consultados:

Un inno alla Vita: Gianna Beretta Molla, Suor Hildegard Brem Ocist., Voglio Vivere, 2004, Milano; Il cammino di Santità di Gianna Beretta Molla, Comitato per la Beatificazione, ITL s.p.a., 1994, Milano.

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Retirado de: http://www.fundadores.org.br/AbortoNao/principal.asp?categ=1&pag=2&IdTexto=881

domingo, 4 de abril de 2010

A "cultura" da sexualidade invertida

Por Patrick Fagan

A enorme desordem social e psicológica que vemos ao nosso redor não é invenção da “comunidade gay”. Nossos problemas atuais – incluindo mesmo o próprio movimento de “direitos gays” – surgiram como resultado de desordens que se tornaram predominantes primeiramente entre os heterossexuais.
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É impossível olhar para as mudanças em nossa cultura ao longo das últimas décadas, sem perceber o alcance das mudanças introduzidas pelos novos costumes sexuais. A tese deste ensaio é que a força do atual movimento homossexual e de outros movimentos radicais está enraizada nessas mudanças.

As grandes mudanças no pensamento sobre a natureza do ato sexual tiveram início na última parte do século 19, e ganharam força no início do século 20, conseguindo um avanço significativo em 1930, com a quebra da unidade na tradição religiosa-moral cristã sobre a natureza do ato sexual.

No final dos anos 1940 um número crescente de casais americanos já usava contracepção. Na década de 1960 os filhos desses casais se tornaram os líderes da revolução sexual, rejeitando a necessidade do contexto do casamento para o ato sexual – uma rejeição logicamente baseada em suas próprias experiências. Na década de 1970 a geração seguinte consagrou “o direito de escolha reprodutiva para a mulher”, ou seja, o aborto, passando a ser juridicamente possível se livrar do fruto natural do ato sexual. Uma geração mais tarde, na década de 1990, vimos o surgimento dos movimentos pró-homossexuais.

Todos estes graduais “passos para Gomorra” são um subproduto natural da ruptura entre o ato sexual e a finalidade primeira e função natural fundamental desse ato: a procriação dos filhos. Essa ruptura mudou o foco do ato sexual, e ao fazê-lo mudou os adultos que assim agem, tanto em suas próprias disposições psicológicas quanto em suas relações interpessoais. Os costumes sexuais deixaram de ser “centrados no outro”, para se tornarem “centrados em mim”; ao invés de extroversão, as relações sexuais moveram-se em direção à introversão; passaram de “hetero-centradas” para “auto-centradas”.

Se se corta da natureza do ato sexual a possibilidade da reprodução, então fica difícil negar o “direito” de praticar atividades sexuais legalmente permitidas caracterizadas por sempre excluir a possibilidade de gerar um filho (como as atividades homossexuais e outras). Se os homossexuais alegam ainda que estão privados de um direito igual para a busca do prazer – o que eles dizem não poder obter em atos heterossexuais – seu argumento ganha ainda mais força. Conseqüentemente, muitas igrejas e órgãos do governo começaram a concluir que homossexuais têm “direito” a ter suas uniões sancionadas: o dito “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Sob o prisma dos costumes sexuais distorcidos que agora dominam a nossa cultura, é difícil negar o poder de persuasão de seu argumento.

A nova inversão sexual

A contracepção mudou radicalmente a função social do ato sexual; não se pode negar. E essa mudança na função social tem mudado a maneira como pensamos a nossa sexualidade, o que por sua vez, muda toda a sociedade. Os dados sociais sobre a cultura heterossexual são agora maciçamente perturbadores.

A afirmação fundamental deste ensaio é que os heterossexuais americanos estão agora mostrando os sintomas de uma doença que está relacionada com (e que é ainda mais perigosa do que) a estrutura psicológica interior da orientação homossexual.

Uma descrição psicanalítica amplamente utilizada da homossexualidade como um fenômeno psicológico diz:

“A homossexualidade é considerada um dos sistemas desenvolvidos pelos indivíduos para organizar experiências e expressões de sentimentos conflitantes e dolorosos, e o sistema atua como uma contenção das ansiedades mais profundas, e oferece ao indivíduo um ‘modus vivendi’. O sistema não é apenas a escolha de um objeto, mas uma maneira ampla de se relacionar, é parte do desenvolvimento do caráter da pessoa, e muito mais complexa do que a noção de ser parte da escolha de objeto. É importante distinguir a identidade homossexual e o comportamento homossexual. A presença da homossexualidade, se conflitante ou reprimida, poderia dar origem a sintomas como ansiedade, inibição social, ou disfunções sexuais como impotência ou a frigidez.”

Esta definição poderia ser reformulada para descrever a maioria dos casais nos Estados Unidos hoje, bem como uma grande proporção de indivíduos solteiros heterossexuais. Assim:

“A contracepção pode ser considerada como um dos sistemas desenvolvidos pelos indivíduos para organizar experiências e expressões de sentimentos e desejos conflitantes. O sistema [anticoncepcional] serve como contenção das ansiedades mais profundas, e oferece ao indivíduo um ‘modus vivendi’. O sistema não é uma escolha de objeto, [a escolha de um ser amado], mas é uma maneira ampla de se relacionar, e é parte do desenvolvimento do caráter de uma pessoa. É importante distinguir entre a identidade heterossexual e essa forma de comportamento heterossexual. A presença da heterossexualidade, se conflitante ou reprimida, como ocorre no caso da contracepção habitual, pode dar origem a sintomas como ansiedade, inibições conjugais, disfunção sexual, divórcio, rejeição das crianças, e aborto.”

No conflito psicológico vividos por homossexuais, a ameaça à integridade do ego decorre das demandas de intimidade com um membro do sexo oposto. No conflito causado pela contracepção a ameaça ao ego deriva da atenção íntima exigida por uma criança.

Ismond Rosen, um conhecido terapeuta britânico especializado em disfunções e desvios sexuais, e editor do “Livro Oxford de Desvios Sexuais”, afirma:

“Segundo a minha observação, o estilo de vida homossexual é aprendido, e se isto for incorporado como parte do sentido individual de identidade ou ‘self’, as chances da pessoa mudar para uma orientação heterossexual tornam-se muito mais distantes, devido à resistência inconsciente despertada pela ameaça de uma perda real de identidade ou senso de si mesmo.”

Estas percepções sobre o desenvolvimento da orientação homossexual também podem ser transpostas para a orientação contraceptiva, sendo reconstruídas da seguinte forma:

“O estilo de vida contraceptivo é aprendido (agora há uma gigantesca infra-estrutura educacional e médica dedicada a esse fim), e quando se incorpora como parte do senso da identidade sexual do indivíduo e de sua prática habitual, as chances de que a pessoa mude para uma “doação de si mesmo” tornam-se muito mais distantes, devido à ansiedade provocada pelo medo ou ameaça de perda de si mesmo no sacrifício envolvido em trazer uma criança à existência.”

Mudanças ao longo da história

A prática da contracepção se difundiu dramaticamente durante a última parte do século 20. Passou de rara a generalizada – na verdade, habitual. E a esterilização tornou-se uma forma cada vez mais popular de controle da natalidade, especialmente para os pais que já tiveram um ou mais filhos.

O “lobby” da educação sexual – que engloba a maioria das grandes fundações sem fins lucrativos do nosso país, seus correspondentes na educação e na ciência social nas universidades, e seus aliados nas profissões médicas e de enfermagem – colocou enormes recursos no esforço para mudar a forma como os jovens pensam a natureza do ato sexual. Fizeram incursões maciças na cultura comum.


Dada a prevalência da contracepção e a fácil disponibilidade de aborto, seria de se esperar que a proporção de nascimentos fora do casamento para as jovens americanas tivesse declinado durante a geração passada. Na realidade o que aconteceu foi completamente o oposto. Entre as mulheres americanas com idade inferior a 20 anos que deram à luz a cada ano, a proporção das que eram casadas quando a criança nasceu diminuiu de forma constante, de cerca de 90 por cento em 1950 para menos de 30 por cento em 1990. Não há nenhuma razão para esperar qualquer mudança nesta tendência.

O índice de rejeição

A mudança mais fundamental na sociedade resultante desta mudança radical na nossa maneira de encarar o ato sexual tem sido o surgimento de uma cultura de rejeição: um lugar cada vez mais hostil para as crianças viverem. A tendência para nascimentos fora do casamento, agravada pela divórcios, que deixam as crianças sem mãe casada e sem pai morando em casa, resultou em um aumento constante no número de crianças que vivem em lares desfeitos.

Os efeitos destas alterações são indubitavelmente negativos. Viver em um lar desfeito, para a criança, aumenta seu risco de:

* Problemas de saúde física;
* Retardo cognitivo, especialmente no desenvolvimento verbal;
* Menor grau de escolaridade;
* Aumento dos problemas comportamentais;
* Envolver-se em abuso de cônjuge ou filho;
* Envolver-se em crime e
* Ser fisicamente ou sexualmente abusada.

Com os lares desfeitos se tornando cada dia mais numerosos os resultados são ainda mais devastadores. O sociólogo Charles Murray determinou que, quando a proporção de lares desfeitos na população local atinge o nível de cerca de 30 por cento, a comunidade se torna uma fonte de riscos adicionais, ao invés de apoio para a criança e a família. Muitos bairros urbanos passaram desse nível estatístico há muito tempo; agora o país (EUA) inteiro tem beirado esse mesmo ponto estatístico perigoso.

Entre as famílias da classe trabalhadora dos Estados Unidos, as tendências são nefastas. Mas entre aqueles que vivem na parte inferior da escada sócio-econômica, o conjunto familiar estável praticamente desapareceu. Junto com esse desaparecimento há uma tendência crescente em relação ao abuso infantil.

Estatísticas do governo Federal confirmam que a incidência de abuso infantil está intimamente relacionada com a situação econômica da família. Mas seria um erro classificar o abuso de crianças simplesmente como um problema que aflige as famílias empobrecidas. Há uma correlação igualmente forte entre a incidência de abuso e a situação conjugal dos pais.

Um estudo britânico lança ainda mais luz sobre a relação entre estrutura familiar e abuso infantil, mostrando que o abuso das crianças é relativamente raro em famílias onde os pais naturais da criança continuam a viver juntos, mas cada vez mais provável em famílias onde a mãe voltou a casar, ou vive sozinha, ou onde os pais nunca se casaram, ou onde a criança vive com um pai solteiro, e – o mais perigoso de todos – onde a mãe vive com outro homem que não é nem o marido nem pai natural da criança.

A ligação entre aborto e contracepção

A rejeição definitiva de crianças, evidentemente, é o aborto. “É evidente que nada além dos contraceptivos pode pôr fim aos horrores do aborto e do infanticídio”, disse Margaret Sanger, expressando uma linha que tem sido repetida – ainda hoje – por muitos outros. Mas a crescente popularidade e disponibilidade de contraceptivos não reduziu o número de abortos, e hoje a maioria dos abortos ocorre fora do casamento, isto é, entre aqueles que mais radicalmente reivindicam o direito ao ato sexual “invertido”.

Um livreto distribuído pela “National Abortion Rights Action League” (antes de seu nome ser mudado para “National Abortion and Reproductive Rights Action League”) mostra como os defensores do planejamento familiar mudaram a sua perspectiva sobre a relação entre a contracepção e o aborto, desde os tempos de Margaret Sanger:

“É claro que os contraceptivos devem ser disponibilizados e promovidos mais amplamente, no entanto, no estado atual da tecnologia contraceptiva, e dada a possibilidade de erro humano mesmo na utilização dos melhores métodos, o aborto é necessário como uma proteção; a sua utilização não é preferível à contracepção, mas uma vez que a gravidez ocorre, é o único meio de prevenção da natalidade”.

O aborto agora ocupa apenas mais um lugar em um “continuum” de práticas, todas elas destinadas a impedir o nascimento. O objetivo final do planejamento familiar, o esforço a ser alcançado por todos os meios necessários, é separar o ato sexual da perspectiva de produzir filhos.


Relacionamentos alterados

Uma vez que nós, como sociedade, eliminamos do entendimento popular sobre o ato sexual a possibilidade de gerar uma criança, alteramos com isso a nossa noção do papel que o sexo tem dentro do casamento. Essa alteração levou naturalmente a outra, e o “trabalho” concluiu-se na década de 1960 pelos filhos dos primeiros casamentos “alterados”: a quebra do pressuposto de que a atividade sexual deve se limitar ao casamento. E então, depois de ter eliminado primeiro a perspectiva de que a atividade sexual poderia envolver a reprodução, e depois tendo eliminado o pressuposto de que a atividade sexual era uma prerrogativa do casamento, a nossa sociedade em seguida percebeu uma necessidade de eliminar mais um obstáculo, arranjando um dispositivo para, legalmente, “livrar-se” de uma criança inconvenientemente concebida, dentro ou fora do casamento. Este foi o trabalho da década de 1970. Finalmente, depois de ter eliminado da compreensão popular da sexualidade tanto a perspectiva da reprodução quanto a necessidade de um compromisso conjugal, a nossa sociedade começou a perceber as relações homossexuais como apenas mais um conjunto de variações da nova maneira de ver a atividade sexual, agora “voltada somente para o próprio prazer”.

Observe, a propósito, que todos os transtornos sociais e psicológicos descritos acima – os lares desfeitos, o abuso de crianças, e assim por diante – estão presentes na “cultura heterossexual”. Embora seja verdade que a “subcultura gay” mostra níveis ainda mais altos de disfunção em questões semelhantes, a cultura da inversão sexual não se limita à homossexualidade. Entre os heterossexuais, também, a transformação da atividade sexual em um processo “somente para o próprio prazer”, sustentada por uma atmosfera de ausência de qualquer compromisso para com crianças ou para com o cônjuge, produziu resultados sociais e psicológicos desastrosos.

Em uma sociedade tradicional os adultos assumem encargos sociais e aceitam os golpes da vida, protegendo assim os seus filhos, para que eles possam crescer num ambiente seguro e tranqüilo. Hoje são os filhos da nossa nação que carregam o fardo – muitas vezes, por viver na insegurança de um lar desfeito – enquanto os pais buscam seus próprios fins. De fato, a carga psicológica sobre as novas gerações muitas vezes pode ser atribuída precisamente à falta de vontade de seus pais e / ou sua incapacidade em fazer cumprir o compromisso conjugal para a vida toda, o que antes era uma condição prévia para a atividade sexual sancionada.

As crianças – a nova geração – são a principal razão para a família. Mas se nem passa pela cabeça do jovem casal a consideração para com as crianças, a situação está irremediavelmente mudada: “As pessoas não vivem juntas apenas para estar juntas. Elas vivem juntas para fazer algo juntas”, escreveu Ortega y Gasset. Ele continuou: “Nenhum grupo social sobreviverá por muito tempo sem sua principal razão de ser.” A América do Norte e a Europa Ocidental, com suas taxas de crescimento populacional negativas, em breve serão forçadas a entrar de acordo com as observações de Ortega y Gasset e de Roosevelt. Pode ainda sobreviver uma cultura que não se reproduz, e não protege as crianças?

Baixando os padrões de moralidade

Uma das funções públicas da religião é fortalecer a adesão da sociedade à lei moral natural. Quando a instituição da religião relativiza uma questão moral, não se pode esperar que as outras instituições (família, educação, governo e mercado) mantenham as “defesas” da sociedade. Quando as instituições da religião “definem em padrões mais baixos" o que é desvio e o que não é, outras instituições provavelmente seguirão o mesmo padrão. E é isso o que tem acontecido na questão da contracepção.

O movimento de planejamento familiar, o veículo para o avanço da contracepção, tinha sua posição clara não só fora do cristianismo, mas entre grupos que eram ativamente hostis ao Cristianismo. O ataque sobre os princípios morais tradicionais defendidos pela tradição judaico-cristã já estava bem avançado no início do século 20. Ao mesmo tempo, o movimento de controle da natalidade havia reconhecido a necessidade de conseguir algum tipo de sanção religiosa – e tinha até escolhido um alvo primário para os seus esforços de lobby. Em 1919, a Anglicana C.K. Millard escreveu no “The Modern Churchman”:

“Embora muitos malthusianos sejam racionalistas, eles estão bem conscientes de que sem alguma espécie de aprovação religiosa sua política jamais poderá emergir do submundo obscuro das coisas não mencionadas e desrespeitadas, e nunca poderia ser defendida abertamente, à luz do dia. Para este fim o controle da natalidade é camuflado em uma fraseologia pseudo-poética e pseudo-religiosa, e pede-se à Igreja Anglicana que altere os seus ensinamentos. Adeptos do controle de natalidade percebem que é inútil pedir isso à Igreja Católica, mas no que respeita à Igreja da Inglaterra, que não tem qualquer pretensão de infalibilidade, o caso é diferente, e o debate é possível.”

Se uma única data pode ser identificada como o marco da ruptura histórica do consenso cristão acerca dos princípios tradicionais da moralidade sexual, baseados na lei natural – se alguém quiser destacar o primeiro passo oficial do Ocidente em direção ao abismo escorregadio – então a data 15 de agosto de 1930 deve ser escolhida como essa data infeliz. Esse foi o dia em que a Conferência de Lambeth da Igreja da Inglaterra, por uma votação de 193 a 67, aprovou uma resolução que dizia, em uma de suas partes:

“Onde houver uma obrigação moral claramente percebida para se limitar ou evitar a paternidade, o método deverá ser decidido com base nos princípios cristãos. O método primário e óbvio é a abstinência completa de relações sexuais (tanto quanto for necessário), em uma vida de discipulado e de auto-controle, no poder do Espírito Santo. No entanto, nos casos em que há essa obrigação moral claramente percebida para limitar ou evitar a paternidade, e onde existe uma razão moralmente forte para evitar a abstinência completa, a Conferência concorda que outros métodos podem ser utilizados, desde que isso seja feito à luz dos mesmos princípios cristãos. A Conferência relembra a sua firme condenação do uso de qualquer método de controle de concepção por motivos de egoísmo, de luxúria, ou de mera conveniência”.

Com essa votação, a unidade moral tradicional da cristandade sobre este assunto foi quebrada.

Nos anos anteriores – nas Conferências de Lambeth de 1908,1914 e 1920 – os líderes da Igreja Anglicana sentiram a pressão para uma mudança no ensino da moral tradicional. Mas eles tinham respondido a essa pressão reiterando sua posição tradicional.

“Lançamos um enfático alerta contra o uso de meios não naturais para evitar a concepção, juntamente com os graves perigos – físicos, morais e religiosos – assim decorrentes, e contra os males com os quais a expansão de tal uso ameaça a raça humana. Em oposição ao ensino que, em nome da ciência e da religião, incentiva as pessoas casadas no cultivo deliberado da união sexual como um fim em si mesmo, nós defendemos firmemente aquilo que deve ser sempre considerado como a razão principal do matrimônio cristão. Uma é o objetivo principal pelo qual o casamento existe – qual seja, a continuação da raça através do dom e da procriação dos filhos –, a outra é a importância fundamental na vida de um auto-controle deliberado e consciente."

Debates semelhantes estavam em curso em muitas outras denominações religiosas. Os judeus ortodoxos continuaram com a norma moral tradicional, mas judeus reformados já tinham se afastado do antigo consenso. A Conferência Central dos Rabinos Americanos tinha tomado uma posição em favor de contracepção em 1929.

O Conselho Federal de Igrejas dos Estados Unidos (que hoje é conhecido como o Conselho Nacional de Igrejas), aparentemente estava à espera de algum outro grupo para assumir a liderança na “modernização” dos padrões cristãos sobre controle de natalidade. Em março de 1931, esse conselho seguiu a Conferência de Lambeth e aprovou “o uso cuidadoso e restrito de contraceptivos por pessoas casadas”, enquanto ao mesmo tempo ainda admitia que “graves males, como as relações sexuais extraconjugais, podem ser aumentados pelo uso geral de contraceptivos.”

No entanto, as afirmações lançadas após a declaração de Lambeth por grupos de líderes de outras igrejas cristãs, e até mesmo pela mídia secular, ilustram vividamente quão diferente as igrejas viam o ato sexual naqueles dias. Rapidamente, ainda com as declarações recentemente feitas por parte da Igreja Anglicana e do Conselho de Igrejas, seguiram-se declarações radicalmente diferentes:

Dr. Walter Maier, do Seminário Teológico Luterano Concórdia:

“O controle de natalidade, como popularmente é entendido hoje, envolvendo o uso de contraceptivos, é uma das aberrações modernas mais repugnantes, representando uma renovação da decadência pagã em pleno século 20”

Bispo Chandler Warren, da Igreja Metodista Episcopal do Sul:

“Todo o nojento movimento [de controle de natalidade] se baseia na suposição de igualdade do homem com os animais .... A declaração [do Conselho Federal de Igrejas] sobre a questão do controle de natalidade não tem autorização de nenhuma das igrejas que o representam, e o que foi dito eu considero extremamente lamentável, para não usar palavras mais fortes. Esta declaração certamente não representa a Igreja Metodista, e duvido que represente qualquer outra igreja protestante naquilo que foi dito sobre este assunto.”

Igreja Presbiteriana (2 de abril de 1931):

“O pronunciamento recente [do Conselho Federal de Igrejas] sobre controle de natalidade deve ser razão suficiente, se não houver outra, para retirar nosso apoio àquele organismo, que alega falar em nome da igrejas Presbiteriana e de outras igrejas protestantes em pronunciamentos “ex cathedra.”

A Convenção Batista do Sul:

“ Nossa Convenção exprime a sua desaprovação acerca ... do projeto de lei, atualmente pendente perante o Congresso dos Estados Unidos, cujo objetivo é viabilizar e assegurar a divulgação de informações sobre métodos anticoncepcionais e controle da natalidade; seja qual for a intenção e motivo de tal proposta, não podemos senão acreditar que tal legislação será degradante em seu caráter e irá provar ser muito prejudicial para a moral de nossa nação.”

Mesmo jornalistas seculares ficaram chocados com os novos ensinamentos provenientes de alguns órgãos de algumas igrejas protestantes. O Washington Post reagiu à declaração do Conselho Federal de Igrejas, com um editorial veemente, argumentando:

“Se for levado às suas conseqüências lógicas, o relatório da comissão, se levado a efeito, será a sentença de morte do casamento enquanto instituição sagrada, devido ao estabelecimento de práticas degradantes que visam promover a imoralidade indiscriminada. A sugestão de que o uso de contraceptivos legalizados poderia ser ‘cuidadosa e contida’ é absurda”.

Dois dias depois, relutante em deixar de lado o assunto, o Post acrescentou uma outra porção de desprezo editorial:

“É a desgraça das igrejas que elas sejam muitas vezes mal utilizadas por visionários para a promoção de ‘reformas’ em campos estranhos à religião. O afastamento dos ensinamentos cristãos da normalidade é surpreendente em muitos casos, deixando o espectador horrorizado com a má vontade de algumas igrejas em ensinar 'Cristo, e Cristo crucificado'. Se as igrejas estão se tornando organizações de propaganda política e científica, elas deveriam ser honestas e rejeitar a Bíblia, zombar de Cristo considerando-o como um professor obsoleto e anti-científico, e se apresentar corajosamente como líderes da política e da ciência, e como substitutos da religião dos velhos tempos.”

Não foi surpresa que a Igreja Católica tivesse continuado firme em sua condenação da contracepção. Várias semanas depois da declaração revolucionária da Conferência de Lambeth, o Papa Pio XI explicou na Encíclica Casti Connubi:

“Para que ela [a Igreja Católica] possa preservar a castidade da união conjugal da contaminação dessa mancha suja, ela levanta sua voz como embaixadora divina e através de nossa boca proclama de novo: qualquer uso do matrimônio exercido de uma maneira tal que o ato seja deliberadamente frustrado em seu poder natural de gerar a vida é uma ofensa contra a lei de Deus e da natureza, e aqueles que se entregam a tais atos são marcados com a culpa de um pecado grave.”

Embora a posição doutrinária da Igreja Católica continue a ser clara, e tenha sido freqüentemente reiterada por Roma, a resposta da maioria dos católicos nos Estados Unidos foi, na melhor das hipóteses, o silêncio; a prática de casais católicos é semelhante ao da maioria dos americanos. O estudo mais abrangente sobre os hábitos de controle de natalidade dos norte-americanos foi a Pesquisa Nacional de Crescimento Familiar de 1988, que também coletou dados sobre a filiação religiosa dos entrevistados. Em 1988, 72 por cento de todas as mulheres católicas casadas em idade fértil utilizavam contracepção artificial. Dessas, 55 por cento disseram que contavam com a pílula anticoncepcional, 22 por cento com laqueadura tubária, 12 por cento com vasectomia e 11 por cento com outros métodos.

Consequências da contracepção

A mudança nas atitudes em relação à contracepção envolveu uma mudança no entendimento do homem sobre seu relacionamento com Deus, com o sexo oposto, e consigo mesmo.

Tanto quanto a razão pode saber, o maior ato criativo de Deus é a criação do homem. No ato sexual, o Criador faz do ser humano seu “co-criador”, pois homem e Deus se juntam quando um outro ser humano é trazido à existência, para viver por toda a eternidade. Na tradição ortodoxa judaica, o ato sexual é convincentemente comparado com a entrada no Santo dos Santos no Templo de Deus – encontrar Deus onde ele está especialmente presente.

Para a pessoa casada que usa resolutamente de contracepção, e que vai louvar a Deus no Sábado, sua posição diante de Deus é invadida por uma contradição intrínseca. Na verdade, ela diz: “Eu adoro você como meu Criador, mas eu me recuso a participar convosco como co-criador nos atos mais importantes... trazer para a existência aquele próximo ser humano que Vós pretendeis dotar de existência por toda a eternidade”. A contradição é profunda, assim como são as conseqüências.

A prática da contracepção afasta o homem de seus fundamentos ontológicos e psicológicos. O ato sexual, enquanto estiver aberto à vida, tem o efeito de manter o ser humano, no mínimo, orientado para “o outro”. Sem esse mínimo, o homem tende a transformar o ato em algo “somente para o próprio prazer”. O mais prazeroso dos atos é transformado de “centrado no outro”, para “centrado em si mesmo”. O rearranjo das atitudes e disposições psicológicas produz rapidamente uma mudança nas relações com o cônjuge, com os membros do sexo oposto, e com os filhos. Os resultados – tão claros nas estatísticas – incluem o divórcio, nascimentos fora do casamento, abortos e crianças abandonadas ou maltratadas.


O debate político

O futuro da sociedade depende do surgimento de jovens adultos competentes. Esse surgimento depende, por sua vez, dos esforços de pais amorosos. Pais amorosos são aqueles que têm corações generosos: a disposição para doar-se em prol de outrem. A contracepção inverte as tendências naturais dos pais, e endurece seus corações. Essa inversão psicológica tem efeitos inevitáveis sobre os filhos, que ficam propensos a desenvolver a mesma visão distorcida da sexualidade, e transmitir as mesmas atitudes para a próxima geração.

O debate público atual sobre a homossexualidade é apenas o último estágio de um velho conflito, que opõe uma visão gnóstica do homem contra o ponto de vista da lei natural, na qual o significado da vida humana e da ação humana está centrado no Criador. A luta para controlar a compreensão da sociedade sobre o significado e o propósito do ato sexual está no cerne deste velho conflito, um dos mais antigos e com maiores conseqüências da história da humanidade.

Ao mesmo tempo, essa disputa profunda pode ser expressa em termos bastante simples. Se as pessoas heterossexuais não podem assumir as responsabilidades implicadas na heterossexualidade, como então podem elas pedir à pessoa com inclinações homossexuais para assumir o "fardo" da sua luta pela castidade? Se os heterossexuais distorcem o relacionamento entre homem e mulher em seu nível mais íntimo, através da sua decisão de evitar a geração de uma nova vida, como então podem eles razoavelmente pedir àqueles que são orientados de maneira diferente para que resistam à sua própria tentação particular de distorcer as próprias vidas?

Na verdade, a maior parte da hoje "américa heterossexual" está agora perigosamente perto, em suas atitudes e suas orientações, dos mesmos sintomas que estão no coração da desordem afetiva homossexual: a centralização em si mesmo. Os Estados Unidos criaram uma cultura da rejeição, que é incapaz de prover o antídoto para a cultura homossexual. Os heterossexuais não podem afirmar a humanidade do marido e da mulher e ao mesmo tempo negar seus frutos, os filhos. A comunidade heterossexual que hoje teme ter filhos e os rejeita não pode ensinar muito para o homossexual em seu grito mais complexo de aceitação e de amor. Heterossexuais que insistem em certo desenvolvimento sexual para si, não podem fazer nada além de concordar com o mesmo comportamento quando ele é exibido entre homossexuais.

Os enormes transtornos sociais e psicológicos que vemos ao nosso redor não são fruto da “comunidade gay”. Nossos problemas atuais – incluindo mesmo o próprio movimento de “direitos gays” – surgiram como resultado de desordens que se tornaram predominantes primeiramente entre os heterossexuais. Se queremos tirar o cisco do olho dos nossos irmãos “gays”, talvez devêssemos primeiro remover a trave de nossos olhos. Se quisermos desenvolver a atitude de amor e carinho que é fundamental para ajudar os membros da “cultura gay” a superar a sua inversão, então nós precisamos primeiro recuperar a nossa compreensão da relação entre amor, sexualidade e compromisso permanente para com cônjuge e filhos. Devemos reconhecer primeiro as crianças que cada um de nós tem sido chamado a "co-criar" e a amar, e devemos mostrar o nosso amor tanto para com as crianças que já estão neste mundo quanto para com as que ainda virão ao mundo. Do contrário, se as duas inversões – heterossexual e homossexual – continuarem a se reforçar uma à outra, o futuro de fato é sombrio; especialmente sombrio para as crianças, e para a sociedade que essas crianças serão capazes de construir.
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Fagan, Patrick F. "A ‘Culture’ of Inverted Sexuality". Catholic World Report (Novembro, 1998).

O AUTOR
Patrick F. Fagan é o “Senior Fellow” William H.G. FitzGerald em questões familiares e culturais da Fundação Heritage, em Washington, DC. Uma versão deste ensaio foi originalmente apresentada em um seminário patrocinado pela Instituto Público Americano de Filosofia; os trabalhos daquele seminário serão publicados em um conjunto de dois volumes, com o primeiro volume para janeiro de 1999, em edição de Spence Publishing, de Dallas, Texas.
Copyright © 2000 Catholic World Report

Traduzido de:
http://catholiceducation.org/articles/sexuality/se0049.html