terça-feira, 30 de março de 2010

Estatísticas sobre o casamento


As estatísticas mostram claramente os benefícios que as pessoas casadas experimentam: maiores rendimentos, maior apoio emocional, e uma vida mais saudável e longa. Tendo como base décadas de dados estatísticas sobre casamento, a professora da Universidade de Chicago, Linda Waite e a pesquisadora Maggie Gallagher afirmam, no livro “The Case for Marriage”, que: “A evidência de quatro décadas de pesquisa é surpreendentemente clara: um bom casamento é, para homens e mulheres, a melhor aposta para uma vida longa e saudável”. A professora Waite considera que “a relação entre casamento e óbito já atingiu o estatuto de verdade, tendo sido observada através de numerosas sociedades e entre os diversos grupos sociais e demográficos”.

De fato o Dr. Robert Coombs, da UCLA, também monitorou cuidadosamente estatísticas mostrando que o casamento impacta no bem-estar. "Praticamente todos os estudos de mortalidade e estado conjugal mostram que os solteiros de ambos os sexos têm maiores taxas de mortalidade, seja por acidente, doença ou ferimentos auto-infligidos, e isso é encontrado em todos os países que mantém estatísticas de saúde precisas", explica o Dr. Coombs.

Hoje nos Estados Unidos há cerca de 5 milhões de casais coabitando. No entanto, as ciências sociais mostram claramente que um relacionamento de coabitação entre parceiros não pode replicar os benefícios do casamento. A coabitação não consegue alcançar os mesmos resultados benéficos como o casamento, porque nela não há compromisso e fidelidade.

Os pesquisadores Michael Newcomb e P.M. Bentler encontraram notáveis reduções na qualidade relacional e na estabilidade: "Concubinos experimentaram dificuldade significativamente maior em suas uniões com respeito a adultério, álcool, drogas e independência do que os casais que não tinham coabitado. Aparentemente, isso torna o casamento precedido de coabitação uma experiência mais propensa a problemas, muitas vezes associados a outros estilos de vida desviante - por exemplo, o uso de drogas e álcool, relações sexuais mais permissivas, e uma aversão à dependência - do que casamentos não precedidos de coabitação".

Mas com empenho e fidelidade, de acordo com Glenn Stanton em “Why Marriage Matters”, as estatísticas sobre casamento provam que ele:

* Fornece os níveis mais altos de prazer sexual e satisfação para os homens e mulheres
* Protege contra o sentimento de solidão
* Protege as mulheres da violência doméstica e em geral
* Reforça a capacidade dos pais de criar os filhos
* Ajuda os pais a serem profissionais melhores e mais confiáveis
* Aumenta o rendimento individual e a poupança

Como a melhor aposta para uma vida longa e saudável, o casamento é o meio exclusivo, poderoso, e comprovado através do qual o mundo pode revolucionar os males sociais e nossa perspectiva para o futuro.
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Fontes: “Why Marriage Matters”, de Glenn T. Stanton, 1997.
“The Case for Marriage”, de Linda Waite & Maggie Gallagher, 2000.

Traduzido de “Abstinence and Marriage Partnership”:
http://www.ampartnership.org/MarriageStatistics.asp

sexta-feira, 26 de março de 2010

Palestras

Estou disponível para dar palestras, formações, retiros sobre castidade e sobre Teologia do Corpo em seu grupo de oração, paróquia ou comunidade.
Entre em contato pelo e-mail:
vidaecastidade@gmail.com
Moro em Fortaleza-CE, mas a possibilidade de formações em outras cidades pode ser analisada.
Visite também o canal Vida e Castidade no You Tube:
www.youtube.com.br/vidaecastidade
A paz de Cristo!
Daniel Pinheiro

quinta-feira, 25 de março de 2010

Como lidar com o desejo sexual

Por Christopher West

Minhas colunas recentes sobre a "redenção sexual" continuam a despertar interesse. Um católico consciencioso escreveu para mim depois da minha última coluna pedindo algumas sugestões práticas para se viver a redenção da sexualidade. O que segue é adaptado de uma entrevista recente sobre o mesmo assunto.

João Paulo II escreveu que, para se experimentar a vitória sobre a luxúria, devemos nos dedicar a "uma educação progressiva do auto-controle da vontade, dos sentimentos, das emoções, que deve ser desenvolvida desde os mais simples gestos, nos quais é relativamente fácil colocar a decisão interior em prática" (TC 24/10/1984)*. Por exemplo, podemos analisar os nossos hábitos alimentares. Se uma pessoa não consegue dizer não a um pedaço de bolo, como poderá dizer não para um e-mail pedindo para olhar pornografia na Internet? O jejum é uma forma maravilhosa de crescer no domínio de nossas paixões. Se isso ainda não é parte da vida de uma pessoa, ela deve começar com um simples sacrifício que seja relativamente fácil de pôr em prática. À medida que se continua exercitando esse “músculo”, ela continuará vendo sua força aumentar. O que antes era "impossível" gradualmente se torna possível.

A analogia do músculo, porém, é apenas parcialmente correta. Crescer na pureza certamente exige esforço humano, mas também somos ajudados pela graça sobrenatural. Aqui, como eu disse em um artigo anterior, é fundamental distinguir entre a repressão e a entrada na redenção. Quando o desejo "se acende", em vez de reprimi-lo, empurrando-o para o subconsciente, tentando ignorá-lo, ou ainda procurando aniquilá-lo, podemos ao invés entregar as nossas paixões a Cristo e permitir que ele as "crucifique" (cf. Gal 5, 24). Ao fazermos isso, "o Espírito do Senhor dá forma nova aos nossos desejos" (Catecismo da Igreja Católica, 2764).

Em outras palavras, ao permitir que a luxúria seja "crucificada", chegamos também a experimentar a "ressurreição" do desejo sexual como Deus o quer. Não imediatamente, não facilmente, mas gradualmente, progressivamente, à medida que tomamos a nossa cruz de cada dia. Só assim poderemos vir a experimentar o desejo sexual como o poder de amar à imagem de Deus.

Quando as tentações sexuais nos assaltam, como normalmente acontece, podemos dizer uma oração como esta: “Senhor, eu vos agradeço pelo dom de meus desejos sexuais. Eu entrego meus desejos desordenados ao Senhor, e peço, por favor, pelo poder de vossa morte e ressurreição, que corrijais em mim as distorções que o pecado produziu, para que eu possa vir a sentir desejo sexual do modo como desejais – como o desejo de amar como vós amais, à vossa imagem”.

Como João Paulo II escreveu na sua Teologia do Corpo, "perseverança e coerência" são necessárias para aprender "o que é o significado do corpo, o significado da feminilidade e da masculinidade... Isso é uma ciência que não pode realmente ser aprendida apenas de livros, porque consiste primariamente em um profundo conhecimento ‘da interioridade humana’", isto é, do coração humano. No fundo do coração aprendemos a distinguir os tesouros místicos da sexualidade daquilo que traz apenas a marca da luxúria. "Deve-se acrescentar," diz João Paulo, "que essa tarefa pode ser realizada e que é verdadeiramente digna do homem" (TC 12/11/1980).



Certamente é verdade que às vezes o amor e a luxúria são difíceis de distinguir. Um homem, por exemplo, ao reconhecer a beleza de uma mulher, deve estar se perguntando onde está o limite entre vê-la como um objeto para sua própria gratificação e admirar ternamente sua beleza. Como escreve João Paulo II, a luxúria ou concupiscência “nem sempre é sempre simples e óbvia; às vezes está escondida, de modo que se faz passar por ‘amor’... Isso significa que devemos desconfiar do coração humano? Não!", o Papa insiste. "É só para dizer que temos de permanecer no controle dele" (TC 23/07/1980).

"Controle" aqui não significa apenas dominar os desejos desordenados a fim de mantê-los "sob vigilância". À medida que amadurecemos no auto-controle, passamos a experimentá-lo como "a capacidade de orientar as reações [sexuais], tanto com relação ao seu conteúdo quanto ao seu caráter" (TC 31/10/1984). A pessoa que é verdadeiramente senhora de si mesmo é capaz de dirigir o desejo erótico "para o que é verdadeiro, bom e belo" (TC 12/11/1980). Quando isso acontece passamos a compreender e experimentar o mistério da sexualidade "em uma profundidade, simplicidade e beleza até então completamente desconhecidas" (TC 04/07/1984). Por sua vez, passamos a perceber que a versão da sexualidade promovida pela cultura é como “lixo” em comparação com o banquete do amor revelado no plano divino.
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* A sigla TC refere-se à “Teologia do Corpo”, e a data ao lado da sigla diz respeito ao dia da audiência em que o trecho foi retirado. A Teologia do Corpo constitui-se na coletânea de 129 catequeses proferidas por João Paulo II durante as audiências gerais de quarta-feira no Vaticano.

Traduzido de: http://www.christopherwest.com/page.asp?ContentID=136
Visite a página do autor.

sábado, 20 de março de 2010

Remédio Irresistível

Estamos chegando ao final da Quaresma, período de penitência, de jejum, oração e esmola. Estamos também no Ano Sacerdotal, lembrando-nos da figura de São João Maria Vianney.

São João Vianney foi o pároco mais famoso do século 19. Seu confessionário, na sua paróquia de Ars (França) tinha, noite e dia, filas longuíssimas de penitentes aguardando para se confessar com ele. Uma vez um jovem sacerdote lhe disse: "Padre, ensina-me um remédio bem efetivo para conservar a própria castidade e conseguir que os outros se conservem castos". E o santo sacerdote lhe disse: "Veja: o demônio se ri de outros que fazem muitos propósitos e empregam muitas técnicas. Mas o que derrota os planos impuros do diabo e os faz fracassar completamente é mortificar-se no comer, no beber, no olhar e no dormir. Nada destrói tanto os planos impuros do inimigo da alma como isso, e poucas coisas são tão agradáveis a Deus como fazer sacrifícios no comer, no beber, no dormir e no olhar. Oh, sim, eu pude experimentar isso em meus 40 anos de sacerdócio: quando conseguia fazer bastante sacrifícios, conseguia de Deus tudo que de bom desejava para mim e para os outros.

Com razão São Vicente respondeu quando lhe perguntaram por que tantas pessoas não conseguiam a castidade apesar de fazer propósitos muito bons: "Não conseguem a castidade porque não se negam a si mesmos, e não fazem sacrifícios". Ainda que alguém seja tão puro quanto um anjo, se deixa de fazer sacrifícios e de negar a si mesmo, poderá chegar a ser tão impuro quanto um demônio.
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Retirado do livro: "Pureza o castidad", do Pe. Eliécer Sálesman (Apostolado Bíblico Católico de Bogotá, Colômbia)

sábado, 13 de março de 2010

Longe de saber o que é o amor

12 de março de 2010 por Steve Pokorny

Aparentemente, a luxúria não está fora de moda. Claro, ela tem se mostrado presente desde a época da ação duvidosa de Adão e Eva. Mas eu sempre me fascino pela forma com que ela é reapresentada.

Vejamos os últimos Jogos Olímpicos de Inverno. Para grande parte do público desavisado, os acontecimentos pareciam ser muito familiares, um divertimento bom e limpo. O que a maioria das pessoas não sabe é que há um lado muito mais sombrio no interior da verdadeira fortaleza chamada de “Vila Olímpica”, dentro das quais os atletas são basicamente prisioneiros em seu próprio castelo.

Os atletas treinam e se sacrificam por anos em busca de sua chance de tentar a glória, e depois de competir em sua modalidade, eles podem enfim relaxar. Mas, aparentemente, eles aproveitam esse relaxamento para algo mais.

Um número de 100.000 preservativos foi distribuído gratuitamente por entre os cerca de 7.000 atletas e oficiais. Isso significa cerca de 14 preservativos por pessoa. No entanto, o que é mais notável é que a Fundação Canadense para a AIDS (CanfAR) teve que trazer “emergencialmente” um fornecimento extra de 8.500 preservativos, isso "para o alívio da libido dos atletas".

Aparentemente, eles vêm entregando preservativos como se fosse doce, desde os Jogos de Barcelona em 1992. Mas esta é a primeira vez que eles quase esgotaram.

Voltemos a 2008, onde os chineses também forneceram 100.000 preservativos nos Jogos Olímpicos de Pequim. Seu raciocínio? "Há muitas pessoas jovens, fortes, solteiras na vila dos atletas e, como em toda parte, alguns vão se apaixonar ou outras coisas, por isso nós precisamos disponibilizar preservativos."


Certamente, talvez algumas pessoas vão ter a experiência do que eles acham que é o amor. Mas na verdade eu acho que os preservativos são necessários por conta dessas "outras coisas". Nas palavras de Matt Syed, comentando sobre sua experiência da “festa de sexo” chamada de Olimpíadas:

“Lá estavam as lindas voluntárias – para ajudar os atletas – em suas brilhantes camisas amarelas e saias pretas; havia as adoráveis indígenas que vieram para assistir as competições. E depois havia as atletas – literalmente milhares delas – se exibindo, dançando, passeando e correndo ao redor da vila, vestidas em Lycra e expondo centímetro após centímetro de carne brilhante, forte, ondulada e inimaginavelmente exótica. Mulheres de todos os países do mundo: musculosas, viris, atléticas e transbordando estrogênio. Passei tanto tempo em um estado de luxúria que poderia ter desmaiado.”

Ah, então aqui está a verdade. Para começo de história a distribuição de milhares de preservativos nunca teve nada a ver com amor. Ela sempre esteve ligada com a satisfação da luxúria desenfreada.

Grande parte do mundo moderno nem sequer se preocupou com essa situação. Eles acham que isso é normal. Eles pensam que é "normal" distribuir preservativos "extra-pequenos" para que os garotos de 12 a 14 anos possam saciar seus desejos. Eles acham "normal" que na Copa do Mundo este ano na África do Sul vai haver uma distribuição de um bilhão de preservativos, com 42 milhões deles sendo enviados da Grã-Bretanha, de modo que os 45.000 visitantes de países estrangeiros possam entreter-se com as 42.000 prostitutas que estarão sendo esperadas.

Não deve causar surpresa em ninguém que quando João Paulo II, o Grande, declarou que os maridos não tem permissão para ter luxúria (concupiscência ou desejo desordenado) com relação a suas esposas, a mídia ficou furiosa com ele. A seus olhos, ele é o único anormal (como um comentarista disse, "Eu não tenho certeza o que vocês italianos fazem com suas esposas, mas nós, americanos, temos luxúria com relação às nossas mulheres".)

Para a grande maioria do mundo moderno, eles não vêem diferença entre amor e luxúria. Basta ver as últimas revistas Cosmo (tipo “Capricho”, “TodaTeen” etc.) e você nunca verá a palavra "amor" na capa. Porque eles realmente acreditam, com toda a sua libido, que esta é a maneira como o mundo é, que esta é a maneira como deve ser, que se você ama alguém, você trocar fluidos corporais com essa pessoa, ter uma relação íntima de 30 minutos e então seguir adiante.

O problema é o seguinte: isso não é normal. As coisas do jeito que estão não é a maneira como deveria ser.

Porque o problema com todo esse uso de látex não é que os preservativos quebram, escorregam, ficam velhos e se deterioram mesmo nas melhores condições, podem ser quebrados ou rasgados em seus pacotes, têm taxas admissíveis de defeitos de fabricação, ou que o processo de 10 a 16 etapas para o uso seguro muitas vezes não é seguido, ou que secreções corporais podem extravasar ou escapar de um preservativo, mesmo que ele esteja funcionando perfeitamente.

O principal problema é que não há camisinha para o coração. Pois a pessoa humana foi criada para fazer de si um dom sincero para outra pessoa (cf. Gaudium et Spes 24), algo também conhecido como amar. Para ser pleno, completo, o ser humano tem de entregar a totalidade de si mesmo, não guardando nada para si. A pessoa humana é feita para o amor, e nós temos o dever de sempre ver cada pessoa como alguém para amar, e não como um objeto para usar. A luxúria sempre reduz a uma pessoa a um nível quase de um objeto (dizemos quase porque uma pessoa nunca pode perder a sua dignidade enquanto filho ou filha de Deus). Um ato de luxúria jamais pode ser um ato de amor, porque os dois são opostos, pois quando uma pessoa se torna um objeto de uso, é certo que o amor atrofia.

O ato sexual fala a linguagem em que eu me entrego, me dôo totalmente à outra pessoa. No fundo do nosso coração, queremos dar-nos totalmente e plenamente receber outra pessoa. Nós não queremos construir uma parede entre nós e o outro, especialmente neste ato mais íntimo. E quando alguém guardando algo para si, mesmo que um acordo verbal seja feito, de alguma forma, de alguma maneira, isso vai afetar o relacionamento de uma forma muito negativa. As gerações daqueles que usaram de contracepção deixaram para trás um legado de divórcio que testemunha os efeitos nocivos que isso teve sobre a relação fundamental do casamento.

Se o desejo sexual torna-se apenas a expressão da vontade de contato físico, então o dom total de si se transforma em um ato de usar outra pessoa para a própria gratificação egoísta. Em outras palavras, o amor é substituído pela luxúria. E se o que estamos fazendo não é amor, então nunca vamos ficar satisfeitos. E é exatamente por isso que o mundo moderno, nas palavras de Mick Jagger, “não consegue satisfação” (“can’t get no satisfaction”).

Quando Jesus falou sobre a luxúria, ele não estava sendo um estraga-prazeres. Ele não estava tentando tirar a nossa alegria, nosso prazer. Ele estava tentando chamar atenção para o fato de que essas fantasias eróticas nunca vão saciar os nossos desejos de amor eterno. O mais importante, Ele estava tentando nos mostrar que existe uma maneira diferente de sentir, pensar e agir que está em conformidade com a nossa dignidade e com o que realmente vai nos satisfazer, por muito mais tempo do que simplesmente por um momento em uma noite só.

Talvez depois de todos esses preservativos terem sido distribuídos, e todos os corações terem sido quebrados, as pessoas comecem a acordar para o fato de que o estilo “sexo casual” não está funcionando. Talvez eles venham tentar de outra maneira. Talvez, apenas talvez, venham a ter uma pista sobre o que é o amor.
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Steve Pokorny, Diretor do TOB Ministries (tobministries.com), especializado em falar para jovens e adultos sobre o dom da sexualidade. Steve tem um mestrado em Teologia e Catequese na Universidade Franciscana de Steubenville, um Mestrado no Instituto João Paulo II de Estudos para o Matrimônio e a Família, e recebeu treinamento no Instituto de Teologia do Corpo americano. Ele atualmente é Diretor da Pastoral para o Casamento e a Família na Arquidiocese de San Antonio. Ele é editor associado do canal Teologia do Corpo da Catholic Exchange (tob.catholicexchange.com), e seu blog é truesexualrevolution.blogspot.com. Ele é casado e vive em San Antonio.

Artigo traduzido de: http://tob.catholicexchange.com/2010/03/12/1772/

segunda-feira, 8 de março de 2010

A Importância de se vestir com dignidade

26 de fevereiro de 2010
por Robert Colquhoun

Há uma diferença entre vestir de forma atraente e se vestir para atrair. Em seu livro fascinante, Colleen Hammond descreve como é viver a vida "se vestindo com dignidade." Ela descreve por que isso é tão importante para manter o padrão moral da sociedade e como pode ser danosa culturalmente a investida moderna de roupas indecentes.

Os anunciantes entendem algumas verdades simples da psicologia masculina. A lei de fechamento diz que os seres humanos tendem a completar um espaço através do preenchimento do contorno, ignorando as lacunas na figura. A lei da continuação demonstra como os seres humanos tendem a continuar contornos sempre que os elementos de um padrão estabelecem uma direção implícita. A Psicologia da Gestalt descreve a capacidade da mente humana de “formar formas”. Todas essas idéias ressaltam o fato de que quando as mulheres usam roupas sugestivas, os homens vão terminar a imagem com sua imaginação. Homens são estimulados visualmente, enquanto as mulheres, de forma geral, confiam mais na comunicação verbal e nos seus sentimentos. Muitas mulheres não conseguem perceber a influência que sua atitude de vestir roupas sexualmente sugestivas tem sobre os outros.

A modéstia está intimamente relacionada ao mistério. Alice von Hildebrand disse que "Vestir-se modestamente é a resposta adequada que as mulheres devem dar ao seu 'mistério'." Quando pouco é deixado para a imaginação, o mistério desaparece porque tudo é mostrado. As coisas são cobertas ou veladas quando possuem uma grande importância. A modéstia ajuda a proteger a pureza e a virtude resplandecente da castidade, preservando o mistério. Muitos acreditam que a modéstia no vestir é muito mais atraente, digna e elegante. São Bernardo de Claraval, disse, "Como é bela, então, a modéstia, e que jóia entre as virtudes ela é." Em uma recente audição, Cheryl Cole repudiou um grupo pop por usar roupas muito sugestivas, considerando-as de mau gosto.

A vestimenta modesta ajuda a manter a sociedade saudável. Confúcio sabia que as mulheres eram a raiz moral da sociedade, e que a cultura só iria crescer na proporção da força moral de suas mulheres. As culturas entram em colapso se as mulheres – a fibra moral da sociedade – não colocam em prática a modéstia. As tendências imodestas que chegaram no século XX não tinham precedentes históricos. Designers de moda foram desenvolvendo vestidos que mostravam gradualmente mais e mais. Quando o biquíni foi introduzido pela primeira vez, nenhum dos modelos em Paris o usaria nas passarelas. O designer teve que contratar uma dançarina do Casino de Paris. Ela não teve nenhum problema em descer a passarela neste traje de banho!

O Papa João Paulo lidou com a modéstia através de uma análise da vergonha humana, em seu livro "Amor e Responsabilidade. A vergonha tenta esconder as coisas boas e más, porque algumas coisas são melhores quando não estão aos olhos do público. Um dos sentimentos mais poderosos da vergonha é a vergonha sexual.

Segundo João Paulo, nós temos "vergonha sexual em relação àquilo que poderia ser ‘um objeto potencial de uso’ para pessoas de outro sexo" (p. 176). Temos a tendência de cobrir os valores sexuais relacionados com certas partes do corpo, não porque são más, mas porque eles podem ofuscar o bem maior da pessoa. Esta é "uma forma natural de auto-defesa para a pessoa."

Eu não estou defendendo o uso da burca, mas a modéstia no vestir ajuda a proteger o relacionamento entre os sexos e, assim, cria a possibilidade para o desenvolvimento do autêntico amor entre as pessoas. A modéstia ajuda a manter a mulher longe de ser tratada como um objeto de prazer sexual. É por isso que nós queremos nos vestir modestamente, quando estamos com os membros do sexo oposto com quem nós não somos casados. Fora do contexto do amor conjugal, temos de ter cuidado com o “mostrar” valores sexuais, ou então nós podemos nos colocar na posição de “ser usado(a)” pelo sexo oposto.

João Paulo diz que a "modéstia sexual não é uma fuga do amor, mas, ao contrário, a abertura de um caminho para isso. A necessidade espontânea para ocultar valores sexuais ligados à pessoa é o caminho natural para a descoberta do valor da pessoa como tal. "(p. 179).

A modéstia procura inspirar amor – o amor verdadeiro para a pessoa, não apenas uma reação sexual para com o corpo de uma mulher. Uma cultura de mulheres imodestas cria um grupo de homens descomprometidos. Algumas mulheres estão dispostas a entregar-se a homens que elas nem conhecem.

Vestir-se com modéstia é fazer uma declaração sobre a dignidade das mulheres, abrindo a possibilidade para os relacionamentos amorosos. Vestir-se de modo provocativo incentiva os outros a usá-la para gratificação carnal. Nossos corpos não foram feitos simplesmente para serem objetos, em vez disso, devemos usá-los como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm 12,1).

Há uma grande autora chamada Wendy Shalit, que escreveu: "Um retorno à modéstia." Ela acredita que a modéstia é uma grande arma no rejuvenescimento da nossa cultura a fim de restaurar a mística feminina. A revolução sexual falhou porque ignorou a modéstia feminina e a diferença dos sexos, trazendo-nos o assédio, o estupro, distúrbios alimentares, relações casuais sem sentido, e o grande aumento do divórcio. A modéstia, para Shalit, é a prova de que a moralidade é “sexy” e que provavelmente acende o “Eros”.

A modéstia pode até ser uma prova de Deus, porque significa que “fomos feitos de tal forma que, quando nós seres humanos agimos como animais, sem qualquer restrição e sem quaisquer regras, simplesmente não temos tanto ‘divertimento’." Nós fomos criados com uma auto-consciência, uma vontade, razão e desejo de procurar e ansear por algo mais profundo e maior: viver para a grandeza. Kierkegaard, um intelectual dinamarquês, disse que "o que distingue o amor da luxúria é o fato de que ele carrega uma marca da eternidade."

Uma idéia falsa é que a modéstia é para aquelas que são frígidas, puritanas, ou hipócritas. Nada poderia estar mais longe da verdade. A modéstia é muito mais emocionante do que a promiscuidade, porque restaura a dignidade própria da feminilidade.
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Robert Colquhoun é o editor do livro recente: “Pure Heart Create for Me: theology of the body today. “Ele estudou História no King's College de Londres e tem um diploma em filosofia. Ele já trabalhou para os ministérios NET do Canadá, a Aliança Mundial da Juventude e para a Igreja Católica. Robert organizou palestras, seminários, aulas de catecismo e documentos por todo o Reino Unido sobre a verdade e o significado da sexualidade humana

Traduzido de: http://tob.catholicexchange.com/2010/02/26/1442/

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Viagra hoje em dia não é só para os “mais velhos”

Por que a epidemia de disfunção sexual? Porque nós perdemos o sentido da vida sexual...

Por Mary Beth Bonacci
8 de fevereiro de 2007
Mary Beth Bonacci

Fico constantemente espantada com os tipos de anúncios que eu vejo na TV.

Na época que eu era criança, não se podia imaginar que um dia iria haver anúncios de medicamentos. Quem iria querer? As drogas não eram assim muito interessantes. ("Antibióticos. Eles vão fazer a sua infecção bacteriana ir embora em um instante.")

Nossa, como a televisão mudou.

Nos últimos anos, a propaganda de medicamentos tomou conta da televisão. Para ser mais exata, temos visto um grande número de anúncios de Viagra e outros produtos "para a performance masculina”.


O que há de errado nisso tudo?

Nós enquanto cultura parecemos acreditar que a atividade sexual desenfreada é apenas um divertimento bom e limpo. Mas quem imaginaria, há 30 anos, que hoje iríamos necessitar de tanta ajuda farmacológica para isso?

Sério. Quando esses anúncios apareceram pela primeira vez, todos nós pensávamos que o “público-alvo” era formado por homens mais velhos, que estavam avançando na idade e, portanto, precisavam de um pouco de ajuda, bem, "para ficar ligado". Naturalmente, a maioria dos anúncios destacava homens bonitos com cabelos grisalhos passeando na praia com mulheres de meia idade “bem-preservadas”.

Mas, aparentemente, hoje a propaganda não é só para os caras mais velhos.

De tudo o que eu estou lendo e ouvindo, parece que temos uma epidemia de impotência parcial e total entre os homens de todas as idades, bem como uma epidemia "correspondente" de diminuição do prazer sexual entre as mulheres.

Nada mais é "sujo". Lojas pornográficas, anteriormente encontradas somente em bairros decadentes, foram rebatizadas de "lojas de presentes para adultos" e abertas em todos os locais da cidade. Capas de revistas mostrando fotos provocantes, anteriormente escondidas debaixo das caixas das lojas, hoje são orgulhosamente exibidas em bancas, bares e mercearias.

Mas há ainda um pequeno segredo sujo em nossa sociedade. As pessoas podem estar realizando muito mais relações sexuais (ou pelo menos tentando). Mas elas estão gostando muito menos. E ninguém quer admitir isso.

Qual é o problema aqui?

Eu conheço há anos estudos sobre a satisfação sexual que consistentemente revelam os mesmos resultados. As pessoas mais satisfeitas sexualmente na América - as que aparentemente têm melhores e mais freqüentes relações sexuais - são pessoas casadas altamente religiosas, que esperaram para ter relação sexual só no casamento. Eu sempre vi esses estudos como prova de que a relação sexual é melhor quando é feita segundo a vontade de Deus. Ele fez a relação sexual para que ela falasse uma linguagem – a linguagem do amor que é doação de si mesmo. E assim é lógico que ela será mais prazerosa quando acontecer nesse contexto.

Há um elemento de grande vulnerabilidade na expressão sexual. O coração está dizendo "Eu me entrego a você para sempre." Hormônios como a ocitocina estão inundando o cérebro e trabalhando para criar uma forte ligação emocional entre essas duas pessoas. No contexto de um casamento de amor, esses parceiros sabem que essa ligação está acontecendo, e eles estão consentindo e se rendendo totalmente a essa ligação. Existe uma verdadeira segurança e liberdade em saber que essa pessoa está planejando ficar por perto – para sempre.

Mas a atividade sexual entre pessoas "não comprometidas" é diferente. Esse elemento de ligação não é bem-vindo. Tem que ser combatido. Não há liberdade para render-se, nem segurança, nem há garantia de que essa pessoa estará por perto próximo ano ou no próximo mês ou até amanhã.

Aparentemente, isso torna mais difícil desfrutar da atividade sexual.

Este fenômeno, infelizmente, não é específico dos relacionamentos. Não é que uma mulher pode ter relações sexuais insatisfatórias durante os anos de namoro, e depois acontecer facilmente uma transição para uma vida sexual feliz e plena no casamento. Ou que o comportamento promíscuo de um homem, induzido por questões de desempenho, de repente possa ser curado pelo amor da mulher certa. Há uma razão para que os americanos mais sexualmente satisfeitos tenham guardado a relação sexual para o casamento. Hábitos sexuais se formam facilmente. E a disfunção sexual provocada pela promiscuidade antes do casamento muito provavelmente irá acompanhar os jovens homens e mulheres em seus casamentos.

Os americanos parecem não entender isso. Continuamos a desenvolver novos medicamentos, novos suplementos. Nós devoramos livros e artigos de revistas destinadas a "apimentar a vida sexual." Abrimos mais e mais lojas pornô. Toda a gente está tentando trazer de volta o prazer da atividade sexual.

Eu não vejo como essas coisas poderão ajudar. A única maneira pela qual vamos recuperar o prazer sexual é recuperando o sentido da relação sexual. O ato conjugal e o seu sentido andam sempre juntos. O verdadeiro prazer vem quando nós respeitamos a linguagem do sexo, quando a falamos honestamente, no contexto à qual ela pertence.

Em outras palavras, a doença não está em nossas terminações nervosas. Está em nossas almas.
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Traduzido e adaptado de: http://www.reallove.net/articlesContent.asp?AID=51

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Oração a Maria Santíssima Para Guardar a Santa Pureza



1. Coração Puríssimo de Maria, por vosso amor e com vosso auxílio, estou resolvido a não consentir, neste dia, em nenhum pensamento impuro. Ajudai-me, Senhora, a afastá-los logo. Ave Maria.
2. Coração Puríssimo de Maria por vosso amor e com vosso auxílio, estou resolvido a não proferir, neste dia, palavra alguma indecente. Purificai, Senhora, a minha língua. Ave Maria.
3. Coração Puríssimo de Maria por vosso amor e com vosso auxílio, estou resolvido a guardar, neste dia, especial modéstia em todas as minhas ações. Ó Senhora minha! Ó minha Mãe! Impetrai-me a graça de sempre e em tudo dar gosto ao vosso Puríssimo Coração. Ave Maria.
Meu Jesus,
Fazei-me puro. Puro nos olhos, pensamentos e nas ações.
Fazei-me humilde, que eu sempre desconfie de mim mesmo e não me exponha ao perigo do pecado.
Fazei-me penitente, dai-me amor ao sofrimento; tanto sofrestes por mim, que quero sofrer por vós.
Fazei-me generoso, para que eu nada vos recuse e toda a minha seja vossa.
Fazei-me zeloso pela Glória de Deus e pela Salvação das almas
Meu Jesus, fazei-me obediente aos meus pais e superiores.
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Do Livro de Orações da Adm. Apostólica S. J. Maria Vianney, de Campos-RJ

Hoje ainda se pode falar em pudor?

Por Dom Aloísio Roque Oppermann

Seg, 22 de Fevereiro de 2010 - CNBB

À primeira vista isso é assunto para se envergonhar. Parece ser tema que sobrou dos tempos de antanho. Nos dias atuais estaríamos acima de tal preconceito. Sentir pudor (vergonha) seria um ensinamento equivocado de nossas mães. Na intenção delas, cultivar esse sentimento seria para salvaguardar valores, imprimir autoestima pelo nosso corpo, e transmitir respeito diante de outras pessoas. Mas eu acho que isso não vem só de nossas mães.

O fato é que sentir vergonha é uma defesa que se encontra no meio de todos os povos. Tive ocasião, de no mês de outubro de 2009, estar na aldeia Surucucu, na Amazônia, onde vivem indígenas Yanomami, dos mais primitivos do planeta. Eles não usam roupas, mas tanto eles como elas, usam o assim chamado tapa-sexo. Nenhum cara pálida ensinou isso a eles. Está na tradição mais antiga daquele povo. Nem admitem tirar fotos (desejo de privacidade). Disso concluo que nossas queridas mães apenas reforçam essa educação. O recato e a decência, estão no nosso sangue. Não sentir pudor parece indicar que não apresentamos diante de outrem, a riqueza da nossa personalidade. Mas selecionamos uma oferta carnal, reducionista de nós mesmos, sem a grandeza do amor.

Considero esse sentimento um valor a ser preservado. É como honrar pai e mãe, princípio que não pode ser eliminado jamais. O Ministério da Educação querer oferecer, gratuitamente, camisinhas nas escolas, é o cúmulo da deseducação, pois ensina a vilipendiar o corpo e a menosprezar o amor. Já na segunda página da Bíblia lemos:”Tive medo, porque estou nu, e me escondi” (Gen 3, 10). Todos nós, por sentimento de pudor, não admitimos conversas íntimas com qualquer pessoa. Os segredos de nossa vida particular, não revelamos em público. Perguntas indiscretas não merecem resposta. Na nossa casa não deixamos entrar estranhos. Até a polícia precisa ter autorização para adentrar nossa residência. Queiram-me bem. O Carnaval no Brasil é um acontecimento fantástico, expressão da mais forte alegria. Mas não aprecio as insinuações de nudismo, e as exibições desinibidas. Garantidamente, onde não existe pudor, não há castidade. E esta é um alto valor da vida humana. O povo não diz diante de pessoas despudoradas: “não tem vergonha na cara”? A nova geração deve ser ajudada, para aprender que o recato é uma riqueza da vida.
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Extraído de: http://www.cnbb.org.br/site/artigos-dos-bispos/dom-aloisio-roque-oppermann/2115-hoje-ainda-se-pode-falar-em-pudor

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Falsos mitos sobre a modéstia

Por Wendy Shalit

Um primeiro passo para revitalizar o respeito à modéstia em nossa cultura é atacar os mitos que tentam miná-la. Deixe-me falar de quatro deles.

O primeiro mito é que a modéstia seria “vitoriana” (1). Mas onde fica nisso a história de Rebeca e Isaac? Quando Rebecca vê Isaac e se cobre, não é porque ela está tentando ser vitoriana. Sua modéstia foi a chave para o que iria depois uni-los e desenvolver entre eles uma profunda intimidade. O que essa história tem em comum com nossa experiência atual? Quando cobrimos o que é externo enviamos uma mensagem de que o mais importante são os nossos corações e mentes. Isso nos diferencia dos animais, e sempre diferenciou, muito antes da era vitoriana.

O segundo mito sobre a modéstia é que ela seria sinônimo de puritanismo. Esse foi o argumento usado no terrível filme “Pleasantville” (2), ou seja, a premissa de que ninguém na década de 1950 se divertia ou o sabia o que era o amor. Ele começa em preto e branco e se torna colorido apenas quando os jovens “iluminam” seus pais instruindo-os sobre sexo. Logo de início pode-se dizer que isso, obviamente, não faz sentido: se os pais não sabiam como fazer as coisas, então como é que aqueles garotos estavam ali? Mas o filme reflete um conceito (infelizmente) comum de que a paixão, o amor e a felicidade eram inexistentes antes da modéstia ser “superada” na década de 1960. Na verdade, a modéstia é quase o oposto do puritanismo. Paradoxalmente, as pessoas puritanas têm mais em comum com a promiscuidade. Os puritanos e os promíscuos compartilham uma disposição contra o permitir-se ser “tocado” pelos outros, ou se apaixonar pelos outros. A modéstia, por outro lado, convida e protege o surgimento do verdadeiro amor. Ela é erótica, e não neurótica.

Para ilustrar este ponto, eu gosto de comparar as fotografias tiradas em Coney Island (3) quase um século atrás, com fotografias de praias de nudismo na década de 1970. Em Coney Island, os banhistas estão completamente encobertos, mas os homens e as mulheres estão “roubando olhares” uns para os outros, e parecem estar se divertindo muito. Nas praias de nudismo, em contraste, homens e mulheres mal olham para os outros. Em vez disso, eles olham para o céu. Eles parecem estar completamente entediados. Isso é o que as pessoas que vieram depois dos anos 60 descobriram sobre essa triste seqüência de relações sexuais: sem restar nada para a imaginação, o sexo se torna chato, entediante.


Foto de 1905 mostrando banhistas em Coney Island


O terceiro mito é que a modéstia não seria natural. Este mito tem uma longa história intelectual, que remonta pelo menos a David Hume, que argumentou que a sociedade inventou a modéstia para que os homens pudessem ter certeza de que as crianças eram deles mesmos. Como apontou Rousseau, esse argumento que a modéstia é uma construção social sugere que é possível se livrar da modéstia completamente. Hoje tentamos fazer exatamente isso, e é amplamente assumido que somos bem sucedidos. Mas somos mesmo?

Ao argumentar que Hume estava errado e que a modéstia está enraizada na natureza, um hormônio recém descoberto chamado ocitocina vem à mente. Este hormônio cria um resposta de vinculação quando a mãe está amamentando seu filho, mas também é liberado durante a atos íntimos. Aqui está a evidência física que as mulheres se tornam emocionalmente ligados a seus parceiros sexuais, mesmo que apenas pretendam um encontro mais casual. A modéstia protegia essa vulnerabilidade emocional natural, ela fazia as mulheres fortes. Mas nós realmente não precisamos recorrer à fisiologia para ver a naturalidade da modéstia. Podemos observar que em qualquer dia de vento, quando as mulheres vestindo saias seguram a saia ao redor das pernas a fim de evitar mostrar suas pernas, as mesmas pernas cujas saias “da moda” foram desenhadas para revelar. Apesar de tentarem seguir “as modas”, essas mulheres têm um instinto natural para a modéstia.

O quarto e último mito que quero abordar é que a modéstia seria uma preocupação apenas para as mulheres. Não estamos onde estamos hoje só porque o ideal feminino mudou. Apenas em parte isso é verdade. O ideal masculino seguiu o mesmo caminho. Já houve tempo em que era visto como viril e masculino ser fiel a uma mulher para a vida toda, e ser protetor para com todas as mulheres. Infelizmente, isso não é mais o caso, mesmo entre homens a quem muitas mulheres modestas poderiam olhar como almas gêmeas. As feministas modernas estão erradas em esperar que os homens sejam “cavalheiros” quando elas próprias não agem como “donzelas”, mas o que dizer dos homens que só querem ser “Don Juan” (4) e depois se lamentam que não há mais mulheres modestas por aí? Bem, eles são tão ruins quanto as feministas. E, claro, uma mulher pode estar vestida de forma modesta e ainda assim ser assediada na rua. Então, a verdade é que muito depende do respeito masculino para com a modéstia. É característico da sociedade moderna todo mundo querer que o(a) outro(a) seja bom(boa) para si, sem ter que mudar seu próprio comportamento, seja as feministas culpando os homens, os homens culpando as feministas, ou jovens culpando os seus “modelos” (5). Mas essa é uma postura infantil.

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(1) A Era Vitoriana no Reino Unido foi o período do reinado da Rainha Vitória, em meados do Século XIX, a partir de Junho de 1837 a Janeiro de 1901. O termo “vitoriano” é usada para designar – muitas vezes de maneira pejorativa aos olhos da mentalidade “moderna” – uma maneira de vestir que procurava cobrir ao máximo o corpo, e uma cultura que reprimia como má qualquer mínima insinuação de ordem sexual. Em outras palavras, usa-se “vitoriano” quase como sinônimo de puritanismo, uma concepção de pensamento de fundo maniqueísta que considera tudo que se relaciona ao corpo e ao material como “pecado”. O puritanismo não se coaduna com a doutrina católica, que considera o corpo como dom de Deus. "E Deus viu tudo que tinha feito, e viu que era bom" (Gên 1, 31). A verdadeira modéstia cobre o corpo não por achar que ele seja ruim ou mau, mas por considerá-lo precioso e bom.
(2) No Brasil traduzido como “A vida em preto e branco”.
(3) Coney Island é uma península, anteriormente uma ilha, localizada no Distrito de Brooklyn, Nova Iorque, Estados Unidos. O lugar ficou conhecido como um importante ponto turístico no início do século 20.
(4) Don Juan é um lendário libertino fictício. O nome às vezes é figurativamente usado como um sinônimo para conquistador, sedutor, alguém que não se preocupa com fidelidade, quer apenas conquistar uma mulher após a outra.
(5) Aqui no sentido de uma pessoa que serve como um modelo para uma outra pessoa para imitar, em um papel comportamental ou social particular.

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Trecho traduzido do artigo “Modesty Revisited”, de Wendy Shalit, reproduzido com permissão no site “Catholic Education Resource Center, a partir do jornal mensal do “Hillsdale College”.
Veja o artigo original (em inglês): http://catholiceducation.org/articles/sexuality/se0053.html